9 de Janeiro, 2011 Carlos Esperança
Um acto sem utilidade
Vaticano: primeiro aniversário do terramoto do Haiti assinalado com missa presidida pelo Secretário de Estado
Era preferível que o deus do Papa tivesse evitado a catástrofe.
Vaticano: primeiro aniversário do terramoto do Haiti assinalado com missa presidida pelo Secretário de Estado
Era preferível que o deus do Papa tivesse evitado a catástrofe.
Fonte: INE
Nota: Ninguém espera que as conversões abundem. Deus tem pouca credibilidade.
Em declaração nesta quinta, o Papa Bento XVI disse que enquanto a ciência não levar em conta a fé, nenhuma teoria terá respostas completas
O Papa Bento XVI declarou nesta quinta-feira que o Big Bang foi obra de Deus. Segundo ele, os “cristãos devem rejeitar a ideia de que o Universo surgiu por acidente”.
Nota: Se não podes vencer a ciência junta-te a ela.
Oriana Fallaci, escritora e célebre jornalista italiana, foi das poucas pessoas de esquerda que percebeu o perigo que a demência religiosa representa para os direitos e liberdades individuais. Pode dizer-se que quase roçou o racismo na denúncia vigorosa do fascismo islâmico nos dois últimos livros, «Raiva e Orgulho» e «A Força da Razão», tal a raiva e a força da denúncia, mas dificilmente se encontrará alguma falsidade.
A comunicação social dos países democráticos ignora o duelo, às vezes sangrento, que se trava em África entre o Islão e o cristianismo evangelista , apoiados respectivamente pela Arábia Saudita e pelas Igrejas evangelistas e os EUA. O genocídio ruandês de 1994 parece ter sido esquecido bem como as implicações religiosas, nomeadamente católicas, na carnificina.
Os recentes atentados contra os cristãos de Alexandria em breve serão esquecidos como uma das muitas reincidências (52) dos que desejam islamizar o Egipto. A Europa só se assusta quando a ameaça chega às suas cidades e, ainda, com tendência para invocar o multiculturalismo como atenuante das atrocidades de que é vítima. E só se forem cristãs as vítimas, como se a vida de um cristão não valesse o mesmo que a de um muçulmano, ateu, budista ou judeu.
No Iraque, onde a horda de cristãos levou o caos, morrem hoje milhares de xiitas que o ódio sectário dos sunitas se esforça por liquidar na esperança de construírem o Estado islâmico sobre os escombros de um país desfeito. Os cristãos e judeus, cuja existência era garantida pelo estado laico de Saddam, estão a desaparecer, mortos, emigradas ou convertidos à força.
A Europa, dilacerada por guerras religiosas, impôs a laicidade com a repressão política sobre o clero e, através da Paz de Westfália (1648), garantiu a liberdade religiosa. Hoje é incapaz de condenar a ingerência política do Vaticano na luta partidária de numerosos países, as pressões políticas da Igreja ortodoxa, as punições a quem renuncia ao Islão e a proibição muçulmana de outros cultos. Como se o dever de reciprocidade face à Europa laica não devesse ser uma exigência ética em terras de Maomé obrigatório!
O islão radical só aceita uma lei – a sharia. E um método para a impor – a jihad. Só a laicidade pode conter o sectarismo e garantir a diversidade religiosa. O Europa tem de ser firme na sua defesa, dentro das fronteiras, e exigente fora delas.
Pio IX considerava a ICAR incompatível com a liberdade, a democracia e o livre-pensamento. A herança do Iluminismo foi mais forte.
Por
A blasfémia é a difamação do nome dos deuses [ou dos seus profetas]. Poderá abranger posições de mero insulto ao verrinoso escárnio sobre divindades.
Igreja dos EUA anuncia pedido de falência por indemnizações de abuso sexual
A arquidiocese da Igreja Católica Romana da cidade americana de Milwaukee, no Estado de Wisconsin, anunciou que pedirá falência por uma onda de processo judiciais de vítimas de abuso sexual por padres.
A onda de relaxação que atinge o clero católico, um pouco por todo o lado, não pode deixar de suscitar perplexidade em Portugal onde a irrepreensível conduta e acendrado amor à castidade têm sido apanágio dos seus bispos, padres e freiras.
Basta lembrar o comportamento impoluto de bispos eméritos: Sr. D. João Alves, bispo Coimbra, Sr. D. Teodoro de Faria, bispo do Funchal, e do Sr. D. Ximenes Belo, a quem o Vaticano nunca concedeu a titularidade de uma diocese, para citar alguns exemplos dos mais virtuosos e empenhados na defesa da castidade, como é público e reconhecido.
No entanto quem tenha lido “La vida sexual del clero”, de Pepe Rodriguez, estranhará tanta virtude do clero português face ao que se passou em Espanha, só com clérigos cujas sentenças judiciais transitaram em julgado, estranheza agravada pelos atropelos ao sexto mandamento a nível mundial.
Doloroso foi o caso relatado em 2001 de padres que violaram sistematicamente freiras com medo da SIDA. Mais dramático foi ainda a resignação a que foi obrigado o velho cardeal de Viena Hans Herman Groer pela propensão pedófila ou do polaco Monsenhor Juliusz Paetz, arcebispo de Poznan, de 67 anos, antigo colaborador de João Paulo II, que lhe aceitou a demissão por abusar de padres e seminaristas ou vice-versa.
No ano de 964 o Papa João XII foi morto com uma marretada na cabeça por um marido que não tolerou encontrá-lo na cama com a sua mulher. A um antigo e prestigiado cardeal de Paris Jean Danielou foi Deus servido de chamá-lo à sua divina presença em 20 de Maio do Ano da Graça de 1974 quando se encontrava nos braços da espectacular bailarina de strip-tease de 24 anos, Mimi Santoni.
As alcovas do Vaticano deram origem a milhares de páginas de sórdidas condutas onde o nome de Alexandre VI tem lugar destacado. Contudo o que é verdadeiramente novo é a aplicação do Código Penal americano que responsabiliza as dioceses pelos procedimentos impróprios dos seus padres. Assim, independentemente das tentativas de encobrimento que revelaram baixeza ética e cumplicidade, o que ficou em causa foi a falência das dioceses que se viram impedidas de prosseguir a sua missão espiritual por falta de verbas. A generosidade dos crentes passou a ser inferior ao rigor dos tribunais.
Estes escândalos não põem em causa a religião apesar de alguma prudência que as sotainas aconselhem aos pais. O clero católico não terá um cio mais escaldante que os profanos ou uma diversidade de hábitos sexuais superior mas a condenação ao celibato há-de criar-lhes mais inibições e recalcamentos.
Por isso surpreende a virtude do clero autóctone. Talvez a consagração de Portugal ao Imaculado Coração de Maria, repetida quando o Papa entende aproximar-se o fim do prazo de validade, tenha sido a vacina que poupe à luxúria o vasto clero que cuida das almas lusas.
Não são os crentes que escolhem as crenças, são estas que escolhem aqueles através do sítio onde nascem, da família que os cria e do clero que os intoxica. Isto, se não houver meios mais expeditos e argumentos mais musculados.
As conversões em massa, a obrigação de seguir a religião do rei ou do imperador, são a prova da existência de deus, dado o sucesso do método. Na Europa nascia-se católico e morria-se de fé ou grelhado nas fogueiras. No Médio Oriente nasce-se islâmico e morre-se na crença do misericordioso, rodeado de bombas ou decapitado.
Os crentes, acirrados pelos sacerdotes, têm muito medo do que chamam a vida eterna e do mau aspecto com que se apresentam no Paraíso depois de algum tempo de defunção. Por isso procuram converter outros para parecerem muitos e terem gente para os bailes de gala que o deus de cada um organiza em honra das almas debutantes.
Ultimamente, com a falta de vocações sacerdotais, a ICAR está a pôr as garras de fora e a fazer exigências que o bom senso desaconselha. Não passa pela cabeça de um ateu que deve tirar a fé a quem se recusa a pensar, mas não há crente que não queira converter os ateus às missas, novenas, exposições do Santíssimo, abstinências, jejuns, peregrinações e outras extravagâncias pias com que se mortifica o corpo e protege a alma.
Quanto mais idiotas são as crenças mais estupefazem os crentes. Desde os milagres com que o Papa faz a gestão política da clientela, até aos rios de mel que os talibãs reservam para os guerrilheiros de Maomé, há uma enorme panóplia de tolices para consumo pio.
Bem-aventurados os pobres de espírito.
O Diário de uns ateus é o blogue de uma comunidade de ateus e ateias portugueses fundadores da Associação Ateísta Portuguesa. O primeiro domínio foi o ateismo.net, que deu origem ao Diário Ateísta, um dos primeiros blogues portugueses. Hoje, este é um espaço de divulgação de opinião e comentário pessoal daqueles que aqui colaboram. Todos os textos publicados neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as posições da Associação Ateísta Portuguesa.