27 de Setembro, 2012 Carlos Esperança
Absoluto desprezo pelo homem
Bento XVI sublinhou hoje no Vaticano a centralidade da Liturgia na vida da Igreja para que as comunidades católicas possam manifestar à sociedade o “primado absoluto de Deus”.
Bento XVI sublinhou hoje no Vaticano a centralidade da Liturgia na vida da Igreja para que as comunidades católicas possam manifestar à sociedade o “primado absoluto de Deus”.
A ICAR, incapaz de inovar, para manter fiel a clientela, acaba por regressar aos velhos truques numa sociedade alfabetizada. Os milagres muito batidos, o aparecimento da Virgem (a obsessão pela virgindade é esquizofrénica) a uns pobres de espírito a quem transmite recados do seu divino filho, visitas do Cristo, ele próprio, a uns inocentes a quem faz pedidos patetas e um ror de prodígios capaz de adormecer crianças e imbecilizar adultos, são os truques em que reincide para manter a quota de mercado e alargar a base de apoio.
Nem ao menos se lembra de encomendar hóstias com sabores às pastelarias diocesanas, perfumar a água benta com aromas testados à saída da missa pela pituitária dos devotos, temperar a água com que batiza as crianças, evitando o choro e o resfriado, ou inovar a música e ultrapassar o cantochão. Até os chocalhos que anunciam a passagem da hóstia pelo sacrário estão desafinados e distorcem o som com o verdete acumulado.
Bem sei que o passado pouco recomendável de muitos papas, bispos e padres não ajuda à propagação da fé e à frequência do culto. O livro de referência – a Bíblia – tão arcaico e cruel, tão cheio de incoerências e maldições, não ajuda o prestígio de Deus, acusado de ser o seu autor.
Que resta, pois, à ICAR, perdido o medo do inferno, desinteressados homens e mulheres do destino da alma, incapaz de conter o consumo de carne de porco à sexta-feira, sem clientes para as bulas e com o dízimo caído em desuso?
Cada vez se encontra em maiores dificuldades para introduzir no código penal o pecado como crime. Não consegue para os pecados veniais uma simples coima nem para os mortais uma pena de prisão. A blasfémia é ignorada em juízo, o divórcio é facilitado e o adultério deixou de interessar o Estado. Apenas o aborto consegue ainda, em países de forte poder clerical, devassar a vida íntima das mulheres e submetê-las ao vexame de um julgamento e ao opróbrio da prisão. Mesmo a apostasia, que é para os pios doutores da ICAR, uma ofensa imperdoável, é uma prática corrente e um direito inalienável.
Assim, resta à ICAR vociferar contra o preservativo, atirar-se à pílula como São Tiago aos mouros e execrar a investigação em células estaminais. Já poucos lhe ligam quando apostrofa a eutanásia, afronta a proibição do ensino da religião nas escolas do Estado ou injuria os casamentos homossexuais.
Os padres vão enegrecer ao fumo das velas, abandonados pelos crentes, proibidos de ter uma companheira que lhes alivie a solidão, enquanto os bispos e o papa satisfazem o narcisismo com a riqueza e o colorido dos paramentos. Acabam por descrer da virtude da Igreja, da bondade do seu Deus e a renunciar à salvação da alma.
Nesta quarta-feira (26/09), o Tribunal Administrativo Federal alemão, uma das mais altas cortes do país, anuncia o veredicto sobre um litígio que pode mudar o destino da Igreja Católica na Alemanha.
Comentário: A ICAR vê as igrejas e os cofres a esvaziarem-se.
Alemanha: Igreja alerta para consequências de falta de registo civil como católico
A Conferência Episcopal Alemã publicou um decreto aprovado pela Santa Sé, que entrou em vigor na segunda-feira, no qual alerta os seus fiéis para as consequências de não se registarem civilmente como católicos.
Comentário: A fé precisa de dinheiro.
Julgamento de ex-mordomo do papa expõe «VaticanLeaks»
Há seis anos, todos os dias, antes do amanhecer e depois do anoitecer, Paolo Gabriele, de 46 anos, casado e pai de três filhos, percorria a pé a distância entre a sua residência e o apartamento de Bento XVI. Na ida e na volta, o mordomo do papa passava junto a um caixa automático muito peculiar. O fundo do ecrã reproduz «A Criação de Adão», o fresco pintado por Michelangelo no tecto da Capela Sistina, e entre as línguas que o convidam a introduzir o cartão e retirar euros está o latim: «Inserito scidulam quaeso ut faciundam cognoscas rationem» (que pode ser traduzido como: «Coloque o seu cartão para realizar as suas operações»).
Há quatro meses Paolo Gabriele deixou de passar junto do caixa do Banco do Vaticano. Em 23 de Maio, a polícia deteve-o sob a acusação de roubar e divulgar para a imprensa a correspondência particular de Joseph Ratzinger. Gabriele, também conhecido como Paoletto, afirmou que a sua única intenção foi ajudar a Igreja e o papa, revelando as intrigas palacianas.
O julgamento, que começa no próximo sábado, na Cidade do Vaticano, deverá esclarecer se, como no caixa, a religião, a arte e o latim só serviam de envoltório para um motivo muito mais terreno.
O galardão, na sua quarta edição, distingue personalidades e instituições que se tenham destacado pelo seu contributo no mundo da comunicação e foi instituído pela fundação homónima, ligada ao jornal ‘La Vanguardia’, sob a presidência do rei Juan Carlos I.
Comentário: A Igreja católica, além de parasitar o Estado espanhol a quem fica demasiado cara, nunca deixou de interferir nos assuntos internos do País. Mas não admira que uma monarquia que o genocida Franco deixou em herança se ajoelhe perante o Vaticano.
Vaticano excomungará devedores alemães do imposto eclesiástico
Os católicos alemães que se recusaram a pagar o imposto eclesiástico podem ser privados da eucaristia e dos sacramentos e rituais religiosos ligados a enterros.
Um ministro do governo paquistanês ofereceu uma recompensa de 100.000 dólares pela morte do autor de um filme ofensivo para o Islão que provocou violentos protestos em vários países muçulmanos.
“Anuncio hoje que esse blasfemo que insultou o profeta sagrado, se alguém o matar, dou-lhe um prémio de 100.000 dólares” (cerca de 77.000 euros), afirmou o ministro dos caminhos-de-ferro, Ghulam Ahmed Bilour.
É uma revelação inédita nesse país e o arcebispo de Melbourne, Denis Hart, qualificou de “horríveis e vergonhosos” os números.
O Diário de uns ateus é o blogue de uma comunidade de ateus e ateias portugueses fundadores da Associação Ateísta Portuguesa. O primeiro domínio foi o ateismo.net, que deu origem ao Diário Ateísta, um dos primeiros blogues portugueses. Hoje, este é um espaço de divulgação de opinião e comentário pessoal daqueles que aqui colaboram. Todos os textos publicados neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as posições da Associação Ateísta Portuguesa.