Hoje, dia 2 de Setembro, a cidade de Braga vai renovar a consagração ao Coração de Maria, junto ao monumento em sua honra, no Bairro da Misericórdia. Como noutros anos, o programa consta de missa campal pelas 15h00 seguindo-se a procissão com o seguinte itinerário: Bairro da Misericórdia, (…) e, de novo, Bairro da Misericórdia, onde se fará a renovação da consagração.
Este acto solene é levado a cabo pelo Movimento de Erecção dos Monumentos ao Imaculado Coração de Maria que conta, em Portugal, com 250 grupos.
Em Braga, está sedeado no Bairro da Misericórdia e por esta manifestação de fé se dá cumprimento à Mensagem de Fátima.
Esta notícia pia merece alguns comentários:
1 – É a cidade de Braga que se consagra ou os padres que a querem consagrar?
2 – Os ateus também são consagrados contra a sua vontade tal como fazia Pio IX com o baptismo das crianças judias?
3 – A consagração é frequente, como se vê pela notícia, donde se conclui que o prazo de validade da sagração é relativamente curto, seja pela fraca qualidade da bênção ou pela inépcia do clero.
4 – A mensagem de Fátima é uma burla certificada podendo o pretexto ser mais credível.
5 – O «Movimento de Erecção» faz jus ao nome, não poupa os descrentes.
Não se pode negar a ligação entre crença e terrorismo religioso e, por isso, seria ingénuo acreditar que é possível pôr cobro ao último sem desmascarar a irracionalidade da fé. Na defesa da paz e da harmonia entre as pessoas urge combater a mentira e desmascarar a superstição.
Sem fé não seriam assassinadas crianças que viajam de autocarro a caminho da escola. É a religião que guia os terroristas para um centro de veraneio, a caminho de edifícios cheios de escritórios ou para o centro de um mercado pejado de gente. A religião diz aos trogloditas da fé que o crime que cometem é uma bonita acção ao serviço de Deus e não lhes falta com a recompensa merecida destinando-lhes uma assoalhada no Paraíso.
Sem a demência mística teriam sido possíveis os massacres contra os albigenses, o extermínio dos índios, as cruzadas e os churrascos de improváveis bruxas e suspeitos judeus? Sem as palavras de ódio bolçadas na Bíblia e no Corão teriam sido possíveis a Inquisição, as Cruzadas, a evangelização e os rios de sangue que os muçulmanos se encarregam de alimentar para glória e gozo de Maomé?
É fácil fanatizar uma criança e os clérigos encarregam-se de as procurar à nascença para as transformarem sucessivamente em crentes, assassinos e residentes no Paraíso.
O proselitismo é a lepra que corrói os crentes fanatizados. O seu desejo é eliminar os infiéis ou convertê-los e as conversões acontecem, nem sempre por medo.
Algumas conversões são reacções psicóticas relativas ao confronto da cultura religiosa individual com a carga emotiva activada pelos lugares sagrados. Estes são fruto da propaganda (Santo Sepulcro, sítios de aparições, locais de martírio, mausoléus de imãs ou profetas, etc.), aquela é o produto da fanatização perpetrada por agentes da religião.
Ninguém poderá negar que os períodos de mais intensa fé corresponderam sempre aos tempos mais negros da história da humanidade. O maoísmo, o estalinismo e o nazismo, bem como diversos nacionalismos, não foram mais do que religiões que prestaram culto a Mão, Estaline e Hitler num histerismo mimético ao que se passa com Cristo, Maomé e outros ícones que embotam o pensamento e ensandecem as pessoas.
Eu já sei o que isto é . Estive 10 dias na Tunísia e, por exemplo, não tinha acesso ao Diário Ateísta! e também a todos os sites franceses de laicidade que normalmente vejo. E fiz outras experiências interessantes – por exemplo, impossível aceder a qualquer site de DH!
A liberdade e a religião têm relações difíceis.
João Paulo II foi um papa supersticioso e beato. Foi dos poucos a acreditar na existência de Deus embora, depois, tenha exagerado no negócio dos milagres.
JP2 era, além do exibicionista, ansioso por mostrar os vestidinhos pios em toda a cristandade, um político conservador e obsoleto.
No que diz respeito a Timor, era um cúmplice da Indonésia que nunca permitiu que Dili tivesse um bispo titular porque Ximenes Belo era independentista. Nas suas deambulações pelo mundo tinha a hábito de afocinhar e oscular a terra, mas recusou-se a fazê-lo em Timor porque considerava o território indonésio.
Pois é esse papa pró-indonésio, o sucessor de um papa cuja morte não deixou averiguar (JP1), o protector do bispo Marcinkus, autor de graves fraudes no Banco Ambrosiano, o encobridor do crime (três mortos) da sua Guarda Suiça, o criador de santos e inventor de milagres, que agora vai viajar em bronze a caminho de Timor.
Seis metros e meio de altura e quatro de largura é uma dimensão só comparável com a sua devoção à Virgem mas inversamente proporcional à sua grandeza moral.
O papa do preservativo vai ter uma estátua em Timor. Num país tribal, com fome, doenças e analfabetismo, o bronze é o alimento que faltava para manter o povo de joelhos.
A Comissão Europeia (CE) pediu informações ao Governo italiano sobre as vantagens fiscais em matéria imobiliária da Igreja Católica no país, face à suspeita de que poderiam violar as regras sobre ajudas de Estado, anunciou o porta-voz sobre Concorrência, Jonathan Todd.
A Comissão, recordou o porta-voz, também fez as mesmas questões às autoridades espanholas, onde a Igreja Católica está isenta de pagar uma taxa municipal sobre construções, instalações e obras em propriedades imobiliárias.
Fonte: JN
E em Portugal?
No bazar da fé o Paraíso fica em cima e o Inferno em baixo. O Purgatório e o Limbo foram afastados para a periferia, enquanto o papa não os demoliu.
Foi com esta concepção arquitectónica que as duas maiores e menos recomendáveis multinacionais da fé despacharam os patronos, após a morte – para cima. Maomé, um rude pastor de camelos, subiu ao Paraíso num cavalo alado enquanto o Cristo, após três dias de férias de morto, foi para o Céu, pelos próprios meios, curar as cicatrizes e aparar a barba, convencido de salvar a humanidade sem que alguém lhe pedisse o sacrifício.
Os judeus criaram o mundo 4004 anos antes de Cristo ter nascido, fruto do cruzamento adúltero de uma judia com uma pomba. Bem, não foram os judeus, foi um tal Jeová que inventaram como Deus e que serviu de modelo para os plagiadores que viriam. Os cristãos eram judeus antes de serem adoptados por um imperador odioso e que se serviu da dissidência para cimentar o Império e ser absolvido dos crimes, um tal Constantino.
A partir daí os cristãos passaram a considerar os judeus piores do que os hereges, uns e outros merecedores da morte, com a amabilidade que os crentes reservam aos ímpios. Até acusaram os judeus de assassinarem bebés cristãos e de beberem o sangue, como se o paladar do sangue melhorasse com o baptismo que seria, assim, uma especiaria.
O mundo está cheio de doidos e de crentes. Que pesaríamos nós de alguém que nos exigisse, como prova de amizade, o sacrifício de um filho? – Diríamos que era uma besta. Mas foi isso que fez o Deus abraâmico e depois disse que estava a brincar, era só para ter a certeza de que o pai delinquente era um crente a sério e não um cretino com provas dadas.
Enfim, uma religião que assassinou em 300 anos entre 40 a 50 mil bruxas, algumas que copularam com o diabo, como confessaram as próprias graças à persuasão cristã dos inquisidores, não é para ser levada a sério, mas mantém inúmeros clientes e diversos estudiosos dedicados a uma ciência exotérica – a teologia. E eu, quando oiço falar de estudantes de teologia, temo o pior.
Não há bestas perfeitas porque ninguém é perfeito mas os prosélitos da fé, convencidos de que só há uma religião verdadeira, a sua, aproximam-se da perfeição porque julgam que uma é verdadeira.
Se não fosse o mal que causa, Deus era uma invenção curiosa e uma divertida lenda mas o raio dos apaniguados só pensam em substituir a razão pela fé e a felicidade pelo medo.
Temos de ter muito cuidado com os crentes que detêm o poder. São perigosos. Vamos estar atentos à Turquia.
Nota: Não sei se as asneiras a que me refiro são contadas de forma ortodoxa mas são muito próximas da versão canónica.
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