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Carlos Esperança

30 de Janeiro, 2008 Carlos Esperança

Reflexões sobre a fé

«É conhecido o ódio implacável que todos os sectários têm por todos aqueles que abandonam a sua seita». – Voltaire, in Tratado sobre a tolerância – pg. 60.

À semelhança das fadas e duendes deus podia ter sido uma ideia interessante mas tornou-se um pesadelo insuportável. As religiões encarregaram-se de tornar deus cada vez mais intolerante, cruel, vingativo e totalitário, um demente com horror ao sexo e obcecado por roupa feminina.

A fé seria suportável se as pessoas infectadas se limitassem a vivê-la sem tentarem contaminar os outros e deixassem de perseguir os que se curam ou trocam de enfermidade. É verdade que muitas religiões abandonaram os métodos expeditos de evangelização e os castigos que infligiam aos apóstatas mas não foi por benevolência da religião ou dos seus padres, foi porque o poder secular lhes pôr um freio.

A globalização em curso foi a campainha de alarme para o negócio da fé. Os mais devotos lançaram-se numa campanha de proselitismo onde todos os meios são válidos para manterem os feudos tradicionais e tentarem conquistar novas fatias no difícil mercado das almas. A ameaçadora inércia da tradição paira sobre as conquistas civilizacionais com a raiva beata em busca do retrocesso.

As perseguições religiosas e as guerras da fé, esquecida a crueldade de séculos de devoção e massacres, voltaram em força com legiões de fanáticos embrutecidos nos antros das confissões religiosas e, quanto maiores forem a violência e o medo, maiores se tornam a devoção e a raiva.

Em todos os tempos houve pessoas que fizeram o bem, não por serem crentes mas por serem boas; e muitas outras que fizeram o mal, não por serem más mas por serem crentes.

A luta entre a fé e a liberdade está aí, com boçais capazes de matarem e morrerem por um mito perigoso, com as religiões a semearem o medo e a guerra. Quanto mais santa for a guerra mais cruel será nos métodos e feroz na punição dos vencidos.

27 de Janeiro, 2008 Carlos Esperança

Os bandidos de Deus

Christopher Hitchens demonstra no seu livro, «deus não é Grande», como a religião envenena tudo. Não é de hoje, é uma tara atávica dos vários sistemas de crenças que, ao longo dos séculos, fomentaram guerras e deram origem às mais bárbaras crueldades.

É verdade que ninguém faz o mal de forma tão eficiente e entusiástica como os crentes de qualquer religião. Os homens inventaram deus como pretexto para se digladiarem, sem que lhes mingue atrevimento para qualificarem o biltre como misericordioso, justo e bom.

João Paulo 2 era um papa supersticioso e rural, talvez o último que acreditou em Deus, mas, olvidando as maldades próprias, sentiu o dever de pedir desculpa aos judeus pelos séculos de anti-semitismo cristão que os beatos que visitam o Diário Ateísta se esforçam por negar. Pediu desculpa aos muçulmanos pelas Cruzadas, sem despromover os santos facínoras que as fomentaram e não deixou de as pedir aos cristãos ortodoxos orientais pelas numerosas perseguições que Roma lhes infligiu.

É claro que só se arrependeu pelos crimes dos antecessores, manifestando mesmo uma vaga tristeza pela Inquisição, mas foi omisso sobre a responsabilidade dos seus padres e bispos no massacre de cerca de um milhão de pessoas no Ruanda.

Seria trágico que esquecêssemos os crimes das outras religiões depois de termos posto o cabresto nas orelhas dos pontífices e peado os bispos e padres no seu proselitismo. Não podemos esquecer que nas mesquitas e nas madraças andam clérigos rancorosos, à solta, a pregar o ódio aos infiéis e a morte de todos os que desprezam o boçal pastor de camelos.

A célula de facínoras desmantelada em Barcelona tinha na agenda atentados terroristas contra vários países, incluindo Portugal. Não se trata de pessoas que nasceram violentas, são crentes que a fé tornou dementes e que os clérigos treinaram para terroristas.

A benevolência para com os pregadores religiosos foi sempre superior à que as leis reservam para quem incite ao ódio e à violência. É tempo de um sobressalto laico e republicano contra quem financia, doutrina, arma e acolhe o exército de bandidos de Deus à solta pelo Planeta. 

26 de Janeiro, 2008 Carlos Esperança

Paulo Teixeira Pinto, Opus Dei e Causa Monárquica

Paulo Teixeira Pinto, atormentado com o peso de dez milhões de euros de indemnização pela saída do BCP e com a vergonha de, aos 47 anos, ficar obrigado a receber até ao fim da vida 500 mil euros anuais, enquanto o Banco a que presidia ficou sob investigação policial, vai dirigir a Causa Real.

As dores do cilício com que se mortifica e os actos pios com que pretende contornar as dificuldades bíblicas de «um rico entrar no reino do Céu», não o impedem de presidir à Causa Monárquica, uma instituição que em tempos era simpática por contrariar as leis da física – a única causa que não produzia efeitos.

O pio presidente, além das missas que vai dinamizar pela família de Bragança, que bem precisa, para sufragar as almas de quem tanto pecou e tão mal fez ao País, vai iniciar as funções de presidente da Causa Real… encontrando-se com o presidente da Assembleia da República, para lhe entregar uma petição com quatro mil assinaturas (certamente em número superior ao dos monárquicos) para que o centenário do regicídio seja declarado luto nacional.

O país já esqueceu que, na sequência da tentativa revolucionária de 28-01-1908, o rei D. Carlos assinou em 31-01-1908, em Vila Viçosa, o decreto que legitimava a ditadura de João Franco, o encerramento dos jornais, o fecho do Parlamento, permitindo o desterro para Timor de grande parte da oposição republicana e até monárquica, mas a História é impiedosa a recordar o que deu origem ao regicídio e não esquece que os vilipendiados Manuel Buíça e Alfredo Costa foram os mártires que deram a vida para vingar a afronta desse decreto, por mais que se lastime – e eu lastimo – a morte do rei e a do príncipe herdeiro.

A haver um dia de luto nacional era na véspera, pela suspensão das liberdades e pela afronta criminosa do degredo a que foram condenados os adversários políticos.

Mas a liberdade é um mero detalhe para o Opus Dei, uma instituição que apoiou a mais cruel ditadura do século passado na península Ibérica, a de Francisco Franco, e muitas outras na América do Sul, enquanto o mentor, monsenhor Escrivá, fazia uma carreira de tanta santidade que lhe bastou morrer para ser elevado aos altares. 

25 de Janeiro, 2008 Carlos Esperança

Itália – Tão perto do Vaticano…

Ao anunciar o voto favorável em Romano Prodi, Nuccio Cusumano, foi brindado por um colega da mesma formação política com cuspidelas e epítetos de «vendido, cornudo, pedaço de merda» e a expulsão sumária. O pequeno partido UDEUR dispunha de três senadores, suficientes para ditarem o destino do Governo Prodi.
Depois de ler o «Times» talvez se compreendam melhor as cuspidelas e os insultos de que foi vítima o senador Cusumano. Segundo o jornal conservador inglês, o Governo italiano pode ter caído sob a influência do Vaticano.
O “Times” escreve que o Vaticano, desagradado com a posição demasiado liberal de Prodi nas questões dos direitos dos homossexuais e na questão do aborto, poderia ter convencido o ex-ministro da Justiça, Clemente Mastella, a retirar o apoio do seu pequeno partido “União dos Democratas pela Europa” à coligação de centro-esquerda, da qual resultou a queda do Governo italiano, colocado em minoria.
Anteriormente, já a imprensa italiana referia que o Vaticano tentava intervir na política.
O Governo de Prodi tinha aprovado em Fevereiro do ano passado um projecto de lei que legalizava as uniões civis dos homossexuais.
Nota: Agradeço ao nosso leitor kavkaz a chamada de atenção para o artigo do jornal inglês.

25 de Janeiro, 2008 Carlos Esperança

Reflexão sobre o terrorismo islâmico

Tenho grande desconfiança sobre as religiões mas não tenha dúvida de que o terrorismo islâmico existe, como existiu o terrorismo católico das Cruzadas. E, se é verdade que os interesses económicos estão sempre na origem das guerras, não nos iludamos quanto às motivações religiosas. O petróleo e a fé têm andado juntos, é verdade.

Deus disse a Bush para invadir o Iraque e os cúmplices eram todos católicos. Enquanto o Papa condenava a invasão, os grandes entusiastas eram governantes que explicitavam publicamente a sua fé. Todos católicos. Todos amigos da hóstia e do Papa. Até Blair cuja transferência, por razões políticas, só se realizou depois da saída do Governo.

Basta ler a Bíblia ou o Corão para se verificar o manancial de violência que encerram. O Deus abraâmico é um déspota sanguinário, violento e vingativo a que Abraão estava disposto a sacrificar o filho. Uma besta de um pai. E um patife de um Deus.

Valeu-nos o Iluminismo e a Revolução Francesa para que os exegetas começassem a dizer que a Bíblia não dizia o que lá estava escrito.
Pode argumentar-se com a possibilidade de haver uma Reforma no Islão. Não a acho possível pois a laicidade é-lhes absolutamente intolerável. E o fracasso da civilização árabe tornou a religião mais agressiva. O Islão não tolera os direitos humanos nem a igualdade de direitos entre o homem e a mulher nem a democracia, tal como não se conformava Pio IX ao afirmar que a democracia e a liberdade eram incompatíveis com a Igreja católica. E tinha razão.

Não é por acaso que europeus caucasianos convertidos ao Islão se tornam terroristas. Não há povos terroristas mas há ideologias. Não há guerras de civilizações, há guerras entre totalitarismos ou entre a civilização e a barbárie.

Termino a citar o título de um livro interessante: «O Mundo Secreto do Opus Dei», escrito há mais de dez anos, que tem como subtítulo «Preparando o confronto final entre o Mundo Cristão e o Radicalismo Islâmico». Autor: Robert Hutchison.

23 de Janeiro, 2008 Carlos Esperança

Humor a circular pela NET

A ASAE PRENDEU O CARDEAL PATRIARCA

É a notícia do dia, a ASAE decidiu inspeccionar uma missa na Sé de Lisboa para inspeccionar as condições de higiene dos recipientes onde é guardado o vinho e as hóstias usadas na celebração.

Depois de sugerir ao cardeal que assegurasse que as hóstias têm um autocolante a informar a composição e a validade e se contêm transgénicos e que o vinho deveria ser guardado em garrafas devidamente seladas, os inspectores da ASAE acabaram por prender o cardeal já depois da missa, depois de terem reparado que D. José Policarpo não procedia à higienização do seu anel após cada beijo de um crente.

A ASAE decidiu encerrar a Sé até que a diocese de Lisboa apresente provas de que as hóstias e o vinho verificam as regras comunitárias de higiene e de embalagem, bem como de que da próxima vez que cardeal dê o anel a beijar aos crentes procede à sua limpeza usando lenços de papel devidamente certificados, exigindo-se o recurso a lenços descartáveis semelhantes aos usados nos aviões ou nas marisqueiras desde que o sabor a limão seja conseguido com ingredientes naturais.