Bispos perplexos, concilio curioso e Franco irritado
O Vaticano II pôs em evidência a estreita relação dos prelados espanhóis com a ditadura, com grande desprestigio para os protagonistas.
O bispo português D. Carlos Azevedo vai assumir a coordenação do setor do património no Vaticano, revelou hoje a Santa Sé, após Bento XVI ter unificado a Comissão Pontifícia dos Bens Culturais ao Conselho Pontifício da Cultura (CPC).
Ao que parece, a senhora de Lourdes anda bastante distraída. De contrário, tomaria bem conta do negócio.
A não ser que o dinheiro já seja tanto, que haja necessidade de reduzir a receita.
Apesar da recessão generalizada, os milagres e a santidade aumentam as vendas. Desta vez são sete os defuntos promovidos ao grau máximo.
Bento XVI vai presidir este domingo à cerimónia de canonização de sete beatos católicos, entre os quais a primeira beata indígena norte-americana, Kateri Tekakwitha, nascida em 1656 e falecida em 1680, no Canadá.
A futura santa Tekakwitha nasceu numa localidade dos EUA hoje denominada Auriesville, e foi beatificada por João Paulo II em junho de 1980.
Boa disposição entre Obama e Romney. Os dois candidatos presidenciais participaram, muito relaxados, na gala de beneficência em Nova York. / AFP (M. TAMA) – El País
Não sei como pude esquecer o 10.º aniversário da canonização do bem-aventurado servo de Deus, monsenhor Escrivá de Balaguer, que, depois de percorrer os degraus de Venerável e Beato, chegou a Santo em 6 de Outubro de 2002, graças a dois milagres aprovados – o primeiro no campo da oncologia e o segundo do foro da dermatologia. Com 13 dias de atraso, aqui fica a reparação devida ao taumaturgo.
O apoio ao ditador Franco e a obsessão por dinheiro, poder e honrarias podem ter arredado o clérigo da bem-aventurança eterna mas não lhe tolheram a canonização.
O virtuoso bispo do Funchal, D. Teodoro de Faria e o impoluto ministro de Estado e da Defesa, Dr. Paulo Portas, destacaram-se então entre os portugueses bem formados, convidados a deslocar-se a Roma para a cerimónia. Não terão deixado de rezar para que se esquecessem as ligações da Prelatura ao mundo da alta finança e os inúmeros escândalos financeiros em que se viu envolvida no passado ( Rumasa, Matesa, Banco Ambrosiano, etc.) já que não iriam rezar pelos escândalos vindouros.
A tentativa de criar o governo teocrático universal sonhado por Paulo, a sua aliança com a Mafia internacional e a pseudo maçonaria financeira, ou o abuso indiscriminado do negócio milagreiro, documentados por Juan G. Atienza (Los Pecados de La Iglesia), são acusações esquecidas.
Os aspetos negativos da personalidade de Escrivá, referidos pela colaboradora e secretária de muitos anos, Maria del Carmen Tapia, no livro “Uma vida na Opus Dei”, e as denúncias de Robert Hutchison em “O Mundo Secreto do Opus Dei” desvanecem-se com o tempo.
Regozijemo-nos, pois, por ter sido Monsenhor Escrivá “o justo entre os justos mais rapidamente elevado aos altares em toda a história da Igreja”, 17 anos exatos após a sua morte ( Ob. citada de J. Atienza, Pág. 342).
Já então 1750 sacerdotes e 80 mil fiéis – um exército de prosélitos sob a omnímoda autoridade de um prelado que dispunha de amplos recursos financeiros e sólidos apoios políticos em todo o mundo – não deixaram de proclamar a santidade do “Pai”.
Dez anos e 13 dias depois da canonização, quem não puder beneficiar da graça divina por intercessão do poderoso santo, evite desafiar a ira da Prelatura. Os recursos financeiros e o poder político não deixaram de se multiplicar e globalizar.
Enquanto defensor da liberdade religiosa, não posso deixar de assinalar a publicação desta pasta de papel que denuncia as perseguições a que está sujeita a igreja católica no Portugal contemporâneo, perseguições essas que são piores – mas muito piores – do que aquelas a que foram sujeitos os judeus no Portugal do século 16. É portanto particularmente significativo o título escolhido: hoje, os católicos são quinzenalmente queimados na praça do Rossio, mortos nas ruas por turbas furiosas (o livro foi apresentado num edifício do Largo de S. Domingos, onde começou o pogrome de 1506) e, no mínimo, despedidos dos seus empregos (o livro foi apresentado por Manuel Braga da Cruz, reitor da Católica). O entrevistado é conhecido por não publicar nos jornais os seus pontos de vista ultraconservadorese a entrevistadora, bem, é a Zita Seabra.
Deixo-vos com um excerto do livro: capítulos como «Os católicos: uma espécie em extinção?» e «Opus Dei: uma controversa obra de Deus?» permitem formar uma opinião sobre o realismo e a imparcialidade desta denúncia da «nova inquisição».
[Esquerda Republicana/Diário Ateísta]
O patriarca de Moscovo disse hoje que o papa Bento XVI apoiou a igreja ortodoxa russa na condenação do grupo “Pussy Riot” por este ter interpretado uma “oração” anti Putin no principal templo ortodoxo da capital da Rússia.
Nota: Curiosamente não se ouviu ao Papa, nem ao patriarca de Moscovo, nem ao grande rabino de Jerusalém, qualquer condenação da fatwa contra Salman Rushdie . Quando se trata de combater a liberdade, unem-se.
Excelente artigo de Daniel Oliveira no Expresso On Line:
http://expresso.sapo.pt/daniel-oliveira-antes-pelo-contrario=s25282
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