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Carlos Esperança

28 de Março, 2007 Carlos Esperança

A beatificação da Irmã Lúcia

ultrapassaram as três arrobas e meia os milagres da mais antiga reclusa do mundo que hoje faria 100 anos.

Os milagres são como os cogumelos, que crescem numa noite e podem ser tóxicos. A Ir. Lúcia, enclausurada em vida, logo que morreu abriu a época dos milagres ao ritmo a que tinha visões. Os crentes esperam milagres melhores que os dos primos. Curaram a D. Emília dos Santos que ficou a andar mal e logo se finou, cheia de saúde, enquanto o processo médico desapareceu da Psiquiatria dos Hospitais da Universidade de Coimbra, onde esteve internada.

A Ir. Lúcia está para a Igreja Católica como a electricidade para a EDP. É uma fonte de negócio altamente lucrativa e com assinantes certos. Em vida, falava com a Senhora de Fátima acerca da política e da moral, recebeu a visita de Cristo na cela, em Tuy, e foi ao Inferno visitar o Administrador do Concelho de Ourém, que não ia à missa.

Na cela, coçava-se, sobretudo quando a sarna a atormentou, e rezava pela conversão da Rússia. Comercialmente divulgou o terço e os horrores de que Deus é capaz quando anda com a mosca que é outra forma de dizer que não está no juízo perfeito.

Como se habituou a pedir favores divinos, pagos em orações, levou o vício para a cova. Enquanto não é canonizada, peçam-lhe milagres que ganha ela e os devotos. Ela precisa de subir aos altares para alimentar o negócio da fé e os crentes para se curarem dalguma moléstia em que a bem-aventurada esteja calhada ou que a senhora de Fátima saiba.

Orem e roguem milagres. O trabalho é pouco católico e cada vez pior remunerado.

27 de Março, 2007 Carlos Esperança

Brasil – ICAR com falta mão de obra especializada

Fiéis da deusa do mar Iemanjá competem com os católicos do Brasil. Aprendi a gostar de Iemanjá com o grande escritor Jorge Amado. «Mar Morto» – um grande romance.

27 de Março, 2007 Carlos Esperança

A Música de Ratzinger

O Cardeal Joseph Ratzinger, Prefeito da Sagrada Congregação para a Fé (ex-Santo Ofício) num ensaio consagrado à liturgia, em 11 de Fevereiro de 2001, criticou severamente a música rock e pop e manifestou reservas em relação à ópera que acusa de ter “corroído o sagrado” de tal modo que – cita – o papa Pio X «tentou afastar a música de ópera da liturgia», donde se deduz que ela é claramente desajustada à salvação da alma.

Eu já tinha desconfiado que certa música é a «expressão de paixões elementares» e que «o ritmo perturba os espíritos», estimula os sentidos e conduz à luxúria. Salvou-me de pecar a dureza de ouvido que tinha por defeito e, afinal, era bênção.

Mas nunca uma tão relevante autoridade eclesiástica tinha sido tão clara quanto aos malefícios da música, descontada a que se destina à glorificação do Senhor, à encomendação das almas ou a cerimónias litúrgicas, outrora com o piedoso sacrifício dos sopranistas.

Espero que o gregoriano, sobretudo se destinado à missa cantada, bem como o Requiem, apesar do valor melódico, possam ressarcir-nos a alma dos danos causados pelo frenesim da valsa, a volúpia do tango ou a euforia de certos concertos profanos.

Só agora, mercê das avisadas palavras de Sua Eminência, me interrogo sobre a acção deletéria do Rigoleto ou da Traviata, dos pensamentos pecaminosos que Aida ou Otelo poderão ter desencadeado em donzelas – para só falar de Verdi – ou dos instintos acordados pela Flauta Encantada, de Mozart, ou pelo Fidélio, de Beethoven! E não me venham com a desculpa de que há diferenças entre a ópera dramática e a cómica, ou entre esta e a ópera bufa.

A música, geralmente personificada na figura de uma mulher coroada de loiros, com uma lira ou outro qualquer instrumento musical na mão, já nos devia alertar para o pecado oculto na harmonia dos sons.

Sua Eminência fez bem na denúncia. Espera-se agora que, à semelhança das listas que publicou com os pecados veniais e mortais e respectivas informações complementares para os distinguir, meta ombros à tarefa ciclópica de catalogar as várias músicas e os numerosos instrumentos em função do seu potencial pecaminoso.

Penso que a música sacra é sempre de louvar (desde que dispensados os eunucos), enquanto a música de câmara, a ser executada em reuniões íntimas, é de pôr no índex. Na música instrumental, embora o adjectivo seja suspeito, talvez não haja grande mal, mas quanto à música cifrada não tenho dúvidas de que transporta uma potencial subversão.

Nos instrumentos há-os virtuosos, como o sino, o xilofone, as castanholas e quase todos os de percussão, deixando-me algumas dúvidas, mais por causa do nome, o berimbau.

Nos de corda, excepção para o contrabaixo e, eventualmente, o piano (excluídas perigosas execuções a quatro mãos) quase todos têm riscos a evitar. A lira, o banjo, a cítara, o bandolim e o violino produzem sons que conduzem à exacerbação dos sentidos.

Mas perigosos mesmo – a meu ver – são os instrumentos de sopro. Abro uma excepção para os órgãos de tubos que nas catedrais se destinam a glorificar o Altíssimo. Todos os outros me parecem pecaminosos. A flauta, o clarim, o fagote, o pífaro e a ocarina estimulam directamente os lábios e, desde o contacto eventualmente afrodisíaco aos sons facilmente lascivos, tudo se conjuga para amolecer a vigilância e deixar-nos escravizar pelos sentidos. Nem o acordeão, a corneta de pistões ou a gaita-de-foles me merecem confiança.

Apreciemos o toque das trindades dos sinos dos campanários e glorifiquemos o Senhor no doce chilrear dos passarinhos. Cuidado com a música e, sobretudo, com os efeitos luminosos associados. Estejamos atentos às palavras sábias do Cardeal Ratzinger.

Nota: Este texto já foi publicado no Diário Ateísta mas justifica-se a repetição com a recente proibição de música profana, nas igrejas da ICAR, por B16. Nisso, os talibãs estão mais avançados – proibiram qualquer tipo de música.

25 de Março, 2007 Carlos Esperança

Bento XVI – Perigoso talibã

Diário Ateísta/Pitecos – Zédalmeida

Bento XVI acusa União Europeia de renegar origens cristãs

Bento XVI aguardou o 50.º aniversário do Tratado de Roma para surpreender a Europa com um discurso agressivo e imiscuir-se nos assuntos internos da União Europeia.

A acusação de que a Europa renega as origens cristãs, corrobora o ressentimento que se agravou com a progressiva tendência dos Estados laicos de descriminalizarem o aborto, legalizarem as uniões homossexuais, aceitarem a eutanásia e facilitarem o divórcio, ao mesmo tempo que a Igreja católica vê a sociedade secularizar-se.

As uniões de facto aumentam e os casais prescindem cada vez mais da festa religiosa e da bênção eclesiástica para os seus projectos comuns. A sexualidade emancipou-se da reprodução e o clero romano envelhece e reduz-se.

O rancor e a vocação teocrática de um Papa que quer regressar ao latim e ao cantochão, que deseja integrar a Fraternidade Sacerdotal S. Pio X, do falecido e excomungado bispo Lefebvre, e que odeia a modernidade, estão na origem do insólito discurso e na obsessão de impor os critérios morais da Igreja não apenas aos católicos mas a todos os europeus e, se as condições se tornarem favoráveis, ao mundo.

Voltaríamos à evangelização e às cruzadas, ao cristianismo tridentino, à contra-reforma, às monarquias absolutas e confessionais e à submissão do poder temporal ao espiritual, com a Europa transformada em protectorado do Vaticano e a esquecer o Renascimento, o Iluminismo, a Revolução Francesa e a Declaração Universal dos Direitos do Homem.

Não há anticlericalismo sem clericalismo. Esta recidiva teocrática de Bento XVI põe em perigo a tolerância e o pluralismo que as democracias consagraram. No seu proselitismo Bento XVI vem perturbar a paz e abrir feridas numa Europa que sacrificou milhões de vidas às lutas religiosas.

Se não houver firmeza na defesa da liberdade religiosa – o direito de cada cidadão ter a religião que entender, não ter religião, ser anti-religioso ou apóstata -, criar-se-ão as condições para o regresso às guerras religiosas que dilaceraram a Europa e se limitaram a produzir santos, mártires e bem-aventurados.

Diário Ateísta/Ponte Europa

25 de Março, 2007 Carlos Esperança

Consagração da Universidade Católica fora de prazo

A Universidade Católica portuguesa foi a Fátima renovar a consagração. Nada temos com os gestos gratuitos ou desvarios de quem tem alucinações. Se alguém ousasse proibir uma tal manifestação teria o meu activo repúdio na defesa da liberdade religiosa que muito prezo.

Mas não se confunda o respeito e a defesa da liberdade religiosa com a solidariedade na mentira e na demência mística.

Algumas considerações:

1 – Se a Universidade Católica foi a Fátima é porque não acredita que fosse ouvida a partir de Lisboa;

2 – Se renovou a consagração é porque o prazo de validade da anterior estava a esgotar-se ou tinha sido mal feita;

3 – Ao agradecer à Virgem toda a ajuda ao longo da existência e pedir-lhe que continue, é uma injustiça enorme para o Governo, que a subsidia, não constando que a Senhora de Fátima desembolse um único euro;

4 – «O docente João César das Neves, no final da Eucaristia, explicou a presença de Cristo na vida da Universidade Católica» – segundo se lê -, sem explicar se integra o corpo docente, se tem currículo académico e que disciplinas lecciona, ou

5 – Se faz parte do pessoal menor (pouco provável, dado o relevo que lhe deu), se é chefe da secretaria ou o chantagista de serviço para obter benefícios do Estado.

Mais importante do que Cristo e a Mãezinha têm sido os sucessivos Governos que, ao arrepio da laicidade a que estão obrigados, têm constituído a caixa de esmolas da referida instituição particular. Uma vergonha.

24 de Março, 2007 Carlos Esperança

Alemanha – O Corão e uma juíza idiotas

Uma alemã, de origem marroquina, teve a desdita de numerosas mulheres ao longo da história, casar com um homem violento que a agredia e ameaçava de morte.

Com 26 anos, mãe de dois filhos, a vítima pediu ao tribunal de família de Frankfurt para que lhe concedesse um divórcio rápido. A pancada e as ameaças não são violências que se suportem num país civilizado. E a jovem mãe, casada em 2001, há mais de um ano que era vítima de espancamentos e ameaças.

Imagine-se que lhe saiu uma juíza, Christa Datz-Winter, que entendeu não ser urgente o seu caso pois ela tinha casado «segundo as leis islâmicas» e que, segundo o Corão, ela devia saber que «Não é invulgar que o homem exerça o direito de castigar a mulher».

A título excepcional, essa juíza devia ser obrigada a viver um ano com um muçulmano violento e piedoso, despojada das vestes forenses, vergastada na rua e, a seguir, repudiada pelo homem.

Talvez aprendesse que, acima dos preconceitos religiosos, estão os direitos humanos, mais importante do que um livro sagrado é a igualdade de direitos entre os sexos.

A integração da sharia na jurisprudência dos países democráticos é o caminho mais rápido para a introdução do direito canónico e o regresso ao estado totalitário de raiz confessional.

Apostila: Recordo o saudoso Francisco Salgado Zenha, de quem fui delegado na Lourinhã, em 1965, na farsa eleitoral promovida por Salazar. Foi ele, quando ministro da Justiça, que reintroduziu o direito ao divórcio que a Concordata abolira. Tal como no Islão, vigoravam as piedosas leis cristãs de Salazar e Cerejeira.