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Carlos Esperança

14 de Julho, 2012 Carlos Esperança

As mentiras dos crentes e dos ateus-R

Hoje não vou falar da falsidade das religiões mas referir as mentiras de crentes e ateus. Há ateus que frequentam a missa e a eucaristia à espera da recomendação do padre ou do bispo para o emprego nas Misericórdias ou nas aulas de Moral num estabelecimento de ensino. São muitos os indiferentes às pessoas da Trindade, tanto lhe importando que sejam três ou trezentas, desde que resolvam as suas necessidades.

Não será difícil imaginar o entusiasmo com que os muçulmanos cumprem o Ramadão, não com medo de Alá, mas com receio de serem denunciados aos saprófitas de Maomé.

O medo é o grande estímulo da fé: medo do inferno, das perseguições, dos incómodos sociais, das vinganças dos prosélitos, etc. Não é por acaso que as religiões têm um distribuição geográfica definida e, sem a herança iluminista e a Revolução Francesa, ainda hoje seríamos todos católicos no território que foi do Império Romano.

Os mentirosos mais interessantes que conheço encontram-se nas caixas de comentários do Diário Ateísta, agora por vicissitudes da sorte, de novo Diário de uns Ateus. Começam por se dizerem ateus para, segundo julgam, ganharem alguma credibilidade e passam aos ataques ao ateísmo, à defesa das seitas religiosas, especialmente do catolicismo, aos insultos aos ateus (os deste blogue, claro) e à apologia de todas as mentiras eclesiásticas e da santidade do Diretor-geral da seita.

Às vezes, perdida a vergonha e esquecidos de que se definiram como ateus, chegam ao ponto de defender os embustes da ICAR a que chamam milagres e figuras sinistras que foram canonizadas como o Sr. Escrivà.

Bem-aventurados os mentirosos porque deles é o reino dos céus, para usar a expressão canónica dos créus.

13 de Julho, 2012 Carlos Esperança

Deus, os crentes e o Diário de uns Ateus

Deus não é boa rês, criado como foi por homens da Idade do Bronze, à imagem e semelhança das tribos onde o caráter patriarcal dominava. Homens desses não podiam deixar de imaginar um ser cruel, vingativo, misógino, homofóbico e xenófobo. Esse deus inventado há 6016 anos, o deus abraâmico, ainda hoje é um detonador do ódio e da violência.

Esta é a ideia que eu tenho, como ateu, de um mito que era obrigatório nas escolas e igrejas da minha infância. É desse déspota que falo sem que ele se queixe ou se intrometa na minha vida. Lamentavelmente os que a creditam nele não admitem que haja quem pense de forma diferente.

Pelo mesmo motivo que eu seria incapaz de ir a um blogue religioso insultar os crentes, penso que tenho o direito de exigir que os crentes não venham ao Diário de uns Ateus injuriar os que não têm medo do Inferno nem da ira divina.

O Diário de uns Ateus continuará aberto a todos e, no que me diz respeito, até me podem insultar que, nem por isso, os excluo do direito de comentarem. Já não prometo que, à semelhança da Igreja católica, venham para aqui acender fogueiras contra os hereges e os deixe à solta. Só aqui entra quem quer.

Os ateus têm o direito às suas convicções sem terem a obrigação de suportar insultos. Se os crentes se sentem insultados com o desprezo que as religiões nos merecem, podem sempre trocar este local pela sacristia e a prosa ateia por litros de água benta.

Este local é bem mais asseado do que um confessionário.

11 de Julho, 2012 Carlos Esperança

Ateus, créus e amigos da hóstia

Nunca me permiti fazer um comentário desprimoroso ou ofensivo num site religioso. Jamais seria capaz de denunciar as mentiras pias num local pio ou de negar a eficácia da água benta e do incenso ainda que aí seja alvo de ataques.

Não me permitiria denunciar o passado crapuloso de vários papas e numerosos santos nem a superstição e embustes promovidos pelo negócio dos milagres. Seria intolerável escrever num sítio islâmico que Maomé era apreciador de crianças ou que Cristo nasceu da relação de uma pomba (ou pombo?) com uma judia.

No entanto o Diário de uns Ateus, cujo nome não engana, está cheio de insultos de intrusos cuja linguagem de sacristia contraria a prescrição cristã de dar a outra face como dizem ser seu dever. Mais uma mentira que 2 mil anos desmentem.

Vêm aqui, cheios de proselitismo, a dizer que o fundador da seita veio ao mundo para «nos» salvar, como se alguém lhe tivesse pedido, e sem se perceber o atraso no negócio da salvação, com pouco mais de dois mil anos. Antes desse judeu, que ganhou a vida a fazer milagres, já tinham vivido milhões de seres humanos que não foram salvos e que não souberam o que era o batismo ou a eucaristia, sacramentos rentáveis para a ICAR – multinacional da fé.

O Diário Ateísta ou o Diário de uns Ateus é, como o nome indica, um espaço de denúncia das mentiras e crimes das várias religiões. Assim continuará enquanto existir. A referência comum dos colaboradores é a Declaração Universal dos Direitos do Homem.

9 de Julho, 2012 Carlos Esperança

Quem inventou Deus ?

‘Partícula de Deus’ é maravilha do Criador, afirma bispo do Vaticano.

Ele acrescentou: ‘se ela, a partícula, está aí, é porque alguém a colocou’

A Igreja Católica está tentando capitalizar a descoberta do bóson de Higgs, um extraordinário avanço da ciência, como sendo mais uma evidência da grandeza de Deus, ao se julgar pelas palavras de dom Marcelo Sánchez Sorondo, teólogo e chanceler da Pontifícia Academia das Ciências, do Vaticano.

Ao comentar a descoberta anunciada na quarta-feira, Sorondo disse que a “partícula de Deus”, como é chamada popularmente o bóson de Higgs, “demonstra que a criação é algo maravilhoso”. E acrescentou: “Se ela [a partícula] está aí, é porque alguém a colocou.”

Comentário: Para os bispos, Deus é a explicação por defeito para todas as dúvidas.

8 de Julho, 2012 Carlos Esperança

Os castrati

Por

Kawkaz  

O jornal Público publicou um artigo muito interessante sobre os castrados em nome da arte do canto que se praticou na Europa cristã e em Portugal no século XVIII.O trabalho tem a assinatura de Cristina Fernandes.

Ela conta-nos, e vou reproduzindo algumas partes desse texto, que no período barroco os homens castrados dominaram nos principais palcos europeus e deliciavam com os seus cantos e vozes especiais as cortes dos reis, as igrejas e os teatros.

Em Portugal haveria muitos cantores castrados italianos ao serviço dos teatros e da Capela Real e Patriarcal no século XVIII. Menos conhecido será o facto de também terem existido castrati portugueses e de que essa prática desumana em prol da arte do canto e do eventual êxito de uma carreira futura também ocorreu entre nós.

O culto da beleza vocal sobrepunha-se à crueldade da operação a que os jovens cantores do sexo masculino eram submetidos antes da puberdade no intuito de preservar o registo vocal agudo das crianças durante a vida adulta. Impedia-se assim o desenvolvimento da laringe e das cordas vocais, mas não o crescimento do resto do corpo e da caixa torácica, o que permitiria sustentar notas longas por muito tempo. A visibilidade dos castrati como superestrelas da ópera faz por vezes esquecer que as suas primeiras funções se encontram ligadas à música sacra. A Capela Sistina empregava-os pelo menos desde meados do século XVI, o mesmo acontecendo com algumas catedrais espanholas ou com a capela da corte de Munique no tempo de Orlando di Lassus. Mesmo num país como a França, cuja tradição operária era alheia a esta prática, eram contratados castrati para a Capela Real de Versalhes nos meados dos séculos VII e XVIII.

Em Portugal o uso de castrati na música religiosa e na ópera encontra-se documentado a partir do reinado de D. João V. A importação regular de cantores italianos (cerca de 140 entre 1750 e 1807), dos quais dezenas eram castrati, prosseguiu nos reinados de D. José e D. Maria I e durante a regência de D. João VI. E quando a corte se transferiu para o Brasil em 1807, na sequência das invasões francesas, o Príncipe Regente continuou a contar com castrati na Capela Real do Rio de Janeiro.

Os estatutos do Real Seminário de Música Patriarcal (1764), a principal escola de música em Lisboa antes da criação do Conservatório em 1835, mencionam que a idade de admissão dos alunos deveria ser de oito anos, podendo ingressar posteriormente no caso de já saberem música ou se fossem “castrados, com voz de soprano ou alto”.

Ao contrário dos seus colegas italianos, nenhum dos alunos do Seminário Patriarcal identificados como castrati fez carreira operática, mas tiveram cargos profissionais respeitáveis no âmbito da música sacra ou do ensino.

Após ter assistido à cerimónia da sagração da primeira pedra da Igreja da Memória em 1760 (celebrada pelo patriarca na presença da família real e do Marquês de Pombal), o italiano Giuseppe Baretti escreve ironicamente: “Terminou a missa e terminaram a fefautada e a rabecada de um bom número de castrados e de instrumentalistas, dos quais se mantém na corte um número muito superior ao dos professores de Letras de Coimbra.”

A Igreja Católica e a Monarquia encantava-se com o canto dos castrados e os “Direitos Humanos” não faziam parte da inspiração de “Deus”!

P.S. Não havendo qualquer relação com castrati proponho-vos a audição do
Contratenor Philippe Jaroussky em “Vivaldi aria”.
7 de Julho, 2012 Carlos Esperança

O Moisés bíblico

Por

Leopoldo Pereira

Moisés é um dos profetas mais relevantes da história do Povo Judeu; a ele estão associados acontecimentos como o Êxodo (a fuga dos judeus que viviam no Egipto), as peripécias vividas pelos judeus no Monte Sinai (assunto a que tenciono dedicar-me posteriormente) e outros.

Após a morte de José, também judeu e segunda figura na hierarquia do Poder no Egipto, subiu ao Trono um Faraó que deu em embirrar com os judeus, a ponto de ordenar às parteiras egípcias que matassem todos os bebés masculinos judeus, logo ao nascer, ordem que as parteiras não acataram, correndo graves riscos, por desobediência. Como esta medida não vingou, o Povo Judeu foi-se tornando numeroso, preocupação acrescida para o Faraó. Então o monarca voltou à receita anterior, mas desta vez extensiva a todo o Egipto: “Lançareis ao rio Nilo todo o menino que nascer e deixareis viver todas as meninas”. Não imagino como se desenrascaram os pais que moravam longe do grande rio…

Entretanto um casal de judeus teve um belo rapaz e esconderam-no durante três meses; quando já não conseguiam escondê-lo por mais tempo, a mãe embarcou-o num cestinho de papiro, à prova de água, e intencionalmente pô-lo na margem do Nilo, entre os juncos, numa zona onde a filha do Faraó costumava tomar banho. A menina viu o cestinho e mandou uma criada buscá-lo. Logo topou que a criança era hebraica! Além de inteligente, também devia ser muito boa, pois decidiu adotar o menino e arranjar de pronto uma ama que cuidasse dele, por acaso a mãe da criança. Já crescidinho foi devolvido à Faraozinha, que o batizou de Moisés (Salvo das águas). O rapaz passou uns anitos maravilhosos no Palácio do Faraó, mas a dada altura meteu-se em sarilhos, matando um egípcio. O caso tornou-se conhecido e teve de fugir. Um judeu generoso não só o aceitou em sua casa como lhe deu a filha Séfora. Moisés deixou de roer as unhas, mas começou a ter visões, que não entendia, até que numa dessas sessões Deus decidiu apresentar-se: “Não te aproximes e tira as sandálias, porque o lugar é sagrado; eu sou o Deus dos teus antepassados. Vi muito bem a miséria do meu povo que está no Egipto; tenho de o libertar e fazer sair desta terra. Envio-te ao Faraó, para tirares os filhos de Israel daqui.”

Moisés ficou acagaçado; não tinha esquecido o motivo por que fugira, além de se considerar incapaz de executar uma missão diplomática de tamanha envergadura. Argumentou que tinha dificuldade em se expressar e que se sentia inseguro mesmo junto dos seus, quando lhes dissesse que era um enviado de Deus; eles vão querer saber o Vosso nome, por exemplo.

Resposta: “Eu sou Aquele que sou”; “dirás ainda: O Senhor é que me enviou a vós.”

Moisés deve ter tido dificuldade em digerir o que escutara e quis mais garantias. Deus ficou irritado e lembrou-se de Aarão, mano de Moisés (mais um que escapou do rio), achando melhor que fosse este a falar às massas, pois não era tão bronco e tinha inclusive o dom da palavra. Porém, não tirou Moisés do papel principal e ensinou-lhe vários truques: O da vara virar serpente; a lepra que desaparecia ou aparecia e a transformação da água em sangue. A chatice é que os Magos do Faraó conseguiram imitar todas aquelas habilidades! Posto o falhanço, mais um truque: Rãs em quantidades nunca antes vistas. Mas até este os Magos imitaram. Seguiram-se outros: O dos mosquitos, o das moscas, o da peste, o dos tumores, o do granizo, o dos gafanhotos e o anúncio da morte dos primogénitos egípcios.

Não há paciência que aguente; o Faraó cansou-se de os aturar e permitiu que saíssem do país.

Apesar de Moisés ser muito estimado pelos ministros e povo egípcio (algo que surpreende), liderou a fuga. Poucas horas volvidas, o Faraó arrependeu-se e enviou as suas tropas no encalço dos fugitivos. Foi quando Moisés abriu caminho por entre as águas, caminho que fechou logo que o último judeu atingiu a margem. Ora as tropas do Faraó, que de certeza não eram comandadas por um Oficial Ranger, meteram-se incautamente onde não deviam e foi aquela tragédia: Pereceram quase todos afogados.

Os judeus não rumaram na direção da Terra Prometida, a terra dos cananeus, heteus, amorreus, heveus, jebuseus e piolhosteus, onde corria leite e mel; decidiram dar umas voltas pelo deserto durante 40 anos! A jornada podia realizar-se, segundo quem sabe, em três semanas, o máximo quatro.

Então até às peripécias ocorridas na zona da Montanha do Sinai.

L. Pereira, 7/7/12