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Carlos Esperança

28 de Setembro, 2012 Carlos Esperança

Vaticano tira o cavalo da chuva

Ruanda: Vaticano demarca-se de sacerdote acusado de genocídio

O porta-voz do Vaticano afirmou hoje que a Santa Sé não tem qualquer relação com o sacerdote ruandês J.B. Rutihunza, acusado de envolvimento no genocídio de 1994 no país africano.

O padre Federico Lombardi reagiu a notícias surgidas nos últimos dias nas quais se alegava que o referido padre estava a ser “protegido” pelo Vaticano.

28 de Setembro, 2012 Carlos Esperança

Ainda se fosse um homem…

Vaticano contraria tese da «mulher» de Jesus

Texto divulgado por estudiosa norte-americana visto como falsificação sem relevância sobre a figura histórica de Cristo

O jornal do Vaticano apresenta hoje uma análise ao fragmento de papiro que alegadamente remontaria ao século IV, falando numa “mulher” de Jesus, contestando a sua autenticidade e relevância para a apresentação da figura história de Cristo.

26 de Setembro, 2012 Carlos Esperança

A ICAR está cada vez mais obsoleta

A ICAR, incapaz de inovar, para manter fiel a clientela, acaba por regressar aos velhos truques numa sociedade alfabetizada. Os milagres muito batidos, o aparecimento da Virgem (a obsessão pela virgindade é esquizofrénica) a uns pobres de espírito a quem transmite recados do seu divino filho, visitas do Cristo, ele próprio, a uns inocentes a quem faz pedidos patetas e um ror de prodígios capaz de adormecer crianças e imbecilizar adultos, são os truques em que reincide para manter a quota de mercado e alargar a base de apoio.

Nem ao menos se lembra de encomendar hóstias com sabores às pastelarias diocesanas, perfumar a água benta com aromas testados à saída da missa pela pituitária dos devotos, temperar a água com que batiza as crianças, evitando o choro e o resfriado, ou inovar a música e ultrapassar o cantochão. Até os chocalhos que anunciam a passagem da hóstia pelo sacrário estão desafinados e distorcem o som com o verdete acumulado.

Bem sei que o passado pouco recomendável de muitos papas, bispos e padres não ajuda à propagação da fé e à frequência do culto. O livro de referência – a Bíblia – tão arcaico e cruel, tão cheio de incoerências e maldições, não ajuda o prestígio de Deus, acusado de ser o seu autor.

Que resta, pois, à ICAR, perdido o medo do inferno, desinteressados homens e mulheres do destino da alma, incapaz de conter o consumo de carne de porco à sexta-feira, sem clientes para as bulas e com o dízimo caído em desuso?

Cada vez se encontra em maiores dificuldades para introduzir no código penal o pecado como crime. Não consegue para os pecados veniais uma simples coima nem para os mortais uma pena de prisão. A blasfémia é ignorada em juízo, o divórcio é facilitado e o adultério deixou de interessar o Estado. Apenas o aborto consegue ainda, em países de forte poder clerical, devassar a vida íntima das mulheres e submetê-las ao vexame de um julgamento e ao opróbrio da prisão. Mesmo a apostasia, que é para os pios doutores da ICAR, uma ofensa imperdoável, é uma prática corrente e um direito inalienável.

Assim, resta à ICAR vociferar contra o preservativo, atirar-se à pílula como São Tiago aos mouros e execrar a investigação em células estaminais. Já poucos lhe ligam quando apostrofa a eutanásia, afronta a proibição do ensino da religião nas escolas do Estado ou injuria os casamentos homossexuais.

Os padres vão enegrecer ao fumo das velas, abandonados pelos crentes, proibidos de ter uma companheira que lhes alivie a solidão, enquanto os bispos e o papa satisfazem o narcisismo com a riqueza e o colorido dos paramentos. Acabam por descrer da virtude da Igreja, da bondade do seu Deus e a renunciar à salvação da alma.

25 de Setembro, 2012 Carlos Esperança

Escândalo do Vaticano mostra a ponta do icebergue

Julgamento de ex-mordomo do papa expõe «VaticanLeaks»

Há seis anos, todos os dias, antes do amanhecer e depois do anoitecer, Paolo Gabriele, de 46 anos, casado e pai de três filhos, percorria a pé a distância entre a sua residência e o apartamento de Bento XVI. Na ida e na volta, o mordomo do papa passava junto a um caixa automático muito peculiar. O fundo do ecrã reproduz «A Criação de Adão», o fresco pintado por Michelangelo no tecto da Capela Sistina, e entre as línguas que o convidam a introduzir o cartão e retirar euros está o latim: «Inserito scidulam quaeso ut faciundam cognoscas rationem» (que pode ser traduzido como: «Coloque o seu cartão para realizar as suas operações»).

Há quatro meses Paolo Gabriele deixou de passar junto do caixa do Banco do Vaticano. Em 23 de Maio, a polícia deteve-o sob a acusação de roubar e divulgar para a imprensa a correspondência particular de Joseph Ratzinger. Gabriele, também conhecido como Paoletto, afirmou que a sua única intenção foi ajudar a Igreja e o papa, revelando as intrigas palacianas.

O julgamento, que começa no próximo sábado, na Cidade do Vaticano, deverá esclarecer se, como no caixa, a religião, a arte e o latim só serviam de envoltório para um motivo muito mais terreno.

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