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Carlos Esperança

16 de Dezembro, 2006 Carlos Esperança

É dura a vida dos tartufos.

O proselitismo é uma doença senil do cristianismo e a doença infantil do islamismo. Ambas as religiões procuram açambarcar o mercado da fé, pelo medo, corrupção ou intriga, conquistando o maior número de clientes.

O ódio que consome os dementes da Deus imagina fogueiras para esturricar hereges, instrumentos de tortura para supliciar ateus e barbaridades ignotas para agradar ao Deus apocalíptico saído do bestiário dos livros sagrados.

Nenhum crente se interroga sobre o menino Deus que nasceu no Natal e ressuscitou três dias depois, na Páscoa. Apenas cumprem os desvarios com que os padres lhes formatam a cabeça para poupar serradura.

Quando os clérigos são broncos e acreditam, eles próprios, em Deus, à custa de quem vivem, mandam os crentes mais boçais travestir-se de ateus e viajar aos blogues dos ateus para espalharem a cizânia e a intriga, esperando que os ateus desistam de revelar vinte séculos de pantomina.

Uns, dizem-se ateus mas não gostam do Diário Ateísta; apreciam alguns colaboradores mas detestam outros; não acreditam em Deus mas escrevem ensopados em água benta, com um cilício na coxa e um crucifixo entre os lábios. Outros, dizem que é uma pena não haver um blogue ateísta com outro nível intelectual e uma linguagem mais pia.

Conhecemos os tartufos, sabemos do que são capazes para terem uma assoalhada no Céu e o conforto de um padre na Terra. São escravos do medo, carregando o peso da alma que é preciso salvar, nem que seja através da mentira, dissimulação e insultos.

Bem-aventurados os pobres de espírito. É dura a vida dos tartufos.

15 de Dezembro, 2006 Carlos Esperança

As incoerências do ditador Bento 16

B16 é o último teocrata da Europa e um dos últimos chefes de um Estado totalitário, de opereta, situado no coração da Itália.

O travesti com mais luxuoso guarda-roupa e chapéus bizarros, com que aconchega as orelhas, tem da ética uma noção rudimentar e da vontade de Deus certezas inabaláveis.

Não se confirma que o velho inquisidor acredite em Deus, mas é do seu ofício vender a ideia às pessoas timoratas e à legião de empregados que vivem – e bem -, das orações, indulgências, missas e outros pios divertimentos impostos pelo medo ou mantidos pelo hábito.

Quem esperasse do Vaticano – um bairro de sotainas, soturno e pouco recomendável -, um apoio à ciência, o empenhamento na democracia, a defesa dos Direitos do Homem, certamente se desiludiria.

Mas pasma-se que o proclamado representante de Deus, iluminado pelo Espírito Santo – uma pomba que ilumina o pensamento dos Papas e engravida virgens -, seja tão rápido a amaldiçoar um bispo, a quem JP2 já o tinha feito, e demore tanto a fazê-lo a criminosos do delito comum.

Um bispo é excomungado pela segunda vez por defender o casamento dos padres e a ordenação de mulheres, enquanto um padre condenado a 15 anos de prisão, ou uma freira condenada a 30, ambos por genocídio, aguardam a bênção papal.

14 de Dezembro, 2006 Carlos Esperança

Saia uma excomunhão bem tirada

O Vaticano reafirmou a excomunhão do bispo americano Fabian W. Bruskewitz, decidida há dez anos, por pertencer a um movimento – Call to Action -, que defende alterações na doutrina de Roma face ao celibato dos padres, à ordenação das mulheres, ao processo de selecção de bispos e papas, e à contracepção artificial.

B16 tem o direito de excomungar quem quiser: o Diário Ateísta, os seus colaboradores, o sacristão da igreja das Mercês, o diácono de Alcântara ou o prior de Santos-o-Velho. É uma forma de equilibrar as bênçãos papais a Franco, Salazar, Moussolini, Pinochet e outros criminosos amigos da hóstia e do Papa.

Mas o Sapatinhos Vermelhos, ao excomungar pela segunda vez o bispo americano, veio provar aos ateus que a excomunhão tem um prazo de validade curto ou que o antecessor era incompetente para fazer uma excomunhão bem feita.

Sendo os objectivos da associação a que pertence o bispo, detalhes de secretaria que um Papa vindouro vai alterar, não se percebe o objectivo da excomunhão – um bem escasso que gasta com os colegas em vez de usar em ateus.

Deus, se existisse, havia de preferir a companhia de quem o nega à dos embusteiros que vivem à custa dele. O excomungado vai verificar que o castigo é irrelevante e, assim, é mais um a dar-se conta da inutilidade dos actos do Vaticano.

13 de Dezembro, 2006 Carlos Esperança

Se Deus existisse!

Pároco católico condenado por genocídio no Ruanda


O Tribunal Penal Internacional para o Ruanda (TPIR), em Arusha, na Tânzania, considerou culpado de genocídio e de crimes contra a humanidade o pároco católico ruandês Athanase Seromba, a quem condenou a uma pena de 15 anos de prisão.

5 de Dezembro, 2006 Carlos Esperança

A Igreja católica e os milagres

Jesus era um pobre judeu cuja superstição da época e umas pantominas escritas no Antigo Testamento converteram em Cristo (Salvador).

Os mais embrutecidos e supersticiosos começaram logo numa histeria anti-semita, a acusar os judeus de não aceitarem o simpático charlatão como filho de Deus, tal era a ansiedade de confirmar uma profecia. É verdade que o rapaz era dado à pregação e aos milagres, um dos raros empregos do sector terciário, que muitos rapazes pobres do seu tempo tentaram com menos êxito.

Os milagres começaram por ser a prova da divindade e acabaram como demonstração da santidade. Jesus fez milagres em vida porque era o seu ofício e fonte de rendimento. Depois de morrer saiu do ramo e deixou os truques para os cadáveres dos seus devotos. O rendimento fica para os padres porque não há família que se atreva a reivindicar os direitos de autor como herança.

No Vaticano há uma repartição que adjudica e passa certificados de garantia aos milagres, que no tempo de João Paulo II se multiplicaram como cogumelos. Têm médicos avençados por todo o lado, capazes de tudo a troco de indulgências.

Há muito que se esperam milagres fora do campo da saúde porque transformar água em vinho dá cadeia. Só Jesus conseguiu ressuscitar mortos, porque os jornalistas andavam ocupados com uns escândalos em Galileia e a televisão ainda não tinha sido inventada.

Admitiu-se que o Opus Dei arranjasse milagres de jeito para S. Josemaria Escrivá, que redimissem o apoiante de ditadores, o amigo de Franco, o aldrabão que comprou o título nobiliárquico de Ballager, o sevandija que chamou porca e puta à dedicada secretária de muitos anos, Maria del Cármen Tapia. Mas, não.

Apenas a cura do cancro duma freira, que a madre superiora desconhecia que estivesse doente, e da radiodermite de um médico. Nem um olho de vidro conseguiu pôr a ver, nem a um manco pôs pernas iguais – ainda que tivesse de cortar-lhe a mais comprida -, nem a um maneta fez crescer a mão. Se como homem foi odioso, como milagreiro foi um fracasso.

A Igreja católica anda pelas ruas da amargura. Já nem nos milagres, que eram o seu forte, consegue um prodígio de jeito.

4 de Dezembro, 2006 Carlos Esperança

Pinochet à beira da morte

Depois de o ex-espião russo Aleksandr Litvinenko ter morrido envenenado por uma substância altamente radioactiva, o polónio 210, teme-se que o ex-ditador chileno, Augusto Pinochet, tenha a mesma sorte depois de lhe ter sido ministrada a extrema-unção.

O polónio 210 terá sido fornecido pelos serviços secretos de Moscovo enquanto os «santos óleos» para a unção foram da responsabilidade da ICAR e sintetizados, pela primeira vez, pelos alquimistas do Vaticano.

Normalmente os pacientes não resistem a estes venenos, pelo que se espera, para breve, o fim do devoto católico, amigo do Papa JP2 e da hóstia.