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Categoria: Não categorizado

5 de Janeiro, 2006 fburnay

Faça você mesmo

Se é um crente ressabiado, recombine estas frases (já pré-formatadas para seu conforto) num pseudo-argumento e coloque-as aleatoriamente nas caixas de comentário do Diário Ateísta:

1) Se vocês são ateus, não se deviam preocupar com religião – eu não me preocupo com vocês;
2) Não podem julgar a Igreja pelas suas acções no passado porque havia um contexto – isso inclui o ano passado;
3) Não podem julgar a Igreja pelas acções individuais dos seus membros – isso inclui o Papa;
4) Tenho nojo deste blog e nunca mais cá volto – até amanhã;
5) Eu até sou agnóstico mas este blog falta ao respeito à Santíssima Virgem Maria;
6) Não tenho nada contra os ateus, até tenho amigos que são, mas não podem é escrever em público porque isso me ofende.

5 de Janeiro, 2006 Carlos Esperança

Diário Ateísta – 300 mil visitas

O Diário Ateísta ultrapassou hoje as 300 mil visitas graças a ateus dedicados, curiosos acidentais e crentes que a ICAR obriga a dar público testemunho da sua fé.

Destes últimos, há-os inteligentes, dialogantes, cultos e com sentido de humor.

No entanto, muitos parecem ter saído da pia de água benta sem tempo de se enxugarem, disparados da missa com a hóstia mal deglutida ou de longas genuflexões com a coluna e os joelhos ainda doridos.

Outros, embrutecidos por jejuns e orações, debitam sandices nas caixas de comentários, persignam-se enquanto escrevem e fogem, depois, espavoridos a beijar o anel ao bispo e a pedir a bênção ao cura da paróquia.

Ser crente não é crime, é apenas pecado cometido por obras, palavras e pensamentos. Alguns possessos do divino estacionam no Diário Ateísta, ressabiados, com o coração a explodir em ódio, cruzados ansiosos por travar batalhas contra os infiéis.

Vêm em busca do passaporte que lhes dê entrada no Paraíso, do sofrimento que redime ou da penitência que merecem. Para estes o Diário Ateísta é o caminho da salvação.

5 de Janeiro, 2006 Carlos Esperança

A solidão e a fé

A solidão é o cimento que cola o abandonado à fé, torna o proscrito crente, faz beata a pessoa e transforma um cidadão num trapo.

A religião é o colchão que serve de cama ao desamparado, o mito que se entranha nos poros do desespero, o embuste a que se agarra o náufrago. É o vácuo a preencher o vazio, o nada que se acrescenta ao zero.

O padre está para a família como o álcool para o corpo. Primeiro estranha-se, depois entranha-se e finalmente domina.

A religião é um cancro que se desenrola dentro das pessoas e morre com elas. Também metastisa e atinge órgãos vitais. Mas é dos joelhos que se serve, esfolando-os, da coluna vertebral, dobrando-a, e do cérebro, atrofiando-o.

A religião busca o sofrimento e condena o prazer. Preza o mito e esquece a realidade.

Um crente faz o bem por interesse e o mal por obrigação. É generoso para agradar a Deus e perverso para o acalmar. Dá esmola para contentar o divino e abate um inimigo para ganhar o Paraíso.

A religião vive da tradição, do medo e da morte. Começa por ser uma doença infecto-contagiosa que se apanha na infância, transmitida pelos pais, através do baptismo. O lactente é levado ao primeiro rito mais depressa do que às vacinas.

Depois, o medo, o medo da discriminação na escola, no emprego e na sociedade, leva a criança à catequese, à confirmação, eucaristia e penitência. De sacramento em sacramento, missa após missa, hóstia sobre hóstia, com orações à mistura e medo do Inferno, transforma-se um cidadão em marionete nas mãos do clero.

Na cúpula temos o Vaticano, um antro de perversão a viver à custa dos boatos sobre o filho de um carpinteiro de Nazaré e os milagres obrados por cadáveres de católicos, de virtude duvidosa, à custa de pesados emolumentos.

O seu negócio é a morte que explora em ossos ressequidos pelo tempo, caveiras, tíbias e maxilares, pedaços de pele e extremidades de membros, numa orgia de horror e delírio.

É assim que a tradição, o medo e a morte continuam a encher os cofres do último Estado totalitário da Europa, que governa pelo medo e se mantém pela chantagem.

4 de Janeiro, 2006 Carlos Esperança

Reflexão

Nunca um coxo treinou atletas para a maratona nem um mudo deu aulas de dicção.

Só os padres não prescindem de dar conselhos sobre a reprodução e a sexualidade.

4 de Janeiro, 2006 lrodrigues

Os Pequenos e Médios Aldrabões

O princípio do ano é sempre a melhor ocasião para nos rirmos um bocado com as previsões feitas para o ano anterior pelos astrólogos, tarólogos, “psíquicos”, bruxos e tantos outros aldrabões do género.

Mas o que é facto é que estes autênticos facínoras continuam a pulular impunemente por todo o lado e a extorquir dinheiro à credulidade e, tantas vezes, à fragilidade emocional das pessoas.
Anthony Carr será talvez o “psíquico” mais famoso em todo o mundo e alardeia mesmo no seu site uma panóplia de celebridades que o terão procurado pelos seus serviços.
O que é facto é que as previsões de Anthony Carr falam por si!
E também pela imbecil credulidade de quem nele acredita e o transformou em milionário.
Depois de em 1999 ter previsto, por exemplo, que Muhammad Ali recuperaria milagrosamente da sua doença de Parkinson, em Janeiro de 2000 Anthony Carr previu que o célebre actor Christopher Reeve se levantaria da sua cadeira de rodas e voltava a andar, e em 2004 que o actor Richard Harris ficaria curado do cancro de que padecia.
Já em 2002 previra que O. J. Simpson admitiria a sua culpa nos homicídios de que foi acusado e que novas provas surgiriam a confirmar essa culpa, que a ponte Golden Gate, em São Francisco ruiria, causando milhares de mortos, e que um dos filhos do príncipe Carlos de Inglaterra morreria num acidente.
Para 2004, Carr previu que na Coreia do Norte seriam detonadas acidentalmente armas nucleares, matando milhares de pessoas; que Saddam Hussein seria morto a tiro num atentado em que uma mulher estaria envolvida; que os cientistas levariam a bom termo a primeira gravidez masculina, que resultaria no nascimento de uma criança do sexo masculino; que Osama Bin Laden seria levado para Nova York; que ocorreria um grande terramoto na área de Hollywood e que Colin Powell seria eleito presidente dos Estados Unidos depois de se mudar para o Partido Democrata.
Para o ano de 2005 este brilhante psíquico fez previsões verdadeiramente assombrosas:
Previu que o governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger seria confrontado com rumores publicados num jornal daquele estado de que seria homossexual;
Que a apresentadora de televisão Martha Stewart seria internada numa instituição mental por sofrer de esquizofrenia paranóica aguda;
Que o actor Ben Affleck passaria a pesar mais de 150 quilos;
Que o actor Matt LeBlanc da série televisiva “Friends” morreria num trágico acidente de moto;
Que o criador da série “Simpsons”, Matt Groening seria assassinado pelo seu amante gay, nada menos que o actor Kevin Spacey, que seria condenado pelo crime.
Depois, anunciou que o prémio Nobel da paz de 2005 seria entregue à famosa apresentadora de televisão Oprah Winfrey.

Mas não ficou por aqui:

Finalmente, previu que seria lançada uma nave espacial tripulada para o planeta Marte e que um homicídio ocorreria a bordo;
Que Osama Bin Laden seria esmagado por um cometa que lhe iria cair em cima;
Que um novo tsunami devastaria a cidade de Tóquio;
Que seriam descobertos novos escritos originais do apóstolo São Paulo que revelariam que… comer com um garfo é pecado.
De facto, absolutamente brilhante!
E uma lição para as previsões comezinhas e medíocres dos mais famosos aldrabões portugueses, de Paulo Cardoso a Miguel de Sousa, passando pela Maya e pela Cristina Candeias, e por Maria Flávia de Monsaraz, José Luís Santos, Paula Chambel, Nuno Michaels, pelos professores Mambos e Karambas e por tantos outros, timidamente remetidos à classe dos «pequenos e médios aldrabões», e que nem sequer são capazes de pensar em grande e fazer previsões como deve ser e verdadeiramente fantásticas, como este seu colega de sucesso.
Anthony Carr chegou mesmo a prever para o ano de 2002 a inversão das polaridades do planeta Terra e que a partir de então «o que estaria em cima passaria a estar em baixo e vice-versa».
Isto sim! Isto é que são previsões!
Aldrabão por aldrabão, ao menos pensem em grande!

(Publicado simultaneamente no «Random Precision»)

3 de Janeiro, 2006 Carlos Esperança

JP2 e B16

O Vaticano nasceu do Pacto de Latrão, preparado por Pio XI e Mussolini, convertendo um condomínio de luxo, de 44 hectares, em Estado de opereta com fortes tentáculos espalhados pelo mundo.

Hoje é sede de uma multinacional da fé onde medra a intriga e se influencia a política à escala internacional. Esconjuram-se aí a contracepção, o planeamento familiar, o divórcio, a despenalização do aborto e elabora-se a teologia moral do preservativo e da pílula do dia seguinte.

O Papa JP2 era a correia de transmissão do Opus Dei que o cardeal Ratzinger conduzia na sombra. Era um Papa crente em Deus, supersticioso e rural, convencido da missão divina. Tinha muitos admiradores mas poucos o levaram a sério. Foi um papa medieval, virtuoso, ansioso por fazer recuar a ICAR aos trilhos do concílio de Trento.

B16 é diferente. Poucos gostam do pastor alemão mas todos o temem. Tem pensamento estratégico e sede de domínio. Entregou a mercearia dos milagres ao cardeal português Saraiva Martins, um clérigo obsoleto que ainda lê o breviário.

B16 dedica-se à geo-estratégia da fé. Estuda meticulosamente a demência do islão, a agressividade dos evangélicos dos EUA e a táctica da concorrência. Tem uma estratégia global e táctica; dispõe de um exército de sotainas com cúmplices laicos infiltrados nos círculos do poder; é astuto e frio; é um estratego do confronto entre civilizações.

Há por aí quem durma enquanto a santa Mafia distrai a populaça com a liturgia, mas B16 não dorme. Sabe que Deus é uma invenção humana e que urge tomar medidas para impedir que o mito se desfaça e arruine o negócio.

Este frio autocrata da ICAR não hesitará em assumir a guerra para defender as sinecuras do clero e o domínio da sua Igreja.

3 de Janeiro, 2006 Carlos Esperança

Fecundação assistida

Face à legislação em preparação sobre fecundação assistida, o patriarca Policarpo manifestou-se «contra investigação em embriões excedentários».

Eu também sou, absolutamente, contra investigação em cardeais excedentários.

2 de Janeiro, 2006 Ricardo Alves

Policarpo reincide em meter-se em política

Na sua homilia de 1 de Janeiro, José Policarpo, designado «Cardeal Patriarca de Lisboa» pela Igreja Católica de Roma, tentou marcar a agenda política portuguesa pronunciando-se, de um só fôlego, contra o aborto, contra as mães solteiras, contra a investigação científica sem autorização clerical, contra a adopção por casais de pessoas do mesmo sexo, e contra a legislação sobre procriação medicamente assistida que está em discussão na Assembleia da República:
  • «Isso exige que os valores éticos, defensores da dignidade do homem, estejam presentes no próprio processo científico e, sobretudo, na sua aplicação prática à vida dos homens e das sociedades. (…) O momento presente da nossa sociedade portuguesa oferece-nos um exemplo preocupante: a preparação de legislação, aliás necessária, que regule as potencialidades que a ciência oferece à fecundação assistida. A dignidade da procriação humana, ligada à família e ao amor, os direitos inalienáveis do nascituro, entre os quais sobressai o direito de ter uma família, com um Pai e uma Mãe, sobrepõe-se, do ponto de vista moral, ao entusiasmo de aplicar, ao sabor dos critérios individuais, todas as possibilidades que a ciência abriu. Do mesmo modo que a dignidade do embrião humano, cujos excedentes devem e podem ser evitados pelo próprio processo técnico-científico, não permite que seja alvo, enquanto vivo, de qualquer investigação, por mais promissora que seja.»

Não discuto o direito do cidadão José Policarpo a expressar opiniões, por mais mal fundamentadas ou totalitárias que sejam, sobre os assuntos referidos mais acima. No entanto, quando o «Cardeal Patriarca» se aproveita de uma cerimónia que supostamente seria estritamente religiosa para fazer política, e baseia juízos políticos em dogmas religiosos, sujeita-se a que a igreja em nome da qual fala seja criticada politicamente, pois colocou a religião (um assunto privado) no centro do debate político (e portanto público). É claro que nada há de surpreendente nisto: a ICAR jamais compreendeu a distinção entre religião e política, e as pessoas formadas nessa cultura clericalista farão gala em repetir em 2006 este erro já velho de dezasseis séculos. Mas, sendo assim, não se devem armar em vítimas ou queixarem-se das críticas que ouvem dos anticlericais, porque as merecem plenamente.

Faltando nitidamente a José Policarpo, por herança cultural, as noções éticas e cívicas que lhe permitiriam distinguir o que são preocupações espirituais e o que são temas de debate político, seria porém de esperar que a comunicação social, por obrigação profissional, soubesse fazer a destrinça. Infelizmente, tanto os canais de televisão como a imprensa escrita incluiram as declarações de Policarpo nos espaços de «Sociedade», e não nas secções de «Política» onde indubitavelmente pertencem – o que é lamentável e mostra que também os jornalistas não separam os momentos em que Policarpo fala para os anjos daqueles em que fala para os homens.

1 de Janeiro, 2006 Palmira Silva

Critérios contraditórios?

Enquanto em St Louis o arcebispo, Raymond Burke, excomungava os seis membros do conselho de direcção da igreja de St. Stanislaus Kostka e o seu padre polaco, Marek Bozek, por o conselho de direcção recusar ceder a propriedade da Igreja e o controle financeiro da paróquia para a arquidiocese, em Portland, Oregão, a arquidiocese local pretendia exactamente o contrário, ou seja, que eram as dioceses e não a arquidiocese as proprietárias dos bens da Igreja católica local.

A pretensão da arquidiocese local, que chocou os católicos americanos num caso vindo a lume recentemente, envolvendo a recusa da arquidiocese em pagar uma pensão de alimentos ao filho de um seminarista, surgiu na sequência da sua declaração de falência face aos muitos casos de abuso sexual de menores envolvendo padres da arquidiocese.

Aparentemente a pretensão do piedoso arcebispo de Portland de que apenas guardava a posse dos bens de outrem (as paróquias) não foi reconhecida pela Justiça americana, nomeadamente pela juíza Elizabeth Perris que determinou sexta-feira que todos estes bens são de facto posse da arquidiocese. Perris também rejeitou a outra pretensão da arquidiocese, de que deveria ser sujeita apenas à «lei da Igreja» e não à lei federal americana.

A decisão judicial, no entanto, não implica automaticamente que a referida arquidiocese seja forçada a vender propriedade da Igreja para pagar quer os acordos quer as indemnizações devidas aos abusados sexualmente.