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Categoria: Religiões

18 de Fevereiro, 2011 Carlos Esperança

A crise atinge as grandes superfícies da fé

Menos 240.342 pessoas participaram no ano passado nas missas celebradas no Santuário de Fátima, confirmando a tendência de diminuição de fiéis nas celebrações no templo desde 2007, ano do 90.º aniversário dos acontecimentos na Cova da Iria.

Nota: «Os acontecimentos da Cova da Iria» referem-se aos embustes do Sol às cambalhotas, da Virgem a saltar de azinheira em azinheira e da aterragem de um anjo no anjódromo de Fátima.

17 de Fevereiro, 2011 Carlos Esperança

Estreia da Virgem nos EUA

O Vaticano reconheceu uma capela em Champion, pequena cidade do estado norte-americano do Wisconsin, como um lugar sagrado para a Igreja Católica, reconhecendo uma aparição da Virgem Maria.

É a primeira vez que isto acontece nos EUA.

Nota: Um caso bem sucedido de globalização da superstição.

16 de Fevereiro, 2011 Ricardo Alves

A resposta era 4

A resposta correcta à adivinha que coloquei era a 4. O senhor que afirmou «Deus destruirá a semente dos árabes e há de extirpá-los do mundo. Estes árabes são patifes amaldiçoados, que choram lágrimas de crocodilo enquanto matam pessoas; é proibido ter piedade deles», foi o rabino Ovadia Yosef, ex-Rabino Chefe de Israel e «líder espiritual» de um poderoso partido parlamentar, o Shas. Quanto ao senhor que afirmou que «os israelitas legitimaram o homicídio das suas próprias crianças ao matarem as nossas. (…) Os israelitas legitimaram a morte dos seus em todo o mundo ao matarem os nossos. (…) A vitória chegará, com a vontade de Deus», foi Mahmoud Zahar, líder do Hamas.
Na caixa de comentários, não houve respostas correctas. Dois leitores erraram por pouco, ao apostar na resposta 3 (não era o primeiro muçulmano e o segundo judeu, mas sim o contrário). Uma leitora apostou na 5, mas, na verdade, dificilmente se encontram apelos ao genocídio partindo de sacerdotes cristãos em anos recentes. As frases citadas são de 2001 e 2009, respectivamente.
14 de Fevereiro, 2011 Raul Pereira

Uma nova Irlanda

O papa vai ser oficialmente notificado de que a sua igreja tem cerca de cinco a dez anos para evitar que esta se reduza à insignificância, na República da Irlanda.

Quem diria que a toda-poderosa Igreja estaria em perigo no país verde. A sucursal romana de Armagh, que manipulou vergonhosamente o Estado (enfraquecido após o processo de independência), para se apoderar do ensino e da saúde, que pregou a moral bacoca, que apoiou a censura até bem dentro do século XX, que congregou os exércitos beatos para pugnar contra leis dignificadoras do bem-estar humano (proibição constitucional do aborto em 1983, p.ex.) e pela a lei, bastante recente, de criminalização da blasfémia, levou a machadada final com os escândalos de ocultação de pedofilia que viram a luz do dia nos últimos anos.

Com tudo isto, conseguiu que os irlandeses sentissem no âmago que a sua consciência nacional, supostamente católica, tinha sido brutalmente traída. Descobriram que, se as bases que a sustentavam eram assim tão anacrónicas, ignaras e frágeis e isso não os tornava menos irlandeses, então é porque, na realidade, não precisavam delas para nada.

Pedindo emprestada uma expressão ao meu colega Ludwig, as últimas décadas, que aproximaram a Irlanda da Europa laica e levaram o desenvolvimento e o progresso ao país, mostraram também aos irlandeses que tinham sido dominados tempo demais por uma série de «tretas». Felizmente, agora dizem «basta» ou, simplesmente, ignoram o que é perdigotado da catedral de St. Patrick.

«Se a Irlanda se quiser tornar numa nova Irlanda, ela tem primeiro que se tornar europeia», escreveu James Joyce. Se o escritor a pudesse ver agora…

Outra religião abandonada
Fotografia de nznomad, sob licença CC
14 de Fevereiro, 2011 Ricardo Alves

Adivinha

Qual a confissão religiosa dos sacerdotes citados?
  • (I) «Deus destruirá a semente dos **** e há de extirpá-los do mundo. Estes **** são patifes amaldiçoados, que choram lágrimas de crocodilo enquanto matam pessoas; é proibido ter piedade deles.»
  • (II) «Os **** legitimaram o homicídio das suas próprias crianças ao matarem as nossas. (…) Os **** legitimaram a morte dos seus em todo o mundo ao matarem os nossos. (…) A vitória chegará, com a vontade de Deus.»
Respostas:
  1. São ambos muçulmanos;
  2. São ambos judeus;
  3. (I) é muçulmano e (II) é judeu;
  4. (I) é judeu e (II) é muçulmano;
  5. Nenhuma das respostas anteriores.

Aguardo palpites dos leitores.

[Diário Ateísta/Esquerda Republicana]
10 de Fevereiro, 2011 Carlos Esperança

Mudanças no mundo árabe

São tão profundas as modificações que se adivinham no mundo árabe que é impossível o regresso ao passado. As alterações da região apanharam o mundo de surpresa. Nem os EUA, nem a Europa, nem os próprios regimes se deram conta da pressão social que teve a primeira explosão em Tunes e percorreu o mundo árabe, com particular veemência no Egipto.

Os árabes são o único povo que no seu conjunto nunca conheceu a democracia. É difícil saber a dimensão das alterações produzidas pela globalização e a influência do turismo, mas não é difícil adivinhar a revolução dos costumes que o contacto com outros povos e o acesso à Internet vieram provocar.

A região nunca mais será a mesma. Resta saber se a religião permanece inalterável e as mesquitas e madraças não se sobrepõem ao cosmopolitismo e ao saber universitário.  O vice-presidente egípcio já ameaçou pôr termo às manifestações numa tentativa de salvar o regime e o próprio Mubarak, que ainda mantém o poder, com o único sacrifício da herança dinástica que reservava para o filho.

O facto de ser a primeira vez que cristãos, muçulmanos, livres-pensadores, mulheres e jovens se unem numa aspiração comum – o derrube da ditadura –, pode ser o prenúncio de uma convivência que não seja vigiada pelas mesquitas e pela polícia e converter a Praça Tahrir no símbolo da liberdade árabe.

Apesar do perigo islâmico, da instabilidade que afectará a própria Europa e da extensão das convulsões árabes, vale a pena apostar nesta revolução de natureza democrática.

Sabemos que o petróleo e a religião são uma mistura explosiva.  Resta saber se vencerá a onda democrática em curso, como a que varreu os países da Europa do Leste, após a queda da URSS, ou o retrocesso violento como o que substituiu o execrável Xá do Irão por uma abominável teocracia.

8 de Fevereiro, 2011 Ricardo Alves

Cientologia: a pior religião do mundo?

A Igreja da Cientologia é fascinante. Porque não há nada que os cientologistas façam de criticável que não seja praticado, em maior ou menor grau, por outras comunidades religiosas. O génio de Hubbard (e é esse o lado fascinante da cientologia) consistiu em seleccionar todos os piores aspectos de cada uma das centenas de organizações religiosas do mundo, juntá-los e exacerbá-los. O resultado é uma organização que, embora ridícula, é perigosa para os seus membros (e para a sociedade em geral, se algum dia tentarem meter-se na política).

Vejamos como todas as práticas cientologistas consideradas «questionáveis» existem noutras comunidades religiosas:

  • Cobrar dinheiro aos seus membros (todas as comunidades religiosas o fazem, mas as mais notórias são as mais exigentes, como o Opus Dei e a IURD);
  • Garantir ter encontrado o segredo do que se segue a «esta vida» e uma forma de ser «salvo» para outra vida (todas as religiões, com uma ou outra excepção aparente);
  • Manter as pessoas numa «redoma», evitando que recebam informação do «mundo exterior» (censura religiosa em Estados islamistas, comunidades segregadas com escolas próprias…);
  • Recrutamento de crianças (muitas igrejas cristãs baptizam bebés, «nasce-se» muçulmano);
  • Corte de relações com os apóstatas (por exemplo, os Amish e certos judeus ortodoxos);
  • Prometer que se melhora a vida pessoal de cada convertido (inútil dar exemplos);
  • Crítica violenta dos dissidentes (alguns hereges acabaram nas fogueiras católicas, e na Arábia Saudita, teoricamente, ainda podem ser mortos);
  • «Retiros espirituais» em que as pessoas ficam isoladas da família e amigos durante semanas e privadas de conforto (budistas, hindus, ordens religiosas católicas, etc);
  • Captar celebridades, estrelas do cinema ou da música ligeira (há muitos exemplos);
  • Extrair confissões sobre assuntos íntimos, eventualmente usadas para chantagem, humilhação ou controlo (a confissão católica é célebre por colocar em causa o segredo familiar);
  • Ter crenças ridículas (…).

(Verifica-se assim que a Igreja da Cientologia não é essencialmente diferente das outras Igrejas. Só é mais completa.)

Seria liberticida imaginar leis para combater a Cientologia. E seriam atingidos, fatalmente, outros movimentos religiosos. Como qualquer outro mal social, a Cientologia só marginalmente se combate com leis. Combate-se principalmente, tal como a toxicodependência, a homofobia ou o sexismo, pela denúncia e pelo exemplo.

O site Xenu.net continua o seu longo trabalho de reunir material crítico sobre a Cientologia. Recomendo também este artigo recente, muito completo.

8 de Fevereiro, 2011 Carlos Esperança

O Islão é pacífico…

Extremistas indonésios atacam três igrejas e lincham seguidores de uma minoria islâmica

Os ataques dos últimos dias revelam o crescente protagonismo dos grupos integristas no país com maior população muçulmana do mundo.

Uma horda de muçulmanos extremistas incendiaram duas e saquearam outra no centro da ilha de Java (Indonésia), enfurecidos por entenderem que um tribunal decretara uma pena demasiado leve a um cristão condenado por blasfémia, segundo a polícia.

O incidente aconteceu dois dias depois de outra turba ter linchado a três homens da seita islamista ahmadi, considerada herética, um facto que provocou críticas à passividade do Governo do país com a maior população muçulmana do mundo, após difusão das cenas do brutal ataque na televisão.

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AGENCIAS / EL PAÍS – Yakarta / Madrid – 08/02/2011