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24 de Abril, 2008 Ricardo Alves

A Noruega laiciza-se

Conforme o Diário Ateísta já referira, a Noruega atravessa actualmente uma reforma constitucional no sentido de separar o Estado da Igreja Luterana.
No dia 10 de Abril foi anunciado um acordo que inclui, entre outros pontos:

  1. Que o artigo 2 da Constituição deixará de referir que «a religião evangélica-luterana» é a religião de Estado;
  2. Que deixe de ser obrigatório, constitucionalmente, que metade dos membros do Governo sejam luteranos;
  3. Que a Igreja Luterana norueguesa se democratizará, passando os bispos a serem eleitos pelos fiéis.

A Associação Humanista Norueguesa lamenta que a Igreja Luterana continue a ser parte da administração do Estado, embora as cerimónias de casamentos e funerais humanistas passem agora a ser também subsidiados pelo Estado.

Uma situação a acompanhar.

24 de Abril, 2008 Mariana de Oliveira

Dez chicotadas e seis meses de prisão

Uma terceira activista iraniana, Nahid Jafari, foi condenada a uma pena suspensa de seis meses de prisão e a dez chicotadas pelo Tribunal Revolucionário do Teerão, anunciou hoje o diário reformador Etemad.

«O tribunal absolveu a minha cliente das acusações de risco à segurança nacional e ao desrespeito de uma ordem dada pela polícia, mas reconheceu-a culpada da tentativa de perturbação da ordem pública», declarou o advogado Zohreh Arzani segundo o jornal diário.

Esta pena é acompanhada de uma suspensão de dois anos.

Nahid Jafari foi presa em Março de 2007 em companhia de 32 outras feministas à frente do Tribunal Revolucionário de Teerão, onde deviam ser julgadas outras cinco activistas por terem participado numa manifestação em Junho de 2006.

A jornalista, Nasrin Afzali, outra militante feminista, foi condenada à mesma pena segunda-feira passada, tal como Marzieh Mortazi Langueroudi em Fevereiro.

As feministas iranianas lançaram uma campanha para reunir um milhão de assinaturas a pedir direitos iguais no que diz respeito ao casamento, o divórcio, a herança e a custódia dos filhos.

Recentemente várias militantes feministas foram presas pelas autoridades iranianas, algumas das quais ainda continuam encarceradas.

Fonte: Sol, 23 de Abril de 2008.

23 de Abril, 2008 Mariana de Oliveira

Jesus com «Instinto fatal»

O realizador Paul Verhoeven, autor de «Instinto Fatal», vai publicar um livro sobre a vida de Jesus Cristo com hipóteses bombásticas, que lhe levou 20 anos de pesquisa.

O cineasta holandês, que sempre quis fazer um filme sobre Cristo baseado em pesquisas científicas, afirma que o pai de Jesus foi provavelmente um soldado romano que violou Maria durante o levante dos judeus na Galileia.

O realizador afirma ainda que Jesus não foi traído por Judas Iscariotes. Verhoeven decidiu escrever o livro para chamar atenção para o seu projecto cinematográfico.

Verhoeven, que fará 70 anos em Julho, tem frequentado os seminários de Robert W. Funk sobre Jesus, que questionam os milagres e actos atribuídos a esta tão popular personagem histórica

Fonte: Sol, 23 de Abril de 2008.

23 de Abril, 2008 Carlos Esperança

Sobre Bento 16. Opinião de um leitor

Incendiário e Terrorista é ele ou ele e os seus capangas, clero e frades/freiras, embicados a exaltar sagas e mágicas absurdas, transtornados eles sim de ódios ocultos como o que ficou algures aqui narrado do Pogrom (Lisboa, 1506) em que, por três dias, começando a 19 de Abril (1506) e terminando terça-feira seguinte, houve uma perseguição assassina aos judeus, incluindo cristãos-novos, delapidando vidas (até de bebés) e bens. Damião Góis dá uma descrição detalhada do acontecido em que as figuras relevantes, que impulsionaram e exaltaram os ânimos foram frades (Dominicanos? Jesuítas?) que acabaram por serem sentenciados à morte.

Decorreram já 500 anos. A fúria de mortes prolongou-se pela Idade Média com a tétrica Inquisição semeando mortes e torturas sobretudo em Espanha e Portugal. Perseguição, ódio, fúria cega contra outras influências, outras culturas, outros modos de estar e viver. Houve o pretendido e largamente consumado genocídio pela continuada condenação idiota de judeus no Holocausto do século 20. Essa fixação maníaca contra os apóstatas, os hereges, os judeus e muçulmanos, o desprezo obsessivo pelas mulheres, taras misóginas, tudo isso repetido e repensado, tal a convicção que se estabelece nessas mentes que não se entendem como doentes paranóicos e, múltiplas vezes, de elevada perigosidade.

 O terrorismo persiste ainda com as figuras demoníacas, o fogo dos infernos, penas terríveis para os não crentes, para os pecadores, pecados da carne e do pensamento, esse terrorismo às populações indefesas e culturalmente mal preparadas.

Loucura!

Há que acabar com isto!!!

a) Jorge Alarcão

23 de Abril, 2008 Carlos Esperança

Papa faz o habitual número de circo

O Papa Bento XVI rezou uma oração contra o terrorismo, este domingo, numa cerimónia carregada de emoção no Ground Zero, o local ocupado pelas Torres Gémeas antes dos atentados de 11 de Setembro de 2001.

Comentário: Como é que Deus sabe se a oração é a favor ou contra?

23 de Abril, 2008 Carlos Esperança

Diário Ateísta feito pelos leitores

O mundo misógino das religiões

Vivemos num Mundo trágico em que uns, que pretendem ganhar um qualquer paraíso ou céu, pesam cargas de ódio nas mulheres.

Estas vivem com a outra carga de mensalmente se prepararem para poderem receber um óvulo num útero “renovado” e pujante de energia. A variação do ciclo, cria desequilíbrios que se reflectem no humor e podem predispor para a fragilização e “submissão” das mulheres.

 Outros condicionalismos fazem-na dependente. Se atentarmos que há mais mulheres que homens, que muitas mulheres, se bem que tradicionalmente de menor cultura, têm graus de inteligência superiores, percebemos que há uma desproporção abismal entre os valores citados e as normas de inspiração divina que aumentam a subjugação.

Algumas religiões consideram as mulheres impuras sobretudo no período de “perdas” menstruais. Isso é que é ignorância! Quando o útero se “descama” para poder, depois, nas melhores condições, receber um óvulo, vêm esses profetas analfabetos, malsãos, imbuídos de preconceitos idiotas, estigmatizar a mulher como impura. E estas, num período de transição hormonal, infelizes e por vezes com dores, não têm capacidade de se afirmar nem sequer se defendem porque, no íntimo, também não se sentem bem nessas transições.

Não sabem bem as razões destes transtornos mas são tão íntimos e decisivos que não lhes apetece discuti-los. As taradices ou tacanhices dos sapientes homens de deus podem, também por isso, continuar a amesquinhar as suas mães, as suas mulheres, as mulheres das suas etnias, das suas nações, dos continentes, do Mundo ou, por ventura, do Universo…

E os crentes acreditam com acordo passivo e outros agarram nos chicotes para sovar as mais atrevidas ou algumas, ansiosas de amor ou fragilizadas, que discutem com o seu senhor ou em arrufos mais profundos se entregam a outros homens. É trágico! Em Portugal vai diminuindo essa incidência também e proporcionalmente à inteligente diminuição da fé.

a) Guilherme T.

22 de Abril, 2008 Carlos Esperança

A morte lava mais branco

O funeral do cónego Eduardo Melo, da Sé de Braga, deu origem a uma importante concentração fúnebre.

Uns foram para ter a certeza de que ficam livres de uma testemunha incómoda, outros para prestar homenagem a um homem que não hesitaria em defender a Igreja à bomba.

Não foi a devoção que o celebrizou, foi o poder que o tornou temido e respeitado. A estátua que lhe fizeram não foi uma homenagem às ave-marias que rezou, às missas que disse ou à frequência com que sacava do breviário. Foi a paga dos favores que fez, das cumplicidades que teceu, do poder que detinha. Não era homem para andar de hissope em punho a aspergir beatas que arfavam lubricamente à sua volta antes da Revolução de Abril, era um homem de acção. Do futebol à política. Do salazarismo ao MDLP.

O cónego Eduardo Melo pode não ter sido o responsável pelo assassínio do padre Max, cuja morte ficou impune embora se saiba a origem dos explosivos.

Na morte teve a acompanhá-lo o inevitável presidente da Câmara, Mesquita Machado, o Governador Civil e um secretário de Estado, além de gente anónima que aproveitou os autocarros gratuitos para ir a Braga.

O bem-aventurado cónego, que nunca renegou a sedução por Salazar e o aborrecimento pela democracia, foi a enterrar quatro dias antes do 25 de Abril que tanto detestava. Se Deus existisse tê-lo-ia deixado viver até ao 28 de Maio. Era uma data mais grata à sua alma de fascista, uma consolação para quem nunca se adaptou à democracia.