Loading

Carlos Esperança

3 de Junho, 2010 Carlos Esperança

Para que serve uma primeira dama?

A existência de uma primeira-dama, numa República, é um anacronismo que diminui a indeclinável igualdade de género e um fenómeno que alimenta as revistas cor-de-rosa onde a ociosidade de princesa prevalece sobre a dignidade profissional da mulher. É um resquício monárquico preservado como adereço de presidentes e primeiros-ministros  em viagens de Estado ou como electrodoméstico para cuidar do marido  nas deslocações internas.

Seja como instrumento de propaganda, ou como hábito, é maior a humilhação do que a glória e o paradigma obsoleto destrói o exemplo de mulher moderna e emancipada de que precisam os povos habituados a hábitos patriarcais e tradições religiosas misóginas.

Mantém-se o espírito bíblico que subordina a mulher ao homem, não faltando mulheres cultas, inteligentes e bem preparadas para exercerem qualquer cargo com dignidade.

A eleição de uma mulher simbolizaria, no exercício da mais alta magistratura da nação, o carácter emblemático da igualdade de género, quando já ninguém duvida da qualidade com que as mulheres exercem cargos de topo na magistratura e na diplomacia, funções que a ditadura lhes negava.

A qualidade da democracia também se avalia pela igualdade entre homens e mulheres. A discriminação é intolerável e a existência de uma primeira-dama só contribui para a perpetuação de uma simbologia em que à mulher está reservado um papel subalterno.

Não importa que os EUA e o Reino Unido, ou mesmo a França, dêem maus exemplos. A emancipação feminina não se compadece com papéis que o progresso e a civilização tornaram anacrónicos.

3 de Junho, 2010 Carlos Esperança

Associação Ateísta Portuguesa – Conferência

Ateísmo, Laicismo e Anti-clericalismo em Portugal

Dia 4 de Junho: Amadeu Carvalho Homem (professor catedrático U.C.)
Tema: Religião e República  – 18H30

Biblioteca-Museu República e Residência – Espaço Cidade Universitária

(Próximo da faculdade de Farmácia)

Rua Alberto de Sousa, 10 – A  (Zona B do Rego) – Lisboa

Metro: Cidade Universitária; Entrecampos

2 de Junho, 2010 Carlos Esperança

Factos & documentos

Quanta mistificação à volta do pensamento religioso de Einstein…

«… I read a great deal in the last days of your book, and thank you very much for sending it to me. What especially struck me about it was this. With regard to the factual attitude to life and to the human community we have a great deal in common.

… The word God is for me nothing more than the expression and product of human weaknesses, the Bible a collection of honorable, but still primitive legends which are nevertheless pretty childish. No interpretation no matter how subtle can (for me) change this. These subtilised interpretations are highly manifold according to their nature and have almost nothing to do with the original text. For me the Jewish religion like all other religions is an incarnation of the most childish superstitions. And the Jewish people to whom I gladly belong and with whose mentality I have a deep affinity have no different quality for me than all other people. As far as my experience goes, they are also no better than other human groups, although they are protected from the worst cancers by a lack of power. Otherwise I cannot see anything ‘chosen’ about them.

In general I find it painful that you claim a privileged position and try to defend it by two walls of pride, an external one as a man and an internal one as a Jew. As a man you claim, so to speak, a dispensation from causality otherwise accepted, as a Jew the privilege of monotheism. But a limited causality is no longer a causality at all, as our wonderful Spinoza recognized with all incision, probably as the first one. And the animistic interpretations of the religions of nature are in principle not annulled by monopolization. With such walls we can only attain a certain self-deception, but our moral efforts are not furthered by them. On the contrary.

Now that I have quite openly stated our differences in intellectual convictions it is still clear to me that we are quite close to each other in essential things, ie in our evaluations of human behaviour. What separates us are only intellectual ‘props’ and ‘rationalization’ in Freud’s language. Therefore I think that we would understand each other quite well if we talked about concrete things. With friendly thanks and best wishes

Yours, A. Einstein»

Nota: Não é hábito o Diário Ateísta recorrer a línguas estrangeiras mas aí fica, para que conste, o pensamento de Einstein frequentemente acusado de crente.

1 de Junho, 2010 Carlos Esperança

Há provas da eficácia?

PAPA PEDE ORAÇÕES PELA ÁSIA

O Serviço de Informação do Vaticano divulgou que nas intenções de oração do Papa Bento XVI para o mês de Junho estão o respeito à vida humana desde a concepção até a morte natural e o anúncio do Evangelho na Ásia.

1 de Junho, 2010 Carlos Esperança

Frases para a História…

Por detrás de leis como o aborto, divórcio, procriação artificial, educação sexual e outras está o totalitarismo do orgasmo. Parece que o deboche agora se chama “modernidade”.

João César das Neves in DN

31 de Maio, 2010 Carlos Esperança

Momento zen de segunda_31-05-10

Tudo indica que João César das Neves (JCN) esteve demasiado tempo mergulhado em água benta quando lhe impuseram o baptismo e que a substância não identificada que altera a água normal passou a barreira hematoencefálica do neófito.

Na homilia de hoje, em que a assinatura de Cavaco Silva surge no Diário da República a promulgar a lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo, atitude que só o nobilita, JCN ameaça-nos, num excesso de raiva, com o modelo chinês para substituir as democracias ocidentais. Ninguém diga ao bem-aventurado que a China foi o país que tornou o aborto obrigatório quando ele nunca se conformou que deixassem de prender as mulheres que o praticam, às vezes em circunstâncias dramáticas.

Ao PR compara-o a Pilatos, à maioria da AR chama «um grupito de deputados» e à decisão que garante direitos individuais e fazia parte de compromissos eleitorais que os eleitores sufragaram, acusa-a de ter mudado a definição de casamento quando apenas integrou os que excluía por mero preconceito beato.

JCN, que apenas considera legítimo o acto sexual para a reprodução, afirma que esta lei se insere numa «vasta campanha de promoção do erotismo, promiscuidade e depravação a que se tem assistido nos últimos anos». Não vale a pena discutir com JCN porque é uma inspiração divina igual á que o leva a acreditar que Nuno Álvares Pereira curou o olho esquerdo de D. Guilhermina de Jesus, queimado com salpicos ferventes de óleo de fritar peixe.

Anda tão desnorteado o bem-aventurado que julga haver na AR deputados capazes de «apoiar coisas abstrusas, como a proibição de touradas ou rojões, imposição da ordenação sacerdotal de mulheres ou a obrigatoriedade de purificadores atmosféricos».

Dentro do espírito marialva de JCN, a defesa das touradas tem a mesma legitimidade dos rojões».

Enfim, a água benta deu-lhe cabo dos neurónios e eu, que não a distingo da outra, não posso provar os malefícios que um sinal cabalístico faz à água normal.

Amem.

31 de Maio, 2010 Carlos Esperança

Celibato tridentino: companheiras de padres católicos escrevem ao papa!

Por

E – Pá

O jornal católico Il Dialogo [28.Maio.2010] publicou uma “carta aberta” subscrita por cerca de 4 dezenas de companheiras de padres católicos, dirigida a Bento XVI, questionando a cada vez mais polémica manutenção – no seio da ICAR – da regra do celibato dos eclesiásticos.
link

Em Março passado, o arcebispo de Viena, cardeal Schonborn, defendeu que a abolição da regra do celibato poderia limitar abusos sexuais no interior da Igreja.
Contudo, Bento XVI, foi peremptório no rejeitar desta pretensão. Relembrou, na ocasião, a sua fidelidade ao “princípio sagrado do celibato”…

As mulheres de actuais padres católicos resolveram – então – escrever uma carta aberta ao papa, relembrando que o chefe da Igreja pretende conferir um carácter sagrado a uma situação que, historicamente, não o é.
Na verdade – como defendem as companheiras de padres – o celibato dos eclesiásticos é uma regra [não será para estas crentes um “sacramento”], elaborada por homens, mais concretamente, no concílio de Trento [séc. XVI] …
Na realidade, a verdade histórica revela que nenhuma das religiões monoteístas – excepto a católica – adoptou a “regra do celibato”…

Aguardemos, pois, a resposta [ou a mais provável “não-resposta”] do Vaticano a esta oportuna missiva…

30 de Maio, 2010 Carlos Esperança

2.º Aniversário da Associação Ateísta Portuguesa

Um almoço de amigos é sempre um momento de descontracção e alegria em que as horas passam, as conversas se cruzam e as recordações acordam memórias esquecidas.

Ontem, em Coimbra, na farta mesa que nos acolheu, estavam alguns dos que deram os primeiros passos para que o ateísmo saísse da clandestinidade. O Ricardo Pinho, a Mariana e o João Vasco foram alguns dos pioneiros que tiveram a coragem e a lucidez de manter um espaço onde, desde há cerca de 10 anos, se discute o mundo sem recurso ao sobrenatural.

Faltaram o Cachapa, o Onofre, o Ricardo Alves e outros que a memória vai perdendo. Mantém-se o gosto fraterno do encontro, a força das convicções e a tolerância pela diferença.

Com sócios espalhados por todos os distritos do país, é difícil arranjar o local que abata as distâncias mas nada impedirá que ao almoço comemorativo dos aniversários da AAP se acrescente um novo Encontro Nacional de Ateus.

Foi assim que começámos. Podemos continuar por aí.