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30 de Dezembro, 2008 Carlos Esperança

Momento de poesia

Dissertação sobre o Império…

À
Pilar Vicente,
médica e sindicalista, pela sua
generosidade, combatividade e
competência profissional

Quando o Império a abraçou
dando-lhe a mão
ainda não se sabia em Roma
que o circo iria acabar
e que o pão, tal como o vinho,
passariam a ser divinos,
nem que dos cacos
em que os Bárbaros o deixaram
nasceria uma nova era
com outros paramentos.
Ficou o esplendor da mitra, do báculo e do anel,
a arrogância imperial, através da hóstia e da bula
e um trono talhado a ouro para os novos Césares
que, com a cruz, a espada e o missal,
ergueram e espalharam igrejas, conventos e altares.
Dizendo-se portadores de uma Fé verdadeira
amarraram os homens à sua alma
e ligaram o novo Deus ao Céu e à Terra inteira.

a) Alexandre de Castro

29 de Dezembro, 2008 Carlos Esperança

Bendito seja B16

Depois do papa que acreditava em deus, JP2, e sentiu a mão da virgem nas entranhas, a conduzir-lhe a bala que melhor fora ter evitado, quis o Espírito Santo e o Opus Dei que viesse um inquisidor com provas dadas.

É difícil encontrar na Europa actual personalidade mais anacrónica e com mais ódio à liberdade. O regedor do Vaticano, um bairro de 44 hectares de sotainas, é um cruzado à solta, a sonhar com a Contra-Reforma e o poder temporal.

O livro inspirado noutro da Idade do Bronze é a versão com que Constantino legitimou a seita judaica que Paulo de Tarso fundou, menos ferozmente monoteísta e mais virada para fora das tribos dadas à criação de um deus, único e legítimo, para consumo interno.

B16 há-de recordar Santo Agostinho, enquanto remói pios rancores e finge que reza. O santo doutor entendia que se a tortura era legítima para aqueles que violavam as leis dos homens, o era ainda mais para aqueles que violavam as leis de Deus. Ora, B16 julga-se representante desse deus violento, misógino e com horror à sexualidade, enfurecido com o método que os homens usam para a reprodução.

A luta contra o preservativo, culpada pela progressão da sida, vem na sequência do ódio à sexualidade, desse exílio da razão que transforma o crente em troglodita. O Papa tem sido o expoente máximo desse horror à felicidade que os monoteísmos cultivam.

Mas a sanha contra a modernidade, a facilidade com que fabrica milagres e cria santos, o acrisolado amor aos embriões e o ódio aos livres-pensadores, a homofobia e os apelos desvairados à castidade repelem a clientela e desacreditam a fé.

Abençoado B16 que tantos crentes tem curado com a sua intransigência e intolerância.

29 de Dezembro, 2008 Carlos Esperança

O Papa fala, fala, fala…

CIDADE DO VATICANOO papa Bento XVI implorou neste domingo pelo fim da violência e pelo restabelecimento da trégua em Gaza, onde ataques aéreos israelenses causaram mais de 270 mortos desde sábado. “Imploro pelo fim da violência, que é condenável em cada um de seus manifestantes, e pelo restabelecimento da trégua na Faixa de Gaza. Peço um impulso de humanidade e sabedoria em todos os que têm responsabilidade na situação”, disse o Papa.

Comentário: Perante o horror da guerra é difícil saber se B16 está verdadeiramente preocupado ou se é um acto de propaganda e hipocrisia. A ICAR adorava queimar judeus e conquistar terras aos mouros.

28 de Dezembro, 2008 Carlos Esperança

O que fizeram os deuses em 2008?

Por

Kawkaz

Chegámos ao fim de mais um ano, o de 2008. É tempo de balanços, sabermos o que os deuses dos crentes terão feito ao longo deste ano. Será que os deuses fizeram alguma coisa em 2008 ou não fizeram nada, pois não existem?

Talvez a Ministra da Educação também se lembre de “avaliar” os deuses e as religiões pelo que fizeram ao longo do ano…

Entretanto, proponho aos crentes que nos relatem exemplos concretos do que os seus deuses fizeram em 2008… A falta de resposta dos crentes será uma nota negativa à acção dos deuses deles. Será que eles não fizeram mesmo nada em 2008? Saberemos pelas respostas…

27 de Dezembro, 2008 Carlos Esperança

Deus e a cultura

Deus não é certamente um entusiasta da cultura e, muito menos, do ensino obrigatório destinado também ao sexo feminino. É antiga a aversão à cultura daquele deus que, há seis mil e doze anos criou o mundo em seis dias e, ao sétimo, descansou, aversão que se agrava quando promove a igualdade dos sexos.

A comunicação social tem divulgado as ameaças de morte proferidas pelos talibãs, no Paquistão, contra as raparigas que, a partir de Janeiro, continuem a frequentar a escola.

Os talibãs paquistaneses não são muito diferentes dos que noutras religiões alimentam especial animosidade contra a cultura e, sobretudo, contra a liberdade. O Papa Pio IX dizia que o catolicismo era inconciliável mas, apesar da franqueza de quem amaldiçoou os livres-pensadores, foi possível assegurar a religião e a escolaridade.

Em 2008, haver quem, em nome da vontade divina, se oponha à escolarização feminina, é um acto de demência que, em nome da civilização, devemos combater.

No Portugal salazarista, a escolaridade que a República fizera obrigatória durante cinco anos, retrocedeu para quatro anos para rapazes e três para meninas, mas Salazar era um talibã benigno comparado com os facínoras que se regem por um livro hediondo, ditado pelo arcanjo Gabriel a um pastor analfabeto, entre Medina e Meca, durante vinte anos.

Comparados com os trogloditas paquistaneses, os papas católicos parecem combatentes da liberdade.

27 de Dezembro, 2008 Ludwig Krippahl

Torce palavras

A teologia safa-se pelo domínio da ambiguidade, e Anselmo Borges deu uma bela lição disto no DN de dia 20. A Associação Humanista Britânica está a organizar uma campanha publicitária a favor do ateísmo, com o slogan «Deus provavelmente não existe. Agora deixe de se preocupar e goze a vida» (1). Anselmo Borges diz que é uma ideia interessante porque obriga «as pessoas a pensar nas questões essenciais, e Deus é uma dessas questões decisivas.» (2)

Questões são perguntas. Como é que surgiu o universo? O que nos causou? Como podemos saber? O Anselmo torce o sentido de “questão” e mete uma resposta pela porta do cavalo. Porque Deus não é uma questão. O deus do Anselmo é apenas uma de muitas tentativas de responder estas perguntas. E levanta uma questão importante. Porque é que há de ser o deus dele e não um dos outros? Para responder a isto, a teologia torce as palavras conforme dá jeito.

«Afinal, também há razões para não crer, mas, quando se pensa na contingência do mundo, no dinamismo da esperança em conexão com a moral e na exigência de sentido último, não se pode negar que é razoável acreditar no Deus pessoal, criador e salvador, que dá sentido final a todas as coisas. Numa e noutra posição – crente e não crente -, entra sempre também algo de opcional.»

Crer ou não crer é uma escolha. Mas a palavra “razões” é usada aqui de duas formas subtilmente diferentes. Quando somos razoáveis baseamo-nos em razões partilhadas. Quando usamos razões só nossas não somos razoáveis aos olhos dos outros. É razoável largar o pote se está demasiado quente mas não por me dar na gana ou por medo que dê azar. As razões para não crer em Deus vêm do que observamos à nossa volta. Cada criança que fica sem pernas por pisar uma mina dá uma razão forte para rejeitar o tal ser benevolente que lhe podia ter segredado “cuidado, aí há minas”*. A imensa indiferença do universo perante o nosso sofrimento torna razoável a descrença. Mas a crença em Deus, como o próprio Anselmo admite, vem apenas de desejos pessoais como a esperança e a exigência de um sentido último, e não é por desejos que se forma uma opinião razoável acerca do que existe ou não existe.

Depois, o amor. «Agora que está aí o Natal, é ocasião para meditar no Deus que manifesta a sua benevolência e magnanimidade criadoras no rosto de uma criança. Jesus não veio senão revelar que Deus é amor, favorável a todos os homens e mulheres» (mas não às crianças que pisam minas).

Usamos a palavra “amor” para referir o que sentimos por alguém ou para referir esse alguém. Esta ambiguidade é ideal para a teologia. No primeiro sentido “Deus é amor” dá uma evidência directa que Deus existe. Todos sentimos amor e os crentes amam Deus. O sentimento existe. E torcendo a palavra para o outro lado concluem que o objecto desse amor também existe. É um disparate atraente. É disparate porque o objecto do nosso amor pode nem se parecer com aquilo que julgávamos amar. Mas é atraente porque preferimos esquecer essas experiências dolorosas e fingir que não é assim. O amor não só cega como enfraquece as ideias.

E quando torcem o amor com a ciência têm uma combinação perfeita. «A existência de Deus não é objecto de saber de ciência, à maneira das matemáticas ou das ciências verificáveis experimentalmente.» Ou seja, a existência de Deus não é ciência por não ser de cariz experimental. E Deus é amor, que sabemos não ser científico. Mas isto só encaixa torcendo as palavras. Porque o amor é experimental; é experimentando-o que o conhecemos e é pela experiência quotidiana que sabemos quem amamos e quem nos ama. E o amor só não é científico porque nos falta uma teoria detalhada. Falta-nos as palavras para modelar o amor. Falta-nos o logos do amor.

Mas isso é o que a teologia finge ser. O logos de Deus que, segundo dizem, é amor. A teologia é a teoria do amor inventada por celibatários que baralham as palavras e negam a experiência. Não admira que mesmo ao fim de tantas voltas não tenham chegado a lado nenhum.

*A desculpa para isto é a vontade livre. É um argumento válido, e aceito-o. Mas apenas nos casos em que a própria criança pôs lá a mina.

1- CNN, 23-10-08, Atheists Run Ads Saying God ‘Probably’ Doesn’t Exist
2- Anselmo Borges, DN, 20-12-08, ”Provavelmente Deus não existe”

Em simultâneo no Que Treta!

25 de Dezembro, 2008 Carlos Esperança

Missas em saldo

CIDADE DO VATICANO, 24 DEZ (ANSA) – As missas e eventos natalícios do papa Bento XVI poderão ser transmitidos gratuitamente por qualquer emissora que solicitar a programação.


O Conselho Pontifício anunciou que as transmissões ao vivo da missa de Natal, da benção “Urbi et Orbi”, do “Te Deum” de fim de ano e da missa de 1º janeiro pela paz estarão disponíveis.