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16 de Setembro, 2011 Carlos Esperança

A fé, a tirania e a violência

Quando o solípede Abraão quis sacrificar o filho para fazer a vontade ao seu deus criou um axioma que perdura: os tiranos têm sempre quem lhes obedeça.

Que outra forma há para explicar as casmurrices papais que encontram sempre legiões de câmaras de eco que as propagandeiam urbi et orbi?

Que justifica a existência de carrascos para darem cumprimento à sharia ? Quem criou os frades que rezavam alegremente enquanto as bruxas e os hereges eram grelhados nas santas fogueiras da Inquisição ?

Faltam, acaso, médicos que atestem a veracidade das burlas dos milagres obrados por um sistema de cunhas que envolve uma virgem, um defunto e a associação de intrujões?

As religiões são as multinacionais que mais tempo se mantêm no mercado sem renovar o stock dos produtos e os métodos da cautela premiada. Prometem o paraíso sem terem uma escritura válida nem o número de registo na conservatória do registo predial celeste e ameaçam com o Inferno, sem o localizarem no mapa imaginário da fé.

O clero é uma classe de vendedores de ilusões que obedece cegamente a uma hierarquia pouco recomendável. Do budismo ao cristianismo, do judaísmo ao islamismo, da bruxaria à quiromancia, a superstição e o medo são os motivos que levam os clientes a alimentar as mentiras pias e o fausto dos patrões da fé.

15 de Setembro, 2011 Abraão Loureiro

Carta aberta a um comentador

Temos por cá um certo comentador que tudo comenta mas nunca está de acordo com nada que seja publicado aqui. Não consegue concordar absolutamente com nada nem com ninguém nem sequer abster-se de escrevinhar.

Nós, ateus, somos panfletários e ressabiados, os agnósticos são imbecis, os católicos não entendem o seu Deus e por aí vai.

Ao longo de tantos anos ainda não se deu conta de que é o comentador mais vaiado pela plateia. Os crentes chamam-lhe ATEU DISFARÇADO e ele responde que não passam de TERRORISTAS.

Se nós dois fôssemos amigos do peito, há muito tempo lhe teria recomendado um psiquiatra para o ajudar a acalmar essa luta interior.

Tudo leva a crer (suposição minha) que tem um elo com o teólogo João Carreira das Neves que afirma constantemente que a bíblia não pode ser interpretada de forma literal. Pelo jeito as palavras escritas são apenas bilhetes de viagem para outras não escritas mas que são convenientes consoante a necessidade sazonal. Seria o mesmo que eu escrever um artigo calunioso contra alguém e mais tarde em tribunal o meu advogado defender que não é bem assim pois a interpretação do texto não pode ser feita de forma literal, que aquelas palavras não são calúnias mas sim elogios. Afinal em que ficamos???!!!! As palavras valem ou não valem?

Será que o livro sagrado foi escrito com frases idiomáticas? A ser assim provocou a maior confusão jamais existente pois cada língua tem a sua idiomática.

Se Christopher Hitchens é ou foi um alcoólatra não sei. E não sei porque nunca convivi com ele e também não sei porque nunca o vi ébrio nem na TV nem nos vídeos do youtube. Sei que fumava bastante porque vi em vídeos e porque vi numa entrevista onde ele mesmo afirmou que a doença poderá ter sido causada pelo excesso de fumo.

Mas o nosso comentador afirma de forma literal que o homem regularmente se embebeda. Será que temos de imaginar outras palavras?

Não se cansa de apregoar as virtudes da Santa Madre Teresa de Calcutá e do Chico de Assis. Da primeira e ao que parece, nunca pariu, não entendendo eu o porquê de ser madre (mãe). Do segundo, ele esquece de quem era filho e da vida desregrada, boémia, briguenta e bebedolas. Têm em comum que ambos trocaram de nome. Técnica também usada pelos nazis depois da derrota e da debandada pelos vários continentes.

É claro que aos olhos do nosso comentador, só Hitchens é afectado pelo efeito da bebida que lhe tolda o raciocínio.

A diferença está no criminoso que se arrependeu e abriu um negócio por conta própria para redimir os seus pecados e aumentar o seu domínio de forma legal perante a sociedade da época.

Além de tudo isto ainda padece de um outro problema grave. Não são raras as vezes que baralha anti-religião com política, mencionando ditadores sanguinários como exemplos do ateísmo. É preciso lata!

Dá para ter dó de uma pessoa assim?

15 de Setembro, 2011 Carlos Esperança

Tropismo fascista do Vaticano (3)

Vaticano: Acordo com lefebvrianos está mais próximo

Responsáveis da Santa Sé esperam «reconciliação plena» após décadas de separação

Cidade do Vaticano, 14 set 2011 (Ecclesia) – Os líderes da Fraternidade São Pio X (FSPX), fundada pelo falecido arcebispo Lefèbvre, estiveram hoje reunidos no Vaticano com os responsáveis da Congregação para a Doutrina da Fé, da Santa Sé, para debaterem um entendimento conjunto.

14 de Setembro, 2011 Carlos Esperança

Camarões – Meninas sem mamas

O horror nunca deixa de surpreender e agrava-se quando a superstição, o tribalismo, a fé e a tradição se conjugam.

Camarões foi o nome que os portugueses deram a uma região africana a cuja costa iam em busca de escravos no tempo em que sonhavam converter o mundo à fé cristã e onde desistiram de avançar para o interior porque as orações os não poupavam à malária. Hoje é um país do centro de África, com saída para o Oceano Atlântico, a aproximar-se dos 20 milhões de habitantes.

A fé da população distribui-se pelo cristianismo (56%), crenças tribais (23%) e islão (20%), sendo outras crenças quase inexistentes nesta república presidencialista que gravita na órbita dos Estados Unidos da América e da Europa, seus parceiros quase exclusivos nas trocas comerciais.

Neste país, maioritariamente cristão, colonizado por alemães, franceses e ingleses, as tradições tribais atingem o limite da crueldade e da demência. Calcula-se que um quarto das meninas é vítima do esmagamento das mamas, para dissimular a puberdade e evitar – segundo a crença tribal – as violações e gravidezes precoces.

Com pedras quentes e outros objectos planos ardentes sobre as mamas que despontam, as mães e outras mulheres da família procedem à sua destruição convencidas de que, atrasando o crescimento dos seios das meninas, as protegem dos olhares lúbricos dos homens, as afasta das relações sexuais e, quiçá, evitem gravidezes indesejadas.

Já conhecíamos a mutilação genital feminina, com a excisão do clítoris. Sabemos agora que a mutilação mamária através de objectos ardentes e esmagamento é outra crueldade ao serviço da repressão sexual, dos preconceitos e das tradições tribais. Há que apertar e queimar com violência as maminhas das meninas púberes ou pré-púberes, às vezes durante meses de tortura, indiferentes às deformidades e à dor que causam, aos traumas psíquicos e destruição de tecidos, às queimaduras e deformidades.

Segundo a agência oficial de cooperação alemã GTZ, que denunciou esta atrocidade e luta contra ela, metade das meninas a quem despontam as maminhas antes dos nove anos são vítimas desta medonha crueldade, segundo El País, de 12/09/2011, artigo de Charo Nogueira, onde recolhi a informação relevante plasmada neste texto.

Perante esta inaudita barbaridade, comum na África Ocidental e com especial incidência nos Camarões, termino revoltado como comecei: «O horror nunca deixa de surpreender e agrava-se quando a superstição, o tribalismo, a fé e a tradição se conjugam».