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20 de Fevereiro, 2009 Carlos Esperança

Censura contra o humor

A Santa Sé pediu e conseguiu a censura por parte das autoridades de Israel de um programa humorístico de um canal de tv privado que “ridicularizava com palavras e imagens blasfemas” Jesus Cristo e a Virgem Maria, informou o Vaticano nesta sexta-feira em um comunicado.
(…)
O programa televisivo foi transmitido no início da semana e foi realizado pelo humorista Leor Shlein, que brincou com alguns aspectos da vidad e Jesus e afirmou que “Maria foi engravidada aos 15 anos por colega de turma”.

20 de Fevereiro, 2009 Raul Pereira

Ultimate Praying Championship…

Alguns momentos a reter:

Min. 2:20: «Who’s closer to god now, bitch?»

Min. 2:36: «He’s heading straight to the penalty shrine!»

Min. 2:44: «You know, Neal, it’s a good thing god is real, otherwise all this fighting would be…» «Wooow!».

Min. 3:15: «But, wait, when does this end? When do they stop fighting?»

Quando é que eles vão acabar com isto? Bem, não tenho resposta para esta questão, mas receio que, infelizmente, ainda demore uns tempos…

20 de Fevereiro, 2009 Carlos Esperança

Quo vadis, Bento 16?

Para os que pensavam que a ICAR era compatível com a modernidade e a civilização, aí está Bento 16 a desmenti-los com a brutalidade das suas decisões.

Não se pense que é a crença em deus que o anima, pormenor sem importância, é o poder que o cega. Como gostaria de ter católicos capazes de se imolarem!

Com que enlevo verá este papa medieval a demência fascista do Islão com o seu cortejo de mártires, obsessão totalitária e a organização da sociedade toda baseada no livro que o arcanjo Gabriel ditou a Maomé, a voar baixinho entre Medina e Meca!?

Com que pasmo há-de observar os judeus das trancinhas a tentarem derrubar à cabeçada o Muro das Lamentações, a sobrar-lhes na fé o que lhes mingua no banho, a sonhar com o regresso à Palestina e a pensar que são o povo eleito!?

O Papa, este papa, sonha com o espírito das Cruzadas e o regresso do Santo Ofício para impor a disciplina da fé e o fausto do papado.

A reabilitação do bispo fascista inglês, Williamson, não é um erro de quem não conhece o biltre, foi a decisão do correligionário que o estima.

A Igreja católica divide-se, com vergonha do papa e pavor do seu extremismo, mas não faltam outros para tomar o seu lugar e novas seitas à espera de ocupar o espaço vago no mercado da fé. Bento 16 sabe o que faz e quer o confronto com a modernidade, certo de que os extremismos deslumbram.

Os milagres não são, como alguns pensam, o folclore da religião, são o alimento da fé e o instrumento ao serviço do obscurantismo.

A elevação a bispo do eclesiástico que atribuiu o furacão Katrina e a destruição de Nova Orleães ao castigo de deus, pelos pecados da cidade, é a prova que faltava para a certeza da agenda obscurantista do Vaticano.

Bento 16 sabe o que fez. E sabe os riscos que corre. Sabe, inclusive, como o seu deus é célere a chamar à divina presença os que lhe prejudicam os interesses terrenos. Deve ter ponderado a pressa com que João Paulo I foi chamado.

No Vaticano não são permitidas autópsias.

19 de Fevereiro, 2009 Carlos Esperança

A fraude do Iraque e o Iraque das fraudes

Na impossibilidade de levar a julgamento os crentes que, nas Lajes, traíram a verdade, o direito e a ética, para executarem o plano gizado previamente pela dupla Bush/Dick Cheney, o desprezo seria o lenitivo para a raiva e o nojo que sentimos, mas os efeitos colaterais não nos deixam em paz.

A ditadura de Saddam, ao contrário das outras da região, era a única que tinha um cristão ministro e garantia o carácter laico do Estado. Judeus e cristãos suportavam a ditadura mas não eram molestados por causa das crenças. Agora já são residuais e estão condenados a desaparecer com a saída das tropas de ocupação.

Destruído o país, após a matança que não poupou os próprios invasores, o Iraque virou campo de treino terrorista e o Irão emergiu como potência islâmica e nuclear.

Da promessa de democratização, usada para consumo da opinião pública, não mais se ouviu falar. Aparecem referências à nova Constituição que integra o Islão que, como toda a gente sabe, estima igualmente a democracia e a carne de porco.

A ordem que Bush recebeu, de deus, saldou-se num  crime contra a humanidade, onde não faltaram a tortura, prisões arbitrárias e a destruição maciça de um país soberano.

Bush, desonrado, regressou ao Texas onde pode agora voltar ao álcool e à oração; Blair converteu-se ao catolicismo e aos negócios; Aznar anda por aí a dizer inanidades e ao serviço do Opus dei; só Barroso ainda flutua à espera de que a Constituição europeia mencione o cristianismo. Os outros cúmplices desapareceram e só Berlusconi está no Governo para escapar à prisão e encantar ao Papa.

A infâmia da agressão ao Iraque tem sido denunciada mas faltava  ainda a mãe de todas as torpezas, a mãe de todas as corrupções, a mãe de todas as pulhices, depois de Saddam ter perdido a mãe de todas as batalhas: EUA alvo de inquérito por corrupção no Iraque.

A denúncia feita pelo The New York Times, considera que o dinheiro desaparecido pode ultrapassar 50 mil milhões de dólares e que o valor real pode nunca ser esclarecido.

Que outro epitáfio para a catastrófica administração de um fanático evangélico?

18 de Fevereiro, 2009 Carlos Esperança

AAP na comunicação social

Há pouco, 11H40, fui solicitado pelo Rádio Clube Português para comentar as declarações do cardeal Saraiva Martins, proferidas na Figueira da Foz, sobre a homossexualidade, que considerou anormal, e a adopção de crianças por homossexuais, que considera um perigo.

Em resumo, afirmei:

– As declarações do cardeal reflectem as crenças das religiões monoteístas  e o carácter homofóbico da Bíblia. Tem todo o direito a exprimi-las assim como o estado tem a obrigação de as ignorar;

– Ressalvei que não era legítimo confundir os casamentos homossexuais com a adopção de crianças. O primeiro deve ser um direito de adultos a exercer de acordo com a sua orientação sexual;

– Quanto à adopção de crianças, a Associação Ateísta Portuguesa não tomaria qualquer decisão sem o parecer de psicólogos e sociólogos sobre o assunto embora, neste momento, já haja em Portugal crianças legalmente adoptadas por homossexuais;

Tal como o Estado não tem o direito de impor à Igreja os casamentos religiosos homossexuais também à Igreja não assiste o direito de coibir o Estado de os consagrar.

Limitei-me a condenar a recusa da autonomia ética à sociedade por parte das religiões e a constatar o carácter extremista da ICAR numa atitude mimética do Islão.

***

O paradigma de família para a Igreja católica continua a ser o mito bíblico da criação de Adão e Eva, há pouco mais de seis mil anos, com a admissão inevitável do incesto para que o Planeta se povoasse. Semelhante mito está totalmente desacreditado e é inaceitável como modelo único.

Há, aliás, dúvidas  quanto ao apreço divino pela virgindade feminina, o desvelo pela castidade, a exultação com o celibato dos padres e muitas outras crenças atribuídas ao deus que os homens inventaram e de que os sacerdotes reclamam procuração.