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Carlos Esperança

5 de Outubro, 2010 Carlos Esperança

Porque sou republicano

Viva a República

Sou republicano porque recuso o carácter divino e hereditário do poder, porque sou cidadão e não vassalo, porque abomino o contubérnio entre o trono e o altar e porque um herdeiro do Iluminismo e da Revolução Francesa é avesso à vénia e ao beija-mão.

Sou republicano por me rever nas instituições que o voto popular sufraga e não nas que a tradição impõe. Aceitar os filhos e netos de uma qualquer família, para lhes confiar o poder do Estado, é abdicar do direito de eleger e ser eleito para as funções que dinastias de predestinados confiscavam.

Ser republicano é recusar o poder a quem não se submete ao sufrágio universal e secreto e negar o respeito a quem aceita funções de Estado sem legitimidade democrática.

Ser republicano é recusar o poder vitalício e exigir a legitimação periódica, para reparar um erro ou substituir um inapto, num horizonte temporal previamente determinado. Não há democracia plena em monarquia nem dignidade nas funções herdadas como se o país fosse uma quinta ou a Pátria uma coutada.

A República é o berço da democracia, o lugar da igualdade de género onde desaparecem privilégios de raça, nascimento ou religião, onde se aceitam todas as crenças, descrenças e anti-crenças, onde o livre-pensamento, a laicidade e a liberdade de expressão definem a matriz genética do regime.

Ser republicano é servir dedicada e abnegadamente o País sem se servir dos cargos que os eleitores confiam, ser honrado na utilização dos meios, sóbrio no exercício do poder e determinado na defesa do bem comum.

Ser republicano é exigir que homens e mulheres gozem de igualdade plena, que a escola pública seja a via para a equidade, a saúde um direito universal e a liberdade a conquista irreversível.

Ser republicano é, hoje e sempre, um acto de cidadania que tem a ética como baliza e a Liberdade, Igualdade e Fraternidade como divisa, projecto e ambição.

Viva a República.

4 de Outubro, 2010 Carlos Esperança

Momento zen de segunda_04_10_2010

O rottweiler dos Papas

João César das Neves (JCN) deve ter cometido mais alguns pecados para que a homilia de hoje seja o reflexo de tão pesada penitência.

Para o bem-aventurado qualquer crítica ao Vaticano insere-se na lógica da perseguição religiosa e considera a nossa «sociedade livre, tolerante e secular» como um modelo da bondade papal e não como resultado da repressão política sobre a intolerância clerical.

A denúncia: “Banco do Vaticano sob investigação de ‘lavagem de dinheiro'”, é para JCN uma forma subtil de perseguição à Igreja e não uma averiguação judicial que o tratado de Latrão, assinado com Mussolini,  dificulta ou impossibilita.

Se JCN se lembrasse de Paul Marcinkus, Roberto Calvi, Licio Gelli e Michele Sindona, talvez lhe tremesse a mão ao acusar de perseguição a denúncia do offshore do Vaticano que antecipou a morte de alguns enquanto o arcebispo Marcinkus era protegido por João Paulo II que recusou a seu julgamento opondo-se à  extradição, no caso Ambrosiano.

Se JCN lesse o livro «Vaticano, S.A.» e os nomes pios que não passam de escroques, talvez fosse mais comedido na defesa do IOR e não transformasse um difícil caso de polícia numa história de martírio capaz de aumentar o número de beatos e santos.

JCN reduz a um mito a Igreja sangrenta na Inquisição e Cruzadas, e a injúria a denúncia de Lutero sobre «dinheiro, sexo e poder» que sempre acompanharam o Vaticano através dos séculos. Aliás, JCN considera a sua Igreja como a principal promotora da virtude. É preciso topete.

Contradizendo-se, o beato acusa «as sociedades pagã e secular» de denegrirem a sua  Igreja, quando começou por enaltecer a «sociedade livre, tolerante e secular», e acusa os críticos de dissecarem à exaustão «questões financeiras, eróticas ou políticas» que o Papa já não consegue esconder nem tem meios para retaliar.

Depois, são os encómios habituais a este Papa, iguais aos que fez aos precedentes e que guarda para os próximos, numa fidelidade canina com ausência de rigor histórico.

O melhor é ler a tentativa de branqueamento do offshore da sua devoção – o Vaticano – e dos Papas que lhe dão cobertura. JCN esteve demasiado tempo mergulhado em água benta mas reagiu à reanimação.

4 de Outubro, 2010 Carlos Esperança

Druidismo reconhecido como religião

Um dos maiores progressos das instituições democráticas deve-se á secularização e ao avanço da laicidade, nem sempre pacífico.

As Igrejas começaram por deter o poder temporal e só o perderam quando a repressão política as submeteu. Depois disso nunca mais desistiram de o compartilhar, quantas vezes à custa da vassalagem. A título de exemplo, e no que se refere à Igreja católica, em Portugal, a Concordata não permitia a nomeação de bispos sem o aval do Governo. Retribuindo, a PIDE perseguia quem condenasse a religião protegendo a cúmplice e o seu clero.

Na Europa, as democracias, declaram-se inaptas para reconhecer milagres, estabelecer o diagnóstico diferencial entre as várias religiões, para avaliar qual é a mais verdadeira, e nenhum governante passa certificados sobre o valor da eucaristia ou fornece código de barras para a água benta.

A laicidade faz com que o Estado legisle com absoluto desprezo pelo direito canónico e as Igrejas organizem a liturgia sem necessidade de licença camarária. Por mais que lhes custe não há Igrejas de primeira e de segunda, designações que ficam reservadas para os géneros alimentícios.

Não admira, pois, que o druidismo, culto céltico que venera os espíritos da natureza, seja reconhecido como religião no Reino Unido, como indicou ontem a Comissão das Organizações Caritativas britânicas.

A decisão torna-se relevante porque sendo o Druid Network criado com fins que têm em vista a promoção da religião e o interesse público, pode assim beneficiar de um estatuto fiscal mais vantajoso. E o dinheiro comanda a fé.

O druidismo é o primeiro culto pagão a ser reconhecido como religião no Reino Unido e é difícil não lhe dar razão. O culto dos espíritos é o ganha-pão de qualquer religião e este teve origem na Irlanda e no Reino Unido, tendo vários milhões de seguidores em todo o mundo.

3 de Outubro, 2010 Carlos Esperança

A escola e o presépio da minha infância_1 (Crónica)

Bem crucificado e suavemente chagado, numa cruz de madeira dependurada na parede, penava um Cristo de bronze em resignada agonia, ladeado à direita por uma fotografia de um homem de bigode, fardado, conhecido por marechal Carmona, e à esquerda por um eterno seminarista, com ar de gato-pingado, que infundia terror – o Professor Salazar.

Na mesma parede, em frente dos alunos, a razoável distância e muitos fungos depois, quedava-se a Senhora de Fátima, poisada numa mísula, alheada da conversão da Rússia e da salvação do mundo. Mais abaixo, à esquerda, ficava o quadro preto e o mapa do corpo humano e, à direita, rasgados, um mapa de Portugal Continental, outro das Ilhas Adjacentes e das Colónias e o mapa-múndi.

O soalho resistia aos buracos, numerosos e amplos, que a humidade e o uso se encarregavam de alargar. As carteiras alinhavam-se em rigorosa geometria com lugares destinados a cerca de quarenta garotos de ambos os sexos distribuídos pela primeira, segunda e quarta classes. Entre quinze a vinte estavam na sala oposta a frequentar a terceira, confiados à senhora Noémia, regente escolar.
Nos dias de chuva subvertia-se a ordem, numa complexa gincana de carteiras, para evitar que os pingos de água que escorriam do tecto acertassem nos tinteiros e salpicassem de azul a roupa das crianças e os tampos de madeira.
No intervalo, meninos e meninas, em amplas correrias e direcções opostas,  procuravam os quintais próximos para se aliviarem dos fluidos que os apoquentavam.

À entrada da escola o presépio anunciava todos os anos o Natal. Na armação de tábuas e pedras cobertas de musgos, um menino de barro, seminu e de perna alçada, jazia em decúbito dorsal sobre uma caminha de palha centeeira. Era o Menino Jesus. De um lado uma virgem colorida, moderadamente recatada e com pouco uso, substituía a que se partira, interessada na companhia do filho que herdara. Do outro, um S. José, a quem a corrosão deixara em pior estado do que o dogma da Imaculada Conceição, parecia um erro de casting, indiferente ao aspecto, perdidas as cores, diluídas as formas, conformado com os olhares e as súplicas, incapaz de operar milagres, resignado com o frio de Dezembro.

O burro e a vaca comportavam-se a preceito, facilmente se adivinhando o gosto por erva se eles e esta fossem verdadeiros.
Os reis magos, eternos almocreves com ar de ladrões de camelos, virados para uma estrela recortada em papel colorido, permaneciam imóveis na lendária caminhada, quais amoladores de tesouras, à espera de fregueses para ganharem o sustento e um presente para o Menino.

As ovelhas que placidamente decoravam a montanha eram figurantes experientes, desinteressadas da importância que acrescentavam ao quadro e do exemplo de submissão que transmitiam. Nem um só carneiro as acompanhava, talvez para lembrar que é na renúncia ao prazer que se encontra a redenção da alma. Apenas um cão e o pastor.

Reflicto hoje sobre a predilecção por musgos, muitos musgos, para cobrir o chão do presépio. Na religião tudo se deve cobrir ou, no mínimo, disfarçar. Talvez esteja na ocultação dos órgãos de reprodução, característica das plantas criptogâmicas, a razão da preferência, a funcionar como metáfora.

Ah! Já me esquecia, pintados de branco, anjos de barro, junto ao caminho de serradura que conduzia à manjedoura, voavam baixinho, com asas quebradas, incapazes de regressar ao Céu. E o algodão em rama imitava os flocos de neve que lá fora rodopiavam ao sabor do vento. Eu gostava do Presépio. Não era o catecismo a aterrorizar-me com o Inferno onde as almas que ali frigiam, em perpétua flutuação no azeite fervente, eram mergulhadas com um garfo de três dentes empunhado pelo diabo.

A minha escola caiu, pelo Natal, ficando de pé uma única parede e a fé das pessoas que atribuíram à protecção divina a ausência de aulas durante a derrocada.

2 de Outubro, 2010 Carlos Esperança

Ainda sobre Adão e Eva

Por

Abraão Loureiro

(Sócio da A.A.P.)

Além de mais esta estupidez bíblica, para quem é ignorante e com pouca capacidade de raciocínio como eu, pergunto aos meus botões. Porque criou deus um casal humano em idade adulta? Nunca foi lido nada sobre a idade deles, poderiam ter nascido como bebés mas isso seria absurdo porque deste modo não veriam, não entenderiam nada nem teriam autonomia de locomoção. Esta parte está de lado pois deus não lhes poderia ter transmitido conselhos. Será que foram feitos com idade para estarem na menopausa e na andropausa? Assim não se reproduziriam.

Surgiram em idade adolescente cheios de vigor e capazes de se reproduzirem? Então aqui há que pensar e muito. Se o pai os fez como criação da raça humana o lógico é entender que foram feitos para cumprir a sua obrigação: povoar o planeta com esta nova raça. Sim, porque as outras raças imperfeitas, desprovidas de inteligência e sem vínculos de disciplina de adoração ao criador já deus tinha criado (nesses seis dias). Vai daí o invisível avisou que o casal não podia comer da fruta do paraíso porque seria pecado esquecendo-se de transmitir também o rol dos outros pecados que só uns tempos mais tarde (não sabemos quantos anos depois por não haver registo civil) resolveu escrever a Moisés.

Ora Moisés é finalmente escolhido por deus já depois de todo o planeta estar coberto de humanos pecadores. Este, por seu turno, teve dificuldade de comunicação para divulgar os mandamentos sagrados e o bicho homem continuou a pecar e a reproduzir cada vez mais pecadores (mais uma lacuna do deus-sabe-tudo).

Até que por fim teve uma ideia genial de alcance cósmico. Enviou ao planeta um filho feito com os seus próprios espermatozóides (há quem afirme que deus não é matéria mas isso fica para os biólogos explicarem). Como não havia deusa lá no céu, emprenhou uma mulher comprometida, corrompendo os nºs. 7 e 10 do seu código de honra (bonito exemplo para as gerações vindouras). Pensando e repensando, conclui-se haver falta de virgens sem dono. Quem sabe a pedofilia já era regra nessa era!

Enfim, o filho cresceu, abandonou a pobre família ao deus-dará, fez turismo por vários lugares, pregou e apregoou o que o paizinho mandou e acabou sendo pregado indo desta para melhor sem deixar vestígios de melhorias à raça humana.

Para vós que acreditais no regresso do salvador sigam o provérbio muito antigo quando estiverem à rasca: FIA-TE NA VIRGEM E NÃO CORRAS…

1 de Outubro, 2010 Carlos Esperança

Legionários de Cristo – Protegidos de JP2

O arcebispo da cidade espanhola de Valladolid, Ricardo Blázquez, foi nomeado pelo prelado Velasio De Paolis, delegado Pontifício para os Legionários de Cristo, “visitante apostólico” para investigar o Regnum Christi, movimento desta congregação, informou nesta quinta a “Radio Vaticano”.
(…)

Outra meta é sanear o património económico dos Legionários de Cristo, estimado pela imprensa em torno de US$ 25 biliões.

A congregação foi fundada no México em 1941 e está estabelecida em 18 países, contando com 900 sacerdotes e 3 mil seminaristas. A ordem briga também 70 mil membros do Regnum Christi.

Nota: O Vaticano quer, e vai conseguir, apropriar-se deste imenso património obtido de forma fraudulenta por uma seita fascista que gozou da maior simpatia do Papa.

1 de Outubro, 2010 Carlos Esperança

Deus Criminoso ?

Por

C S F

Andavam Adão e Eva pelo paraíso despreocupados, a gozar à fartazana!

Só sendo muito inteligentes podiam usufruir de tudo o que havia.

Tinham uma senão: ignoravam tudo sobre sexo.

É estranha esta situação porque tinham corpos humanos perfeitos, com os órgãos sexuais e tudo no lugar…

Quando deambulavam pelo paraíso viam os chimpanzés e todos os animais a terem relações sexuais, a acariciarem-se, a terem filhos.

Quando comiam alimentos afrodisíacos não deixariam de sentir alguma coisa…

Ao lavarem-se, ao tocarem-se sentiriam certamente sensações fortes dos órgãos dos sentidos, com interacção nos centros de prazer, mesmo dos órgãos sexuais…

Eu acho que privar temporariamente os primeiros homens do sexo já foi um acto criminoso do deus e, por isso, deveria ser condenado e castigado!

Deus foi verdadeiramente sadomasoquista quando tratou desta maneira aquele casal, na fase mais feliz (?) da sua vida…!

Mas ele fez mais: introduziu deliberadamente o diabo no paraíso e não avisou os seus amigos, Adão e Eva!

Aqui está uma deslealdade incomensurável, outro crime que nunca um ser omnisciente e omnipresente deveria ter coragem para cometer!

Não percebo este acto! Então deus teve tanto trabalho a expulsar os diabos do céu e agora utiliza o seu chefe como agente secreto!?

Ainda por cima ordena-lhe que se transforme numa cobra, um ser que, de certeza, não dá confiança a qualquer homem, mesmo que fale muito bem…

É como se  Churchill convidasse Hitler a assassinar um inglês de quem não gostasse, em plena guerra!

Foi o maior crime do universo!

Um verdadeiro pecado mortal!

Devido a ele ficámos sem direito ao paraíso e cheios de sofrimentos inúteis!

Não se sabe se depois do crime consumado deus agradeceu ao seu maior inimigo, chefe dos diabos, e se este continuou a andar pelo paraíso…

Bastava deus dar uma boa lição de educação sexual a Adão e Eva para termos ficado no paraíso!

Acho que deus deve sofrer o maior castigo possível do universo, castigado de modo a não poder fazer mais mal aos homens e aos outros seres do universo, e os homens, por direito, deveriam regressar imediatamente ao paraíso! É da mais elementar justiça!

É um trabalho para os anjos e para os santos!

Desta maneira ficaríamos livres de deus, do Sócrates, do Passos Coelho, do Paulo Portas e de tantos outros (para mais, todos iriam para o Inferno, mais cedo ou mais tarde, de certeza) e seríamos recompensados de todos os sofrimentos que nos têm infligido.

Mas, como se demonstra, o maior culpado é deus!

Malandro!

Nota: O caso dramático de Adão e Eva prova a urgência da introdução da educação sexual nas escolas!

1 de Outubro, 2010 Carlos Esperança

Nova Iorque, Ground zero e a mesquita

Há situações em que o politicamente correcto cria enormidades.

Construir uma mesquita naquele local é politicamente correcto, mas um erro. Porque não é sensato e transmite uma mensagem que é lida de modo diferente por vários visados. Correcto era ser zona de religião zero, para que a religião não fosse confundida com tolerância ou ausência dela.

Nota: Observação pertinente de uma cidadã.