O Estado Islâmico é perigoso mas o estado do islamismo é trágico
Igreja Universal do Pão de Cristo. Já ouviram falar?
Os teólogos chamam-lhe o problema filosófico do mal. O termo é enganador porque o problema a que se refere não está no mal em si. Está na hipótese de existir um ser infinitamente bondoso que tudo sabe e tudo pode. É essa hipótese que claramente não encaixa no que observamos. Mas como nas religiões não fica bem admitir erros, muita gente se tem dedicado, durante milénios, à tarefa fútil de arranjar desculpas para que um deus infinitamente bondoso permita tanta desgraça. Neste momento, a racionalização mais popular parece ser é a de que o mal existe porque Deus respeita a vontade de cada um e a liberdade é incompatível com a garantia de que só há bem e não há mal*.
Mesmo restringindo o problema ao mal – actos intencionais da vontade humana – esta justificação é inconsistente com o que observamos nos conflitos entre vontades diferentes. Se A tem vontade de fazer mal a B e B tem muita vontade de que não lhe façam mal, o que determina o resultado não é a justiça nem o respeito por quem tem mais vontade. É simplesmente a força física ou a arma mais eficaz. O que as evidências demonstram é que os deuses, se algum existir, respeitam mais a Kalashnikov do que a vontade livre de cada um.
No entanto, o problema é muito mais vasto do que o mal enquanto acto com intenção. Todos os anos morrem mais de seis milhões de crianças pequenas, de até cinco anos de idade. Morrem principalmente de pneumonia, complicações na gravidez, asfixia durante o parto, diarreia e malária (1). Não morrem por alguém ter desejado que morressem. Não é a maldade que as mata. São bactérias e protozoários, falta de alimentos e termos evoluído bípedes de crânio grande a partir de antepassados quadrúpedes, resultando na passagem de um feto cabeçudo por dentro de uma pélvis que tem de ser estreita para a mãe conseguir andar. As tragédias que ocorrem sem qualquer intenção, maldade ou culpa, como doenças e acidentes, são muito mais numerosas do que aquelas que se pode atribuir a um mal intencional. Seja como for, perante qualquer tragédia, a Natureza comporta-se exactamente como se não fosse governada com bondade, inteligência ou vontade. Para o universo, morrer o filho nos braços da mãe é o mesmo que cair uma gota de chuva num charco. Se alguma emoção governasse isto tudo não seria amor nem ódio. Seria a indiferença absoluta.
A tragédia é muito maior do que o sofrimento dos humanos de hoje. A nossa espécie já sofre há centenas de milhares de anos, os primatas há cinquenta milhões e os mamíferos há trezentos milhões de anos. E sabe-se lá quantas espécies capazes de sofrimento existiram nos quatro mil milhões de anos de vida neste planeta e em quantos outros planetas nos treze mil milhões de anos que dura este universo, imensamente mais vasto do que qualquer coisa que as religiões puderam imaginar. A indiferença do universo perante toda esta tragédia é um problema muito maior para a hipótese do deus bondoso do que os humanos serem mauzinhos de vez em quando, que não passa de um detalhe insignificante na história do sofrimento. No entanto, nada disto configura o problema filosófico que os teólogos apregoam. Distinguir entre o bem e o mal é um problema filosófico importante mas o mero facto de existir sofrimento e de ser possível agir com bondade ou maldade é filosoficamente tão misterioso como a existência da pedra pomes ou a possibilidade de fazer croché.
O “problema do mal” é apenas o problema de insistir, contra as evidências, que este universo é governado por um ser infinitamente bondoso. A alegação não só é obviamente falsa como até é moralmente repugnante. Sem um deus desses, muita da tragédia que enfrentamos é simplesmente algo que acontece. Uma doença incurável, um acidente imprevisível. Um azar, sem maldade nem culpa. Mas se acreditarmos num deus desses temos de acreditar que toda a tragédia é maldade porque temos de acreditar que toda a doença tem cura, que todos os acidentes são evitáveis e que a tragédia só acontece porque o ser supremo não se importa com quem sofre. A indiferença natural de um universo que não pensa nem sente torna-se na indiferença cruel de um deus que se limita a apreciar o sofrimento quando o poderia evitar sem qualquer esforço. Isto não é um problema filosófico do mal. É um problema psiquiátrico da fé.
* Isto é inconsistente com a tese de que Deus e todas as almas no paraíso têm vontade livre mas são incapazes de praticar o mal. A própria teologia exige que a vontade livre seja compatível com a bondade perfeita. Mas como é melhor refutar disparates com factos do que com outros disparates remeti esta objecção para o rodapé.
1- OMS, Children: reducing mortality
Em simultâneo no Que Treta!

MASSACRE! MILHARES FOGEM NO IRAQUE AO AVANÇO DOS SUNITAS
Elementos da comunidade Yazidi pediram ao Governo curdo e às Nações Unidas para os ajudar a regressar à cidade natal de Sinjar. Militantes do Estado Islâmico estão a executar indiscriminadamente quem se lhes opõe.
“Pedimos ajuda, porque os nossos familiares estão a morrer. Não sabemos o que lhes vai acontecer. Idosos e crianças estão sem dinheiro e têm medo. O Estado Islâmico está a massacrá-los”, afirma uma mulher de Sinjar.
Segundo uma sondagem, que vale o que vale, ou seja, vale o que valem as sondagens, os que mais traem as respectivas caras-metades são os benfiquistas e os… católicos. Ora, isto das sondagens é como as estatísticas e as consciências, as pessoas fazem delas o que querem. Porque dividir os traidores em “benfiquistas e católicos” poderá querer dizer que os benfiquistas não são católicos e vice-versa. Ora, como está religiosamente provado que a esmagadora maioria da população portuguesa é católica e, simultaneamente, benfiquista, então teremos de concluir que os traidores não são tantos assim. Faz lembrar, “a contrario sensu” a lápide que garantia: “Aqui jaz um político honesto” e as pessoas interrogavam-se como era possível meterem duas pessoas na mesma campa, sem se darem conta do oxímoro.
De qualquer modo, e se a cena do “benfiquista” não me perturba nem um bocadinho, já a cena do “católico” é perturbante. Então, não está escrito, na lei de Jeová, “Não cobiçar a mulher alheia” ou coisa parecida? Então, onde pára a tal “dimensão ética” dos católicos? Já não lhes basta serem benfiquistas, ainda têm de ser pecadores?
Mão amiga fez-me chegar este link que, natural e altruisticamente, compartilho. A questão fundamental, é: se há milhões de pessoas que acreditam na existência de Deus, podem estar erradas?
Caríssimo presidente da associação ateísta portuguesa. Continuo à espera da resposta da carta que lhe enviei há tempos. Para que a tenha presente vai a mesma, embora com algumas poucas correções que esclarecem melhor a minha posição. Por favor gostaria de ter uma sua resposta.
Caríssimo irmão em Jesus Cristo
O Julgamento pertence ao Altíssimo, Omnipotente e Bom Senhor e a mais ninguém. Quem sou eu, meu querido irmão, para o julgar? Ninguém pois quem julga apropria-se da Lei e a Mesma pertence a Deus e a mais ninguém. Sou um homem imperfeito, com muitas falhas. Portanto não me cabe a mim, que sou imperfeito, condenar o meu amado irmão pelas opções que fez, nomeadamente em ser ateu.
A minha carta é, fundamentalmente, uma carta de amor. Amor centrado em Deus e que se derrama como chuva benfeja sobre todos os homens. O próprio Jesus, a quem sirvo disse e vários Evangelhos citam essa passagem:”Não é só aquele que diz senhor, senhor que entra no reino dos céus mas todo aqule que fizer a vontade de meu Pai!”.
Caríssimo irmão, ser critão não é fruto de uma alienação como muitos nesta sociedade laica nos querem fazer crer. Ser cristão é antes de mais uma vocação fruto do Amor que Deus tem por nós. Ele é O Pai amoroso que nos ama com um Amor que vai para além do que a palavra que usamos pode defenir no nosso limitado entendimento. Jesus ao oferecer-se por nós na cruz por Amor, Ele que é Deus com o Pai na Unidade do Espírito Santo, equiparou-se humanamente a todos os que oferecem por amor em favor daqueles que amam. Mas esse Amor que fez com que Ele desse a vida por todos nós, de todos os tempos, nações e ideologias, é imanado do Amor Divino que Jesus Compartilha com o Pai e o Espírito Santo numa união em que três Pessoas compartilham a mesma natureza, sentir e Amor. O Pai, o Filho e o Espirito Santo, embora independentes, como se fundem numa só e perfeita natureza. Essa união hipostática é demasiadamente complexa para o nosso entendimento racional. No ent!
anto, ela sente-se na nossa carne “espiritual” (alma) de uma forma misteriosamente bela e intensa.
O sentimento a que me referi, amado irmão, provém do dom da Fé que é dado gratuitamente a todo o homem. Para o receber, no entanto temos que nos esvaziar de tudo o que somos e pensamos saber de Deus. Só assim, como copo vazio disponível para receber a nova água viva e a unção de Deus, é que podemos afirmar como o Apóstolo S. Paulo: “Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim”.
A descrença de muitos, meu irmão é na esmagadora maioria das vezes fruto da contradição entre aquilo que diz a Sagrada Escritura, nomeadamente a judaico-cristã, e a ação do homem que se diz crente. Ora isso, meu irmão, é transversal ao Antigo e Novo Testamentos e alonga-se na História, mesmo a atual. Ao longo de toda a Bíblia se vê que Deus sempre quiz o amor de Seu povo quantas vezes caído em infidelidade ao Seu. O drama é que, quem se diz crente nem sempre se porta como tal e vai ao mesmo de, escandalosamente, contradizer tudo o que está nas Santas Letras com a sua vida pessoal social e política. Esses meu irmão, podem dizer-se crentes, mas não o são. São antes aquilo que Jesus profetizou de falsos profetas e lobos com pele de ovelha que misturando-se entre os crentes se fazem passar por eles enganando-os. Esses, seguindo as Palavras de Jesus são os verdadeiros anti-Cristos.
As guerras e opções persecutórias que se fizerem e se continuam a fazer em nome de Deus, lideradas por esses falsos profetas, nada mais é do que uma atitude adutera e hipócrita daqueles que por fanatismo, e dizendo-se crentes, vão contra todos os mandamentos do Altíssimo que enraízam todos no Amor. E Deus, como diz S. João numa das suas Cartas: “é Amor!”.
Aqueles que são crentes irmão, não alinham em atitudes acima mencionadas pois as sua únicas armas são:a humildade; a oração; a entrega à Vontade de Deus; o serviço aos irmãos; a penitência; a renúncia à sua vontade para seguir a Deus e servir o próximo. Podem ser imfexíveis na sua fé ao ponto de derramarem o seu sangue pela defesa da mesma por se sentirem Amados por Deus, mas nunca, nunca poderão enveredar por caminhos de perseguição de quem não pensa igual em termos éticos , morais e religiosos. O nosso lema é: odiemos o pecado mas não o pecador.
Querido irmão, respeito-o como ser humano e como dissse acima quem sou eu para o condenar por ser ateu. Só a sua consciência e história de vida sabem verdadeiramente as cauas da sua opçõa pela descrença e militância ateia. Quero no entanto que fique consciente que o amo com sinceridade e tal como o irmão é livre de dar testemunho do seu sentir eu também o sou. O amor que sinto por Deus faz-me amá-lo a si e por isso invoco todas as bençãos de Deus para si e para os seus para que, abrindo-se ao Seu Amor possam usufruir do mesmo.
Que Deus o Abençoe e guarde!
Lhe mostre a Sua face e se compadeça de si.
Volva para si o Seu Rosto e lhe dê a Paz!
O Senhor o abençoe, irmão.
Fraternalmente,
ir. Pedro José Martins (OFS)
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