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Carlos Esperança

1 de Dezembro, 2010 Carlos Esperança

Diário Ateísta – 7.º Aniversário. Agradecimento

Os colaboradores do Diário Ateísta agradecem a todos os ateus, agnósticos, cépticos, livres-pensadores e crentes civilizados a amabilidade dos cumprimentos apresentados pelo 7.º Aniversário da sua permanente luta contra o obscurantismo e a superstição.

30 de Novembro, 2010 Carlos Esperança

Diário Ateísta – 7.º aniversário

Há sete anos um grupo de ateus decidiu criar este blogue e, graças à dedicação de vários colaboradores, tem cumprido os fins a que se propôs. Dia após dia, mês a mês, todos os anos, cumpriu o objectivo de desmascarar as mentiras religiosas, os interesses do clero e o obscurantismo pio.

A religião católica sempre gozou de privilégios e foi favorecida pela ditadura salazarista com a qual, salvo honrosas excepções, o clero viveu em promíscuo contubérnio, sem se saber onde começava o braço da censura política e acabava o da religiosa. A ICAR foi firme apoiante da guerra colonial, da discriminação legal das mulheres, da proibição do divórcio, da criminalização da IVG, da hegemonia dos homens sobre as mulheres, do partido único e de imensas injustiças que só as sociedades livres conseguem erradicar.

Respeitando os crentes, o Diário Ateísta entra hoje no 8.º ano de existência, infatigável e firme na luta contra crenças que intoxiquem os cidadãos, envenenem as relações entre pessoas e comprometam a paz.

O DA não pensa que a Igreja católica seja pior do que outra qualquer, pela natural razão de que não há uma única prova da existência dos deuses criados pelos homens para cada uma delas, nem leva a sério a vontade que o seu clero atribui ao deus privativo.

Cada religião considera falso o deus de todas as outras e, certamente, nesse ponto, todas têm razão. Nós, ateus, só consideramos falso mais um o que nos leva a pensar que todos somos ateus.

O inventário dos malefícios que todas as religiões causaram ao longo dos séculos, dos crimes que cometeram, do progresso que tolheram e das superstições que espalharam, será feito diariamente neste espaço, criado exclusivamente por ateus, e sobretudo para ateus, sem nos deixarmos intimidar pelos ataques informáticos de que já fomos vítimas nem pelo ódio que nos devotam os avençados do divino.

O DA continuará a denunciar, como até aqui, a indústria dos milagres, o negócio das indulgências, o tráfico das relíquias, a orquestração das peregrinações, as encenações litúrgicas e o saque dos dinheiros públicos para o proselitismo pio.

Não pouparemos o imperialismo sionista dos judeus das trancinhas que fazem a guerra com base numa herança divina registada na Tora, não seremos meigos para o fascismo islâmico que aliena crentes nas mesquitas e madraças e transforma homens em suicidas e assassinos, nem nos conformaremos com a indústria da santidade que põe cadáveres a fazerem milagres que rendem emolumentos ao Vaticano. Não ficaremos insensíveis aos que adoram vacas e dividem as pessoas em castas nem a seitas mais novas que fazem milagres em directo para gáudio dos supersticiosos e incremento do dízimo.

Fiel à Declaração Universal dos Direitos do Homem e ao respeito pela Constituição da República Portuguesa, o Diário Ateísta manter-se-á defensor do pluralismo ideológico, da laicidade do Estado e do livre-pensamento.

29 de Novembro, 2010 Carlos Esperança

Desabafo de um ateu

Por

José Moreira

Tem sido dito e redito, por quem tem esse direito, que o Diário Ateísta é um espaço aberto a todos quantos o queiram frequentar, independentemente das suas convicções, religiosas ou de outra índole. O que não acontece com os “sites” religiosos. Cientes do facto, e à míngua de espaço onde depositar os dejectos intelectuais, muitos crentes procuram o Diário Ateísta, onde podem, impunemente, exibir a sua indigência intelectual ou a sua má-formação. Ou ambos, o que é pior. Alguns aparecem ostentando a máscara do debate sério e sereno; mas, ou o elástico não presta ou a máscara é fraca, a verdade é que mais tarde ou mais cedo (mais cedo do que tarde) a dita máscara acaba por cair e eles são obrigados a mostrar as suas verdadeiras intenções: a sabotagem pura e simples, o insulto soez ou, como disse um ilustre fanático do seu deus pessoal, para não deixar os ateus exporem à vontade os seus pontos de vista (cito de memória).

Vem isto a propósito de uma carta que um leitor, que exerceu o inalienável direito de não revelar a sua identidade (foi logo censurado! Esqueceram-se que é tão anónimo um “anónimo” como um “jairo entrecosto”, por exemplo. Aliás, ninguém garante que José Moreira é um nome verdadeiro…) e denunciou o facto de ter sido alvo de “evangelização” nas duas vezes que teve de acorrer a um hospital de gestão religiosa. Caiu-lhe em cima tudo quanto era cristandade, cristianismo a “amor ao próximo”, como não podia deixar de ser. A má-fé, a arrogância e “tolerância religiosa” aliaram-se alegremente contra o autor da epístola. “Masoquista” foi o menor dos insultos. Podia ser só ignorância, mas não quiseram ficar-se só por aí. O que é pena, mas não espanta.

Vamos a factos concretos, porque alguns idiotas só conseguem aprender com exemplos. E é melhor que aproveitem, porque não tenho jeito para o desenho.

CASO 1 – Há anos, tive um problema numa das mãos. O meu médico de família assegurou-me que teria de ser submetido a uma intervenção cirúrgica. Pedi-lhe que me recomendasse um cirurgião que lhe merecesse confiança, já que a cirurgia teria de ser feita ao rigor do milímetro, ou arriscava-me a ficar deficiente. Recomendou-me um que está considerado o melhor da cidade do Porto, e um dos melhores do país. Só que esse médico trabalhava – e ainda trabalha – num hospital de uma ordem religiosa. Sou ateu, mas não sou fanático e tento não ser estúpido. Além disso, um hospital não é uma igreja (e que fosse…!). Obviamente, fui internado nesse hospital. Confesso que não fui assediado nem vítima de tentativa de evangelização. Nem sequer vi um padre. Tive de aguentar os vários modelos de crucifixos, mas tive o discernimento suficiente para concluir que não estava em minha casa.

CASO 2 – Em 2007 tive de ser internado no Hospital de St.º António, para ser submetido a outra intervenção cirúrgica. Hospital público, para quem não sabe. Pago por todos nós, para quem também não sabe. Logo no primeiro dia, apareceram duas freiras que pretenderam dar-me “conforto espiritual”, como disseram. Esclareci-as, educadamente, que estavam a tratar com um ateu. Afastaram-se, não sem antes me desejarem “fique com Deus” Ainda lhes disse que preferia a “virgem” Maria, mas não sei se me ouviram. Não devem ter ouvido, porque não apareceu mais ninguém, a não ser a minha mulher que, além de não se chamar Maria, não é virgem. Nos dias seguintes, vagueou pela enfermaria um padre, que me ignorava olimpicamente, enquanto cumprimentava “tutti quanti”. Fiquei terrivelmente chateado, como devem calcular. Mas nada surpreendido, naturalmente.
Tudo isto para dizer o seguinte, aos iluminados: em questões de saúde, nem sempre a escolha depende do doente. Nem o doente deve ser censurado – nem ninguém, com dois dedos de testa, o censurará – se optar por um hospital religioso. Desprezar um hospital religioso porque se é ateu, é ainda mais estúpido e primário do que ser fanático religioso. Primeiro, a saúde! Mas esta é, claro, a minha opinião.

E toda a gente sabe (se calhar, não é bem assim…) que os bons médicos estão nos hospitais privados ou de ordens religiosas. Que é onde pagam bem.

E onde cobram melhor.

28 de Novembro, 2010 Carlos Esperança

Bíblico esconderijo no “complexo do alemão”…

Foto: Veja online [ soldado na intervenção desta manhã no Complexo do Alemão] veja

Pode ler-se no 1º. versículo [Salmo 91 – Biblia VT]:
“Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Todo-Poderoso descansará… “

APOSTILA: Nem sempre o Velho Testamento deve ser interpretado “à letra”!

Por E -Pá

28 de Novembro, 2010 Carlos Esperança

Carta de um leitor

Concordo totalmente com o teor do comunicado.

Há anos fui obrigado pelos meus médicos a fazer duas operações num hospital de uma ordem religiosa. Em ambos os casos fui assediado por padres, monges e freiras quando, antes e depois das intervenções, me achava mais fragilizado e dependente e sem capacidade de recusar o “serviço”.

Numa ocasião, já tonto dos medicamentos, tive de aturar a ladainha melosa duma freira, falsamente caridosa, no momento da perda de consciência! A mulher injectava-me enquanto praticava o seu autoritarismo religoso intolerável. Para todos é desleal e destrutivo. mas o que será para idosos e pessoas muito doentes, em grande desespero, religiosas ou não…?

Há dias fui fazer exames a mais um desses hospitais. A qualidade dos serviços foi péssima, nas relações humanas, na pontualidade e na eficácia dos serviços prestados! Tudo o menos “cristão” possível!

Além disso as instalações, de qualidade arquitectónica (funcionalidade e estética) mais ou menos aceitáveis, continham por todo o lado “obras de arte” (feitas por curiosos) e reproduções de imagens religiosas totalmente descabidas e do mais baixo nível artístico!
Que pensarão os crentes de outras religiosas e os ateus obrigados a utilizarem este “serviço público”?

Localiza-se no centro de Lisboa. O que será nos hospitais “religiosos” da província?

É tempo de o Estado deixar de subsidiar e dar lucro à Igreja Católica alienando-lhe parte do serviço público de saúde, só porque na nossa História passada os descobrimentos, o colonialismo e a pobreza do país deram origem a ordens religiosas de caridade que prestavam, com utilidade nas épocas passadas, os serviços de saúde.

O Estado não deve apoiar a extrema riqueza da Igreja Católica, um dos maiores ou o maior proprietário fundiário  e empresário do país!
Assiste-se à paulatina destruição da organização moderna da sociedade que a revolução liberal de há dois séculos e as reformas do Estado Novo (até esse!) e da democracia do 25 de Abril proporcionaram ao povo português à custa de muita luta e perda de vidas!
Em todos os sectores, em especial no ensino e na saúde a um grave retrocesso civilizacional, muitas vezes da responsabilidade de pessoas que se dizem “socialistas” e que praticam, aproveitando-se do desnorte dos partidos políticos com ideologias de progresso, para praticar a mais vergonhosa política conservadora e de regresso ao passado!

É o caso do últimos ministros da Saúde e da Educação (no caso das mulheres-ministro ainda é mais grave!).

Saudações ateístas,

a) leitor devidamente identificado. (cf)