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Categoria: Religiões

18 de Dezembro, 2013 Carlos Esperança

As mulheres são sempre culpadas

Não sei se é maior o nojo ou a perplexidade perante a violência misógina, a demência clerical e a injustiça que causa danos irreparáveis a metade do género humano.

As autoridades eclesiásticas mexicanas culpam as mulheres das agressões sexuais que sofrem, devido à roupa “provocativa” que vestem. A culpa é sempre de Eva, pensam as obtusas criaturas na mentalidade de quem vê o mundo pelos versículos do Levítico.

«Com decotes pronunciados e minissaias “estão provocando ao homem”, disse o arcebispo de Santo Domingo, México, Nicolás de Jesús López Rodríguez, durante o sexto Encontro Mundial das Famílias. Maldita alegoria da maçã colhida no Paraíso inventado na Idade do Bronze.

– “As mulheres expõem-se a violações, a que as usem, que as tratem como um trapo velho, porque estão desvalorizando a sua pessoa e sua dignidade”, disse por sua vez o bispo auxiliar de Tegucigalpa, Darwin Rudy Andino.

As informações são de 2009 e 2012. Pode-se dizer que são velhas como notícias, mas são recentes e reincidentes na violência contra a mulher, no incitamento à discriminação e no empedernido ódio que move velhos celibatários contra a libertação feminina. Dar tréguas é permitir-lhes reacender velhas fogueiras e novas perseguições alimentadas pelo ódio demente de antigos preconceitos. É absolver os agressores e culpar as vítimas, relevar os crimes  e responsabilizar quem os sofre.

Que raio der moral de sentido único, onde a liberdade é um crime para a mulher e uma bênção para os predadores masculinos!

http://www.mdig.com.br/?itemid=4976

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/18901/para+arcebispo+espanhol+mulher+que+aborta+merece+ser+estuprada.shtml

13 de Dezembro, 2013 Carlos Esperança

A fé, a esmola e o poder do clero

O Islão, o mais implacável dos monoteísmos, insiste no 3.º pilar, “Zakat”, a obrigação de dar esmolas aos pobres, devendo cada muçulmano dar 2,5% dos seus rendimentos, se os tiver. Não é novidade do Islão, é herança judaico-cristã acolhida na cópia medíocre do cristianismo feita pelo arcanjo Gabriel, que voou junto a Maomé, entre Medina e Meca, em numerosas viagens, durante 20 anos, até o obrigar a decorar o que viria a ser o Corão, enquanto conduzia camelos. Que seria das religiões sem pobrezinhos?

Não tenho aversão à esmola, tanto mais que tenho estado do lado de quem a pode dar e não do de quem é obrigado a solicitá-la, mas não tenho ilusões sobre o facto de se tornar a indústria de quem a administra, para evitar a luta de quem a recebe, e um instrumento para a conquista do poder.

Os Irmãos Muçulmanos estão na origem da sobrevivência de multidões onde a religião não deixa florescer um Estado laico, justo e solidário. Depositários da verdade única, tal como as duas religiões que copiaram de forma primária, resolvem as carências básicas na educação, saúde e alimentação. A liberdade, o álcool e o toucinho é-lhes vedado, mas o martírio, o Paraíso e o tapete para as cinco orações diárias ficam garantidos, enquanto as esmolas e o Corão impedem a modernidade.

Em Portugal, enquanto o Governo, com fortes motivações ideológicas, vai reduzindo o povo à miséria, não falta com o cheque às escolas privadas, pondo em xeque as públicas e a igualdade de acesso à educação. No que diz respeito à saúde e à assistência está em curso a transferência para privados, sobretudo IPSSs, com dinheiros públicos e gestão das Misericórdias. Os Irmãos Católicos, sem necessidade de recorrerem aos suicídios, até porque lhes falta o estímulo das 72 virgens e dos rios de mel doce, vão ocupando o espaço público, com fortes ajudas estatais, generosas doações pias e benefícios fiscais.

Em breve. não será possível encontrar um lar de idosos, um centro de reabilitação com internamento ou um hospital, que não tenha uma pia de água benta, à entrada de um doente, e um turíbulo a queimar incenso à saída do defunto.

Aposto duplo contra singelo que o Hospital de Santo António, no Porto, não tarda a cair nas mãos da Misericórdia, a grande proprietária imobiliária do país. Depois será fácil ao prestigiado Instituto Abel Salazar, mudar o nome honrado para o de um santo qualquer, e transformar-se na ambicionada Faculdade de Medicina da Igreja.

Por todo o País, enquanto se destrói o SNS, à sorrelfa, espreitam as Misericórdias, os Melos e o Espírito Santo, o do banco. Os velhos, doentes e pobres serão a mercadoria que dará dinheiro ou garantirá indulgências.

Espero que os nossos netos respeitem e amem o Afonso Costa que um novo ciclo há de gerar.

Apostila: Os Irmãos Católicos chamam-se Irmãos Mesários.