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Carlos Esperança

19 de Outubro, 2007 Carlos Esperança

Moral cristã

(Compilação de origem desconhecida)
19 de Outubro, 2007 Carlos Esperança

A nova basílica de Fátima

Aprendi na minha actividade profissional, na indústria farmacêutica, que são precisos grandes investimentos para recuperar um produto que está em queda. É o tempo das grandes decisões: ou se abandona a droga ou se investe forte.

Compreendo o dilema dos decisores comerciais de Fátima cujo declínio era esperado com o fim da guerra colonial, a implosão do comunismo da Rússia e os obscenos privilégios de que goza a Igreja católica em Portugal – motivos políticos que levaram a ICAR a promover milagres e segredos.

A fé é directamente proporcional ao sofrimento e atraso dos povos, salvo nos casos de proselitismo musculado onde ninguém se atreve a pôr em causa a bondade divina e a virtude dos clérigos. O Islão é hoje o paradigma de uma crença com que os crentes exultam graças ao espírito de conservação da espécie.

O catolicismo, desacreditado pelo Iluminismo, combatido pela Reforma, metido nos eixos pela Revolução Francesa, sobrevive pela intriga, chantagem e medo do Inferno.

A basílica de Fátima é circular, isto é, tal como Deus não tem ponta por onde se lhe pegue. São 57 mil metros cúbicos de betão onde Deus não vai aparecer (porque só aparece o que existe) destinados a sala de espectáculos com a repetitiva missa para 9 mil clientes sentados.

O espaço circular com 125 metros de diâmetro e 15 de altura reunirá cada vez menos crentes, porque a ciência avança e a fé recua. Um dia será mais um centro comercial a juntar ao universo das grandes superfícies num sítio onde o Sol nunca mais andará às cambalhotas, nem a Virgem saltitará de azinheira em azinheira, nem o anjo virá fazer a revisão às asas.

18 de Outubro, 2007 Carlos Esperança

Quem é Deus?

Se Deus existisse seria um ornitorrinco, animal tão bizarro que põe ovos, é mamífero e cujo leite escorre pelos pêlos.

O ónus da prova da infeliz invenção cabe em primeiro lugar aos que a promovem e, sobretudo, aos que vivem à sua custa, mas não há a mais leve suspeita de que exista, nem da sua parte o mínimo esforço para fazer prova de vida.

Como todas as religiões se reclamam do único Deus verdadeiro, detentoras do alvará da empresa de transportes para o Paraíso, teremos de concluir que as religiões são todas falsas, menos uma, na melhor das hipóteses e, provavelmente, são todas.

Deus é uma burla antiga e um negócio florescente. É natural que não faltem prosélitos para doutrinar crianças, ameaçar adultos e corromper governantes para venderem a utopia de um monstro que transforma a vida num pesadelo.

Há religiões que inventam milagres para o público, com truques de feira e golpes de ilusionismo. Têm ao seu serviço vigaristas, prestidigitadores e homens pios. No bazar da fé há crenças para todas as superstições, milagres para todas as bolsas e embustes para todos os simples.

O que não há é uma única religião que fomente a paz, espalhe a felicidade e promova a liberdade.

O Deus que anda para aí, como cão sem dono, é um troglodita homofóbico, racista, xenófobo, violento e misógino. Um Deus assim não é uma alimária que se respeite, é um asno a que é preciso prender a pata. É o Deus abraâmico que semeia o ódio, fomenta guerras e cria dementes capazes de matar e torturar. Precisa de um cabresto e de uma albarda.

17 de Outubro, 2007 Carlos Esperança

A invenção de Deus

Quando os homens, cheios de medo e superstição, inventaram os deuses, criaram-nos à sua imagem e semelhança, com defeitos e virtudes, mas humanizados.

Um dia inventaram um único troglodita que falava como as pessoas, pensava como os judeus e que encontrou um desgraçado que logo humilhou, obrigando-o a descalçar-se. Foi no Monte Sinai que as desavenças políticas entre tribos lograram inventar o déspota que, sozinho, criou o Céu e a Terra, ignorante de outras paragens, e ditou a Moisés vontades de gosto duvidoso e medíocre interesse.

Como Moisés, ou alguém por ele, falou de um Messias que viria, logo os mais ansiosos viram em Cristo o desejado que chegou à idade adulta sem biografia e morreu espetado num sinal mais. Eram danadas para as profecias as pessoas daquele tempo.

Depois veio um analfabeto condutor de camelos cujo casamento com uma viúva rica logo o valorizou, a ponto de lhe aparecer um anjo a ditar as mesmas iniquidades que já existiam no imaginário cristão. Maomé tornou-se um profeta ainda mais intolerante, xenófobo, rude e misógino do que os seguidores da seita anterior. A falta da cultura helénica e do direito romano tornou o Islão um alfobre de terror e proselitismo.

Ainda hoje o ódio cega as religiões, usando o medo e a crueldade como instrumentos de persuasão e, perante os mullahs e ayatollahs, o próprio Papa católico parece uma pessoa normal.

Mas não nos iludamos. No antro do Vaticano sopra a intolerância. O Papa exporta ameaças, excomunhões, intrigas, milagres, canonizações e outros actos de intolerância e mentira. O bando das sotainas rumina rancores e odeia a liberdade. Anti-semita, misógino e homofóbico, o Papa dirige uma cruzada contra o planeamento familiar, o divórcio, a apostasia, o preservativo, as uniões de facto, a actividade sexual e qualquer acto humano que dê prazer ou felicidade.

O déspota vitalício é chefe do único Estado do mundo onde não há uma maternidade e a vontade do Deus que inventaram, interpretada por ele, se opõe aos mais elementares direitos consagrados nos estados democráticos.

Entretanto, os seguidores da seita, deglutem o corpo e o sangue de Cristo em rodelas com que entram em êxtase místico numa orgia teofágica acompanhada de sinais cabalísticos de um oficiante com rendas e vestidinhos talares.

E levam-se a sério.

15 de Outubro, 2007 Carlos Esperança

Estaline – um demente assassino

Ainda hoje me interrogo se a violência do facínora se deve às ideias comunistas que dizia defender ou ao passado religioso vivido no seminário.

14 de Outubro, 2007 Carlos Esperança

Tarcísio Bertone – um talibã católico

O cardeal Tarcisio Bertone aproveitou o 90.º aniversário do embuste católico contra a República para apelar à «rebelião» dos cristãos.

Apesar de o tema já ter sido tratado pelos meus companheiros, Ricardo Silvestre e Ricardo Carvalho, quero também deixar algumas considerações no Diário Ateísta.

O cardeal Tarcisio Bertone é o secretário de Estado do Vaticano, um feudo totalitário, governado por um autocrata sem pergaminhos democráticos nem o mais leve sentido de tolerância – Bento 16. No Vaticano, Bertone está para o Papa como no Irão Mahmoud Ahmadinejad está para o ayatollah Ali Khamenei. O primeiro é o presidente virtual mas este último é o líder espiritual e o verdadeiro detentor do poder.

Nas teocracias todos rastejam em torno do déspota divino como as moscas à volta do seu alimento preferido. Mas, se na ditadura das sotainas são permitidos os atropelos à liberdade e os actos ignaros dos seus dignitários, exige-se aos biltres que respeitem os países que os acolhem.

O cardeal Bertone, uma santa alimária, cheia de hóstias e de ódio, não pode incitar os peregrinos da nova casa de alterne da fé católica a rebelarem-se contra o laicismo que lhe permite grunhir insultos à democracia e exaltar os desvarios da vontade divina.

A ICAR suspende um padre por se declarar homossexual, num acto de coragem que faltou a vários Papas, e os prelados que apoiaram Franco, Hitler, Salazar e Mussolini foram abençoados e, alguns, (Escrivá, por exemplo) canonizados.

Bertone é um mero ventríloquo do déspota que usa as orelhas sob a tiara, mas não pode incitar à rebelião os cidadãos do país que quer reconduzir a protectorado do Vaticano.

O estímulo à rebelião, ao jeito da demência islâmica que os clérigos católicos apreciam, é um acto criminoso que cai sob a alçada do código penal e um acto de desrespeito pela Constituição do País que lhe permitiu ganir latim e latir ódio pio.

12 de Outubro, 2007 Carlos Esperança

Fátima – Inauguração do estaleiro da fé

Está aberta ao público a maior área coberta da fé, em Portugal. Por ser demasiada a extensão ou por vaguearem na zona espíritos malignos foram usados quarenta bispos e cardeais para abençoar a inauguração do novo mealheiro da ICAR. O prazo de validade da bênção não foi divulgado.

A cerimónia, abrilhantada com a presença do Presidente da República e do presidente da AR, foi presidida pelo secretário de Estado do Vaticano, o Cardeal Tarcísio Bertone, e houve distribuição gratuita de hóstias aos interessados.

Ao longo dos anos, apesar espectáculo solar com que começou o negócio, da aparição da virgem que subia às azinheiras e do anjo que confundiu o local com um anjódromo, foram escassos os milagres. Foram mais as mortes por atropelamento na Estrada Nacional N.º 1.

O novo estabelecimento, que custou cerca de 80 milhões de euros (a ICAR é pouco fiável em contas) tem lugares sentados para nove mil clientes.

Fátima – uma das mais lucrativas delegações do Vaticano – continua a ser o local de destino de maratonistas com grande fixação nos dias 13. Os espectáculos anuais mais concorridos realizam-se a 13 de Maio e 13 de Outubro. Na década de setenta foi lançado com grande sucesso o 13 de Agosto para atrair o óbolo dos emigrantes.

Não há a mais leve suspeita de que a Virgem ou o anjo tenham voltado ao local nem de que a Rússia se tenha convertido, mas a tramóia política contra a República mudou de objectivos e transformou uma zona rural num centro urbano do sector terciário (onde se reza o terço).

A última maratona de padres-nossos e ave-marias a pedir à Senhora de Fátima para que a IVG metesse as mulheres na cadeia, redundou num enorme fracasso, com a Virgem a desinteressar-se do pedido e os portugueses a pronunciarem-se em sentido contrário.