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26 de Outubro, 2008 Carlos Esperança

Inaceitável (2)

Por

E – Pá*

NOVAS TENÇAS?

Essa história das peregrinações oficiais de militares a Lourdes em representação de um Estado laico (que contra-senso!) terem começado em 1977, não serve nem como justificação, nem como desculpa ou remissão da grave violação dos deveres de Estado.

O PS governa com maioria absoluta, há pelo menos 3 anos.

O PS, segundo me parece continua a reger-se pela ética republicana. Teve tempo de sobra de acabar com estas excrescências, cuja origem e motivação seria interessante averiguar.

As tenças acabaram há séculos…O Estado – não pode fazer-se representar em qualquer cerimónia religiosa – seja em Lourdes, em Fátima, Jerusalém, Istambul, Lhassa, Medina ou Meca…É representado pelo português, maior de 35 anos, eleito por votação directa e com residência oficial em Belém ( não na Palestina, mas junto ao Tejo e ao Centro Cultural), nas cerimónias previstas pela Lei e pelo protocolo de Estado.Esse português pode delegar a representação de acordo com a Constituição.Mais nada.

O Prof. Nuno Severiano Teixeira tem a soberana oportunidade e o estrito DEVER de acabar com estas derivas religiosas, ofensivas à laicidade do Estado. Tanto mais fácil é a tarefa quanto parece ser verdade que a ideia original não lhe pertence, a Lei serve-lhe de suporte e a Ética republicana de escudo (já que estamos a falar de questões militares).

Surpreendeu-me a arrogância e tom assertivo do gabinete do ministro ao afirmar que a peregrinação é legal, sem direito a qualquer outra explicação. É legal e ponto final.

Saiba V. Senhoria – chefe de gabinete, consultor, assessor, ou o que seja – que para os cidadãos que vivem neste Estado laico é procedimento indecente, indecoroso, obsceno, inoportuno e de uma total irreverência em relação aos ateus, aos agnósticos e aos praticantes de outras religiões que não a católica. E mais não digo por me parecer redundante.

Já acabamos com tradições mais antigas e a honra não nos caiu na lama.

25 de Outubro, 2008 Carlos Esperança

Bento 16 – Ódio ao amor

CIDADE DO VATICANO – Um bispo católico foi suspenso pelo papa Bento XVI depois que decidiu adotar uma criança. John Thattunkal exercia a função em Kochi, no sul da Índia.

25 de Outubro, 2008 Carlos Esperança

Unidos contra a laicidade

Muçulmanos e cristãos da Europa uniram-se contra a exclusão da religião do espaço público. A posição é assumida no comunicado final do encontro “Ser cidadão da Europa e pessoa de fé”, que decorreu na cidade belga de Malines, com organização do Comité para as Relações com os Muçulmanos na Europa das Conferências de Bispos Europeus (CCEE) e pelo Conselho das Igrejas Europeias (KEK).

Comentário: Os inimigos dos nossos inimigos nossos amigos são.

24 de Outubro, 2008 Carlos Esperança

Associação Ateísta Portuguesa

Religião: Associação Ateísta recorre ao primeiro-ministro para esclarecimento de peregrinação de militares a Lourdes
24 de Outubro de 2008, 05:03

Lisboa, 24 Out (Lusa) – A Associação Ateísta Portuguesa recorreu na quinta-feira ao primeiro-ministro para obter esclarecimentos sobre a participação de militares portugueses numa “peregrinação militar internacional” a Lourdes, após não os ter obtido, desde Junho, do ministro da Defesa Nacional.

Na carta enviada a José Sócrates, a que a Agência Lusa teve acesso, o presidente da Associação Ateísta Portuguesa (AAP), Carlos Esperança, recorda os pedidos de esclarecimento enviados a 2 de Junho ao ministro da Defesa Nacional, Nuno Severiano Teixeira, e que por este nunca terão sido prestados.

Com base numa notícia difundida pela agência Ecclesia, a AAP ficou a saber que “Portugal levou 700 peregrinos [militares] ao Santuário de Lourdes (França) para participarem numa Peregrinação Militar Internacional”.

No entender da AAP, “num Estado laico, as Forças Armadas não devem apoiar oficialmente a devoção a uma religião”.

Acresce que, para a AAP, “o facto de um cardeal austríaco ter presidido à peregrinação e dado instruções aos militares portugueses configura uma grave interferência na soberania de um país laico e uma usurpação de funções que cabem ao Ministério da Defesa Nacional ou, por delegação, aos chefes dos estados-maiores”.

Pergunta assim a AAP se “os militares peregrinos viajaram a título particular ou oficial” e se “usaram as férias normais ou tiveram uma semana suplementar para este propósito”.

Quer ainda saber a AAP se “as Forças Armadas colaboraram na despesa da expedição eucarística” e “no caso de ter havido custo para o Erário Público, qual a disposição legal aplicada e o cabimento orçamental previsto”.

Finalmente, Carlos Esperança interroga, em nome da AAP: “Por se tratar de uma missão militar no estrangeiro, foi autorizada pelo Comandante Supremo das Forças Armadas, o senhor Presidente da República?”

OM.

Lusa/fim

24 de Outubro, 2008 Carlos Esperança

A fé e a tolerância

 

 

Jorge Sampaio, defendeu hoje a necessidade de serem criadas novas políticas para responder ao problema da integração das minorias muçulmanas na Europa.

 

Partilho com Jorge Sampaio ideais políticos, descrença religiosa e tolerância. Admiro-o muito e continua a ser, para mim, uma referência ética e política. Penso que é a pessoa certa como Alto Representante das Nações Unidas para a Aliança das Civilizações.

Nem posso dizer que estou em desacordo com a necessidade de integração das minorias, nomeadamente as de origem muçulmana, embora tenha algumas objecções contra nazis, pedófilos, proxenetas, traficantes e terroristas, minorias cuja integração se torna difícil sem renunciarem aos hábitos que contesto.

Não creio que o Islão seja uma civilização, como não o são o cristianismo e o judaísmo, por exemplo. São apenas religiões que influenciaram as civilizações e cultos, com forte pendor prosélito e vocação totalitária. Há, de facto, uma civilização árabe cujo declínio e fracasso se deve á deriva belicista e demente do Islão. O que faz uma civilização não é a fé que pratica, é a distância que mantém em relação às práticas religiosas individuais.

Não sei com que legitimidade se pode, em nome da tolerância, transigir com quem não respeita, onde é poder, as culturas e os credos alheios, no respeito pelo pluralismo que é condição indispensável da democracia. A freira assassinada, há dias, por fanatismo, e os cristãos erradicados no norte do Iraque merecem-me a solidariedade que não concedo aos cinco pilares do Islão.

A inclusão cidadã pode levar, e leva, à perda de identidade tribal, mas deve ser tentada. Integrar cidadãos é um dever, contrário à condescendência com práticas que humilham a mulher, torturam, impõem casamentos e fazem recomendações corânicas que, sendo do domínio da fé, são sobretudo casos de polícia.

Se não fosse o Iluminismo e a Revolução Francesa ainda hoje teríamos, na Europa, as monarquias absolutas e a ausência de liberdades. A laicidade do Estado tornou possível o pluralismo mas temo que a integração do proselitismo religioso e do Corão tornem a democracia inviável. Não estou disponível para renunciar ao pluralismo e confiar às religiões o que cabe ao sufrágio, secreto e universal.

As religiões que não se conformarem com a abolição da pena de morte, com a igualdade entre os sexos e a renúncia à xenofobia, ao racismo, ao ódio sectário, à homofobia e ao espírito misógino não podem andar à solta.

Em nome da civilização devem proteger-se os cidadãos dos demónios das suas crenças. As homilias que incitam ao ódio, à violência e ao crime caem sob a alçada da lei e os pregadores devem ser demandados ao abrigo do Código Penal.      

23 de Outubro, 2008 Ricardo Alves

O sermão é uma arma

Quem se arroga a faculdade de enviar ingénuos para o «inferno» ou para o «paraíso» também, facilmente, se auto-atribui o direito de os induzir a votar num candidato ou noutro.
A eleição presidencial nos EUA não escapa a esta regra. Os relatos não param de chegar: ou é um bispo católico que escreve aos seus diocesanos aconselhando a votar contra o «abortista» Obama, ou uma igreja cristã que afixa um cartaz terrorista aconselhando o voto nos conservadores, ou ainda um pastor protestante que apela ao voto em McCain. Os exemplos abundam, até porque existe quem defenda activamente que as igrejas devem fazer política.
Deveria ser óbvio que a liberdade de expressão não inclui a prerrogativa de abusar do poder que se detém («espiritual» ou não), para influenciar a votar num ou outro sentido. A Associação República e Laicidade explicou isto mesmo há uns anos, e foi violentamente criticada. Mas estes sacerdotes eleiçoeiros, com tanto desespero em apelar ao voto em vez de confiarem em «Deus» para a vitória dos seus valores, parecem mais ateus do que eu…

[Diário Ateísta/Esquerda Republicana]