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Carlos Esperança

10 de Novembro, 2010 Carlos Esperança

Anti-semitismo cristão

O presidente da União das Comunidades Judaicas Italianas, Renzo Gattegna, pediu nesta terça-feira a anulação da oração pela conversão de judeus que existe na liturgia da Sexta-feira Santa, antecedendo a Páscoa, segundo entrevista concedida ao jornal do Vaticano Osservatore Romano.

Nota: O deus do papa lava mais branco. O anti-semitismo do Novo Testamento facilitou os horrores do nazismo e nenhum papa se distinguiu pelo combate ao nazismo, muito menos este.

9 de Novembro, 2010 Carlos Esperança

A solidão do ateísmo

Por

Abraão Loureiro

É isto que imaginam todos os que se dizem crentes em deus. E porquê?
Na verdade eles estão embrenhados no folclore das sessões religiosas. Acham que a música nasceu para dar graças quando afinal ela foi introduzida para dar um ar de graça na monotonia dos cultos.
Músicos foram pagos para comporem peças a introduzir nos entretantos das leituras, sermões, das curvas corporais, do senta, levanta e ajoelha.

A necessidade de criar algo apelativo chamou a música para criar um ambiente diferente do monocórdico coro das palavras ditas. Ficou mais bonitinho quando optaram por instrumentistas tocando juntamente com vozes cristalinas e afinadas. Dois serviços pelo preço de um atrai mais clientes.
A música embala e embalou muitos que talvez dessem mais atenção à música do que às palavras dos sacerdotes.
Sem dúvida que uma musiquinha ambiente melhora o serviço. Eu que o diga.

Essas pessoas pensam que nós somos carrancudos, anti-sociais, que não gostamos de praia e banhos de sol porque nunca viram uma tabuleta anunciando um convívio semanal de descrentes num edifício construído especificamente para o efeito.
Assim os leva a pensar que somos uns bichinhos do mato e só servimos para chatear os coitados.
Tirem isso da cabeça. Somos alegres, bem dispostos, sem medos de represálias celestiais. Nada melhor que viver sem grilhões e obediências a leis estúpidas e maléficas.

Mas em abono da verdade vos digo, o DA seria um marasmo se os crentes não aparecessem com os seus comentários. É que faz parte do nosso gozo acirrar as vossas mentes. Se não fosse verdade, só os ateus comentariam. Vejam bem a vantagem da liberdade de expressão! Pelo contrário, nos sites religiosos onde essa liberdade não existe não há alegria porque falta o troca-troca (não confundir com o truca-truca).
Pensem quantos momentos lindos de gargalhadas já tiveram ao ouvirem os nossos actores humorísticos. Nesses momentos vocês esquecem que os gajos são ateus, né?
Um padre, um pastor e um rabino numa determinada hora conversam sobre dízimos.

E o padre comenta: Eu faço um círculo no chão, jogo o dinheiro para cima, o que cai dentro do círculo é da igreja, o que cai fora é meu.

O pastor: Uso o mesmo método, porém o que cai dentro é meu.

O rabino: Eu jogo o dinheiro para cima, o que Deus apanhar é dele…

Vejam como somos divertidos.

9 de Novembro, 2010 Carlos Esperança

O S. Roque_1 (Crónica)

Ficou-me de criança a impressão de que a ermida do S. Roque, na margem esquerda do Côa, estava alcandorada num monte enorme e que ao sacrifício da subida se deveria a recompensa dos milagres.

Hoje, ao passar na auto-estrada, sobre a ponte rodoviária, surpreende-me lá em baixo uma capela exígua abandonada num pequeno cabeço, com a vegetação a apropriar-se da área da devoção e dos negócios. Onde está um chaparro negociava burros um cigano, onde a Lurdes começava às dez a aviar copos de meio quartilho, para terminar às 3 da tarde com o pipo e a paciência devastados, medram giestas e tojos e o abandono tomou conta do espaço onde estava sediada a feira e se realizava a festa.

Onde os solípedes e as pessoas alcançavam não sobem ainda os automóveis.

Eu gostei, ainda gosto, de romarias. Mesmo com milagres cada vez mais raros, a acontecerem na razão inversa dos louvores, encontramos sempre caras que atraem afectos e nos devolvem memórias. Às vezes não são quem pensámos, os anos passam, são filhos, mas vale a pena, falam-nos do que nós sabíamos, são da terra que julgámos.

Há mais de cinquenta anos o Rasga foi ao S. Roque com a mulher, ela cheia de fé, ele com muita sede, como sempre, até a cirrose o consumir. A feira e a romaria partilhavam a data e o espaço. Não sei das promessas dela, as mulheres lá tinham contratos com os santos, não era costume explicitá-los, ele tinha as mãos cheias de cravos, coisa de rapaz, julgava que era feitio. A mulher dissera-lhe que havia de ir ao S. Roque, o Maravilhas curou-se, o Ti Velho também, pelas outras aldeias ia a mesma devoção, os resultados eram de monta.

O Rasga até tinha pensado no ferrador, não para ferrar o macho, ele queimava os cravos, mas eram grandes as dores, ficavam as mãos com marcas piores que a cara do Medo com as bexigas, e a febre, às vezes, levava a gente. Já se acostumara, não valia a pena ralar-se, o pior era a mulher a azucrinar-lhe os ouvidos, tens de ir ao S. Roque, se trabalhasses em vez de beberes havias de ver o incómodo, eu faço-te companhia, és um herege, uma oração, uma pequena esmola, dois cruzados, um quartinho no máximo, o S. Roque não é interesseiro, vens de lá bom, levas a burra que já mal pega em erva, enjeita os nabos, não temos feno, há-de morrer-nos em casa, além do prejuízo vais ser tu a enterrá-la, podias vendê-la.

E lá foram os três, que a burra também contava, partiram quando a Lurdes e a Purificação já levavam uma légua de avanço, tinham bestas lestas e levantavam-se cedo, era mister que se antecipassem aos homens que quando chegavam logo queriam matar o bicho e os negócios não podiam fazer-se sem haver onde pagar o alboroque. O Rasga, mal chegou, pediu três notas pela burra a um da Parada que lhe ofereceu duas, a mulher do da Parada ainda o puxou, homem para que queres a burra, o rachador do Monte meteu-se logo, isto não é assunto de mulheres, tinham que fazer negócio, tem que tirar alguma coisa, não tiro, dou-lhe mais uma nota de vinte, tiro-lhe essa nota, nem mais um tostão, e o do Monte a dizer racha-se, vários a apoiar, fica por duas notas e meia, o rachador a agarrar-lhes as mãos, estranha união, e a fazer com a sua um corte simbólico, deram as mãos estava feito o negócio, um tirou cinquenta o outro deu mais cinquenta, consumada a liturgia logo assomou meia nota de sinal, faltavam duas que apareceriam quando lhe entregasse o rabeiro, vai uma rodada, paga o vendedor que recebeu o dinheiro, primeiro um copo para o comprador, o rachador a seguir, depois para todas as testemunhas, outra rodada paga o comprador, outra ainda, esta pago eu, diz um da Cerdeira, não quero mais diz o de Pailobo, morra quem se negue, praguejou um da Mesquitela, olha vem ali o Proença da Malta, grande negociante, como está, disseram todos, uma rodada, pago eu, diz o Proença, mas a minha primeiro, exigiu o da Cerdeira com agrado geral,  e ali ficaram a seguir os negócios, os foguetes e a festa, e a tirar o chapéu e a agradecer ao Proença quando este foi dar a volta pelo sítio do gado onde já se encontrava o Serafim dos Gagos a disputar-lhe o vivo e a pôr a fasquia aos preços.

Findas a feira e a festa, esta terminou primeiro, um dos padres ainda tinha de levar o viático a um moribundo de Pínzio, o Rasga e a mulher vinham consolados, ela com a missa e a procissão, ele com duas notas e meia no bolso e o buxo cheio de vinho, ela a pensar na vida e ele a cambalear.

Algum tempo depois perguntei ao Rasga o que era feito dos cravos. Ficaram no S. Roque, menino, ficaram no S. Roque.

8 de Novembro, 2010 Carlos Esperança

Madre Bárbara Maix* corre para a santidade

Beatificação da Madre Bárbara Maix reuniu milhares pessoas em Porto Alegre, no sábado. Rito só foi possível por força de um milagre atribuído à religiosa em 1944, no interior de Caxias do Sul. Homem que teria sido curado participou da beatificação e de uma missa especial no domingo em Santa Lúcia do Piaí.

A partir de agora, a Congregação das Irmãs do Imaculado Coração de Maria busca um nova graça para o projeto de canonização de Bárbara.

* Morta disputa maratona da santidade.

8 de Novembro, 2010 Carlos Esperança

“Bote, bote, bote, pederasta el que no bote”! …

Por

E – Pá

Homenagem ao papa homofóbico

Em Barcelona uma centena de activistas homossexuais protagonizaram um “beijão colectivo” [ver foto], numa insólita manifestação de protesto contra a hierarquia católica, quando o cortejo papal passou na Praça da Catedral.
Segundo afirmou Jordi Petit, dirigente do movimento homossexual da Catalunha “a hierarquia eclesiástica desde há muitos anos que ataca os direitos humanos básicos…” la vanguardia

Os grupos homossexuais coreografaram vários skecths de rua com palavras de ordem como:
“Bote, bote, bote, pederasta el que no bote” [título do post], “la Iglesia que ilumina es la que arde”, …etc.
As manifestações de protesto contra a visita papal à cidade condal [rima!] também contaram com os[as] integrantes da “Plataforma de Mulheres contra o Papa” que surgiram na Praça da Universidade de Barcelona com um curioso slogan: “Fuera los rosarios de nuestros ovarios”…

Todavia, esta visita teve outros incidentes. Como vem sendo habitual nestas deambulações pontifícias. As gaffes são quase sempre oriundas da falta de tacto, da ausência de senso político e de uma perturbada visão histórica que persegue Bento XVI…

Num encontro com a imprensa, no início desta visita, ainda a bordo do avião onde viajou, “comparou o aniclericalismo espanhol dos anos 30 com o secularismo actual”. link
Chegou a Espanha a chafurdar nas feridas histórias, ainda não cicatrizadas. Não respeita, nem usa de rigor interpretativo, quando se abeira de um País que sofreu na carne um mortífera guerra civil… Arribou de costas voltadas para a História.

Os ingleses tem uma interessante expressão idiomática para este tipo de enfabulações [inculcações]: Nonsense!

7 de Novembro, 2010 Carlos Esperança

Há quem duvide da farsa?

Vaticano beatifica religiosa austríaca

A religiosa nasceu na Áustria, mas fez um milagre aqui no Brasil.

(…)
O médico que atendeu seu Onorino relatou por escrito o que viu: as orações, a recuperação dele. Nos últimos 20 anos, documentos como este foram reunidos e encaminhados ao vaticano. Em março, o papa Bento XVI reconheceu oficialmente o milagre e aceitou o processo de beatificação. O primeiro passo para que Bárbara Maix se torne santa.

7 de Novembro, 2010 Carlos Esperança

A visita do Papa a Santiago de Compostela

Os beatos investiram em ave-marias, os restaurantes avançaram com vitualhas, as lojas encheram-se de recordações e os franquistas exultaram com a desforra anunciada contra a democracia, mas B16 não é uma estrela pop e o ex-prefeito do Santo-Ofício carrega o peso de um papa anacrónico, zangado com a modernidade.

As tiradas contra o ateísmo e a laicidade fazem exultar os nostálgicos da ditadura, os devotos dos santos por atacado e os peregrinos profissionais, mas deixam desolados os donos das barracas de lembranças a quem os autarcas tinham prometido uma enchente de 200 mil católicos sequiosos de bênçãos e recordações.

De 1.200 autocarros esperados só chegaram 300 e a devoção definha quando a multidão se reduz aos incondicionais e se vêem abandonados pelo seu deus num encontro com o alegado representante.

Nem o dinheiro e a força do Opus Dei foram capazes de dar à visita aquela histeria que contagia e converte os incréus. Há quem pense que os escândalos possam prejudicar a popularidade do Papa, esquecendo que os escândalos nunca foram relevantes em dois mil anos de existência.

A razão do fracasso encontra-se  na monotonia das missas, na repetição da coreografia e na insistência nos milagres que ninguém leva a sério. Um Papa que se apoia no Opus Dei, nos Legionários de Cristo e nos fascistas de monsenhor Lefebvre arrisca-se a ficar a pregar para os empregados da ICAR e para os indefectíveis de todos os papas.