18 de Novembro, 2009 Raul Pereira
Um artigo para ler com muita calma:
Este, do geneticista Steve Jones, na New Scientist.
[via @brunomiguel, no Twitter]
Este, do geneticista Steve Jones, na New Scientist.
[via @brunomiguel, no Twitter]
Os cardeais e bispos da Congregação para as Causas dos Santos aprovaram as “virtudes heróicas do Servo de Deus” João Paulo II, primeiro passo em direção à beatificação, que pode ocorrer em 17 de Outubro de 2010.
Por
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As comemorações do I Centenário da República Portuguesa deverão integrar festas nacionais de cariz eminentemente popular.
Estas devem para além de ser uma confraternização viva e alegre, o sublinhar dos valores republicanos, o limpar a História de todo o lixo saudosista, retrógrado e revivalista e devem, acima de tudo, evocar o grande acontecimento revolucionário da História moderna – a Revolução Francesa, em meu entender, o seu remoto inspirador.
Nunca é demais, numa altura em que sectores sociais e políticos se movimentam para integrara as Comemorações, referir os princípios republicanos. Estes passam por:
Em primeiro lugar, pela concretização de um desígnio inerente à própria concepção de Res publica: o INTERESSE COLECTIVO que se sobrepõe aos interesses privados e particulares (legítimos, mas – sempre – subordinados ao colectivo);
Outro, será a EQUIDADE, em que deixam de existir súbitos para prevalecer a cidadania. Esta equidade nasce de profundas lutas contra arbitrariedades, despotismos, ditaduras a favor do primado da Lei, onde todos os cidadãos são iguais. Ninguém está acima da Lei!
A intolerância religiosa e as históricas consequências (que chegaram até aos dias de hoje…) integram nestes princípios a defesa da liberdade religiosa, só concebível com a separação entre a Igreja e o Estado, isto é, a República será sempre LAICA;
A LEGITIMIDADE (e a representatividade democrática) da República nasce da concepção de que só a participação colectiva de todos os cidadãos e onde o exercício do poder é legitimado pelos votos dos cidadãos;
A República é, também, subsidiária de PROJECTOS COLECTIVOS, amplamente discutidos e participados que preservando a memória histórica e a identidade popular são essencialmente dirigidos para as novas gerações.
Portanto, quando no horizonte nacional se perfilham influências estranhas, para não dizer contraditórias ao “espírito da República”, como por exemplo a Igreja, interessadas em protagonizar e, porque não, adulterar, tão representativa efeméride é mandatório pugnar para que, estas comemorações, sejam iminentemente populares, como aliás foram as lutas pela sua implantação.
Que o povo festeje a República na rua, nas colectividades populares, em arraiais, festas, música, bailes, ranchos, filarmónicas, culinária, exposições, etc.
Que as elitistas cerimónias oficiais e oficiosas protocolares, as retóricas inflamadas de políticos ignaros, as pias e solenes novenas em catedrais , etc., sejam marginalizadas…
O chefe de estado da Líbia aterrou ontem em Roma para participar no Fórum de Segurança Alimentar da FAO. No que era suposto ser uma “festa”, Kaddafi aproveitou o momento para tentar converter 200 mulheres italianas ao islamismo com uma palestra de duas horas.
Comentário: Demência prosélita.

Nada como fazer da morte
uma vitória
para que a história a glorifique
como uma epopeia ou uma tragédia
só assim os homens e as mulheres
se ajoelham perante Deus
e declaram o amor à Pátria
penitenciando-se nos altares,
louvando os santos e os mártires
e cantando nas paradas marciais
a grandeza dos seus heróis.
Bento XVI recebeu este Sábado no Vaticano o presidente da Sérvia, Boris Tadic, que se reuniu ainda com o Secretario de Estado, Cardeal Tarcisio Bertone , e o Secretário do Vaticano para as Relações com os Estados, D. Dominique Mamberti.
Comentário: A Sérvia tem sido vítima do ódio católico mas a demência assassina atingiu o auge durante a guerra 1939/45 com a violência fascista da Croácia. O Vaticano foi um grande responsável no desmembramento da ex-Jugoslávia.
O jornal do Vaticano, L’Osservatore Romano, publicou um comentário sobre o discurso do papa na FAO. Em seu editorial, o diretor, Gian Maria Vian, questiona se “o discurso lúcido e concreto pronunciado por Bento XVI será ouvido e levado em consideração”.

Pitecos - Zédalmeida
João César das Neves (JCN), ex-assessor do ex-primeiro-ministro Cavaco Silva para os assuntos económicos, pretende ser um assessor vitalício da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, nome com que o Vaticano, por vergonha, crismou o ex-Santo Ofício.
JCN aprecia as liberdades individuais como Maomé o toucinho ou o Papa Ratzinger o Concílio Vaticano II. Inconsolável por não ter optado pelo sacerdócio, faz as homilias no Diário de Notícias, às segundas feiras. Por enquanto em vernáculo, mas com fortes probabilidades de passar ao latim em homenagem ao concílio de Trento.
O bem-aventurado põe na defesa dos sãos costumes e no combate ao que julga ser a devassidão, o zelo de um talibã, o fervor de um cruzado e a convicção de Torquemada.
JCN sabe que o PS ganhou as eleições legislativas com a promessa da legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Sabe que faz parte do seu programa, como, aliás, o afirma, mas a memória do Antigo Testamento não lhe permite consentir tal abominação, apesar de lhe minguar a coragem para matar os homossexuais como manda o livro sagrado.
Assim, agarra-se ao referendo com a ansiedade de um náufrago. Chama arrogante ao primeiro-ministro porque – diz JCN –, “mostra não entender a democracia” ao recusar o referendo e pretender cumprir o que reiteradamente prometeu durante a campanha.
Numa reflexão pia, diz JCN que “nunca a política desceu tão baixo” como no processo político que levou à descriminalização do aborto, a que o devoto chama a promoção do aborto livre e barato. Não é um rasgo de inteligência nem de honestidade intelectual, mas é a manifestação de proselitismo que há-de garantir-lhe uma assoalhada no paraíso.
Nesta homilia, o bem-aventurado teve ainda espaço para manifestar o azedume contra a “lei da procriação medicamente assistida” ((Lei n.º 32/2006, de 26 de Julho) e contra a lei do divórcio (Lei n.º 61/2008 de 31 de Outubro) promulgada pelo actual PR com uma mensagem, em 20 de Outubro, que pareceu ter sido escrita por este piedoso beato.
A prédica termina com alguns pios insultos e uma profecia, em jeito de maldição: «As gerações futuras censurarão asperamente a nossa pelas terríveis infâmias legais cometidas contra a vida e a família».
Conta-nos o «Washington Post» que perante uma proposta de lei que será votada no próximo mês e que determinará a proibição da discriminação dos homossexuais e autorizará o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo no estado de Washington, a Arquidiocese da Igreja Católica daquele estado norte-americano anunciou que se tal proposta for avante terminará imediatamente todos os seus programas sociais como represália.
Nem vale a pena falar aqui do já famoso relativismo moral dos católicos.
Mas sabendo que a intolerância faz parte da doutrina católica, então uma coisa é certa:
– Esta é, de facto, uma atitude rigorosamente coerente.
O Diário de uns ateus é o blogue de uma comunidade de ateus e ateias portugueses fundadores da Associação Ateísta Portuguesa. O primeiro domínio foi o ateismo.net, que deu origem ao Diário Ateísta, um dos primeiros blogues portugueses. Hoje, este é um espaço de divulgação de opinião e comentário pessoal daqueles que aqui colaboram. Todos os textos publicados neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as posições da Associação Ateísta Portuguesa.