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Carlos Esperança

3 de Dezembro, 2009 Carlos Esperança

A comunicação social e as emoções

Como sou um leitor compulsivo de jornais, fartei-me de ver a comoção que ia por essas páginas impressas relativamente a um militar da GNR que outro colega assassinou. Vi a comoção dos colegas, a revolta (não percebi porque se viravam contra as chefias) e a raiva.

Segundo li, o soldado da GNR que assassinou o colega que o prendeu foi casado com uma mulher que agrediu de forma brutal e selvagem ao longo do matrimónio (daquele que segundo a Igreja é indissolúvel). Depois da separação continuava a procurá-la para a maltratar, com o primarismo de um selvagem e a maldade de um biltre.

A pobre mulher queixou-se à GNR e ia para o hospital com o corpo dorido e a alma em farrapos quando o patife do ex-marido exigiu que lhe abrissem a porta da ambulância e disparou dois tiros de caçadeira com que feriu a filha e matou a vítima.

Preso e sem a caçadeira, dentro da esquadra, sacou de um revólver e matou o colega que o prendeu e que, por incúria, não revistou o assassino e o deixou armado.

Quem não lamenta um soldado morto em serviço, um agente da autoridade que o colega matou a sangue frio?

Mas como pode esquecer-se aquela pobre mulher que passou a vida a ser agredida e foi enterrada com uma curta referência, sem comoção nem multidões, com uma filha ferida, como se a vida dela valesse menos que a do soldado da GNR?

Bem sei. Coube-lhe ser mulher, parir e aceitar um homem a quem prometeu obedecer, perante deus. Onde está a igualdade de género que nem a comunicação social compreende?

É assim a vontade de deus e a mentalidade judeo-cristã que se mantém.

30 de Novembro, 2009 Carlos Esperança

Diário Ateísta – 6.º aniversário

Foi há 6 anos. Na sequência do convívio de vários ateus, portugueses e brasileiros, de amizades que se forjaram e da confiança estabelecida, resolvemos criar um blogue.

O Ricardo Pinho e o Cachapa eram os dedicados companheiros que mantinham o sistema informático a funcionar. O Onofre Varela era o ideólogo que, então como agora, fugia da informática e, por isso, se mantinha na sombra. A Mariana, o João Vasco, o Ricardo Alves e eu próprio, há muito que vínhamos divulgando o ateísmo como mundividência ética e filosófica. O João Vasco sugeriu a criação do blogue. Foi assim que, em 30 de Novembro de 2003, nasceu o

DIÁRIO ATEÍSTA

e, em 27 de Dezembro desse ano, realizámos o I Encontro Nacional de Ateus, em Coimbra, sob o lema «Vale mais um primeiro almoço do que a última ceia».

Muitos se juntaram a nós. A Palmira, o Luís Grave Rodrigues e outros, ajudaram a fazer do Diário Ateísta uma trincheira contra o obscurantismo, um espaço de debate e de luta, indiferentes aos insultos, às ameaças e às insinuações. Aprendemos a conhecer a raiva de quem crê em mitos e a paciência de quem se julgavava destinado a converter-nos.

Nunca reclamámos para os ateus qualquer superioridade moral e ainda hoje por aqui passam crentes que, apesar da violência dos livros sagrados em que crêem, são pessoas de bem, solidárias e generosas. O Diário Ateísta foi vigoroso na defesa dos princípios e tolerante no contraditório. Nunca se apagaram comentários.

O Diário Ateísta, íntegro no pensamento e na gramática, chegou a ser um dos blogues mais visitados. Só não resistiu aos ataques informáticos que durante alguns meses o colocaram sistematicamente inacessível. Nunca mais nos recompusemos dos abalos sofridos. Entretanto, o entusiasmo esmoreceu, alguns colaboradores partiram e a qualidade intelectual e literária baixou de nível.

Não esmoreceu a fidelidade aos princípios e a vontade de perpetuar a luta civilizacional na defesa dos princípios que informam a Declaração Universal dos Direitos do Homem.

Vamos entrar no sétimo ano com o desejo de manter vivo este espaço de liberdade ateia. O DA contribuiu para a criação da Associação Ateísta Portuguesa (AAP) e, não sendo o seu órgão oficial, é um espaço que está sempre aberto à AAP.

O DA vai continuar. A renovação e a chegada de novos colaboradores farão com que este espaço responda às manifestações religiosas e pseudo-científicas com uma abordagem científica, racionalista e humanista.

Para alegria de muitos e mágoa de alguns, continuaremos. Agradecemos a solidariedade dos nossos leitores fiéis e prometemos tentar não os desiludir.

29 de Novembro, 2009 Carlos Esperança

Hipócritas

Por favor, não me rotule – Deixe-me crescer e escolher por mim” é o lema que aparece entre fotografias de duas crianças aos saltos, com um grande sorriso na cara, numa imagem que pretende revelar liberdade e felicidade.

Nota: Os «ateus» que defendem as religiões, como acrescenta o artigo, são crentes disfarçados. Parecem muçulmanos a defender a carne de porco.

28 de Novembro, 2009 Carlos Esperança

Confissão tardia

O arcebispo de Dublin pediu perdão pelo encobrimento de casos de pederastia ocorridos nos últimos anos na Igreja da Irlanda, segundo documentou um informe governamental.

“As palavras nunca serão suficientes para pedir perdão pela repugnante história de assédio sexual e estupros de crianças e adolescentes por parte de sacerdotes da arquidiocese de Dublin”, afirmou nesta sexta-feira Dom Diarmuid Martin, em conferência de imprensa.