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16 de Julho, 2013 Carlos Esperança

Deus nunca fez falta no Vaticano mas o dinheiro sim

O Vaticano e o pecado da usura

O papa Francisco participou, dia 10, da primeira reunião do comitê que investiga negócios obscuros do Instituto para as Obras da Religião (IOR), o Banco do Vaticano. Os problemas multiplicaram-se desde que o papa criou o comité, em 26 de junho último.

No dia 28, um clérigo ligado à instituição foi preso por ajudar a contrabandear para a Itália 20 milhões de euros (26 milhões de dólares) vindos da Suíça. Alguns dias depois, dois dos principais gerentes do banco renunciaram em meio a uma investigação de lavagem de dinheiro.

15 de Julho, 2013 David Ferreira

Quando os cães se calam

Não, hoje prometo não açoitar demasiado a abominável lambisgoia de sacristia que deambula existencialmente entre a base do altar e a pia de água benta, num puro reflexo condicionado. Com o excesso de calor, a consistência das neves vai-se derretendo aos poucos até à desidratação mental.

No seu sermão hebdomadário, o luminar abominável translada o seu paliativo fluxo salivar, que o aroma a hóstia faz efervescer, para a língua afiada dos cães raivosos, esses indigentes rafeiros que o infortúnio permitiu multiplicar no anonimato das tabernas, entre minis sempre poucas, dietéticos pires de tremoços e interjeições catárticas endereçadas aos políticos alternantes e seus respetivos familiares. Segundo o abominoso escriba, estes canídeos excedem largamente em produção de perdigotos o que lhes falta em armazenamento de grãos de sabedoria.

O abominável não convive bem com quem se manifesta desagradado pelas miseráveis condições económicas em que nos encontramos, muito à semelhança de alguns Cardeais da nossa praça. Tanto, que vai ao cúmulo de escrever um artigo onde critica o crítico comum. Não o crítico credenciado, o avençado dos Órgãos de Manipulação Social, mas o crítico comum, o Zé da esquina, a Maria do canto, os que falam muito acerca de tudo sem perceberem um pouco acerca de coisa alguma.

Reconheço que ainda tive uma réstia de esperança de ler um comentário da sua parte, por muito lacônico que fosse, ao Reality Show encenado pelas elites governamentais durante a tomada de posse do novo Cardeal patriarca de Lisboa, onde as palmas e as luzes ofuscaram literalmente a propalada doutrina da igualdade entre os homens e do amor aos pobres. Os vendilhões do templo anteciparam-se à chegada de Sua Eminência Reverendíssima, não montado em burro, mas em topo de gama (há que acompanhar os tempos) e montaram um verdadeiro espetáculo de auto veneração a que não faltou a merecida benzedura. Mas não. Não se morde a mão que nos alimenta.

Diz então o soporífero opinante que “Quanto menos se sabe de um assunto, mais se fala dele; e a veemência cresce com a incerteza e a insegurança”. Diz e eu não sei o que dizer à laia de comentário. E continua, estimulado por anos de dedicação extremosa aos dois poderes que adula: “Quando alguém sofre, para mais injustamente, as suas palavras ganham peso especial. Por isso os maiores disparates passam por sabedoria na boca de vítimas.” Zzzzzz…

Acordei já no fim do ominoso artigo ao som de uns longínquos e acanhados latidos: “Nos momentos difíceis, as pessoas sentem uma irreprimível necessidade de falar, normalmente com mais veemência do que juízo. A vantagem desta compulsiva ânsia de dizer disparates é que cão que ladra não morde.”

Foi nesse momento que tive uma epifania! Ouvi bem ouvido, com estes olhos que bem leram o que li, um grito de angústia a cruzar a tarde soalheira:

– Tirem-me os pregos! Tirem-me os pregos!

15 de Julho, 2013 Carlos Esperança

O HETERONIMISTA METASTÁTICO

Por

João Pedro Moura

1- O heteronimista metastático (doravante designado, abreviadamente, por h.m., para lhe fixar um nome de jeito…) gosta muito de se disfarçar de heterónimos vários e renovados, a fim de se acolher num anonimato, donde se possa exprimir em aparentes e várias personalidades, intrujando o livre debate e dando falsas mostras de várias pessoas a participar no mesmo, supostamente unânimes na crítica aos ateus, indiciando, aos incautos, que haveria uma bateria de mastins, crédulos e ladinos, a fustigar constantemente o Diário de Uns Ateus…

Metastático, porque tais desdobramentos de personalidades fazem lembrar um cancro espalhado em focos, aparecidos aqui e ali, tentando estragar o tecido da convivência cordial e pacífica, com a sua torrencial e verbosa insolência, sempre vituperiosa e pertinazmente acometedora…

2- O h.m., como religionário, aparenta não ter igreja, mas também não critica nenhuma, antes se especializando nas diatribes constantes contra os ateus, qual profissional dedicado, mas obsessivo, em laia de lapa, segregando escorrências religiosas e informes, sem igreja que o acolha, mas acolhendo-se na sua capelinha privada, por si construída e de ritual próprio, supostamente reclamando-se da casa-mãe bíblica, mas ufanando-se de poder escolher o que acha convinhável do ementário geral, preterindo o demais…

… Como se os textos sagrados da casa-mãe divina, como se o seu deus, os seus profetas, messias e outros insignes corifeus da “boa nova” fossem, a partir do momento que a pessoa se lhes religa, meros textos opinativos e concetuais, à mercê de cada um, e não a seguir tudo escrupulosamente, como diretivas divinais, portanto, do único, do infalível, cultivadas no jardim da celeste corte…

3- O h.m., no seu antiateísmo obcecado, mais do que no seu depauperado e incongruente ideário religioso, pensa que os ateus têm algum dirigente carismático e tutelar a seguir, a criticar, a concordar ou discordar, à semelhança, quiçá, do seu deus e do seu ectoplasma messiânico, para os quais, de resto, o h.m. se está marimbando, pois que nem sequer consegue articular 1, 2, 3 preceitos cristãos que ele diga assumir e praticar, nem  consegue indicar 4, 5, 6 ideias/conceitos do seu deus e patentes na Bíblia, que interessem para a humanidade…

… O que nem sequer varia muito da multidão de religionários de fancaria, alguns deles ditos “não-praticantes”, como se um não-praticante duma doutrina pudesse ser adepto da mesma…

4- Mas, enfim, desde o patriarca Miguel Cerulário e, sobretudo, desde Martinho Lutero e, mais modernamente, desde Joseph Smith e sua “Latter-Day Saints” e Charles Russell e sua Watch Tower Society, tudo vale e a interpretação da casa-mãe bíblica é livre, sem que o All-MIghty God apareça e defina os seus retos e inequívocos caminhos…

Até lá, teremos de aturar toda a religiofauna terráquea, mais as suas desvairadas e incongruentes ideias, de que a nossa mascote, o heteronimista metastático (h.m., para os inimigos…), é um extravagante e desconcertante “caso de estudo”…

São como canídeos errantes, à procura de tassalhos religiosos que possam rilhar e assimilar, ou procurando aconchego em casa mais acolhedora, mas onde possam rosnar sempre, com a sua insolência persistente e inamistosa, enquanto evocam, vaga e hipocritamente, o Lucas evangelista e o seu “amor aos inimigos”…

5- Valha-lhes S. Roque, que é o padroeiro dos cachorros sem coleira…

 

14 de Julho, 2013 José Moreira

De vez em quando…

De vez em quando, e surpreendentemente, dos lados da ICAR vão surgindo vozes com intervalos lúcidos, a confirmar que notícia não é um cão morder um homem, e sim o contrário, o homem morder o cão.

Da pena do insuspeito cónego Riu Osório, pio plumitivo do periódico de inspiração católica “Jornal de Notícias”, saiu o pedaço de prosa que abaixo transcrevo, e cujos comentários deixo ao sabor dos que tiverem a pachorra de me ler.

Ei-lo, em cuidadoso “copy/paste”, tal como foi publicado hoje, dia 14 de Julho de 2013, ano da Era Comum:

 

Notas marginais sobre a primeira missa do novo patriarca de Lisboa, na igreja dos Jerónimos.

Com menos pompa, bastaria a circunstância da beleza para que a simplicidade fosse verdadeiramente pedagógica e catequética.

Se a RTP tem obrigações de serviço público, então deve cuidar a sua agenda, não vá falhar na cobertura em direto quando outro bispo, noutra qualquer das 20 dioceses portuguesas, celebrar a sua primeira missa, para se apresentar aos seus diocesanos.

A que título participaram, em Lisboa, os presidentes da República e do Parlamento, o primeiro-ministro e outros ministros?

Nunca é de mais dizer que não há uma Igreja Católica portuguesa e o patriarca de Lisboa nunca foi nem é o “chefe” da Igreja em Portugal.

Se os titulares dos poderes temporais desconhecem a natureza da Igreja Católica, bem como a sua imagem e a sua mensagem, então cabe à própria Igreja recusar, com bons modos, cumplicidades e equívocos.

14 de Julho, 2013 David Ferreira

Hóstia dominical – IV

Debater religião com um crente devoto e caprichoso é como bater com a cabeça
contra um rochedo. Não se consegue mover subitamente com o mecanismo da lucidez o que a
ausência dela moldou e arraigou durante um longo período de tempo.

14 de Julho, 2013 Carlos Esperança

A frase do dia de ontem e a nora do Sr. Carlos

“O mundo espera o nascimento do/a filho/a dos príncipes ingleses, o futuro rei ou rainha de Inglaterra” (TVI – Noticiário das 20H00).

Decididamente, os restaurantes querem, apesar da crise, que eu não apareça. A televisão está invariavelmente ligada. Eu abomino a televisão, em geral, e a TVI, em particular, e não há volta a dar-lhe.

A D. Judite dissertou largamente sobre a atraente mulher do neto da rainha de Inglaterra e acerca da sua prenhez. Deduzi que o príncipe fez um filho pelo método artesanal de há milhares de anos. Até eu lho faria, se o meu monoteísmo e a vontade da rapariga não o impedissem, apesar da provecta idade que já levo.

Pensar que o mundo está suspenso do género da cria, da data do nascimento e do nome, sobre o qual se fazem apostas, é um assunto de casino e não uma preocupação global. A D. Judite é excessiva. O único gozo é saber que será líder do anglicanismo sem reclamar a interferência do espírito Santo e do Opus Dei.

Suportei heroicamente a ansiedade que grassava no restaurante enquanto devorei a sopa e me atirei ao naco de picanha. Engoli a bica, enquanto pagava, e evitei que a D. Judite me envenenasse com mais notícias que deixam o mundo parado. Bastam os problemas do país para me desinteressar da frequência, duração e intensidade com que o príncipe logrou emprenhar a deliciosa jovem que a via uterina fez princesa.

Há mais mundo para além da cria que a nora do Sr. Carlos traz no ventre.

12 de Julho, 2013 Carlos Esperança

Humor ou talvez não

Um muçulmano entra num táxi.

Uma vez sentado, pede ao taxista para desligar o rádio, porque não quer ouvir música, como decretado na sua religião, e porque no tempo do profeta não havia música, especialmente música ocidental, que é música dos infiéis.

O motorista do táxi educadamente desliga o rádio, sai do carro
dirige-se à porta do lado do cliente e abre-a.
O árabe pergunta: – “O que você está a fazer?

Resposta do taxista: – “No tempo do profeta não havia táxis, por isso saia e espere pelo próximo camelo”

Isto aconteceu na cidade inglesa de Manchester…..

12 de Julho, 2013 Carlos Esperança

Lido na Wikipédia sobre um santo em curso

Outro facto importante é que em 1962 o papa João XXIII enviou uma carta a todos os bispos católicos em que indicava expressamente que as investigações de atos de abusos sobre menores dentro da Igreja deveriam ser mantidas em segredo. As vítimas, no entanto, não estavam abrangidas por essa ordem. É de se ressaltar que nem essa carta nem o código de direito canônico sugeriam aos bispos que deixassem de informar os casos às autoridades.