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19 de Maio, 2010 Carlos Esperança

Demência islâmica

Após o Iraque revelar que a Al-Qaeda planeava um ataque na África do Sul durante a Copa do Mundo, o alto membro da rede terrorista preso naquele país revelou nesta terça-feira que as delegações da Holanda e da Dinamarca eram os alvos das ações.

O saudita Abdullah Azam Saleh al-Qahtani, de 30 anos, ainda disse que as torcidas destas seleções também poderiam ser atacadas.

18 de Maio, 2010 Carlos Esperança

Carta de Mário de Carvalho – Caros senhores párocos

Mário de Carvalho

Caros senhores párocos,

Antes de falarmos de vossas paternidades, permitam-me uma fugaz divagação sobre taxistas. Ainda não há muito, a propósito duns atropelos algo indecorosos que ocorriam no aeroporto de Lisboa, não poucos cidadãos manifestaram nos jornais uma forte desconfiança na classe. De imediato um jovem veio responder com indignação que era filho de taxista e que o pai, numa vida inteira de trabalho, sempre procedera como homem íntegro e impoluto. O jovem tinha razão ao não querer um homem de bem misturado com a mexerufada mais ou menos carroceira que indispunha os colaboradores e leitores dos jornais.

Eu penso que, ao dirigir-me a vossas senhorias, não corro o risco de que venha um filho desagravar o pai, e, se vier, pois tudo é possível nestas desajustadas eras, sempre protestarei que não me refiro aos párocos honrados, cumpridores do seu mester, respeitadores da constituição e da lei, repesos das malfeitorias contra Hipácia e Galileu, leitores de romances, informados do mundo, preocupados com as suas ovelhas, horrorizados com as memórias do Santo Ofício, para resgate do qual pedem perdão à divindade todas as noites, chorando.

É, na verdade, muito difícil conversar e sustentar um determinado ponto sem recorrer às generalizações, porque os contínuos ‘distinguo’ acabam
por entrevar o discurso. Seja a conversa sobre taxistas, jornalistas, toureiros, advogados ou calceteiros, compreenderão que ela resulta enfraquecida se a cada passo tivermos de acrescentar: «Claro que não são todos assim, eu até conheço uns torcionários de bom coração e altíssima cultura.»

Falo, senhores curas, com tristeza e com repulsa dos párocos do século XIX que por qualquer equívoco da Biologia continuam a negrejar e a bramir em igrejas que há por aí. Cabe aos cientistas averiguar como é que organismos com 200 anos tomam conta de um espaço público que a liberdade de culto consente ao seu múnus, para o desvirtuar em exercícios de solta demagogia e propaganda política. Talvez a água benta conserve, o incenso enrije e o ar dos templos, preservado das correntes deletérias do exterior, mantenha os corpos e as almas de outrora tal como elas eram. Já não se exibem, porventura, cartas remetidas do céu, como nos bons tempos de Baltasar Gracián e, até, de Júlio Diniz, mas há que reconhecer que a decadência e a má qualidade dos correios vêm sendo notórias desde há uns anos a esta parte.

Senhores priores, eu sei como vossas mercês, com o venerando Bispo de Roma à cabeça, trovejaram tão ferinamente contra o sufrágio universal, contra a liberdade de expressão, contra a liberdade de imprensa, contra a liberdade de ensino, contra a liberdade de manifestação, contra a igualdade perante a lei, contra a liberdade de culto, contra a República, contra o 25 de Abril, contra o divórcio, contra a pílula, contra o preservativo. Trovejar até seria o menos, porque lamentavelmente chego a pressentir em alguns dos vossos colegas um ressentimentozinho por já não ser permitido queimar gente ou denunciar gente para ser queimada.

Se a divindade que vossas senhorias reverenciam existisse, existência que nunca foi provada e de que eu me permito, discreta mas firmemente, duvidar, decerto que o perfil da personagem, como vem às vezes relatada, não se compaginaria com certos comportamentos e certas vozearias dos seus subordinados.

Isto, senhores padres, vem a propósito de rumores que considero fundados acerca do teor das algumas homilias em matéria de referendo, utilizando os altares para violentar a boa fé dos crentes e a liberdade das consciências. A ser verdade, e por o Ministério Público andar tão ocupado com outro tipo de manipulações, que não teve decerto tempo para, neste campo, defender os interesses da República, eu julgo-me no direito de vos relembrar os vossos deveres e as condições legais em que a prática do vosso culto é aceite.

Há, senhores curas, entre os crentes, gente absolutamente admirável, a muitos títulos, que soube merecer o respeito e a admiração dos outros cidadãos: queiram inspirar-se nela. Há quem pratique, desinteressadamente, boas obras: tenham a bondade de testemunhar, apontar e seguir esses magníficos exemplos.

E, já agora, de uma vez por todas, de preferência dando mostras de arrependimento, convertam-se finalmente à democracia.

18 de Maio, 2010 Carlos Esperança

O Papa e o respeito pelo país visitado

Bento 16 é livre de vir a Portugal quando quiser; o PR pode convidá-lo quando desejar; os bispos são livres de promover banhos de multidão, de que carece, para o aliviarem da pressão mediática a que, por culpa sua, se sujeitou.

Pode e deve discutir-se a conjuntura da visita, na proximidade de eleições presidenciais, em período de anúncio de medidas gravosas para o equilíbrio das contas públicas e num tempo de contenção orçamental.

Certamente que a tolerância de ponto ficará como decisão inapagável de um país que se genuflectiu ao autocrata que governa a única teocracia europeia. A memória registará as excessivas demonstrações de consideração que se transformaram em subserviência.

Como é frequente, o ruído mediático abafou dois objectivos importantes desta viagem com que exultaram os crentes – a celebração dos 5 anos da beatificação dos pastorinhos e a fuga à pressão mediática a que estava a ser submetido Bento 16.

O Papa veio comemorar cinco anos de beatificação de Francisco e Jacinta, duas crianças com muitas décadas de defunção a quem a família de médicos Felizardo dos Santos (pai, mãe e filha) atribuíram a cura de D. Emília Santos, intermitentemente entrevada, que morreria pouco depois, completamente curada e esquecida pela Igreja a quem fizera o milagre.

Por mais inoportuna e prejudicial que a viagem tenha sido para Portugal e por mais lucrativa e frutuosa que fosse para o Vaticano, Bento 16 não tinha o direito de criticar o país anfitrião pelas leis sobre o aborto e o casamento de pessoas do mesmo sexo, como fez na homilia de Fátima.

Foi uma intromissão autoritária e inadmissível que merecia um protesto diplomático de qualquer país que prezasse a independência e execrasse as intromissões estrangeiras em assuntos de política interna. Faltou a Portugal um ministro dos Negócios Estrangeiros que advertisse o Papa da intolerável falta de respeito para o país que o recebeu.

17 de Maio, 2010 Carlos Esperança

… Engoliu um sapo

Até o PR se associou

O PR não confundiu as convicções pessoais com o sentido de Estado e promulgou o diploma que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

É uma prova de respeito e tolerância para com as minorias e a sua homenagem ao dia que hoje de comemora.

17 de Maio, 2010 Ricardo Alves

Rescaldo da visita de Ratzinger

  1. As «multidões» ficaram aquém das expectativas católicas. Na Praça do Comércio («Terreiro do Paço» para os católicos e para os monárquicos), estiveram entre 80 e 100 mil pessoas (eram esperadas «mais de 160 mil» ou até «200 mil»). Em Fátima era esperado meio milhão, terão aparecido 350 mil pessoas (incluindo dezenas de milhar de estrangeiros). Só no Porto a afluência (120 mil a 150 mil) ficou próxima das expectativas (150 mil a 200 mil).
  2. No dia 11, Policarpo disse que «a maioria católica (…) não tira o lugar a ninguém». A frase parece uma expressão de requintado cinismo, especialmente se considerarmos que se tinha acabado de cortar Lisboa ao meio para que Ratzinger circulasse a 40 km/h por avenidas vazias, parando boa parte do sistema de transportes e causando transtornos à maioria que não é católica praticante e que desejaria ter tido um dia normal de trabalho e afazeres (aconteceria o mesmo no Porto três dias depois). Não teria sido mais sensato fazer as cerimónias religiosas em estádios de futebol, minorando os transtornos causados, e abdicar da encenação (falhada) das ruas cheias de fiéis, minimizando também os incómodos à população? (mais…)
17 de Maio, 2010 Carlos Esperança

O TEMOR DE UM SIMPLES MORTAL ! . . .

Quinta, 13 Maio de 2010

A RTP 1 transmitia em directo as cerimónias de Fátima.

A SIC transmitia em directo as cerimónias de Fátima.

A TVI transmitia em directo as cerimónias de Fátima.

A RTP África transmitia em directo as cerimónias de Fátima.

A TSF transmitia em directo as cerimónias de Fátima.

A Rádio Renascença transmitia em directo as cerimónias de Fátima.

Tive medo de ligar a torradeira!..

(Enviado por um excelente amigo)

16 de Maio, 2010 Carlos Esperança

O milagre do Sol e outros prodígios

No tempo em que as virgens saltitavam de azinheira em azinheira chegou uma em voos curtos à Cova da Iria, no dia 13 de Maio de 1917, coberta de luz, de manto branco, para dizer a três criancinhas que era do céu e prometer-lhes que as levaria com ela, mas que o Francisco teria de rezar muitos terços. Pediu ainda a virgem que voltassem nos dias 13, sempre à mesma hora, seis meses seguidos, para lhes dizer quem era e o que queria.

São assim as virgens, caprichosas e enigmáticas, mas tendo-lhe a Lúcia perguntado por duas amigas mortas, logo lhe disse que a Maria das Neves estava no Céu e que a Amélia estaria no Purgatório até ao fim do mundo, novas de quem viaja, saber de quem conhece o país das almas e está de visita à paróquia de Ourém, sem adivinhar que o Purgatório será extinto.

As crianças obedeceram, depois de aceitarem oferecer-se a deus para suportarem todos os sofrimentos que ele quisesse enviar-lhes em acto de reparação pelos pecados com que ele, deus, era ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores.

Depois de se terem comprometido a pagar as dívidas alheias, a virgem levantou voo na vertical, não sem antes ter pedido que rezassem o terço todos os dias, para alcançarem a paz para o mundo e o fim da guerra. Eram dóceis as crianças. Doutro modo podia nunca ter acabado a guerra que em 1918 se extinguiu.

O Sol, condenado à imobilidade por Galileu, revoltou-se contra a ciência, reconciliou-se com os preceitos bíblicos e um dia fez piruetas na Cova da Iria para reabilitar o deus de Abraão, estupefazer as criancinhas e deslumbrar os mirones que acorriam ao local.

Exultaram os padres que teceram o milagre para excitarem as hostes contra a República, benzeram-se os crentes que agitavam terços e renderam-se os incréus do costume para atestarem a verosimilhança do prodígio pio.

Que sorte não existirem então as medidas de segurança que ora soem. Se a virgem que vinha mensalmente cavaquear com os pastorinhos e o anjo que ali desceu, convencido de que era seguro o anjódromo, tivessem apanhado com um decreto que interditasse o corredor aéreo, certamente que a GNR teria aberto fogo com as escopetas e teríamos o anjo de asas quebradas, a voar baixinho, e uma virgem derrubada da azinheira a esvair-se sem pensar na guerra, nos terços e nos pecados.

Valeu ao negócio da fé o carácter artesanal com que então se defendia o espaço aéreo.

15 de Maio, 2010 Carlos Esperança

Os papas são tolerantes…

Uma professora italiana casada pode tornar-se a primeira mulher a ser ordenada sacerdote em uma igreja anglicana perto do Vaticano. Maria Longhitano pertence à Igreja Vétero-Católica.

Apesar de Maria não se tornar sacerdotisa católica romana, a sua ordenação é motivo de desconforto para o Vaticano. O papa Bento XVI se opõe à nomeação de mulheres sacerdotisas e seu predecessor, João Paulo II, inclusive proibiu que o tema seja discutido publicamente.