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23 de Dezembro, 2012 Carlos Esperança

Dízimo, logo há dinheiro

Por

Kavkaz

Entregar o dízimo é uma expressão utilizada para convencer os crentes a financiarem, manterem e enriquecerem as organizações religiosas. O dízimo corresponderá ao valor de 10 % do produto ou receita obtida pelos fiéis e tem a sua origem teórica ou teológica no Antigo Testamento, no Gênesis: “E Abrão deu-lhe o dízimo de tudo” (Gên 14, 20). Já no livro Deuteronómio o dízimo aparece como uma ordem a cumprir pelos crentes. Em De 14, 22-29 e De 26, 12 o dízimo é um imposto a ser pago para os fiéis beneficiarem da boa disposição dos “pastores”.

No Novo Testamento a ideia do dízimo já é o da criação de um fundo colectivo de modo comunista: os crentes vendiam tudo o que possuíam (100 %) e entregavam a receita aos pés (veja-se a deferência) dos apóstolos (At 2, 44-45 e At 4, 34-35). Quem não entregasse aos apóstolos 100 % de tudo o que tinha vendido era admoestado publicamente e perseguido até morrer de vergonha (At 5, 3-10).

As religiões cobram sempre dinheiro ou produtos e serviços aos seus fiéis para a manutenção e enriquecimento dos grupos religiosos. Tentam transmitir a ideia de que o pagamento dos dízimo será uma vontade expressa dos deuses. Conseguirão, assim, a multiplicação dos imóveis e terrenos que as organizações religiosas possuem, o pagamento dos salários e reformas aos funcionários, formação, despesas de habitação, água, luz e telefone, etc. Há muitos interesses onde podem gastar e aplicar o dinheiro dos crentes. Por vezes utilizam parte desse dinheiro para ajudar pessoas com dificuldades económicas e fazem disso publicidade para obterem respeito e aceitação da comunidade envolvente.

O dízimo não é sempre o valor fixo sobre os rendimentos dos crentes. Há grupos religiosos que aplicam o imposto de 10 %. Há outros que, tendo em conta as dificuldades dos crentes em pagar tal valor elevado, acabam por ser mais flexíveis e pedem aos crentes para serem eles próprios tão generosos quanto possam nas sua dádivas aos pastores. O crente tem a ideia de que em troca do dízimo receberá a vida eterna. O dízimo é pagamento adiantado. A contrapartida feliz será recebida depois dele morrer. Entretanto, ficará mais pobre!

Quem recebe o dízimo dos crentes é que já pode ter uma vida feliz e rica ainda antes de morrer. As organizações religiosas possuem ao seu dispor grandes riquezas sem muito esforço, nem grandes canseiras ou sobressaltos. São terrenos, imóveis, obras de arte, ouro, jóias, valores enormíssimos de dinheiro. Subtraem-se, sempre que podem, ao pagamento de impostos ao Estado sobre as fortunas que possuem.

Os crentes já têm de pagar impostos ao Estado e que podem ser bem superiores aos 10 % dos seus rendimentos. Mas têm contrapartidas que usufruem. Obtêm serviços de educação, saúde, constroem-lhes estradas, pontes, têm empresas públicas diversas para os servir. Já as religiões constroem-lhe ilusões e prometem aos crentes o céu depois deles serem enterrados.

23 de Dezembro, 2012 Carlos Esperança

O S. Roque (Crónica)

Ficou-me de criança a impressão de que a ermida do S. Roque, na margem esquerda do Côa, estava alcandorada num monte enorme e que ao sacrifício da subida se deveria a recompensa dos milagres.

Hoje, ao passar na A25, sobre a ponte rodoviária, surpreende-me lá em baixo uma capela exígua abandonada num pequeno cabeço, com a vegetação a apropriar-se da área da devoção e dos negócios. Onde está um chaparro negociava burros um cigano, onde a Lurdes começava às dez a aviar copos de meio quartilho, para terminar às 3 da tarde com o pipo e a paciência devastados, medram giestas e tojos e o abandono tomou conta do espaço onde estava sediada a feira e se realizava a festa.

Onde os solípedes e as pessoas alcançavam não sobem ainda hoje os automóveis.

Eu gostei, ainda gosto, de romarias. Mesmo com milagres cada vez mais raros, a acontecerem na razão inversa dos louvores, encontramos sempre caras que atraem afectos e nos devolvem memórias. Às vezes não são quem pensámos, os anos passam, são filhos, mas vale a pena, falam-nos do que nós sabíamos, são da terra que julgámos.

Há quase sessenta anos, o Rasga foi ao S. Roque com a mulher, ela cheia de fé, ele com muita sede, como sempre, até a cirrose o consumir. A feira e a romaria partilhavam a data e o espaço. Não sei das promessas dela, as mulheres lá tinham contratos com os santos, não era costume explicitá-los, ele tinha as mãos cheias de cravos, coisa de rapaz, julgava que era feitio. A mulher dissera-lhe que havia de ir ao S. Roque, o Maravilhas curou-se, o Ti Velho também, pelas outras aldeias ia a mesma devoção, os resultados eram de monta.

O Rasga até tinha pensado no ferrador, não para ferrar o macho, ele queimava os cravos, mas eram grandes as dores, ficavam as mãos com marcas piores que a cara do Medo com as bexigas, e a febre, às vezes, levava a gente. Já se acostumara, não valia a pena ralar-se, o pior era a mulher a azucrinar-lhe os ouvidos, tens de ir ao S. Roque, se trabalhasses em vez de beberes havias de ver o incómodo, eu faço-te companhia, és um herege, uma oração, uma pequena esmola, dois cruzados, um quartinho no máximo, o S. Roque não é interesseiro, vens de lá bom, levas a burra que já mal pega em erva, enjeita os nabos, não temos feno, há-de morrer-nos em casa, além do prejuízo vais ser tu a enterrá-la, podias vendê-la.

E lá foram os três, que a burra também contava, partiram quando a Lurdes e a Purificação já levavam uma légua de avanço, tinham bestas lestas e levantavam-se cedo, era mister que se antecipassem aos homens que quando chegavam logo queriam matar o bicho e os negócios não podiam fazer-se sem haver onde pagar o alboroque.

O Rasga, mal chegou, pediu três notas pela burra a um da Parada que lhe ofereceu duas, a mulher do da Parada ainda o puxou, homem para que queres a burra, o rachador do Monte meteu-se logo, isto não é assunto de mulheres, tinham que fazer negócio, tem que tirar alguma coisa, não tiro, dou-lhe mais uma nota de vinte, tiro-lhe essa nota, nem mais um tostão, e o do Monte a dizer racha-se, vários a apoiar, fica por duas notas e meia, o rachador a agarrar-lhes as mãos, estranha união, e a fazer com a sua um corte simbólico, deram as mãos estava feito o negócio, um tirou cinquenta o outro deu mais cinquenta, consumada a liturgia logo assomou meia nota de sinal, faltavam duas que apareceriam quando lhe entregasse o rabeiro, vai uma rodada, paga o vendedor que recebeu o dinheiro, primeiro um copo para o comprador, o rachador a seguir, depois para todas as testemunhas, outra rodada paga o comprador, outra ainda, esta pago eu, diz um da Cerdeira, não quero mais diz o de Pailobo, morra quem se negue, praguejou um da Mesquitela, olha vem ali o Proença da Malta, grande negociante, como está, disseram todos, uma rodada, pago eu, diz o Proença, mas a minha primeiro, exigiu o da Cerdeira com agrado geral, e ali ficaram a seguir os negócios, os foguetes e a festa, e a tirar o chapéu e a agradecer ao Proença quando este foi dar a volta pelo sítio do gado onde já se encontrava o Serafim dos Gagos a disputar-lhe o vivo e a pôr a fasquia aos preços.

Findas a feira e a festa, esta terminou primeiro, um dos padres ainda tinha de levar o viático a um moribundo de Pínzio, o Rasga e a mulher vinham consolados, ela com a missa e a procissão, ele com duas notas e meia no bolso e o buxo cheio de vinho, ela a pensar na vida e ele a cambalear.

Algum tempo depois perguntei ao Rasga o que era feito dos cravos. Ficaram no S. Roque, menino, ficaram no S. Roque.

In Pedras Soltas (Esgotado)

22 de Dezembro, 2012 Carlos Esperança

Vaticano domina a Itália

O Vaticano controla transversalmente os partidos italianos’

Autor de livro com informações sobre o VatiLeaks diz que é impossível chegar ao poder na Itália sem o apoio da Igreja

O jornalista Gianluigi Nuzzi ocupa-se da política interna do Vaticano desde 2008 e foi o responsável pelas denúncias que desencadearam o escândalo que ficou conhecido como VatiLeaks, o vazamento de documentos secretos da Santa Sé.

22 de Dezembro, 2012 Carlos Esperança

O Islão é pacífico

Uma multidão queimou vivo neste sábado, no sul do Paquistão, um homem que supostamente tinha incinerado exemplares do Alcorão, o livro santo do islamismo, informou em sua versão digital o jornal Express.

O grupo o retirou de uma delegacia da cidade de Seeta, na província de Sindh, onde ele estava preso acusado de blasfêmia. Em seguida, a multidão ateou fogo no homem em frente ao local.

22 de Dezembro, 2012 Carlos Esperança

Papa teme que casamento gay seja obrigatório

Sem citar a palavra homossexual e sem fazer julgamento sobre a homossexualidade, ele atacou claramente a legalização do casamento gay

O papa Bento XVI se mostrou combativo nesta sexta-feira ao convocar os católicos para “lutar” contra o casamento gay, em um contexto de mobilização da Igreja em todos os grandes debates da sociedade. Em seu discurso de fim de ano à Cúria Romana, o Papa criticou duramente as novas concepções da família que não se baseiam na união entre um homem e uma mulher e afirmou que “na luta pela família está em jogo a essência do ser humano”.

21 de Dezembro, 2012 Carlos Esperança

A ICAR e o antissemitismo

A  tentativa patética de alguns católicos em quererem reescrever o Novo Testamento e branquear as perseguições aos judeus trouxe-me à memória a artimanha de um cardeal que, há anos, preferiu implicar Pio XII numa conspiração contra Hitler a suportar a verdade.
O cardeal de Colónia, Joachim Meisner faz ressuscitar o fantasma do nazismo.

Só quem nunca leu a Bíblia ignora o carácter racista, xenófobo e violento do livro cuja leitura é necessária para entender os atos mais cruéis dos cristãos, durante séculos.

Os quatro Evangelhos (Marcos, Lucas, Mateus e João) e os Actos dos Apóstolos têm, na contabilidade de Daniel Jonah Goldhagen (in A Igreja católica e o Holocausto) cerca de 450 versículos explicitamente anti-semitas, «mais de dois por cada página da edição oficial católica da Bíblia».

Não admira, pois, que o cardeal de Colónia ressuscite fantasmas nazis ou que, na febre de fazer santos, a ICAR prefira implicar Pio XII numa conspiração para matar Hitler do que suportar a sua cumplicidade histórica.

Para canonizar o Papa de Hitler o Vaticano não hesita em atribuir-lhe uma conspiração. É um crime bem menor do que o seu incitamento às autoridades italianas, em Agosto de 1943, para que mantivesse as leis raciais

Os maiores aliados do sionismo são cristãos fundamentalistas, mas por acreditarem que só o domínio final dos judeus sobre a Palestina levará à reconstrução do Templo de Salomão, condição sine qua non do Segundo Advento de Cristo e da destruição final dos judeus -, uma magnífica manifestação de cinismo, superstição e antissemitismo.

A teologia cristã é a mãe do Holocausto. Conscientes ou não, os nazis foram os agentes da religião que, com o seu antissemitismo, construíram pedra a pedra os crematórios que devoraram milhões de pérfidos judeus, adjectivo que ficou nas orações dos católicos até ao concílio Vaticano II, agora lenta e inexoravelmente abandonado por Bento XVI.

Só surpreende a franqueza do cardeal Joachim. Alemão.

20 de Dezembro, 2012 Carlos Esperança

O antissemitismo da ICAR

As preces dos católicos pelos judeus da Sexta-Feira Santa.

No rito anterior ao Concílio Vaticano II pedia-se a sua conversão ao cristianismo e rogava-se a Deus para que eliminasse “a cegueira deste povo, para que, reconhecida a verdade de sua luz, que é o Cristo, saíssem das trevas”.

Essa frase foi mudada e atualmente se implora a Deus que “ilumine seus corações para que reconheçam a Jesus Cristo salvador de todos os homens”. Texto que os judeus continuam criticando.

Diário de uns Ateus – O deus do Papa odiou sempre os judeus. Ou terá sido por amor que os queimava e deportava ao longo da História? (Reis Católicos, D. João III, etc.)

20 de Dezembro, 2012 Carlos Esperança

O cristianismo e o antissemitismo

«Não há salvação em nenhum outro [para além de Jesus], porque, sob o céu, nenhum outro nome foi dado aos homens pelo qual devamos ser salvos». (Actos4:12).

«O Evangelho segundo São Marcos tem cerca de 40 versículos explicitamente antissemitas. Incluem a cena teatral fictícia de Pôncio Pilatos, que foi o verdadeiro assassino de Jesus, perguntando-se inocentemente o que fez Jesus para merecer a ira dos sacerdotes e da multidão de judeus, enquanto os Judeus gritam mais de uma vez a Pilatos «crucifica-o»». (S. Marcos 15:6-15).

«O Evangelho segundo S. Lucas tem cerca de 60 versículos explicitamente antissemitas. Apresenta João Baptista a chamar aos judeus que acreditavam que ser judeus era o caminho para Deus «raça de víboras» que iriam sofrer «com a ira que os ameaçava»». (S. Lucas 3:7-9).

«O Evangelho segundo S. Mateus tem cerca de 80 versículos explicitamente antissemitas. Neles, São Mateus conta como João Baptista chamava aos Judeus, os chamados fariseus e saduceus, «raça de víboras», epíteto que pôs também na boca do próprio Jesus quando se dirige aos judeus que são fariseus como «raça de víboras», como podeis dizer coisas boas, vós que sois maus?». (São Mateus 3:7 e 12:34).

«Os Actos dos Apóstolos têm cerca de 140 versículos explicitamente antissemitas. Apenas 8 dos seus 28 capítulos estão isentos de antissemitismo».

«O Evangelho segundo S. João contém cerca de 130 versículos antissemitas. (…). O Jesus de S. João acusa os Judeus de o tentarem matar. (…) O Jesus de S. João conclui que aqueles que o rejeitam, os Judeus, «pertencem ao (seu) pai, o Demónio»». (S. João 7:28 e 8:37-47).

«Só estes cinco livros contêm versículos explicitamente antissemitas suficientes, num total de 450, para haver em média mais de dois por cada página da edição oficial católica da Bíblia».

Fonte: A Igreja Católica e o Holocausto – Uma dívida moral, de Daniel Jonah Goldhagen.

Nota: Que fazer com um livro que prega o ódio e cujos crentes estão convencidos de que contém a palavra do seu Deus?

Com estas citações espero responder aos crentes de boa fé que me chamaram mentiroso pois não há no Novo Testamento qualquer manifestação de antissemitismo.

«Bem-aventurados os ignorantes porque deles é o reino do Céu».