«Eu conheço dois países na Europa que fabricam preservativos contendo o vírus da sida. Eles querem acabar com os Africanos, é o programa. Se nós não nos prevenirmos, seremos exterminados dentro de um século.
Francisco Chimoio, arcebispo católico de Maputo, prevenindo as suas ovelhas contra o preservativo. Quase 18% dos 19 milhões de Moçambicanos são seropositivos.
Fonte: Le Monde des Religions – novembre-décembre 2007 – pg. 18
Um estudante muçulmano defendeu um casal judeu de um ataque anti-semita no metro de Nova Iorque, cometido por um grupo de cristãos. Hassan Askari foi descrito como um herói.
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Comentário: Há homens tão bons que nem as religiões os pervertem.
Acabo de tomar conhecimento de uma notícia horrenda e da confirmação da autoria de um acto terrorista, ambos a repetirem-se com trágica regularidade.
– Canadá – Pai suspeito de estrangular a filha que não queria usar véu.
– Al Qaeda assume autoria de atentados que causaram 62 mortos na Argélia.
Se os Estados aprofundassem a distância em relação às religiões muitos sofrimentos se evitariam. Os partidos, na ânsia das vitórias eleitorais, capitulam com frequência face aos clérigos, na ânsia dos votos que julgam captar e das bênçãos que pensam arrecadar.
Os cidadãos andam alheados e não se dão conta de que só há liberdade religiosa quando a laicidade é uma exigência ética e política do Estado, quando este se obriga a garantir o direito à religião de cada um, bem como à sua ausência e às manifestações pacíficas de anti-religiosidade.
O Canadá, país de grande tolerância e respeito pelo multiculturalismo, pensou autorizar tribunais religiosos cujas sentenças tivessem como limite as do seu código penal. Creio que a sensatez prevaleceu. Não se pode igualar a civilização à barbárie, equiparar o Código Penal de um País culto com o direito de qualquer livro sagrado, a jurisprudência com a discricionariedade eclesiástica.
Se os Estados abdicarem da laicidade em que se alicerçam as democracias modernas, a pena de morte regressará aplicada a crimes tão exóticos como a blasfémia, o divórcio, a heresia, o adultério, a apostasia ou o sacrilégio, alguns deles direitos inalienáveis.
A igualdade entre os sexos, essa conquista das mulheres que as religiões não aceitam de bom grado ou liminarmente a repudiam, perder-se-á. E tudo isso porque os Estados não tratam as religiões com os critérios que usam para com os partidos políticos a quem proíbem – e bem – o racismo, a xenofobia, o incitamento à violência, a discriminação sexual e a homofobia.
Sob o pretexto do respeito pelas religiões, quase sempre para favorecer a maioritária, fica o Estado sem autoridade para reprimir os crimes religiosos com a severidade que aplica a outros de origem diferente.
Acácio Marques (estudante de teologia) in «As Beiras»
O Santuário de Fátima vai avançar com um sistema de videovigilância para combater os furtos naquele espaço religioso, tendo já sido solicitada autorização à Comissão Nacional de Protecção de Dados (CNPD) para utilização do equipamento.
«Tudo morre neste mundo. Morrem pessoas e árvores, ideologias e línguas, morrem projectos, sonhos e civilizações. Tudo morre, mas o nosso povo sabe quem é a última a morrer: a esperança». É com este truísmo banal que João César das Neves (JCN) inicia a homilia de hoje, no DN, antes de citar uma frase fútil: «Toda a acção séria e recta do homem é esperança em acto». [Bento XVI, encíclica Spes Salvi (SS 35)].
JCN nada diz de útil ou relevante, limita-se a fazer o panegírico da encíclica papal como se fosse uma obra grandiosa do pensamento, da literatura ou da ciência.
JCN não pretendeu escrever um artigo de opinião, limitou-se a imprimir um folheto de propaganda à última encíclica e reverenciar este papa como o faria a qualquer outro.
Depois de cinco das oito citações da encíclica, JCN começa a ensandecer e afirma:
«A ânsia do progresso revelou-se no martírio da Igreja. Paroxismos de fúria e crueldade desabaram sobre os cristãos a partir precisamente das ideologias progressistas. Do marxismo ao nazismo, no México, Espanha, Alemanha, URSS, Vietname e tantos outros, confirmou-se a profecia de Daniel: «Vi um quarto animal, horroroso, aterrador, e de uma força excepcional. Tinha enormes dentes de ferro; devorava, fazia em pedaços e o resto calcava-o aos pés. Era diferente dos animais anteriores».
Não se vê como se confirmou a profecia mas aconselham-se os pais a guardá-la para os filhos que recusam a sopa, sobretudo graças «aos enormes dentes de ferro».
A má fé com que JCN considera o nazismo uma ideologia progressista só tem paralelo na ligeireza com que omite a sedução dos cristãos perante tal ideologia e o entusiasmo anti-semita que despertou, bem como o apoio do Vaticano ao Estado fantoche nazi da Croácia (década de 40), sob o general Ante Pavelic, cuja violência no extermínio dos judeus e na conversão forçada dos cristãos ortodoxos levantou protestos dos oficiais nazis. Isto para não falar da reiterada recusa do Papa Pio XII em tomar uma posição contra o nazismo, ao contrário o que fez contra o comunismo.
JCN pergunta ainda de forma lancinante: «Porque [sic] razão o progresso tomou a Igreja como inimiga?»
No artigo, que seria imperdoável não ler na íntegra, JCN ainda tem tempo para citar a Bíblia e terminar com o Papa:
– O homem de hoje quer «Ser como Deus», como prometeu a serpente do Éden na suprema tentação (cf. Gn, 3,5).
– Tudo morre. Apenas Um ressuscitou dos mortos. «Chegar a conhecer Deus, o verdadeiro Deus: isto significa receber esperança» (SS 3).
Nota: O verdadeiro Deus é o de JCN e Bento XVI, naturalmente.
Um cristão, um muçulmano e um ateu estão a jogar às cartas.
A dada altura, falha a luz e ficam às escuras.
O cristão começa a rezar:
– Senhor! Por favor dai-nos luz novamente, para podermos terminar o jogo!
Como não resulta, o muçulmano também reza:
– Alá é grande! Alá vai-nos fazer ver a luz! Alá vai-nos permitir acabar o jogo!
O ateu levanta-se e vai mudar o fusível.
O cristão e o muçulmano gritam em uníssono: Milagre!
O Diário de uns ateus é o blogue de uma comunidade de ateus e ateias portugueses fundadores da Associação Ateísta Portuguesa. O primeiro domínio foi o ateismo.net, que deu origem ao Diário Ateísta, um dos primeiros blogues portugueses. Hoje, este é um espaço de divulgação de opinião e comentário pessoal daqueles que aqui colaboram. Todos os textos publicados neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as posições da Associação Ateísta Portuguesa.