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Carlos Esperança

13 de Dezembro, 2007 Carlos Esperança

A verdade católica

«Eu conheço dois países na Europa que fabricam preservativos contendo o vírus da sida. Eles querem acabar com os Africanos, é o programa. Se nós não nos prevenirmos, seremos exterminados dentro de um século.

Francisco Chimoio, arcebispo católico de Maputo, prevenindo as suas ovelhas contra o preservativo. Quase 18% dos 19 milhões de Moçambicanos são seropositivos.

Fonte: Le Monde des Religions – novembre-décembre 2007 – pg. 18

12 de Dezembro, 2007 Carlos Esperança

Laicidade e democracia

Acabo de tomar conhecimento de uma notícia horrenda e da confirmação da autoria de um acto terrorista, ambos a repetirem-se com trágica regularidade.

Canadá – Pai suspeito de estrangular a filha que não queria usar véu.

Al Qaeda assume autoria de atentados que causaram 62 mortos na Argélia.

Se os Estados aprofundassem a distância em relação às religiões muitos sofrimentos se evitariam. Os partidos, na ânsia das vitórias eleitorais, capitulam com frequência face aos clérigos, na ânsia dos votos que julgam captar e das bênçãos que pensam arrecadar.

Os cidadãos andam alheados e não se dão conta de que só há liberdade religiosa quando a laicidade é uma exigência ética e política do Estado, quando este se obriga a garantir o direito à religião de cada um, bem como à sua ausência e às manifestações pacíficas de anti-religiosidade.

O Canadá, país de grande tolerância e respeito pelo multiculturalismo, pensou autorizar tribunais religiosos cujas sentenças tivessem como limite as do seu código penal. Creio que a sensatez prevaleceu. Não se pode igualar a civilização à barbárie, equiparar o Código Penal de um País culto com o direito de qualquer livro sagrado, a jurisprudência com a discricionariedade eclesiástica.

Se os Estados abdicarem da laicidade em que se alicerçam as democracias modernas, a pena de morte regressará aplicada a crimes tão exóticos como a blasfémia, o divórcio, a heresia, o adultério, a apostasia ou o sacrilégio, alguns deles direitos inalienáveis.

A igualdade entre os sexos, essa conquista das mulheres que as religiões não aceitam de bom grado ou liminarmente a repudiam, perder-se-á. E tudo isso porque os Estados não tratam as religiões com os critérios que usam para com os partidos políticos a quem proíbem – e bem – o racismo, a xenofobia, o incitamento à violência, a discriminação sexual e a homofobia.

Sob o pretexto do respeito pelas religiões, quase sempre para favorecer a maioritária, fica o Estado sem autoridade para reprimir os crimes religiosos com a severidade que aplica a outros de origem diferente.

11 de Dezembro, 2007 Carlos Esperança

Fátima – Deus precisa de reforços

O Santuário de Fátima vai avançar com um sistema de videovigilância para combater os furtos naquele espaço religioso, tendo já sido solicitada autorização à Comissão Nacional de Protecção de Dados (CNPD) para utilização do equipamento.

10 de Dezembro, 2007 Carlos Esperança

Momento zen de segunda. Encíclica Spes Salvi

«Tudo morre neste mundo. Morrem pessoas e árvores, ideologias e línguas, morrem projectos, sonhos e civilizações. Tudo morre, mas o nosso povo sabe quem é a última a morrer: a esperança». É com este truísmo banal que João César das Neves (JCN) inicia a homilia de hoje, no DN, antes de citar uma frase fútil: «Toda a acção séria e recta do homem é esperança em acto». [Bento XVI, encíclica Spes Salvi (SS 35)].

JCN nada diz de útil ou relevante, limita-se a fazer o panegírico da encíclica papal como se fosse uma obra grandiosa do pensamento, da literatura ou da ciência.

JCN não pretendeu escrever um artigo de opinião, limitou-se a imprimir um folheto de propaganda à última encíclica e reverenciar este papa como o faria a qualquer outro.

Depois de cinco das oito citações da encíclica, JCN começa a ensandecer e afirma:

«A ânsia do progresso revelou-se no martírio da Igreja. Paroxismos de fúria e crueldade desabaram sobre os cristãos a partir precisamente das ideologias progressistas. Do marxismo ao nazismo, no México, Espanha, Alemanha, URSS, Vietname e tantos outros, confirmou-se a profecia de Daniel: «Vi um quarto animal, horroroso, aterrador, e de uma força excepcional. Tinha enormes dentes de ferro; devorava, fazia em pedaços e o resto calcava-o aos pés. Era diferente dos animais anteriores».

Não se vê como se confirmou a profecia mas aconselham-se os pais a guardá-la para os filhos que recusam a sopa, sobretudo graças «aos enormes dentes de ferro».

A má fé com que JCN considera o nazismo uma ideologia progressista só tem paralelo na ligeireza com que omite a sedução dos cristãos perante tal ideologia e o entusiasmo anti-semita que despertou, bem como o apoio do Vaticano ao Estado fantoche nazi da Croácia (década de 40), sob o general Ante Pavelic, cuja violência no extermínio dos judeus e na conversão forçada dos cristãos ortodoxos levantou protestos dos oficiais nazis. Isto para não falar da reiterada recusa do Papa Pio XII em tomar uma posição contra o nazismo, ao contrário o que fez contra o comunismo.

JCN pergunta ainda de forma lancinante: «Porque [sic] razão o progresso tomou a Igreja como inimiga?»

No artigo, que seria imperdoável não ler na íntegra, JCN ainda tem tempo para citar a Bíblia e terminar com o Papa:

O homem de hoje quer «Ser como Deus», como prometeu a serpente do Éden na suprema tentação (cf. Gn, 3,5).

– Tudo morre. Apenas Um ressuscitou dos mortos. «Chegar a conhecer Deus, o verdadeiro Deus: isto significa receber esperança» (SS 3).

Nota: O verdadeiro Deus é o de JCN e Bento XVI, naturalmente.

9 de Dezembro, 2007 Carlos Esperança

Cristo nasceu pelo sovaco da Virgem

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O dogma proclamado a 8 de Dezembro de 1854 por Pio IX declara a santidade da Virgem Maria desde o primeiro momento da sua existência.
O outro dogma inventado por este papa, ferozmente anti-semita, é ainda mais divertido: o da infalibilidade papal.
7 de Dezembro, 2007 Carlos Esperança

Humor

Um cristão, um muçulmano e um ateu estão a jogar às cartas.
A dada altura, falha a luz e ficam às escuras.

O cristão começa a rezar:
– Senhor! Por favor dai-nos luz novamente, para podermos terminar o jogo!

Como não resulta, o muçulmano também reza:
– Alá é grande! Alá vai-nos fazer ver a luz! Alá vai-nos permitir acabar o jogo!

O ateu levanta-se e vai mudar o fusível.

O cristão e o muçulmano gritam em uníssono: Milagre!