23 de Março, 2010 Raul Pereira
TED – Sam Harris
Poderá a ciência responder às questões morais? São 23 minutos passados na companhia de Sam Harris que valem bem a pena.
Poderá a ciência responder às questões morais? São 23 minutos passados na companhia de Sam Harris que valem bem a pena.
Pegavam numa pessoa e atavam-lhe os braços e os pulsos atrás das costas.
Depois, com os braços assim para trás, suspendiam-na por uma corda presa ao tecto.
De seguida, com a vítima já com os braços desarticulados e a gritar de dor, acendiam-lhe uma fogueira por baixo. Mas com um lume não muito forte: somente algumas brasas, o suficiente para a ir fazendo grelhar assim muito lentamente.
Algumas pessoas demoravam quatro ou cinco dias a morrer, no meio da maior agonia.
E foi assim que a Igreja Católica Apostólica Romana se tornou especialista em seres humanos.
Desde o Concílio de Niceia que a Igreja Católica se tornou sinónimo de ódio, de intolerância, de morte, de horror. A História da Igreja Católica não é mais do que um gigantesco banho de sangue.
Foram os que se opuseram à divindade de Cristo, foram os que puseram em causa a virgindade de Maria, foram os merovíngios, foram os cátaros, foram os templários, foram cientistas, foram as bruxas, foram artistas, foram os que ousaram pôr em causa um dogma, foram os homossexuais, foram os judeus, foram muçulmanos, foram pagãos em terras distantes, foram apóstatas, foram os ateus…
Todos, ao longo de quase dois mil anos, torturados e chacinados, mortos de preferência no meio do maior sofrimento e de torturas que só a mente mais doentia poderia engendrar.
Com esta medonha História, que a define e caracteriza e que nem mil anos de pedidos de desculpa poderiam fazer esquecer e muito menos amnistiar, a Igreja Católica continua a ser uma organização absolutamente tenebrosa.
É típico da Igreja Católica a caracterização do sexo como algo de sujo e pecaminoso. Ainda hoje prefere a proibição do uso do preservativo a prescindir de um dogma bíblico da Idade do Bronze, mesmo que isso signifique a disseminação da SIDA e um incontável número de mortos.
A Igreja Católica é contra o aborto, mesmo em caso de perigo de vida para a mãe e, como se não bastasse já desaconselhou a vacina do cancro do colo do útero.
E é por isso que não é mais do que simplesmente típico desta autêntica associação de malfeitores que vive da exploração do medo da morte, o escândalo da ocultação – e por isso a vergonhosa cumplicidade – de milhares de casos de pedofilia, a que o próprio Papa pelos vistos não é estranho.
O que é afinal ser católico?
Ser católico é partilhar uma História e comungar de uma ideologia e de uma filosofia com esta gente?
Se assim é, como pode alguém dotado de um mínimo de decência e lucidez intitular-se católico?
Quando este Papa visitar Portugal vem promover o negócio de Fátima ou pedir perdão pelo padre Frederico e pelo bispo resignatário do Funchal, D. Teodoro, que o protegeu?
Ou, num acto de coragem, vem dizer quem o ajudou a fugir para o Brasil sem cumprir a pena?
Artigo de opinião de Manuel António Pina no Jornal de Notícias.
Os meus posts acerca dos abusos sexuais de crianças na Igreja Católica suscitaram algumas respostas mais emotivas (1). O António Parente disse que era nojento apresentar aquelas estatísticas, o Nuno Gaspar chamou-me charlatão pelas contas e acusaram-me de lançar lama e manchar a reputação do sacerdócio católico. Não concordo que as estatísticas devam ser escondidas. Muito menos disfarçadas como acontece nos jornais. Dizer que 10 padres indiciados é “uma minoria” esconde o facto importante de que 10 em 4000, para um crime destes, não é de desprezar.
E as estatísticas são atributos de amostras de onde se infere médias da população. Não atiram lama a nenhum individuo. Se fosse só por 4% dos padres católicos nos EUA terem abusado de crianças não ficaria manchada a reputação dos restantes. O problema é outro. É por esse outro que os cavalheiros protestam demais.
Em 2001 o cardeal Joseph Ratzinger, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé (CDF), enviou uma carta confidencial a todos os bispos da Igreja Católica estipulando os delitos reservados à CDF e que deviam ser mantidos em segredo dentro da Igreja (2). Quase todos são pertinentes apenas para os católicos, como deitar fora a hóstia ou celebrar a missa com sacerdotes de outras religiões. Mas há uma excepção importante: «Um delito contra a moral, nomeadamente: o delito cometido por um sacerdote contra o Sexto Mandamento do Decálogo com um menor de 18 anos»*.
É isto que lança lama na reputação da Igreja Católica. É isto que é nojento. Não só a carta de Ratzinger, que seguia a prática comum na Igreja. Mas também a reacção de todos os bispos a quem foi dirigida e de todos os sacerdotes que dela tomaram conhecimento.
Se isto fosse numa empresa ou universidade tinha morrido à nascença. Imaginem vir da direcção uma carta ordenando que qualquer caso de abuso sexual de menores fosse mantido secreto e remetido à direcção para ser resolvido internamente. A maioria das pessoas certamente se oporia a tal ordem e a denunciaria às autoridades. Mas os cardeais mandaram, os bispos acataram e os padres calaram. Na Igreja Católica ninguém se opôs e todos compactuaram para esconder estes crimes.
É isto que me incomoda mais nas religiões. Não me incomodo por não gostar de rituais, avés e salvés. Tolero bem que os gostos dos outros sejam diferentes dos meus. E nem é tanto por achar que as religiões se baseiam em mentiras. Se as pessoas estiverem informadas e mesmo assim quiserem acreditar, paciência. O pior, e mais preocupante, é o mal que faz às pessoas pertencer a estas organizações religiosas, que são fechadas, doutrinárias e hierarquizadas
Ao contrário do que apregoam, uma religião não torna uma pessoa melhor. As estatísticas neste caso refutam cabalmente a hipótese. E uma religião tem o poder insidioso de obrigar uma pessoa decente a agir de forma condenável. É muito improvável que todos os cardeais, todos os bispos católicos e todos os padres que participaram nestes processos sejam pessoas más. O mais certo é serem pessoas normais, decentes como quaisquer outras. Pessoas que se trabalhassem numa organização diferente e lhes dessem uma ordem destas a teriam denunciado sem hesitação. Uma pessoa normal não aceita que se esconda abusos sexuais de crianças.
Os pedófilos nas igrejas são um problema grave mas não são pessoas normais. Encontrando uma oportunidade, abusariam de crianças tendo ou não tendo batina. Se bem que tenha sido a sua religião que lhes deu a oportunidade, não se pode concluir que foi por causa da religião que se tornaram pedófilos. Mas o mesmo não se pode dizer dos outros todos. Dos outros que esconderam, disfarçaram, mandaram guardar segredo e obedeceram a essas ordens. Esses não o fizeram por serem monstros ou doentes. Esses ajudaram os violadores, sabendo bem o que faziam, unicamente por causa da sua religião.
Se querem saber porque é que os ateus perdem tanto tempo a falar de religião têm aqui um bom exemplo daquilo que nos preocupa.
* Este é o do adultério, não o do homicídio… a numeração varia um pouco conforme as fontes.
1- Fazendo as contas e Adenda ao post anterior.
2- Bishop Accountability, Ad exsequendam ecclesiasticam legem. Via As responsabilidades e a fuga, do Ricardo Alves.
Também no Que Treta!
Intolerante face aos desvios ao seu padrão moral, encobriu, até agora, abusos sexuais de padres
Finalmente, Bento XVI falou sobre os abusos sexuais de menores cometidos por padres. Numa carta pastoral dirigida aos católicos irlandeses, expressou perdão e vergonha e prometeu uma investigação rigorosa de todos casos.
O Papa dirigiu-se à Irlanda, mas ignorou os milhares de queixas idênticas na Áustria, Holanda, Suíça, Espanha, Brasil e Alemanha, onde, só desde Janeiro, surgiram mais de 300 denúncias de abusos em escolas católicas.
O mito central do cristianismo pode ser lido como uma alegoria sobre a transferência de responsabilidades. Segundo a interpretação mais difundida, Jesus Cristo teria morrido pelos «pecados» da humanidade inteira, «pecados» que não cometera e pelos quais não era responsável. Obviamente, os «pecados» incluem desde comportamentos inócuos e até banalizados na nossa civilização (como relações sexuais consentidas entre adultos), até actos que serão sempre crime em todas as sociedades (como o homicídio). Há duas formas diferentes de encarar o sacrifício crístico: ou se o entende como um heróico exemplo a seguir, e portanto deve-se assumir a responsabilidade pelos próprios actos e até pelos de outrém (e estar disponível para sofrer as consequências), ou pelo contrário transferem-se as responsabilidades para uma entidade transcendente («Cristo morreu por nós, e só a Deus prestamos contas»).
Ratzinger publicou ontem o seu documento sobre os abusos sexuais cometidos por padres irlandeses. A «imprensa amiga» tenta convencer-nos de que «assumiu a responsabilidade». Nada mais falso: Ratzinger nada disse, por exemplo, sobre a carta que ele próprio escreveu em 2001, enquanto prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, a exigir o «segredo clerical» para as denúncias de abuso sexual de menores dentro da ICAR. Nessa época, não recomendava a colaboração com tribunais civis. Também não assumiu, que eu saiba, a responsabilidade por um caso em que teve responsabilidade directa: o acolhimento de um padre pedófilo em Munique quando aí era arcebispo. (mais…)
O Papa Bento XVI expressou ontem “vergonha” e “remorso” pelo “desconcertante problema” do abuso sexual de crianças e jovens vulneráveis por parte de membros da Igreja Católica irlandesa. Mas o “profundo desgosto” do Papa não cala a revolta das vítimas.
Pergunta: A carta do Papa, sobre pedofilia pia, a ler nas missas, torna esta cerimónia exclusiva para maiores de 18 anos?
Por
A publicitação da “carta pastoral” de Bento 16 dirigida aos católicos irlandeses link, um extenso e repetitivo documento com 14 itens e rematado – em jeito de post-scriptum – com uma “oração especial” dedicada à Igreja irlandesa, decepcionou as vitimas de abusos sexuais (continuados) por parte de clérigos pertencente a essa mesma Igreja. link
De facto, as vítimas que, no mês passado, dirigiram uma “carta aberta ao papa” link, constatam que questões importantes ficaram sem resposta… como era de esperar.
A saber:
“Esse texto (da carta aberta), além de desculpas, pedia que o Vaticano reconhecesse sua culpa nos casos e que o papa aceitasse a renúncia de vários integrantes do alto clero irlandês, inclusive a do cardeal Brady.”
Por outro lado, consideram que, a “carta pastoral”, para além de ser mais uma oportunidade perdida, é um tipo de resposta do Vaticano totalmente deslocado e inapropriado :
“Uma carta pastoral não é a maneira de dar uma resposta aos relatórios de Ferns, Ryan e Murphy, que tratavam de violações, maus-tratos e abusos sexuais contra crianças cometidos por padres e religiosos neste país e que foram ocultados pelas autoridades da Igreja”, asseverou Andrew Madden, uma das vítimas dos abusos sexuais praticados por clérigos. link
De facto, carta pastoral pastoral de Bento 16 aos irlandeses “ladeou” as questões colocadas pela carta aberta (subscrita por Sean O’Conaill, coordenador da “Voz dos Fiéis”, Irlanda.), fugindo para lateralidades, marginalidades e retóricas canónicas que, ao fim e ao cabo, mostram uma maior preocupação na reconquista da confiança dos fiéis do que a determinação para enfrentar as consequências e a gravidade dos crimes de pedofilia, cometidos no seio das instituições religiosas e educativas, promovendo (ou facilitando) uma rápida e desabrida condenação dos clérigos prevaricadores, bem como, a necessária depuração na alta hierarquia católica irlandesa (…os seus “irmãos bispos”, como se lê na pastoral), indubitavelmente cúmplice e moralmente responsável pelos abusos sexuais em crianças …em múltiplas dioceses gaélicas.
Quando a oração que finaliza a carta pastoral “reza”: ” … possa a Igreja na Irlanda renovar o seu milenário compromisso na formação dos nossos jovens no caminho da verdade, da bondade, da santidade e do serviço generoso à sociedade…” estamos perante um intolerável cinismo, uma enorme desfaçatez e uma atitude deliberadamente enganosa.
Um procedimento típico da I. C. A. R. … envolver os problemas numa cortina de fumo!
Psiquiatra de padre pedófilo afirma que alertou Igreja sobre trabalho do religioso com crianças.
A arquidiocese alemã dirigida pelo então cardeal Joseph Ratzinger nos anos 1980 ignorou repetidos alertas de um psiquiatra responsável por tratar de um padre acusado de abusar sexualmente de meninos, informa reportagem desta sexta-feira do jornal “New York Times”.
Segundo o doutor Werner Huth, ele avisou a Igreja que o reverendo Peter Hullermann não deveria ser mantido em trabalhos com crianças. Sob autorização do futuro Papa Bento XVI, o padre havia sido transferido para Munique para passar por tratamento psicológico.
– Eu disse ‘pelo amor de Deus, ele precisa desesperadamente ser mantido longe de trabalhos com crianças’ – disse o psiquiatra ao jornal. – Eu fiquei muito triste com toda essa história.
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