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Carlos Esperança

20 de Dezembro, 2007 Carlos Esperança

A escolha livre dos pais e a imposição dos padres

Na sequência do post do Bruno Resende vou também escrever algumas linhas sobre a escolha livre dos pais.

A ICAR, quando refere a escolha livre dos pais, quer apenas dizer que a liberdade reside no carácter obrigatório de impor nas escolas públicas a disciplina de Religião e Moral católicas. Era o que acontecia no meu tempo na escola primária e no liceu onde só 1 (um) aluno, em cerca de mil, estava dispensado por ser filho de pais protestantes.

Lembro-me bem da humilhação a que foi submetido, obrigado a entrar na primeira aula do ano e na forma como o padre Cabral lhe dizia que estava dispensado das aulas de Religião e Moral que ele ministrava com inexcedível zelo e violava em Salamanca por exigência do cio.

Já é surpreendente que sejam os padres a bater-se pelo que chamam a escolha livre dos pais, sem procuração dos reprodutores passada a não praticantes, e é intolerável que se faça catequese em escolas públicas, a pessoas de menor idade e a expensas do Estado.

A Igreja católica, à semelhança das irmãs desavindas, com quem partilha o proselitismo e a intolerância, não desiste de doutrinar crianças com a bondade dos seus taumaturgos, o martírio do seu Deus e as ameaças do Inferno.

Se em democracia se mostram dialogantes, eu sei do que são capazes quando têm poder e do que pretende aquela figura sinistra que do Vaticano quer transformar o mundo num protectorado. É mais subtil do que são os trogloditas da Al-Qaeda mas o proselitismo e a intolerância são iguais.

18 de Dezembro, 2007 Carlos Esperança

Justiça religiosa

Não podendo julgar-se os criminosos por serem homens, pune-se a vítima porque é mulher.

Deus não é grande nem bom.

17 de Dezembro, 2007 Carlos Esperança

Quantos patifes foram canonizados?

[Bento XVI falou hoje da necessidade de «competência profissional e capacidade de discernimento» de todos os que apresentam ao Vaticano processos de beatificação e canonização.
O Papa insistiu na necessidade de os postuladores agirem de um «modo irrepreensível», com «rectidão» e «absoluta probidade» em todo o processo das causas].

Comentário: O Papa terá medo de canonizar mais um cão (S. Guinefort) ou teme descobrir entre os novos santos algum velho assassino?

16 de Dezembro, 2007 Carlos Esperança

A ICAR e o preservativo

A Igreja católica embirrou com o preservativo com a mesma obsessão paranóica de Maomé ao toucinho e com o ódio adicional à sexualidade, comum às duas religiões.

Houve quem julgasse que as mentiras arrojadas do arcebispo católico do Maputo contra o preservativo eram declarações exóticas de um fanático à revelia do antro do Vaticano: «Eu conheço dois países na Europa que fabricam preservativos contendo o vírus da sida. Eles querem acabar com os Africanos, é o programa. Se nós não nos prevenirmos, seremos exterminados dentro de um século.»

Estas afirmações não são disparates isolados do mais destacado bispo moçambicano no País que tem quase 18% dos seus 19 milhões de habitantes seropositivos, são um crime contra a humanidade em que se encontra acompanhado pelo cardeal Alfonso Lopez Trujillo, presidente do Conselho Pontifical para a Família no Vaticano (Estado onde os cidadãos estão proibidos de constituir família). Este cardeal avisou os católicos de que todos os preservativos são fabricados secretamente com muitos buracos microscópicos através dos quais o vírus da Sida pode passar. Em vez de pedir emprego numa fábrica de preservativos, na secção do controle de qualidade, dedica-se ao terrorismo verbal.

Rafael Llano Cifuentes, bispo auxiliar do Rio de Janeiro, explicou durante um sermão o facto de a sua Igreja ser contra o preservativo com um argumento demolidor: «nunca vi um cãozinho usar um preservativo durante uma relação sexual com uma cadela».

Altos membros da ICAR têm dito aos crentes que os preservativos transmitem a SIDA: o cardeal Obando y Bravo da Nicarágua, o arcebispo de Nairobi, no Quénia, e o cardeal Wamala do Uganda. Nenhum deles se distinguiu pela inteligência ou bondade mas têm em comum a piedade e a devoção ao Papa. Constituem um perigoso grupo de facínoras que contribuem para a propagação da SIDA e para o aumento da mortalidade.

Fonte principal dos nomes dos malfeitores: «deus não é Grande», de Christopher Hichens

16 de Dezembro, 2007 Carlos Esperança

Suspensão do Natal

Corre o boato de que este ano não haverá Natal porque foi proibido o presépio. A ASAE (Autoridade de Segurança Alimentar e Económica) exigiu o encerramento do estábulo por falta de condições higiénicas e o Tribunal de Menores mandou entregar o menino Jesus aos pais biológicos.

15 de Dezembro, 2007 Carlos Esperança

O Kosovo, a Europa e a porcaria das religiões

A última tragédia balcânica começou com o reconhecimento da Croácia pelo Vaticano e Alemanha, esta dirigida por um político de grande dimensão, o chanceler Helmut Kohl, que terá cometido aí um grande erro histórico que arrastou o resto da Europa.

Sabe-se o que foi depois o desmembramento da Jugoslávia até terminar na guerrilha dos nacionalistas do Kosovo, verdadeiros bandos terroristas que assassinavam sérvios, e na repressão sangrenta e genocida dos sérvios sobre as populações não sérvias do Kosovo até à intervenção da NATO e ao julgamento de Slobodan Milošević,

Não vale a pena discorrer sobre o que podia ter sido e o que não deveria ter acontecido. Os factos são o que são e, neste momento, a secessão do Kosovo é irreversível. Os ódios são violentos e o sangue ainda está quente mas é inaceitável que as religiões e as etnias separem os povos e os tornem incompatíveis e irreconciliáveis.

A Sérvia tem no Kosovo o seu berço histórico, tinha ali numerosos conventos (cristãos ortodoxos) e os sérvios sentem a secessão como uma alienação do território nacional, com a cumplicidade da União Europeia e dos EUA. Definitivamente a Sérvia tem sido maltratada pela Europa a que ligou a sua história e cuja civilização ajudou a moldar.

O que vai acontecer não é a independência do Kosovo, é a vitória da Grande Albânia, cujos demónios ressuscitam, a humilhação da Sérvia e a decepção da Grécia. Muitos dos albaneses do Kosovo não passam de sérvios islamizados e o território, longe de constituir um espaço de paz e liberdade, começa por ser uma fonte de ressentimentos regionais e acabará num quebra-cabeças a 27.

A situação é injusta mas irreversível.

14 de Dezembro, 2007 Carlos Esperança

Diálogo de civilizações

O diálogo de civilizações não tem passado de um eufemismo com que se apela à trégua entre religiões enquanto todas traçam estratégias para o proselitismo e procuram ganhar poder e influência no processo de globalização em curso.
Não há diálogo de civilizações. A civilização é já a síntese de culturas cujo apanágio é a tolerância e o direito à diferença. A democracia não debate com o totalitarismo nem este aceita aquela.

Há hoje uma luta ruidosa entre a civilização e a barbárie, entre os que fazem da fé uma opção particular ou não a têm e os que não desistem de a impor aos outros, entre os que cumprem os preceitos de uma qualquer doutrina de forma discreta e os que se esforçam para que todos adiram à sua.

É urgente parar os actos terroristas que dilaceram o mundo. As pessoas estão receosas e a civilização em risco. O fundamentalismo protestante dos EUA incentiva os líderes de outras religiões que o secularismo e a laicidade tinham contido. Os pastores que atacam as clínicas que praticam abortos nos EUA, à frente de fanáticos desvairados, são iguais aos terroristas islâmicos que destroem um autocarro com crianças cujos pais têm uma religião diferente.

Há hoje uma desgraçada tendência nos países árabes para impor o totalitarismo religioso e um ódio aos cristãos que se assemelha ao que estes tinham aos judeus antes da última Grande Guerra. Os árabes cristãos estão a desaparecer do Médio Oriente, obrigados ao exílio ou à conversão, e, neste caso, objecto das suspeitas que o cristão-novo inspirava à Inquisição, na Idade Média.

Deixar que os cristãos e judeus sejam extintos entre os árabes é condenar uma etnia à pureza religiosa e todos sabemos os riscos da «pureza», das raças às ideologias, das religiões às convicções políticas.

É difícil que os europeus continuem a facilitar a prática do Islão quando nos países em que ele é maioritário se impedem práticas cristãs, judaicas ou budistas e não se tolera o ateísmo, quando a heresia e a apostasia podem custar a decapitação, quando o Corão é o instrumento de fanatização de crianças e a fé o detonador do ódio.

Todas as religiões se consideram detentoras do alvará da empresa de transportes para o Paraíso e do único deus verdadeiro, donde se conclui que todas as religiões são falsas menos uma. Na melhor das hipóteses.

Os herdeiros do Iluminismo e da Revolução Francesa não podem deixar-se imolar pelos que não se contentam com o Paraíso para si próprios mas se obstinam em impô-lo aos outros.

14 de Dezembro, 2007 Carlos Esperança

Diálogo de civilizações (2)

VATICANO O Vaticano publicou uma Nota Doutrinária que reafirma o dever de todos os fiéis de evangelizar os não-católicos, incluindo membros de outras religiões cristãs. Pregar o Evangelho aos não-católicos não significa ter “atitudes de intolerância” nem é um “perigo para a paz”, além de ser “um dever e também um direito irrenunciável”, diz a nota.