CARTAZ NA PORTA DA IGREJA UNIVERSAL:
“SE VOCÊ ESTÁ CANSADO DE PECAR, ENTRE”
e alguém escreveu em baixo:
“SE NÃO ESTIVER… LIGUE-ME! ” MATILDE
– 931536874 – Serviço Completo
Cerca de 22 milhões de pessoas estão infectadas na África Subsaariana, onde morrem três quartos das vítimas de sida no mundo inteiro – lê-se num telegrama da Lusa.
Há muito que se conhece a tragédia que o desgraçado continente sofre. Conhecem-se milhões de infectados, as crianças órfãs e outras epidemias que dizimam países com fome, doenças, ditaduras e corrupção, que se encarregam de tornar infelizes os que aí nasceram.
Para Bento 16, 22 milhões de miseráveis não passam de almas que aguardam baptismo e o bilhete para o Paraíso, mas para quem não tem empedernido o coração pela fé, para quem sente alguma solidariedade com a dor, para quem desespera com o sofrimento, não pode tolerar-lhe que despreze a distribuição de preservativos como medida acertada.
Por mais frio e insensível que a sotaina o tenha tornado, por mais ódio que a castidade lhe tenha instilado, por maior cegueira a que as leituras pias o tenham conduzido, não pode dizer às pessoas condenadas para não se protegerem e aos jovens enamorados para praticarem a castidade.
A viagem de um dignitário religioso que a propaganda se encarrega de apresentar como sábio e a ignorância tribal de acreditar como bondoso, em vez de ajudar à melhoria dos níveis sanitários, contribui para aumentar a mortalidade.
Não sei em que consiste a terapêutica prescrita pelo autocrata: “um despertar espiritual e humano” e a “amizade pelos que sofrem”. Sei que a distribuição de preservativos é – contrariamente à mentira que afirma – a solução mais comprovada cientificamente e a de resultados mais sólidos na contenção da dramática epidemia.
Assassino não é apenas aquele que dispara a arma para causar a morte, é também o que usa a ignorância para impedir a vida.
O Colégio Episcopal da Igreja Metodista apelou ao Senado para que não aprove o acordo entre a Santa Sé e a República brasileira, uma vez que ele fere preceitos constitucionais, como a separação entre Estado e Igreja.
“Reafirmamos o direito da liberdade religiosa como um dos pilares indispensáveis de uma sociedade democrática”, diz pronunciamento dos bispos metodistas, que proclamam a importância constitucional do Estado laico.
Coerente com a pastoral do látex, uma pia obsessão deste frio inquisidor, B16 foi a África dizer que o preservativo não resolve o problema da SIDA.
No entanto é mais fiável do que a oração.
A única medida eficaz proposta pela ICAR é a castidade, uma atitude que na idade do Papa se revela prudente e fácil de seguir mas que constitui uma miserável insensibilidade perante os jovens.
Pode dizer-se que, com esta atitude, a Igreja católica é um agente propagador da SIDA. Não se trata de um mero preconceito, é um crime contra a humanidade, uma motivação baseada na crença, uma maldade nascida da repressão sexual e das leituras pias.
Um arcebispo no Recife anuncia a excomunhão dos responsáveis pelo aborto de uma menina de nove anos, o Vaticano o apóia e a CNBB o desautoriza. É o tipo de novela que me apraz e qual não perco nenhum capítulo.
Quem dá explicação, já perdeu a discussão. Dado o clamor nacional e mesmo internacional suscitado pela atitude desumana da Igreja em relação à menina de Alagoinha, padres, bispos e arcebispos estão se explicando desesperadamente nas páginas dos jornais. A cada explicação, se enrolam cada vez mais.
A Cúria Metropolitana de Olinda e Recife, fortaleza de Dom José Cardoso, tomou obviamente a defesa do chefe: “Todos os esforços desta Arquidiocese foram no sentido de salvar a vida das três crianças”. Não é verdade.
Resposta de um cibernauta (aliás, com factos conhecidos) respondendo a um católico:
Você se esqueceu de falar dos crimes da igreja romana na 2GM!!! Que tal citarmos o regime católico croata(pró-nazi) de Ante Pavelic, que exterminou mais de 1 milhão de não-católicos ( a maioria sérvios ortodoxos). Houve intensa cumplicidade sacerdotal com o genocídio na Croácia, com as bênçãos do papa. As atrocidades croatas eram tão imensas que chocavam até mesmo as SS! E o que dizer do regime católico eslovaco(pró-nazi), liderado pelo monsenhor Jozef Tiso??? A exemplo da Croácia, o regime de Tiso perseguiu vários não-nazistas e não-católicos. E o vaticano nada de protestar!!
E o que dizer das Ratlines? o vaticano ajudou inúmeros nazistas a fugirem da Europa, através de passaportes. Nazistas alemães e croatas que nem Klaus Barbie,Adolf Eichmann,Josef Mengele, Ante Pavelic e Dinko Sakic foram ajudados.
Você diz que o nazismo é laico??
Sério??
O nazismo alemão tinha o lema: “Gott mit uns”
O nazismo croata era muito católico.
(Enviado por Stefano)
Não conheço qualquer prova de que o clero tenha mais propensão para os crimes de natureza sexual do que outros indivíduos do mesmo sexo, idade ou condição social.
Admito que a imposição do celibato e a repressão sexual, através da obsessiva cultura da castidade, produzam desvios de comportamento e perturbações mentais acrescidas, mas não se pode atribuir propensão criminosa à natureza das funções eclesiais.
Um indivíduo sob o efeito do medo, da ansiedade e da vergonha pode ter uma conduta desajustada mas não é necessariamente impelido para o crime.
Vêm estas considerações a propósito de alguns leitores do Diário Ateísta que atribuem ao clero, e por esse facto, a propensão desviante de que a comunicação social se faz eco.
Acontece que o clero é vítima da moral que prega, das crenças em que diz acreditar, das transgressões à vontade do deus a cujo serviço se encontra, mas o que está em causa não é a maldade dos padres, igual à de outros homens e mulheres, é a crueldade das crenças e os desejos de um deus que, se existisse, estaria a contas com o Código Penal.
Compreendo a intolerância para com os clérigos, pois eles próprios a pregam, mas não é justo fazer deles algozes quando são quase sempre vítimas.
O mal não reside nos crentes, é fruto das crenças criadas em sociedades patriarcais, em épocas violentas, com valores anacrónicos.
O que a civilização nos ensina é a desmascarar as crenças e a libertar os homens, todos os homens e mulheres, da crueldade dos deuses e das mentiras dos seus padres.
O Diário de uns ateus é o blogue de uma comunidade de ateus e ateias portugueses fundadores da Associação Ateísta Portuguesa. O primeiro domínio foi o ateismo.net, que deu origem ao Diário Ateísta, um dos primeiros blogues portugueses. Hoje, este é um espaço de divulgação de opinião e comentário pessoal daqueles que aqui colaboram. Todos os textos publicados neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as posições da Associação Ateísta Portuguesa.