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Carlos Esperança

28 de Maio, 2007 Carlos Esperança

Em desespero há quem vá à bruxa

Casal McCann vai ser recebido pelo Papa

Os pais da menina de quatro anos desparecida há mais de três semanas, no Algarve, vão ser recebidos em audiência pelo Papa Bento XVI. (VISAO.pt 28 Mai. 2007)
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O Papa costuma receber os pais de crianças desaparecidas quando são pobres?
27 de Maio, 2007 Carlos Esperança

A religião humilha as mulheres

Chamem-me anticlerical, jacobino e carbonáro; acusem-me de mal-formado, herege e ateu; apelidem-me de mata-frades, frustrado e blasfemo. Não, não posso consentir que, em nome da tradição e da vontade divina metade da humanidade possa subjugar a outra metade.

A violência contra as mulheres é a cobarde perversidade de quem se habituou a dominar os meios de produção, a soberba de quem pretende usar a força contra a razão, a crueza de quem julga que a tradição lhe dá direitos e lhe confere poderes em função do género.

É preciso que a demência e a brutalidade do homem primitivo permaneçam na caverna dos hábitos e nas páginas misóginas dos livros sagrados para que o filho julgue inferior a mãe, o irmão se sinta superior à irmã e o homem com primazia sobre a mulher.

Deixem os clérigos reivindicar a ordem natural e outras estultícias, os cavernícolas uivarem de raiva e os conservadores rangerem os dentes em desespero. Não há justiça sem igualdade entre homens e mulheres, não há liberdade à custa da servidão de outrem nem felicidade que se construa na humilhação e sofrimento alheios.

A violência doméstica, quase sempre do homem sobre a mulher, é a tragédia silenciosa que se oculta dos filhos e dos vizinhos, que a lei até há pouco ignorava, a condenação à morte e impunidade com a desculpa dos costumes, dos exemplos e da vontade divina.

Ninguém é digno de respeito se o não souber merecer. A violência vertida nas páginas dos livros santos e na exegese dos teólogos que ensinam a agredir mulheres sem deixar marcas, ou que torturam, esfacelam e matam porque é um direito que lhes assiste, é uma nódoa incompatível com a civilização e a democracia, intolerável nos herdeiros do iluminismo e da Revolução Francesa.

26 de Maio, 2007 Carlos Esperança

A religião e a impunidade da violência

«Rania Al-Baz era uma mulher bonita e bem-sucedida: uma apresentadora de televisão famosa na Arábia Saudita. Depois de espancada pelo marido, precisou de passar por 33 cirurgias. Ela contou essa história em um livro».
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Adenda sobre o Islão:
24 de Maio, 2007 Carlos Esperança

Igrejas – Todas iguais, todas más

As Igrejas não são associações éticas e de solidariedade social, são bandos organizados para a conquista do poder. Actuam junto dos incautos para os convencer da bondade do seu Deus e, no interior do aparelho de Estado, para convencerem os que o dominam das vantagens da colaboração recíproca.

O clero duvida do dogma mas crê na eficácia de o fazer aceitar. As religiões lembraram-se de embirrar com a carne de porco como podiam ter antipatizado com as coxas de rã. Inventaram a hóstia de pão ázimo porque ignoravam o chocolate e as bolachas e porque eram mais baratas. Os sacramentos são a arreata da fé e a confissão a arma de domínio das consciências e da espionagem.

A fragilidade dos crentes é explorada até à exaustão. A morte, a doença e a angústia são o terreno fértil para a sementeira de Deus.

Vejamos o caso da família inglesa McCann e do desaparecimento da filha Madeleine, de quatro anos. A tragédia da criança, o sofrimento dos pais e a ansiedade colectiva, que a comunicação social se encarrega de estimular, deu origem à mais vasta operação de manipulação religiosa dos últimos tempos.

Hoje são as crianças da praia da Luz que se mobilizam para o terço, ontem foram os pais que se deslocaram a Fátima em oração privada, acompanhados de um batalhão de fotógrafos, operadores de câmara e jornalistas. Já lá vão 21 dias de orações, missas e novenas numa operação de proselitismo e encenação religiosa a raiar o obsceno.

Se em vez de uma criança loira, de pais da classe alta, estivessem em causa as crianças da América Latina, onde – segundo B16 – o cristianismo entrou de forma pacífica, nem uma só ave-maria tinha sido gasta. E todos os dias são aí raptadas e vendidas crianças.

Eis a hipocrisia e o oportunismo da ICAR.

23 de Maio, 2007 Carlos Esperança

B16 – Papa medieval

A dimensão das asneiras prova a infalibilidade. O ridículo dos milagres atesta a origem divina. O autoritarismo do Sapatinhos Vermelhos prova que o Espírito Santo disse aos cardeais em quem deviam votar.

Na ICAR o Espírito Santo tem sido abandonado nas orações e no respeito. Deixaram de lhe fazer festas, endossar pedidos e dirigir orações. Até a iconografia sacra o ignora.

A pomba caiu em desgraça. Foi ela que avisou Maria da gravidez indesejada. A Virgem, na sua divina ignorância, acreditava no método das temperaturas e, para preservar a fé, que é um dom do Espírito Santo, este voou até à Terra para a avisar da prenhez.

Mas a Igreja é como as mercearias. Desfazem-se dos monos e lançam no contentor do lixo os géneros avariados. Foi o que aconteceu ao Espírito Santo, sem devotos, preces, aparições ou festas litúrgicas.

Hoje, vale mais uma santinha de Balazar que passa anos sem comer, nem beber e em anúria, factos que o Papa JP2 confirmou, do que o Espírito Santo, apesar da linhagem aristocrática das velhas religiões donde o importaram e dos recados que fazia a Jeová.

Com o andar dos tempos restam os santos autóctones de que a ICAR já fez stock e umas Virgens de origem duvidosa e pouco dadas a milagres, para entreter os crentes e nutrir o clero.

Deus é cada vez mais uma referência exótica com reles cotação na bolsa de valores da superstição. O latim ainda vai alimentar o Vaticano e restituir o brilho às missas.

22 de Maio, 2007 Carlos Esperança

Documentário sobre padres pedófilos

Quando o Papa Rätzinger condenou a publicação das caricaturas de Maomé não foi por respeito ao rude pastor de camelos, foi por genuína aversão à liberdade de expressão.

O Index Librorum Prohibitorum do Vaticano foi abolido em 1966 mas persistem a vocação censória, os tiques autoritários e o horror à liberdade. Foi o desprezo da sociedade que fez a ICAR desistir da censura, não foi a conversão à democracia.

O documentário da BBC, «Crimes sexuais e o Vaticano», com o prestígio e rigor de que goza a estação inglesa, está em vias de ser censurado em Itália.

Mario Landolfi, presidente da comissão parlamentar que supervisiona a RAI, pediu ao diretor-geral da emissora, Cláudio Cappon, que não autorize a transmissão.

A liberdade, a apostasia, a blasfémia e a carne de porco são obsessões das religiões do livro. Merecem-lhe um ódio profundo.

21 de Maio, 2007 Carlos Esperança

Momento Zen de segunda

Lê-se a homilia de João César das Neves (JCN) às segundas-feiras no Diário de Notícias e fica a dúvida se é penitência do confessor, pela gravidade dos pecados, ou a deriva prosélita de um talibã apostólico romano.

JCN, na homilia de hoje, afirma que «o Iluminismo foi o único movimento cultural mundial que tentou fundar uma seita ateia e anti-religiosa». Esta afirmação não reflecte apenas miopia, revela ignorância e maldade. No fundo, é a nostalgia da Idade Média, das monarquias absolutas e do poder clerical.

JCN, na sua beata alienação começa por atribuir ao Iluminismo a responsabilidade pela Guilhotina e o Goulag – o que é uma mentira grosseira -, mantendo um silêncio pio sobre as fogueiras do Santo Ofício que foram um facto incontroverso.

Perturbado com a investigação histórica e com os novos avanços da arqueologia, JCN debita algumas inanidades e acaba por execrar os livros adversos fazendo uma boa selecção das publicações recentes: «The God Delusion do cientista britânico Richard Dawkins (Bantam Books, Setembro 2006); God Is Not Great: How Religion Poisons Everything, de Christopher Hitchens (Twelve, Maio de 2007) e a recente tradução portuguesa de The End of Faith: Religion, Terror, and the Future of Reason, de Sam Harris (W.W. Norton, 2004; Tinta da China, 2007).

E acaba, naturalmente, a considerar que «No meio da confusão, um livro marca a época: Jesus de Nazaré (Esfera dos Livros, Maio 2007), do Papa Bento XVI».

Nem outra coisa era de esperar.

Vale a pena ler a homilia completa. Faz pior à fé o fundamentalismo de um crente exaltado do que o livre-pensamento.

19 de Maio, 2007 Carlos Esperança

O Vaticano e a liberdade

O Vaticano não é apenas um Estado pária, é uma teocracia que se julga depositária da vontade divina e exibe a arrogância de quem nunca tem dúvidas e não se engana.

O Vaticano lamenta a não adopção de Declaração de direitos indígenas quando os seus padres foram os mais ferozes devastadores da sua cultura, e dos próprios indígenas, cuja evangelização era forçada para os que resistiram à varíola, à fome e à escravatura.

A intolerância, o ódio à diferença e o proselitismo são apanágio das religiões, em geral, e do catolicismo, em particular. Como pode a ICAR arrogar-se a defesa da liberdade e dos direitos de quem quer que seja?

Evo Morales vai pedir explicações ao Vaticano sobre afirmações do Papa, no Brasil, a respeito de Governos autoritários. A Bolívia não é um exemplo de tolerância mas, em comparação com o Vaticano, é uma democracia avançada.

Quando B16 afirmou, no Brasil, que a evangelização da América Latina foi pacífica referia-se certamente à paz dos cemitérios e provocou uma onda de indignação pelo desplante de não reconhecer o processo sangrento que marcou a evangelização na América Latina.

Hoje, o conhecimento da história está ao alcance de muitos e a mentira sobre factos é mais fácil de rebater do que o embuste sobre Deus. No tribunal da História B16 será julgado pela sua obsessão em rever a história e absolver dos crimes o passado da sua Igreja.

19 de Maio, 2007 Carlos Esperança

Adão e Eva

Naquele tempo, Adão e Eva, fartos de castidade e do Paraíso, emigraram para longe de Deus e dos preconceitos, dos anjos e dos seus ridículos ademanes, da fauna celeste e da subserviência ao patrão.

Calculo o que Adão terá dito a Eva quando, em êxtase, lhe confessava: «Aquela besta disse que éramos feitos de barro para não darmos largas à paixão, para não termos em vista outros fins além da procriação e não nos mexermos com medo de nos quebrarmos.

E, no intervalo da recreação, enquanto comiam amoras silvestres, diziam mal daquele celibatário que recalcava os impulsos e começou a fazer o catálogo dos pecados.

Adão e Eva folgaram e foram fiéis até crescerem os rebentos e a promiscuidade tomar o lugar da moral. Como viveram centenas de anos e sempre férteis, foram muitos os filhos que fizeram em união de facto, por falta de padre que os casasse e de água benta que os aspergisse.

Há quem garanta que Adão e Eva eram ateus: não rezavam nem iam em peregrinação a Fátima. Eram nudistas e não rezavam o terço. Não iam às procissões e nunca pagaram o dízimo.

Como não foram baptizados deviam estar no Limbo mas agora, como foi encerrado, vai ser uma dificuldade dos diabos transportar os utentes para o Paraíso com a comunicação social à espera de entrevistar Deus.