Loading

Carlos Esperança

5 de Outubro, 2012 Carlos Esperança

Os sacrifícios nas religiões

Por

Leopoldo Pereira

Seria fastidioso enumerar todas as seitas religiosas que, desde tempos remotos, enveredaram por práticas absurdas, como a “necessidade” de ofertar bens materiais, sacrifícios estúpidos, edificação de altares, templos, etc., às divindades que iam inventando.
Diz o dicionário: ALTAR é uma espécie de mesa ou lugar alto onde se oferecem sacrifícios aos deuses ou se fazem imolações. IMOLAÇÃO é um sacrifício com derramamento de sangue, oferecido à divindade.

Foram várias as civilizações antigas (consta existirem nos nossos dias seitas religiosas que ainda sacrificam animais), que nos altares assassinaram pessoas, por exemplo aos deuses Moloc, Baal, Zeus, aos dos Celtas, Germanos (deus Odin), Eslavos (deus Perun, a quem imolavam rapazes e raparigas) e aos deuses das civilizações Maias, Incas, Astecas (estes mataram milhares), etc. Também o Xintoísmo sacrificava homens. Quase todos os citados incluíam nas oferendas aos seus deuses outros animais. As raízes das três religiões monoteístas são de idêntico teor, não devendo os aficionados esquecer tais barbaridades. Havia templos (os mais importantes) que mantinham a fogueira acesa as 24 horas do dia e adiante verão para quê! Mais, o gosto pelas fogueiras foi reeditado pela ICAR na Idade Média, tendo terminado há pouco, no Séc. XIX. Livres-pensadores, hereges, bruxos, indesejáveis, foram torturados e arderam (ainda com vida) em grande número, para gáudio da assistência que, à semelhança das touradas e da matança do porco, faziam e fazem dos sacrificados uma festa! Consta que o número de mortos devido à atuação da Inquisição ronda os 9 milhões.

Na Bíblia podem ler vários textos sobre o assunto, tão eloquentes e elucidativos como estes:
“Se for holocausto de aves, a oferta será de uma rola ou de um pombinho. O sacerdote levá-la-á até ao altar e, destroncando-lhe o pescoço, queimá-la-á sobre o altar, depois de deixar escorrer o sangue sobre a parede do altar. Tirará o papo e as penas, atirando-os para o leste do altar, para cima das cinzas. Dividirá a ave ao meio, uma asa de cada lado, mas sem separar as partes. Então o sacerdote queimará a ave no altar, em cima da lenha que está sobre o fogo. É um holocausto: oferta queimada, de suave odor para o Senhor.”

“Se ofereceres ao senhor um animal grande, macho ou fêmea, deverá ser sem defeito. (…) Oferece ao Senhor a gordura. Os filhos de Aarão queimarão essa parte no altar, por cima do holocausto, em cima da lenha colocada sobre o fogo. É uma oferta queimada, de suave odor para o Senhor.”

Como disse, os textos que recomendam a imolação de animais são vários e alguns bem mais aterradores do que estes. A ementa incluía vacas, bois, cabras, ovelhas, cordeiros, cabritos e até aves. Os templos eram autênticos matadouros e as fogueiras não tinham mãos a medir. Segundo o Livro Sagrado, Deus curtia a cena, concretamente pelo cheirinho agradável…
Por estas e outras do género, que tenho vindo a abordar, é que a leitura da Bíblia estava interdita aos profanos. Martinho Lutero (Papa de Saxe), no Séc. XVI traduziu-a e, a partir daí, pessoas como eu podem e devem deliciar-se com as “larachas” nela inclusas.

Uma vez que veio à baila Lutero, convém acrescentar que este monge agostinho (professor universitário alemão), foi contra as indulgências decretadas pelo Papa Leão X (enviei-as aos amigos, não há muito tempo), achava que o Vaticano devia renunciar aos bens temporais (pois sim), era a favor do casamento dos padres, amaldiçoava os mosteiros, as imagens nos templos e o sacrifício da missa. Proclamou a liberdade de pensamento e de consciência. Claro que foi excomungado (só podia).
Seguramente eu seria um dos archotes vivos, se Inquisição ainda houvesse e isso não posso perdoar, como não perdoam os que “aplacaram” a ira de deuses cretinos, cobardemente assassinados pelos seus sacerdotes (“iluminados” convencidos de representarem a divindade).

Detesto altares e templos… só podem cativar-me arquitetonicamente. Sacerdotes também não aprecio, ainda que deva reconhecer existirem nessa área pessoas excecionais (como pessoas). Gosto de animais e sinto pelo que as religiões lhes fizeram ou fazem. Sou por eles.

5 de Outubro, 2012 Carlos Esperança

Viva o 5 de Outubro

A Revolução de 1820, em 24 de agosto, o 5 de outubro de 1910 e o 25 de abril são, em Portugal, os marcos históricos da liberdade. Foram os momentos que nos redimiram da monarquia absoluta e da dinastia de Bragança; são as datas que honram e dão alento para encarar o futuro e fazer acreditar na determinação e patriotismo dos portugueses.

Comemorar a República é prestar homenagem aos cidadãos que não quiseram continuar vassalos. O 5 de Outubro de 1910 não se limitou a mudar de regime, foi portador de um ideário libertador que as forças conservadoras tudo fizeram para boicotar.

Com a monarquia caíram os privilégios da nobreza, o imenso poderio da Igreja católica e os títulos nobiliárquicos. Ao poder hereditário e vitalício sucedeu o escrutínio do voto; aos registos paroquiais do batismo, o Registo Civil obrigatório; ao direito divino, a vontade popular; à indissolubilidade do matrimónio, o direito ao divórcio; à conivência entre o trono e o altar, a separação da Igreja e do Estado.

Há 102 anos, ao meio-dia, na Câmara Municipal de Lisboa, José Relvas proclamou a República, aclamada pelo povo e vivida com júbilo por milhares de cidadãos. É essa data gloriosa que hoje se evoca, prestando homenagem aos seus heróis.

Cândido dos Reis, Machado dos Santos, Magalhães Lima, António José de Almeida, Teófilo Braga, Basílio Teles, Eusébio Leão, Cupertino Ribeiro, José Relvas, Afonso Costa, João Chagas e António José de Almeida, além de Miguel Bombarda, foram alguns desses heróis que prepararam e fizeram a Revolução.

Afonso Costa, uma figura maior da nossa história, honrado e ilustríssimo republicano, suscitou o ódio de estimação das forças mais reacionárias e o vilipêndio do salazarismo. Também por isso lhe é devida a homenagem de quem ama e preza os que serviram honestamente a República.

Há quem hoje vire as costas à República que lhe permitiu o poder, quem despreze os heróis a quem deve as honrarias e esqueça a homenagem que deve. Há quem se remeta ao silêncio para calar um viva à República e se esconda com vergonha da ingratidão, ou saia do país com medo do desprezo.

Não esperaram honras nem benefícios os heróis do 5 de outubro. Não se governaram os republicanos. Foram exemplo da ética por que lutaram. Morreram pobres e dignos.

Glória aos heróis do 5 de Outubro. Viva a República.

4 de Outubro, 2012 Carlos Esperança

Associação Ateísta Portuguesa (AAP) – Fundações

COMUNICADO

A Associação Ateísta Portuguesa (AAP) não se manifesta sobre decisões políticas que ultrapassem o âmbito dos seus objetivos, sendo as opções estritamente políticas alheias aos fins que prossegue.

A extinção e restrições ao apoio de diversas Fundações, decididas pelo Governo, com origem nas dificuldades orçamentais e em critérios que não merecem à AAP qualquer comentário, contrariam, contudo, o princípio da equidade e ferem de forma grosseira a laicidade e os interesses do Estado.

Assim, urge denunciar a exclusão da avaliação, pelo Grupo de Trabalho nomeado pelo Governo, de «Fundações de origem canónica ou de outras confissões religiosas», reguladas pela Lei da Liberdade Religiosa, aprovada pela Lei n.º 16/2001, de 22 de Junho, e pela Concordata entre a República Portuguesa e a Santa Sé, ratificada pelo Decreto do Presidente da República n.º 80/2004, de 16 de Novembro.

Na prática, são as Fundações católicas que o Comunicado do Conselho de Ministros de 13 de setembro de 2012 declara isentas dos «procedimentos e diligências necessários à concretização das respetivas decisões de extinção, de redução ou cessação de apoios financeiros públicos e de cancelamento do estatuto de utilidade pública».

Os contribuintes, independentemente das convicções religiosas ou da sua ausência, são obrigados a pagar as subvenções que as Fundações católicas recebem e os impostos que não pagam sem que os seus fins e interesse público sejam avaliados pelos mesmos critérios que se aplicam às restantes Fundações.

A Associação Ateísta Portuguesa apela à Comunicação Social para divulgar o presente Comunicado bem como à solidariedade dos jornalistas para denunciarem uma situação imoral e os privilégios injustificáveis de que continua a beneficiar a Igreja católica em Portugal, como se o país fosse um protetorado do Vaticano.

Direcção da Associação Ateísta Portuguesa – Odivelas, 04 de outubro de 2012

 

4 de Outubro, 2012 Carlos Esperança

O que a religião faz às pessoas

A ideia de que o aborto auxilia o sofrimento da mulher estuprada é falsa, assim como é falso que o filho de um estupro seja alguém condenado à infelicidade.

Das mulheres vítimas de estupro que engravidaram e deram à luz, e que tive oportunidade de entrevistar, nenhuma se arrepende de não ter abortado, todas são unânimes em dizer que estariam morrendo de remorsos se tivessem matado o filho, e todas nutrem pela criança uma afeição especial.

Continue a ler esta loucura pia

3 de Outubro, 2012 Carlos Esperança

Dois pesos e duas medidas…

As gigantescas manifestações populares contra a austeridade e o desemprego, apesar de duramente reprimidas por cargas policiais, ameaçam continuar. Os governantes parecem desnorteados e, para lá da repressão, já pensam em limitar o direito constitucionalmente consagrado: manifestações, sem necessidade de autorização.

Ana Botello, poderosa presidente da autarquia de Madrid, mulher de Aznar e membro do Opus Dei, pode alhear-se dos problemas dos espanhóis que sofrem o desemprego e os cortes nos salários, na educação, na saúde e nos serviços sociais, mas foi determinada a declarar a Corrida de Touros Património Cultural Imaterial. Essa mulher só não aceita, com o peso da sua pulseira de diamantes, de 9 mil euros, oferecida pelo amantíssimo esposo e invasor do Iraque, as reincidentes manifestações de desagrado da população contra o Governo do seu partido – o PP.

Ana Botello queixa-se de que há agora demasiadas manifestações enquanto, há poucos anos, apoiava as constantes demonstrações de força contra as leis da família, votadas no tempo de Zapatero, manifestações onde não faltavam bispos a agitar as mitras, brandir os báculos e exibirem os anelões, onde as beatas depositavam ósculos de pia devoção, acompanhados de multidões de padres, monsenhores e pios militantes.

Solidária, a delegada do Governo em Madrid, Cristina Cifuentes, já veio corroborar as acusações veladas da autarca, afirmando que a lei é demasiado permissiva e ampla com o direito de reunião e manifestação admitindo um debate sobre os limites do direito ao protesto. Cinfuentes pede mudanças legais para «modular» o direito de manifestação, um curioso eufemismo para o limitar ou, quiçá, para o submeter ao poder discricionário do Governo.

Aliás, este pedido de alteração da lei sobre o direito ao protesto reforça a ofensiva lançada em abril passado pelo ministro do Interior, Jorge Fernandez Diaz, autor de uma proposta de emenda para endurecer penas por desobediência e resistência à autoridade.

Fica-se com a convicção de que os direitos de manifestação e de protesto deviam estar sujeitos à orientação ideológica do PP ou do Opus Dei e serem um exclusivo do referido partido ou da poderosa seita. A senhora Aznar é bem digna do marido, que quis comprar a mais alta condecoração dos EUA.

2 de Outubro, 2012 Carlos Esperança

A João Paulo II

Quando B16 vai pelo mesmo caminho, embora sem a mesma fé no patrão, permito-me deixar um texto dedicado ao antecessor e escrito em 16-06-2003

A João Paulo II

Escondam-lhe a água benta. Confisquem-lhe o hissope. Guardem-lhe o bordão. Vistam-no normalmente. Arranjem-lhe um atestado e ponham-no de baixa ou dêem-lhe a reforma e atribuam-lhe uma pensão.

Este homem vê o espaço povoado de espíritos malignos para além do horizonte e quer aspergi-los com a sanha de quem zurze o próprio demo.

Se alguém se fina com um rosário posto à socapa entre as mãos o papa fá-lo beato. E se lhe dizem que morreu de desgosto por haver infiéis, encomenda-lhe dois milagres e arremessa-o aos altares do mundo inteiro.

Enquanto o clero se espalha pelo planeta à cata de fedelhos e a predicar a castidade, o papa cria cardeais e fabrica santos. Percorre o mundo em busca de milhas que o levem ao Céu. Dentro dos aviões julga-se o anjo que voa, a espalhar a boa nova, sem se dar conta de que, se o motor falhasse, era mais um anjo rebelado contra Deus em busca veloz de um destino igual.

Regedor de um bairro de 44 hectares de fé a abarrotar de sotainas, agilizou a repartição encarregada das causas dos santos para facilitar o reconhecimento de milagres e as promoções canónicas. Qualquer servo de Deus pode ver-se venerável, em trânsito para beato e em direção a santo. Esta Santidade é um incansável artesão que não dá descanso aos moldes com que fabrica taumaturgos. Decidiu que o prestígio da sua igreja se mede pelos milagres que opera ou pelo número de santos que promove. Se não o travam acaba a produzir anjos, arcanjos e querubins para, das asas, retirar-lhes penas e rechear relicários. Este homem é um perigo.

Se Deus o inquirisse sobre os benignos que elevou confundiria pecadores contumazes, incréus vivos e bem-aventurados de conduta duvidosa. E, de certeza, não recordaria mais de 10% dos que renderam emolumentos ao seu pontificado. Mas, de tanto implorar o Céu, foi-se Deus cansando de o ouvir e acabou por esquecer-se dele.

São já 468 santos e 1288 beatos o número dos subornados pelas orações dos créus, duas vezes os primeiros e uma os últimos, gerando uma contabilidade de 2224 casos de corrupção canonicamente comprovada, com corruptores selecionados pela fé e corrompidos promovidos pelo papa.

A doença atenua-lhe o entendimento e os medicamentos agravam-lhe as alucinações. Os gestos são descoordenados mas as intenções mantêm-se inalteráveis. É preciso exorcizar o demo e espantar os espíritos malignos. Para isso persigna-se freneticamente durante a liturgia, e, em descontrolada volúpia mística, oscula medalhas, crucifixos e outros adereços que leva à boca em beata felação.

Isto não é um bispo, é um espantalho a esbracejar num campo de almas, a afugentar demónios e a impedir que poisem.

A cúria não tem cura.

30 de Setembro, 2012 Carlos Esperança

PRATICAR O BEM EM NOME DE DEUS

Por

ONOFRE VARELA

Há cerca de mês e meio prometi aqui abordar “o bem praticado pelas religiões, ou em nome de Deus”. Cumprindo, começarei por dizer que os homens erigiram sociedades, criaram técnicas e inventaram deuses, a Arte e muitas artimanhas.

A invenção dos deuses criou laços muito estreitos com a Arte, confundindo-se com ela, e desde imemoriais tempos, até à Renascença, o culto religioso era a única despensa alimentar dos artistas que produziam, exclusivamente, para templos de culto religioso.

As civilizações Grega e Romana são hoje conhecidas graças, principalmente, aos vestígios materiais que os artistas arquitectos e escultores produziram.

Pintores, escultores e ourives da Idade Média e da Renascença, legaram-nos obras que são valiosos documentos civilizacionais. Nesse aspecto, a Igreja Católica cumpriu um papel fundamental na reunião de tão prolixo acervo, sem o qual a nossa história estaria manca.

É obvio que a Igreja não o fez animada pelo intuito de legar à posteridade tesouros artísticos das épocas por que passou, como documentos para facilitar a nossa formação e informação, mas sim para ela própria enriquecer e ostentar essa riqueza como símbolo de poder.

O facto de hoje essas obras nos servirem como livro onde se lê um passado artístico e se decifra um modo de ver, de sentir e de estar, é um incidente e não um propósito original tomado em consciência. Esta é a verdade que nada tem de caritativa nem de programada recolecta de documentos com a intenção de fazer e preservar História.

De qualquer modo, foi pela invenção de Deus que esses objectos civilizacionais foram criados, produzidos e acautelados, e que nos chegaram como atestados concretos do caminho percorrido na longa estrada evolutiva do pensamento e das artes.

Mas isto não quer dizer que a invenção de Deus foi o melhor que já conseguimos! Com base na ideia abstracta de Deus, criamos a Arte, mas também fomentamos ódios e guerras que produziram fome, miséria e morte. As partes boas não se devem às Religiões, enquanto instituições, mas aos homens bons que as praticaram.

Vejamos o clássico caso das missões católicas e protestantes em África. É verdade que homens e mulheres das missões têm ajudado povos desfeitos em guerra, e muitas vezes sofrem tortura, e são assassinados pelas mãos de agentes do capitalismo, da política mais nefanda, da soberba e da cobiça de energúmenos que ocupam cargos de poder e que oprimem os mais fracos e desprotegidos.

No Brasil, em El Salvador e na Nicarágua, também há história de religiosos assassinados, e os respectivos países não estão em guerra. São mortos, principalmente, padres católicos que abraçaram a Teologia da Libertação de Gutierres e Boff (como Romero), por se manifestarem frontalmente contra o capital e contra os interesses capitalistas que a Santa Sé fomenta e protege.

Em África, as missões religiosas são apanhadas pelas lutas de guerrilha e pela opressão dos ditadores, e os missionários sofrem as respectivas consequências, como qualquer cidadão que se encontre em zona de conflito.

Por outro lado, essas “missões” nem sempre são assim tão “missionárias”, como tão romanticamente fazemos uso do termo. Por cá, as Misericórdias e outras missões caritativas “praticam o bem” usando subsídios estatais, e quando estes são cortados, os religiosos “bem-feitores” não têm como produzir receitas para se manterem, e fecham a torneira da ajuda terminando a “atitude de missão e misericórdia”!

Este tipo de “ajuda” já é artimanha para propagandear o “humanismo” da instituição que “dá aos pobres”, mas cujo conceito é uma fraude. Dar comida aos pobres não elimina a pobreza. Pelo contrário: ajuda a mantê-la.

Os governos que entregam à “caridade” a tarefa de fingirem que eliminam a pobreza (ou que tratam da saúde) dos povos, são duplamente criminosos. Primeiro, porque foram eles os criadores da pobreza, e depois porque subsidiam alguém para fornecer refeições diárias, contribuindo, desse modo, não para a irradicação da pobreza, mas para a sua manutenção, impedindo os pobres de saírem da situação de pobres por não criarem as ferramentas necessárias para isso.

É mister dos governos resolver os problemas das populações, sem intermediários sugadores dos recursos. Governo que o não faz, não governa capazmente e deve ser derrubado.

Os interesses que levam as religiões a estabelecerem templos em África, é que fazem a chamada “missão”. E esta, embora de nome enfeitado com a intenção de bem-fazer, tem como fim principal semear para colher. Isto é, criar crentes para aumentarem as hostes do credo que representam.

As acções sociais praticadas são parte da estratégia usada pelo credo para a sua instalação no terreno e para serem aceites pelas populações autóctones. Se o interesse da colheita não existisse, as guerras não apanhavam sacerdotes europeus em zonas conflituosas africanas, simplesmente porque… não estariam lá!…

Por outro lado, e ainda quanto à ajuda aos povos necessitados, podemos perguntar: que outra coisa podem fazer os peões lançados no campo de batalha? Ajudar quem precisa é uma tarefa humana que não carece de rótulos religiosos para ser cumprida. Faz parte da ética da conduta social dos homens, e esta é universal e independente de credos. Aceito
que entre esses “missionários” se encontre gente pouco católica e nada protestante, e também alguns ateus… como é o caso de um amigo meu (poeta, hoje a residir em França) que, sendo ateu, foi missionário no Brasil na década de 1970!

O verdadeiro Humanismo é independente dos rótulos que os políticos, os religiosos e outros militantes panfletários de ideologias duvidosas lhe queiram atribuir.

Mas uma coisa é certa. O suprimento das necessidades de um povo não se consegue com actos de caridade religiosa, mas com atitudes políticas. A caridade não as resolve; antes, mantém-nas. E na manutenção das necessidades dos povos está a justificação da caridade, como pescadinha-de-rabo-na-boca, permitida por governos incapazes e corruptos. Há sempre alguém a governar-se muito bem com as “caridadezinhas”… mas nunca são os pobres!

29 de Setembro, 2012 Carlos Esperança

Rapto de crianças no franquismo

Espanhola encontra filha roubada há 31 anos

Documentação de María, nascida em 1981 na maternidade madrilenha de Santa Cristina, cita o nome da irmã Maria Gómez Valbuena, freira espanhola acusada por rapto de bébés durante a ditadura de Franco.

Freira María Gómez Valbuena é a principal suspeita neste caso e ainda no rapto de outra menina nascida na mesma maternidade (Susana Vera/Reuters).

Aos milhares de bebés roubados a famílias pobres e vendidos a famílias ricas por freiras espanholas durante o franquismo, junta-se agora o nome de María, nascida em fevereiro de 1981 em Madrid. Mãe biológica e filha, que preferem continuar no anonimato, reencontraram-se recentemente em Espanha, depois de um processo legal iniciado há um ano.

Nota: Fui alertado por um leitor do DA, na caixa de comentários. Obrigado.