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Carlos Esperança

3 de Janeiro, 2013 Carlos Esperança

Vaticano – O regresso ao Concílio de Trento

Os «pérfidos judeus» de uma oração da Sexta-feira Santa (abolida só em 1960) podem recuperar o adjetivo pela vontade de Bento 16 cujo ímpeto reacionário e proselitismo religioso só encontram paralelo nos mais histéricos mullahs.

Pedir a Deus que tenha piedade, «até dos judeus», inscreve-se no mais demente espírito persecutório do antissemitismo cristão cujas consequências estão vivas na memória do holocausto. Do Vaticano sopra o ódio vesgo, o racismo do N.T., a xenofobia romana, o horror à diferença e à liberdade.

B16 é a incarnação dos demónios totalitários, a verter latim por entre odores de incenso e borrifos de água benta, ao som do cantochão. O Pontífice conhece bem a história mas não aprendeu a democracia que viu florir à sua volta como obra do Demo.

Hitler aprendeu no cristianismo a odiar os judeus. Bento 16 bebeu na Bíblia, que sabe de cor, o ódio que lhe percorre a face, da tiara até às orelhas, e nas fogueiras do Santo Ofício que o seu Deus só se impõe à humanidade através da exterminação dos inimigos.

A face tolerante do cristianismo não é mais do que a máscara que cobre a raiva e o ódio que a Reforma, a Revolução Francesa e o secularismo o obrigaram a afivelar. Se, por um instante descurarmos a vigilância contra o asco que crepita envolto em sotainas não tarda que novas cruzadas e velha fogueiras defendam a pureza da fé católica e o ódio torpe dos clérigos romanos à democracia e à civilização numa orgia totalitária ao gosto do pastor alemão.

Do livro «A Igreja católica e o Holocausto – Uma dívida moral», Daniel Jonah Goldhagen, respigo os dados seguintes:

– O Evangelho segundo S. Marcos tem cerca de 40 versículos antissemitas;

– O Evangelho segundo São Lucas tem cerca de 60 versículos explicitamente antissemitas e apresenta João Baptista a chamar aos judeus «raça de víboras»;

– O Evangelho segundo São Mateus tem cerca de 80 versículos explicitamente antissemitas:

– Os Actos dos Apóstolos têm cerca de 140 versículos explicitamente antissemitas:

– O Evangelho segundo S. João contém cerca de 130 versículos antissemitas.

«Só estes cinco livros contêm versículos explicitamente antissemitas suficientes, num total de 450, para haver em média mais de dois por cada página da edição oficial católica da Bíblia» (pág. 316 e seguintes).

Será por acaso que  a Hungria lidera hoje o retorno ao nazismo, com o populismo e a demagogia a cevarem a extrema-direita? A Polónia e a Roménia seguem-lhe os passos. O Holocausto parece esquecido ou os povos não têm memória.

3 de Janeiro, 2013 Carlos Esperança

Teste ao humor islâmico

Revista francesa publica biografia cómica de Maomé

Uma revista satírica francesa publicou uma biografia cómica do profeta Maomé. O editor do semanário Charlie Hebdo, Stephane Charbonnier, afirmou que o novo livro, intitulado “A Vida de Maomé”, é um trabalho educacional resultante de pesquisas adequadas feitas por um sociólogo franco-tunísio.

“É uma biografia autorizada pelo Islão porque foi editada por muçulmanos”, disse Charbonnier, que também ilustrou o livro, cuja capa mostra o profeta levando um camelo pelo deserto. “Não acho que mentes muçulmanas elevadas podem encontrar qualquer coisa inapropriada”, declarou o editor à agência AFP na semana passada.

2 de Janeiro, 2013 Carlos Esperança

DE NATURA DEORUM* (1 de 3)

Por

JOÃO PEDRO MOURA

– A BASE

* “Da Natureza dos Deuses”, é o título duma trilogia que o escritor romano Marcus Tullius Cícero, escreveu em 45, antes da nossa era, explanando sobre a teologia grega e romana, mormente a estoica e epicurista.

Aproveitando o título, explano eu, agora e aqui, 2058 anos depois, sobre a natureza de deus: o conceito, a “obra” escrita e a “obra”… final…

A CAUSA PRIMEIRA

            1-Os crédulos da coisa divina, para convencerem os incréus, ou quem quer que seja, da necessidade de deus, costumam enunciar o seguinte silogismo:

– Tudo tem uma causa

– O Universo teve uma causa

– Logo, a causa é deus

2- Examinemos a validade deste silogismo. “Tudo tem uma causa”? Geralmente é verdade, para aquilo que nós conhecemos, objetos, pessoas, qualquer coisa teve uma causa, mais ou menos conhecida, independentemente da sequência de causas que originam uma sucessão de coisas.

3- “O universo teve uma causa”? Aqui nós não sabemos nada. Apenas saberemos remontar a vida atual e a matéria inanimada a uma sucessão retrógrada, que culmina na teoria do Big-Bang, superexplosão primordial, donde teria decorrido toda a matéria, em processo dinâmico de evolução. Não podemos adiantar mais nada, a não ser registar as fases e os momentos cruciais, plausíveis, da História Natural.

Mas insistem os crédulos que tinha de haver uma causa para o universo, neste caso, para o próprio “Big-Bang”, uma vez que tudo teria uma causa e o universo não poderia aparecer sozinho…

…Mas nós não sabemos se houve uma primeira causa! Para que serve especular?! É aqui que entram as religiões…

Aliás, nós só conhecemos a matéria, e como esta nunca poderia ter aparecido do nada (“ex nihilo, nihil”), deveremos concluir que a matéria é eterna, portanto, nunca foi criada.

4- “Logo, a causa é deus”? Em primeiro lugar, para alguém introduzir “deus” num silogismo, teria que justificar a sua existência, para poder operá-lo num raciocínio silogístico; em segundo lugar, como não conseguem demonstrar a existência de deus, impedindo, assim, a configuração duma hipótese divina, introduzem-no meramente como conceito especulativo… e acham ter resolvido o magno problema da origem primordial das coisas…

5- … Mas realmente não está resolvido…

Até porque, pegando no argumento da “causa divina”, como “causa primeira”, opugnaríamos logo este argumento da “causa primeira”, agora aplicado a deus:

– E quem criou deus???!!!

6 – De novo, os recalcitrantes crédulos tratam logo de arranjar uma réplica argumentativa, arengando com a suposta impossibilidade de haver uma causa para deus…

… E por que é que, então, teria que haver uma “causa primeira” para a matéria???!!!

Então, para o seu deus, não haveria uma causa primeira, mas para a matéria tinha que haver?!…

Isto é uma contradição antitética da credulidade religiosa!

OMNISCIÊNCIA, OMNIPOTÊNCIA E OMNIPRESENÇA

7- Omnisciência, omnipotência, omnipresença: estes são os poderes lógicos e indeclináveis de deus, enquanto conceito.

Mas a sua aplicação prática vai levar a situações tais, que invalidam tais poderes…

Deus sabe tudo, pode tudo e está em toda a parte, desde há biliões de séculos, portanto, no passado, no presente e… no futuro.

Ora, tudo aconteceu, acontece e acontecerá no mundo: desastres naturais, acidentes de todo o tipo, assassinatos de “culpados” e inocentes, atos cruéis e virtuosos, vidas boas e más, sofrimento e ventura, etc.

Pelo que, o quesito emerge com todo o vigor:

– Que fez deus para evitar o mal e promover o bem???!!!

Nada!!! As coisas vão, simplesmente, acontecendo…

8- Dizem os crédulos que deus criou, mas deu liberdade às pessoas, para fazerem o que entendessem, mal ou bem…

Mas este argumento é intrinsecamente falso:

O que distingue um ato criativo divino, e consequente e suposta atribuição de “liberdade” ao objeto criado, duma criação humana, é que esta não domina absolutamente a matéria, e, por isso, as criações humanas têm falibilidade.

Um produtor de computadores e outro de automóveis até os podem criar a funcionar bem, mas não podem garantir uma perpétua funcionalidade, sem problemas.

Os objetos criados pelo ser humano têm, de vez em quando, avarias, falhas, degradações, e a manutenção permanente pode obviar a uma parte desses problemas, mas não sempre, nem todos…

9- Agora, o que é que um colosso absoluto tem a ver com seres humanos???!!!

Como é que tal entidade absoluta poderia criar seres humanos, sem saber o que eles iriam fazer a seguir???!!! Então, deus não é omnisciente???!!! E não é omnipotente???!!!

Quando uma pessoa dá liberdade a outra pessoa, aquela não saberá necessariamente o que esta vai fazer. É o que acontece com os pais relativamente aos filhos: aqueles não sabem o que estes irão exatamente fazer, com a obtenção de liberdade.

Uns filhos poderão “triunfar” na vida; outros enveredarem pela marginalidade; uns seguirão caminhos imprevistos; outros previstos, etc.

Estou certo que, se dependesse dos pais, conseguir o melhor para os filhos, com a liberdade que estes alcançaram, viveríamos num mundo virtuoso e venturoso…

Mas o ser humano não é assim…

Agora, deus, que tudo sabe e tudo pode e em todos os lugares está presente, como é que pode “dar liberdade” a criaturas programadas e determinadas apenas e só para aquilo que deus quis???!!!

Por isso é que os crédulos até têm um bordão, “Se deus quiser”, que contraria, exatamente, a suposta “liberdade” que os humanos teriam recebido de deus…

Dizer que deus criou os humanos e lhes deu liberdade, além de ridículo e absurdo, é o mesmo que dizer que deus não sabe o que cada um vai fazer com essa “liberdade”, tal-qualmente, um pai ou uma mãe ou um produtor de transformadores elétricos ou de galinhas também não sabem exatamente se as suas produções vão funcionar corretamente e sempre sem problemas…

Se um indivíduo se tornou criminoso, outro cirurgião, outro ateu e outro crédulo, então, o “nosso” plenipotenciário deus não só sabe isso tudo, previamente, como programou as pessoas para isso, pois que facilimamente as poderia programar para outras coisas…

… Pois que toda a constituição físico-química dos indivíduos e suas interações e suas qualidades genéticas e sociais, que o propendem para o “mal” ou para o “bem”, foram determinadas por deus.

10- Dar liberdade a alguém é torná-lo capaz de fazer o que entender… sem previsibilidade.

Como é que um deus, que sabe sempre o que cada um vai fazer, poderia “dar liberdade”???!!!

11- Se os crédulos, na sua estupidez infinita e fatal, insistem que o “mal” decorre da dádiva divinal de liberdade aos humanos, e que estes fariam o que entendessem, de bem ou de mal, e que o mal estaria, então, nesse desvio de alguns das virtudes preconizadas por deus, então, por que é que acontecem males naturais, como sismos, furacões, tsunamis, tempestades, secas, inundações, causadores de milhares de mortos?!…

… Será que são consequências de deus ter dado “liberdade” à geomorfologia e aos outros elementos inanimados terrestres???!!!…

… E as crianças que morrem, alguns pouco depois de nascerem, de doenças graves???!!! Também serão consequência de se “desviarem” dos “retos caminhos divinos”???!!!

As perguntas multiplicar-se-iam, mas a resposta é só uma: o deus das religiões, tal como no-las apresentam, não criou nada…

…Os crédulos é que acham que há deus!…

CRIADOR, GOVERNADOR E JUSTICEIRO

12- Deus criador???!!! Mas para que é que um colosso absoluto daqueles criaria???!!!

Alguém consegue imaginar, mesmo que vagamente, um motivo para tal deus criar???!!!

Imaginemos o conceito de deus: é imutável, porque não precisa de tomar decisões, nem de ir para aqui nem para acolá, também não tem qualquer vislumbre de tristeza ou alegria, nem vontade de se satisfazer ou o quer que seja, que nos caracteriza a nós, humanos.

Deus criaria, para quê???!!! Para brincar aos computadores realistas, num jogo chamável de Human Games???!!! Para ver o que acontece???!!! Para se entreter???!!! Para brincar, simplesmente???!!!

A ideia dum deus criador ainda é mais absurda do que a sua mera imaginação!

Além de que um deus criador, de coisas, pessoas, animais, massa, energia, invalida, concomitantemente, a ideia dum ser imutável, pois que decidiu criar, transmutando-se duas vezes: ter a ideia (???!!!…) e praticá-la…

… Pelo que não seria eternamente ativo e necessário, manifestando-se, apenas, a partir dum momento.

Então, que teria feito antes das criações???!!!

13- Deus governador???!!! Isto é, um deus que intervém, respondendo favoravelmente a preces (é para isso que servem as orações, não é, crédulos?!…), praticando milagres, portanto, corrigindo falhas…

… Mas tudo isto contraria a perfeição do criador, pois que um criador, como deus, nunca poderia intervir posteriormente para alterar o curso das coisas, sob pena de invalidar a perfeição da obra que fez…

… Já para não questionar por que é que deus só intervém umas vezes, nesta ou naquela pessoa, neste ou naquele evento, e pretere as(os) demais…

14- Deus justiceiro???!!! Sim, sim! O deus judio-cristão, mais o colega islâmico, tem duas sentenças, no Dia do Juízo Final: a sentença paradisíaca e a pena infernal, ambas perpétuas…

Na primeira, os religionários da igreja vencedora (qual será?) seguem, em excursão recreativo-cultural, a caminho do jardim da celeste corte, para não fazerem mais nada durante a eternidade: nem trabalhar, nem andar, nem comer, nem fornicar, nem beber, nada, porque nada precisam de fazer…

Os malvados, como ateus, indiferentes, religionários doutras casas e demais cambada seguirão, em sofrimento atroz, para o inferno, onde serão assados “ad eternum”, mas sem morrerem, que é para o suplício ser permanente e satisfazer, assim, deus… que os criou com esse defeito…

Engraçado, não é?!

Eu não terei razão, quando digo que a religião é a coisa mais estúpida do mundo e… arredores?!

2 de Janeiro, 2013 Carlos Esperança

Influência cristã

A Hungria lidera a vanguarda do retorno ao nazismo, com o populismo e a demagogia a cevarem a extrema-direita. A Polónia e a Roménia seguem-lhe os passos. O Holocausto foi esquecido e os povos não têm memória.

1 de Janeiro, 2013 Carlos Esperança

Ano Novo (2013) – Na morte do capitão de Abril Marques Júnior

Sob os escombros do ano que ora findou jazem os votos que formulámos no início. Onde se encontram a almejada paz, o amor jurado, a fraternidade anunciada? Pelo contrário, irromperam das trevas da intolerância fundamentalismos torpes, ódios obscenos e ajustes de contas.

Por todo o mundo lambem-se feridas de catástrofes naturais e conflitos provocados. A explosão demográfica, a pobreza e a guerra deram as mãos à intolerância e à vingança. O racismo e a xenofobia atingiram proporções dementes que terminam na orgia de sangue em que os homens se atolam. Foram frágeis os desejos e efémeras as expectativas.

Ano Novo, vida nova. Estes são os votos que repetimos no dealbar de cada ano. E suplica-se que o Ano Novo seja o paradigma dos nossos sonhos e não a consequência dos nossos atos ou o fruto de circunstâncias que nos escapam.

Após as doze badaladas e outras tantas passas, o champanhe e os abraços, por entre beijos húmidos e corpos que se fundem numa sofreguidão de amor, com o brilho das luzes e o som da música, recomeça um novo ano com votos repetidos de ser diferente e ser melhor.

Os anos nascem ruidosamente e vivem-se em silêncio. Começam com ilusões e acabam em pesadelo.

Há em cada um de nós uma força que nos impele para a mudança, que nos dá ânimo para desbravar novos caminhos e assumir novos riscos enquanto o conservadorismo e o medo do desconhecido nos tolhem os passos, nos intimidam e levam a recusar a novidade.

Eu acredito que no coração dos homens mora um genuíno desejo de paz. Os mísseis que cruzam os ares, as bombas que perfuram o solo ou os efeitos colaterais da artilharia que erra o alvo e destrói povoações inteiras não são mais do que um breve pesadelo.

O futuro constrói-se. A felicidade é um estado de alma que devemos procurar e a alegria o caminho a seguir.

É em cada um de nós, no espírito de tolerância, na aceitação da diferença, na solidariedade, que podemos começar a construir o mundo mais justo, fraterno e pacífico para o qual julgávamos bastarem os desejos formulados de olhos fechados na última noite de Dezembro.

Que o delírio do amor e a embriaguez do sonho se mantenham vivos durante o ano que aí vem. E que, por entre nuvens que pairam carregadas de incerteza, resplandeça o sol da esperança.

O ano de 2012 terminou com a morte do capitão de Abril, Marques Júnior. Foi um cravo perdido no jardim da liberdade, a pétala de rosa que murchou, a folha caída da árvore que plantou.

E esta lágrima teimosa a lembrar-me que com ele morre também um pouco de mim e dos sonhos que todos os dias nos roubam. É preciso recomeçar para que Abril seja mês todo o ano e 25 permaneça o dia de todos os sonhos mesmo quando um sonhador nos deixa.

31 de Dezembro, 2012 Carlos Esperança

A política do Vaticano

Findou o usual apoio eleitoral a Berlusconi, através de milhares de púlpitos italianos. L’Osservatore Romano optou agora por Mário Monti, mais casto.

31 de Dezembro, 2012 Carlos Esperança

Feliz 2013

Feliz Ano Novo

Feliz Ano Novo

Diário de uns Ateus deseja aos colaboradores e visitantes um 2013 tão feliz quanto possível.