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Carlos Esperança

6 de Abril, 2014 Carlos Esperança

As Guerras da Fé (1/6)

Nicole Guardiola que acaba de ser publicado na revista “AFRICA 21”, edição n.º 84 de Abril 2014 e com o título “As Guerras da Fé.

Guerras de religiões em Africa, fantasma ou realidade?

O surto de religiosidade que se regista em todo o planeta está a tomar proporções inquietantes em Africa onde o fenomeno religioso é particularmente explosivo.

O Islão ganha novos adeptos ao sul do Sara onde se assiste tambem á proliferação das igrejas e seitas cristãs e das crenças em poderes sobrenaturais e magicos vulgarmente conhecidas como «bruxaria» ou «feiticismo».

O fervor evangelizador dos «neo cristãos» e o medo do «terrorismo islamico» fazem recear a eclosão de novas formas de guerras civis como já acontece na Republica Centroafricana e pode acontecer amanha na Nigeria.

Depois de ter sido «refens da guerra fria» e de ter passado por sangrentas «guerras tribais» estarão os africanos condenados a morrer e matar em nome de Jesus ou de Allah?

A pergunta da escritora ruandesa Yolanda Mukasagana, sobrevivente do genocidio de 1994 no Ruanda faz todo o sentido e convida todos os dirigentes africanos a reflectir e concentrar as suas acções no combate contra á pobreza e aos outros problemas do continente em vez de se deixarem distrair por «causas que não são as nossas e nos empobrecem cada vez mais».

 

5 de Abril, 2014 Carlos Esperança

PORTUGAL E O VATICANO

Por

João Pedro Moura

Um Estado deve ter relações diplomáticas com uma religião organizada em Estado?

Resposta: NÃO!

Porquê?

Pelas mesmas razões que o Estado não deve ter religião oficial, também é incoerente sustentar relações diplomáticas com uma caricatura de Estado, minúsculo e extremamente artificial, que faz da religião a sua razão de ser: o Vaticano.

Os Estados têm territórios, homens e mulheres que labutam, sector primário, secundário e terciário, enfim, toda uma actividade económica que caracteriza um Estado, um povo, uma nação…

Nessa perspectiva, os Estados interessam-se por manter relações diplomáticas, uns com os outros, na mira de firmarem pactos internacionais, relações económicas, culturais, turísticas, conhecerem, ao mais alto nível, o que é que os governos fazem, etc.

Neste sentido, actuam os embaixadores: fazem relatórios periódicos sobre o que se passa no país onde estão e remetem-nos para os seus governos; observam a política do país anfitrião; discernem oportunidades de investimento; promovem o país que representam, em suma, são embaixadores…

Ora, então, o que é que um Estado tem a haver ou a ver com o Vaticano???!!!

Nada!!! Absolutamente nada!!!

O Vaticano é um Estado de 0,44 km quadrados, artificialmente formado, composto por cerca de 700 homens e muito poucas mulheres (portanto, “país” machista e misógino), que vive da venda de selos, da colecta internacional proveniente das suas agências nacionais, de investimentos capitalistas internacionais e da entrada paga nalguns dos seus poucos edifícios.

O Vaticano não tem sector primário nem secundário nem terciário.

É o único Estado do mundo onde não nascem crianças.

Não tem turistas para visitar Portugal.

É um Estado governado por um monarca absolutista, que só não é hereditário porque… enfim…

O Vaticano é, apenas, a sede da ICAR…

O Vaticano é um artifício oportunista concedido pelo fascista Mussolini, no Tratado de Latrão, em 1929, para melhor seduzir o “bom povo” católico italiano. Fascismo e catolicismo… que melhor convergência!…

Como se uma determinada religião precisasse dum Estado artificial e supranacional para dirigir o negócio!…

Como se não pudesse dirigi-lo em edifício e regime legal nacionais!…

Portugal tem homens e mulheres, crianças que vão à escola e que se tornarão naqueles homens e mulheres, sector primário, secundário e terciário, turistas que vão visitar o estrangeiro, etc.

Consequentemente, o que é que Portugal tem a haver ou a ver com o Vaticano???!!!

O que é que o Estado português tem para relacionar com um “Estado” composto por um número insignificante de indivíduos que prosseguem uma determinada ideia de deus, como modo de vida???!!!

Compreendo que o núncio apostólico, em Lisboa, embaixador do Vaticano, esteja cá a tratar dos negócios da ICAR e a vigiar a excelência dos agentes nacionais na defesa da empresa divina de filial terráquea…

Compreendo que tal núncio remeta, periodicamente, um relatório para o presidente do conselho de administração do Vaticano, contando coisas de cá…

Mas, o que fará essa enormidade diplomática que é o embaixador de Portugal no Vaticano???!!! Alguém me poderá explicar?

Esse embaixador português fará relatórios sobre quê???!!!

Que interessam para quê???!!! Alguém conhece um cargo diplomático mais inútil? Alguém conhece melhor sinecura política?

 

5 de Abril, 2014 Carlos Esperança

A posse do embaixador do Vaticano em 2010

O discurso de apresentação das Cartas Credenciais do novo Embaixador de Portugal junto do Vaticano em 21 de outubro de 2010 foi um ato de bajulação pia, sem ética republicana e de manifesta subserviência, em nome de um país laico e democrático.

O embaixador Manuel Fernandes Pereira esqueceu-se de que representava o país e não um grupo de peregrinos e de que Portugal é um Estado laico e não um protetorado do Vaticano.

Para o Sr. Embaixador podia ter sido a maior honra pessoal e profissional da sua vida dirigir-se ao «Beatíssimo Padre», mas não o foi para todos os portugueses, sobretudo para os que lhe reprovavam o mal feito à humanidade com a teologia do látex, em países onde a SIDA dizimava populações, e nas posições em relação à contraceção, planeamento familiar, saúde reprodutiva da mulher, sexualidade e igualdade de género.

A alegada emoção do Sr. Embaixador com a canonização de D. Nuno Álvares Pereira, devida ao milagre obrado em D. Guilhermina de Jesus a quem curou o olho esquerdo, queimado com salpicos de óleo fervente de fritar peixe, foi para muitos portugueses um motivo de troça e não de comoção, por ter transformado o herói em colírio.

Ao recordar que «um Predecessor de [Sua] Santidade honrou Portugal, na pessoa do seu Rei, com o título de Fidelíssimo», lembrou quanto ouro custou a Portugal, que vivia na miséria, o título obtido por D. João V, o rei que mantinha a sua amante predileta, madre Paula, no convento de Odivelas. Devia ter-se esquivado a remexer no passado devasso e perdulário de Sua Majestade Fidelíssima, um dos reis que mais dinheiro dissipou e mais filhos bastardos legou ao reino.

O Sr. Embaixador não tinha o direito de se apresentar como «o intérprete da arreigada devoção filial do Povo Português à Igreja e a [Sua] Santidade …», por respeito ao pluralismo ideológico e à liberdade religiosa do País que o diplomata representava.

O que terão pensado os ateus, agnósticos, céticos, crentes de outras religiões, e mesmo católicos, do embaixador que se permitiu terminar o seu discurso solicitando ao Papa «que paternalmente se digne abençoar Portugal, os Portugueses e os seus Governantes e, se tal ouso pedir, a Embaixada, a minha Família e eu próprio»?

O discurso ofendeu os livres-pensadores com a linguagem beata e a falta de pudor com que, em ano do Centenário da República, o embaixador humilhou todos os portugueses que recusaram a bênção papal. A prédica foi uma oração rezada de joelhos em nome de Portugal, um ato de vassalagem e uma manifestação individual de quem preferia ganhar o Paraíso a defender a honra de Portugal.

4 de Abril, 2014 Carlos Esperança

Faleceu há 22 anos

salgueiro_maia_zorate

 

 

Uns esqueceram os cravos que lhes abriram a gamela onde refocilam, outros reabilitam os crápulas que nos oprimiram, outros, ainda, sem memória nem dignidade, afrontam o dia 25 de Abril com afloramentos fascistas e lúgubres evocações do tirano deposto.

Obrigado, Salgueiro Maia. Obrigado a todos os que fizeram a Revolução. Por cada afronta que vos fazem é mais um pedaço de náusea que provocam.

Diário de uns Ateus – Homenagem a um dos bravos que nos restituiu a liberdade à crença, à descrença ou à anti-crença.

4 de Abril, 2014 Carlos Esperança

Um Governo que faz o que é preciso

Manuel Linda, novo bispo das Forças Armadas e de Segurança, comandante supremo de todos os católicos fardados, de Terra, Mar e Ar, incluindo as forças policiais, toma posse do cargo no próximo dia 8, terça-feira.

Reformado como professor, levantou-se o problema legal de lhe pagar o vencimento de major-general, dificuldade resolvida com a nomeação suplementar de capelão-chefe da Igreja católica. Os efetivos militares podem ser reduzidos, mas os efetivos eclesiásticos têm o quadro preenchido.

O novo general vai comandar um corpo de oficiais cuja hierarquia termina em coronel no Exército, Aviação e GNR, capitão-de-mar-e guerra na Marinha e superintendente na PSP, corpo altamente treinado a disparar bênçãos e a converter mancebos nas recrutas.

A partir da próxima terça-feira podem carecer de combustível as viaturas militares mas não faltarão óleos para o crisma; pode faltar verba para reparações, mas sobrará a água benta para abendiçoar viaturas e armas de guerra; podem ser canceladas manobras, por falta de verbas, sem que as missas sofram restrições.

Há em Portugal uma concordância presumida sobre o Serviço Nacional da Fé, sem taxas moderadoras, o que se compreende para consultas do corpo e seria inaceitável para os cuidados da alma. É a lógica que preside à nomeação dos capelães hospitalares onde o médico pode faltar mas está o capelão, onde podem faltar fármacos mas existe a unção.

Nas prisões, na ausência dos mais devotos, como Duarte Lima ou Oliveira e Costa, não faltam capelães para absolver quem esfaqueou a tia, aviou um ourives ou assaltou um banco.

Nas escolas cortam-se aulas de inglês e reduzem-se professores por falta de verbas, mas resistem os docentes de Educação Moral e Religião Católica, nomeados pelos bispos e pagos pelo erário público, sem necessidade de concurso e com o tempo de serviço a ser acumulado para passarem à frente de colegas de outras disciplinas.

É tão lindo ser português aqui, sem instrução, saúde ou pensão, mas com assistência na preservação da alma, rumo ao Paraíso. Pode ser intolerável o presente, mas será radiosa a eternidade.

3 de Abril, 2014 Carlos Esperança

Curiosidades

Parece haver um pacto entre a Dr.ª Isabel Jonet, o Governo e a Igreja católica. O Governo contribui com os pobres, a D. Isabel com as esmolas e a Igreja com as indulgências.