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Categoria: Não categorizado

16 de Janeiro, 2006 jvasco

Esclarecendo equívocos

«Foi, é claro, uma mentira o que você leu sobre minhas convicções religiosas, uma mentira que está sendo sistematicamente repetida. Eu não acredito num Deus pessoal e eu nunca neguei isso, sempre o expressei claramente. Se existe algo em mim que pode ser chamado de religioso, esse algo é a admiração ilimitada pela estrutura do mundo tão longínqua quanto a nossa ciência pode revelar.»
Albert Einstein

16 de Janeiro, 2006 Mariana de Oliveira

Ateísmo no «Le Monde»

O número 15 do «Le Monde des Religions», de 03 de Janeiro, é dedicado ao ateísmo. «Quem são eles?» e a «História da descrença e do ateísmo» é o que se pode ler na capa.

De acordo com um estudo sobre a importância do ateísmo na Europa apresentado nesta publicação, 8 por cento dos belgas não acredita em Deus e, em França, a percentagem é de 14 por cento e é o país com o número mais elevado de ateus.

15 de Janeiro, 2006 Palmira Silva

Bachelet presidente do Chile

Os primeiros resultados da segunda volta das eleições chilenas dão a vitória certa a Michelle Bachelet: com 67,3% dos votos apurados Bachelet vai à frente de Sebastián Piñera por quase sete pontos percentuais!

A cruzada anti-Bachelet e a campanha de Piñera e seu teólogo centrada no ataque ao ateísmo de Bachelet não tiveram sucesso! O povo chileno escolheu Bachelet!

15 de Janeiro, 2006 Palmira Silva

Cruzada STOPP


A STOPP é um projecto da associação fundamentalista católica «American Life League», cujo único objectivo é eliminar a Planned Parenthood, a abominável organização que, para além de tudo o mais, é acusada de difundir «valores humanistas», nomeadamente os do Manifesto Humanista II.

Para os devotos católicos envolvidos o humanismo é uma filosofia execrável, que deve ser combatida por todos os «bons» cristãos, especialmente quando ligado a abominações como o aborto, que a organização pretende seja criminalizado sem excepções, sejam violação, perigo de vida para a mãe, etc.. Ou seja, um organização que segue à letra as emanações do Vaticano, não só em relação ao aborto, proibido em todas as circunstâncias, mas também em relação à contracepção, no que se inclui os famigerados contraceptivos.

Assim, a última guerra dos fanáticos cristãos em relação à Planned Parenthood, PP, tem a ver com uns porta-chaves à venda na organização, considerados blasfemos e ofensivos pelos cristãos. Cada porta-chaves contém um preservativo na sua base plástica, já de si uma blasfémia, mas de acordo com os fanáticos pró-vida ofendem as «pessoas religiosas», como o porta-chaves retratado, que mostra a mais reproduzida parte do tecto da Capela Sistina, mas em que Deus dá um preservativo a Adão.

Continua mistificante para mim a prepotência dos fanáticos cristãos que bramem acusações de ofensas inadmissíveis a propósito dos mais banais não factos e por outro lado se acham no direito (divino) de impôr a todos, de qualquer forma, as suas anacrónicas «verdades absolutas». E não se apercebem que a sua recusa em admitir que alguém não pense (ou aja) como eles, para além de intolerante, ultrapassa todas as fronteiras do ofensivo.

14 de Janeiro, 2006 Carlos Esperança

Fátima – charlatanismo à solta

Há profissões exóticas. Vice-postulador da causa da beatificação/canonização dos pastorinhos é uma delas.

O padre Luís Kondor é uma espécie de mendigo junto da Prefeitura para a Causa dos Santos, um escritório do Vaticano destinado a promover bem-aventurados a beatos e santos.

É um pesquisador do sobrenatural que, à semelhança do geólogo que busca rochas nas entranhas da Terra, anda à cata do insólito com dedo da Providência, através do mundo católico.

O padre Kondor dedicou a vida à pesquisa de milagres para dois pastorinhos imolados pela fome, ignorância e falta de assistência médica. Demorou a descobrir um na pessoa de D. Emília, uma coxa curada à custa de orações e que morreu oportunamente, pouco depois, sã que nem um pêro.

Beatificadas as crianças, um feito inédito, com o mesmo zelo com que outrora a ICAR exumava cadáveres para queimar réprobos, logo o padre Kondor se lançou à procura de novos milagres para aproveitar um destinado à elevação a santos das pobre e infelizes crianças que a morte surpreendeu ou foi conveniente levar.

Com um novo milagre em vias de certificação canónica, na área dos diabetes, temos o padre Kondor a cumprir as previsões e a arremessar aos altares dois infelizes mandados apresentar prematuramente no Paraíso.

Agora resta a dúvida sobre a veracidade dos milagres. Se são verdadeiros, quem merece uma venera é Deus, desde que se apresente decentemente ataviado no Palácio de Belém.

Se são falsos, urge desmantelar a rede de falsários, cujos tentáculos vão de Fátima ao Vaticano, e evitar que a superstição faça esportular o óbolo aos mais desesperados, num interminável embuste com milhares de vítimas que jamais se queixam.

13 de Janeiro, 2006 jvasco

Presidenciais e Religião

A Visão colocou a seguinte pergunta aos 6 candidatos presidenciais: «Professa algum credo religioso? Se sim, qual?». As respostas foram:

Cavaco Silva – Não respondeu às perguntas da Visão
Mário Soares
Sou agnóstico, como se sabe. Mas também é do conhecimento público que tenho participado activamente no diálogo entre religiões.
Manuel AlegreSou agnóstico.
Jerónimo de SousaJá professei, agora não.
Francisco LouçãNão.
Garcia PereriraNão, mas respeito profundamente quem o tenha, qualquer que ele seja.

Notas:

a) Como é óbvio, o sentido de voto não deve ser condicionado pela religião (ou posição religiosa) do candidato. Importa saber se o candidato presidencial defende a separação entre a Igreja e o estado, qual a posição face à lei da liberdade religiosa, as suas opiniões a propósito do episódio dos crucifixos, etc.

b) De salientar a maturidade, a este respeito, do eleitorado português (antes existisse a mesma maturidade em relação a outras questões…) – apesar dos ateus e agnósticos serem uma pequena minoria, 5 dos 6 candidatos não temem tornar pública a sua «falta de fé» (coisa que certamente alguns candidatos fariam se o eleitorado
religioso fosse penalizar severamente esse posicionamento).
Sobre este assunto, ver o infeliz exemplo dos EUA onde um Presidente é praticamente forçado a usar abundantemente expressões religiosas nos seus discursos.

13 de Janeiro, 2006 fburnay

Galileu e a Igreja (III)

A condenação de Giordano Bruno fez ver a Galileu que não podia apoiar o modelo coperniciano em público e depois do ataque a Paolo Sarpi em 1609 ele chega a uma conclusão: é necessário estabelecer um acordo amigável com as autoridades de Roma a respeito das suas descobertas. Isso viria a acontecer pela primeira vez em 1611. Em Março desse ano Galileu parte em missão diplomática como embaixador científico da Toscânia e permanece em Roma por cerca de quatro meses que tiveram resultados muito positivos. Galileu pôde falar de pé com o papa Paulo V (quando normalmente o protocolo exigia que se falasse de joelhos) e o cardeal Bellarmine observa o firmamento através da luneta de Galileu. O perseguidor de Bruno reuniu uma espécie de conselho científico formado por jesuítas que chegou às seguintes conclusões:

1) A Via Láctea é composta por um grande número de estrelas;
2) Saturno tem forma oval [por causa dos anéis que viriam a ser descobertos mais tarde por Huygens – até à data admitia-se que Saturno era esférico];
3) A superfície da Lua é irregular [os ensinamentos de Aristóteles diziam que esta era uma esfera perfeita];
4) Vénus apresenta fases [esta descoberta de Galileu foi na verdade um dos primeiros testes científicos da História já que Galileu soube mais tarde por via de um antigo aluno que se o modelo de Copérnico estivesse certo, Vénus tinha de apresentar fases!];
5) Júpiter tem quatro satélites [na realidade tem mais, mas estes, aos quais Galileu chamou de Estrelas Medicianas em honra de Cosimo II, eram os únicos conhecidos à data – Io, Ganimedes, Europa e Calisto, hoje conhecidos como Satélites Galileanos];

Portanto este comité assumiu oficialmente todos estes factos, com uma consequência lógica não assumida na altura por Roma: que o conhecimento aristotélico estava fatal e irreversivelmente destruído!


Camillo Borghese, também conhecido como papa Paulo V

Depois de revelar pessoalmente à grã-duquesa Cristina que era apoiante do modelo de Copérnico Galileu responde desta forma à mãe de Cosimo II, muito preocupada com as consequências para a autoridade bíblica:

«Em disputas sobre fenómenos naturais não se deve começar pela autoridade dos trechos das escrituras mas pela experiência sensorial e as necessárias demonstrações.»

Até aqui nada de grave porque em Roma não se lia a correspondência entre Galileu e a grã-duquesa da Toscânia. Mas Galileu publicou um livro sobre manchas solares (outro pontapé na sabedoria de Aristóteles) no qual colocou, como anexo final, uma breve dissertação sobre o modelo de Copérnico em que afirmava apoiar esta teoria. Em 1615 Galileu considerou que, depois das atenções que tinha chamado, havia novo pretexto para visitar Roma. Apesar de avisado das opiniões adversas que lá se haviam formado, Galileu volta. E é então que os problemas começam.

Bellarmine reúne um conselho de sábios que acabam por concluir que o modelo de Copérnico é herético. O movimento da Terra é considerado absurdo. O De Revolutionibus Orbium Caelestium de Copérnico entra no Index. Em 1616 Paulo V encarregou Bellarmine de informar Galileu de que este não podia de forma alguma defender nenhuma das ideias consideradas heréticas, acreditar nelas nem dar-lhes sequer o benefício da dúvida. Caso Galileu desobedecesse deveria ver-se a contas com a Inquisição e a partir daí ser proibido de as ensinar de todo. Quando Bellarmine, que era conhecido de Galileu, trata de o informar a Inquisição vai atrás, não fosse Galileu hesitar. Bellarmine aconselhou Galileu a ter cuidado e a simplesmente aceitar todas as ordens, o que ele fez. Quando a Inquisição tentou obter a assinatura de Galileu que o proibiria de ensinar o copernicanismo, Bellarmine auxiliou-o terminando a reunião prematuramente. Esta foi uma das últimas ajudas que Bellarmine lhe pôde proporcionar.

Mais tarde Galileu preocupa-se com a imponderabilidade de tal reunião e Bellarmine consegue-lhe uma audiência com o papa, garantindo que não havia qualquer tipo de perigo desde que Paulo V fosse o bispo de Roma. Bellarmine assina mesmo um documento em que oficializa a inexistência de abjuração por parte de Galileu. Isso viria apenas mais tarde…

(continua)

12 de Janeiro, 2006 lrodrigues

Mais vale Prevenir…

Segundo o «Detroit Free Press», o bispo auxiliar de Detroit, Thomas Gumbleton, de 75 anos, pôs a sua congregação em alvoroço quando admitiu ter ele próprio em criança sido vítima de abusos sexuais por parte de um padre.

Como se não bastasse já para a confusão criada, o bispo ainda propôs a revogação da lei que impede que as vítimas possam processar a Igreja Católica nos casos mais antigos de violações praticadas por membros do clero católico.
O bispo Gumbleton considera que muitos desses abusadores não prestaram ainda contas dos seus actos, e que os mesmos deviam ser denunciados publicamente.
Mas desde logo as autoridades eclesiásticas americanas e a «Conferência dos Bispos Católicos», reunida em Washington, D.C., rejeitaram peremptoriamente tal ideia, preferindo manter a actual lei.

Não fosse o diabo tecê-las!…

(Publicado simultaneamente no «Random Precision»)