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14 de Junho, 2013 Carlos Esperança

Creio na ressurreição e no ámen, só não acredito na vida eterna

Há dois anos vi-me suspenso, por duas jovens enfermeiras, a caminho do banho. Pensei que quatro décadas antes não seriam elas a levar-me, inversa seria a situação, mas não adivinhava o que sucedera e porque não me obedecia o corpo.

Descri da minha identidade, pedi a um enfermeiro para ver na NET o meu nome, queria certificar-me de quem era. Vi a minha mulher, reconheci-lhe a voz doce a segredar-me que fora grave a situação, dir-me-ia tudo à medida que perguntasse e preveniu-me para ter cuidado com o que dizia, carregava falsas memórias, já tinha inventado um cancro a uma amiga, reformado outra, com 40 anos, e concebido tolices várias.

O lençol pesava como uma montanha que me esmagasse os dedos, o corpo era como um vegetal movido pela força braçal de quem de mim cuidava. Lembrei-me de ter saído de casa com vómitos incoercíveis e dores abdominais violentas mas não estabelecia o nexo de causa e efeito. Não acreditaria ter passado dois meses sem memória.

Pedi o jornal e vi o que lá vinha, mas tiveram de segurar-mo. Era pesado como chumbo o diabo do papel. Li e fiquei feliz, sem euforia. Quis escrever. Só saíram riscos da luta da esferográfica contra o papel que me fugia. Que raio de vida! Afinal, não podia com o peso da esferográfica. E não falava ou não me fazia entender. Devo ter ficado naquele quarto, isolado, a fazer o desmame do propofol.

Poucos dias depois tive alta. Ora de cadeira de rodas, ora ao colo de voluntários, entrei e saí de um táxi, do hospital para casa. Levaram-me ao colo até ao quarto, onde tudo era familiar. Não conseguia pôr-me de pé mas sentia ter valido a pena, fosse o que fosse que me tivesse acontecido, para desfrutar, por um dia que fosse, a ternura da mulher, contida na exteriorização dos afetos mas intensa na dedicação e no amor incessante de sempre.

Afinal, na sequência da colecistectomia laparoscópica, na primeira vez que adoeci, uma bactéria tomou conta dos pulmões, primeiro, do fígado a seguir e, finalmente, dos rins, à falsa fé, sem a mais leve noção da minha parte, alvo de transfusões e diálise, sem saber, ainda hoje, porque não desligaram a máquina que me amarrou 52 dias após a cirurgia que precedeu o coma profundo que me reduziu a um vegetal esburacado com tubos, que a minha mulher observava aflita e emocionada, todas as horas consentidas em cada dia.

Gozei as delícias do nada de que falava Schopenhauer. Sofreram a mulher e os filhos, os irmãos e os amigos, e reiniciei a vida como criança, precisando de mão alheia para dar os primeiros passos, comer, voltar ao mundo dos vivos depois de ter experimentado a dimensão em que só existe o nada, sem um ser imaginário para me julgar, um rio de mel ou, pelo menos, uma das 72 virgens que aguardam os facínoras que a fé torna violentos.

Aprendi com uma pseudomona multirresistente que vale mais um só dia vivo do que a eternidade morto. E soube, como se não tivesse adivinhado em cada dia de tantos anos, do que uma mulher pode, da dádiva da vida de que é capaz, da reserva de amor que tem.

Há dois anos, no dia de hoje, 61 dias depois, regressei a casa, desmorrido.

quinta-feira, 12 de Junho de 2013
Carlos Esperança

12 de Junho, 2013 Abraão Loureiro

las vegas fé

10 de Junho, 2013 José Moreira

Afinal, quem chegou primeiro?

Devidamente gamado ao Almeida Pereira, no Facebook, transcrevo uma deliciosa história:

 

Um engenhoso exemplo de oratória e política, ocorrido recentemente na ONU, fez sorrir a comunidade mundial lá presente:

O representante de Israel na ONU: “Antes de começar o meu discurso queria contar-lhes algo sobre Moisés (todos curiosos…):

Quando Moisés golpeou a rocha e dela saiu água, pensou “ que boa oportunidade para tomar um banho”.

Tirou a roupa, deixou-a junto da pedra e entrou na água. Quando acabou de tomar banho e quis vestir-se, a roupa tinha desaparecido!

Os palestinianos tinham-na roubado!!

O representante da Palestina levantou-se furioso e bradou: Que estupidez, nem existiam Palestinianos naquela época!!!

O representante de Israel sorriu e disse:

Muito bem, e agora que ficou claro quem chegou primeiro a este território e quem foram os invasores, posso começar meu discurso…

5 de Junho, 2013 José Moreira

Que aconteceu à tradição?

Nós sabemos que em Portugal já vai sendo proibido dar uns bofetões numa mulher. Claro que ainda vai havendo resquícios de um machismo troglodita, aliás bem patentes nos comentários à notícia, mas a Justiça tem, felizmente, estado atenta. Por isso, que um homem seja punido por agredir uma mulher, já não causa espanto. Mas o caso que vos trago ao conhecimento não se passou em Portugal; passou-se, pasmem os senhores e as senhoras, na Arábia Saudita!  O que me leva a perguntar: o que é que se está a passar por aquelas bandas? A civilização está a chegar, ou tratou-se de uma qualquer distracção?