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Carlos Esperança

16 de Novembro, 2007 Carlos Esperança

Fátima – Perigo de vida

Nota – As estradas de Fátima são as que mais matam sem que alguém ressuscite.

16 de Novembro, 2007 Carlos Esperança

OPA do Vaticano sobre as Igrejas Ortodoxas

Cidade do Vaticano, 14 nov (EFE).- As igrejas ortodoxas aceitam reconhecer o Papa como “Primeiro Patriarca”, mas discordam de suas prerrogativas, afirmou hoje a agência “Asianews”, ao revelar parte do documento conjunto que será apresentado amanhã pelo Vaticano.

Se a OPA amigável de B16 sobre as Igrejas Ortodoxas for coroada de êxito, fica criado um «trust» da fé sem qualquer comissão reguladora que defenda a livre concorrência. Ninguém obrigará a multinacional cristã, resultante da fusão, a vender alguns balcões à IURD, à Igreja Maná, às Testemunhas de Jeová ou a outras pequenas empresas do ramo.

Sabe-se como é reaccionária a teologia das Igrejas ortodoxas e como B16 é um Papa de cariz medieval, um ditador devorado pelo proselitismo e dono do único Deus legítimo, como não se cansa de afirmar.

A Oferta Pública de Aquisição é um perigo para o livre-pensamento e um instrumento de combate à laicidade. Se o Vaticano, sozinho, já faz tantas malfeitorias, imagine-se do que é capaz coligado.

É verdade que os clérigos se odeiam entre si como só Deus sabe, mas as dificuldades do mercado religioso obrigam-nos a engolir os sapos das centenárias desavenças para se lançarem numa cruzada contra o secularismo, o livre-pensamento e a concorrência islâmica.

Nada causa mais brotoeja na pele dos padres, mais ácido no estômago de um bispo ou ataque de caspa sob o camauro de B16 do que a liberdade de expressão, a democracia e os direitos individuais que levaram séculos a conquistar.

Cuidado com as alianças entre os ditadores da fé. É um mundo de opressão que se avizinha. É Deus que regressa trazido à trela pelo clero para obrigar a humanidade a ajoelhar-se.

15 de Novembro, 2007 Carlos Esperança

Brasil – o jejum mata

Mulher cristã obriga a família a jejuar e morre, tal como o cavalo do azeiteiro que, quando já se tinha desabituado de comer, lhe aconteceu o mesmo.

O cristianismo, à semelhança das outras religiões monoteístas, alimenta-se da crendice, do sofrimento e da loucura. Não se pode esperar mais das religiões abraâmicas, em que o celerado Abraão se preparava para matar o filho Isaac e Deus estava apenas a brincar, como os garotos, para ver até onde ia a toleima da sua obediência. Um era velhaco e o outro era doido.

Ora, quando um pai é capaz de matar o filho por ter ouvido uma ordem idiota e milhões de pessoas são capazes de adorar tal Deus, não são os crentes que merecem censura, é Deus que precisa de um colete de forças e os seus panegiristas de cuidados médicos.

Aliás, se Deus fosse tão poderoso, como dizem os que vivem á sua custa, não precisaria de quem o defendesse, defender-se-ia ele próprio castigando os que o ofendem. Deus é bem mais pequeno do que o inventaram e menos justo do que quer fazer crer o clero.

No Brasil, uma cristã fervorosa obrigou a família a fazer jejum até receber uma ordem de Deus. Encontrando-se este de férias desde o big-bang, a devota deixou arrefecer o céu-da-boca sem ter para onde exportar a alma. Deixou à beira da morte 5 pessoas que a acompanharam na loucura e na devoção e, como quase sempre sucede nestas coisas da fé, libertas da coacção a que foram sujeitas.

15 de Novembro, 2007 Carlos Esperança

BRASIL – Troca de sinos por música electrónica

Roma, 13 nov (RV) – Ouvir as badaladas dos sinos do Vaticano ou do Mosteiro de São Bento, em São Paulo, na paróquia vizinha está-se tornando cada vez mais comum. A mágica é possível graças a um sistema eletrônico de sinos, que reproduz, por meio de alto-falantes, os sons das badaladas originais.

O Brasil é dos países que mais deve ao cristianismo. Os portugueses levaram a sífilis, a varíola e a fé. Os barcos deixavam jesuítas e escravos e traziam ouro e pedras preciosas que serviram para construir mosteiros, fazer ofertas ao Papa e deixar morrer na miséria portugueses e brasileiros.

O catolicismo é um vírus antigo que viajou de barco para a América do Sul a mando de D. Manuel I e de D. João III, de Portugal, e dos Reis Católicos de Espanha, um casal que não tomava banho mas não se esquecia de papar hóstias, rezar orações e perseguir judeus. A Península Ibérica foi sempre um antro do Vaticano e alfobre do catolicismo.

Valeram a Reforma e a Revolução Francesa para debilitar o poder das sotainas e, finalmente, Garibaldi para colocar o Papa no antro que ainda hoje é o seu habitat, depois dos acordos de Latrão celebrados com o pio fascista Benito Moussolini.

Quando Pasteur combateu os micróbios já o Iluminismo tinha combatido o vírus da fé e a vacina contra a raiva foi precedida pela Revolução francesa que imunizou as pessoas contra a superstição.

Hoje a ICAR é uma pálida ameaça da perigosa associação de malfeitores que organizou as Cruzadas e criou a Inquisição. Hoje, à falta de um braço secular que lhe queime os hereges, limita-se a vender indulgências, criar santos e exportar música electrónica.

No Brasil, como se vê, já se podem ouvir as badaladas dos sinos do Vaticano ou do Mosteiro de São Bento, em São Paulo. Basta pagar, porque a salvação da alma não tem preço mas custa dinheiro.

13 de Novembro, 2007 Carlos Esperança

Mais um estado laico

O Catolicismo deixará de ser a religião oficial do Principado de Liechtenstein. O primeiro-ministro Otmar Hasler apresentou a reforma que regulamenta a separação entre Igreja e Estado.

Lentamente, os últimos protectorados do último estado totalitário da Europa – o Vaticano -, vão-se emancipando e tornam-se estados de direito pleno.

12 de Novembro, 2007 Carlos Esperança

Momento Zen de segunda

João César das Neves (JCN) não é apenas professor da Universidade Católica, é o braço armado das sotainas, o mensageiro de todos os recados da Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR).

Na homilia de hoje contemplamos o azedume do prosélito em «O SURDO REGRESSO DA LEI DE SEPARAÇÃO», como se a separação da Igreja do Estado não fosse a mais digna postura e a mais pacífica para com as diversas religiões.

Ironicamente, Paulo Baldaia, chefe de redacção do JN, assina, também hoje, no JN, um artigo com uma visão muito mais lúcida sobre a ICAR: «O negócio da fé».

Talvez para expiação dos pecados, JCN exige a regulamentação da Concordata (tratado dispensável entre o Estado português e o do Vaticano) – uma forma de reivindicar os privilégios que a hierarquia católica reclama e de que JCN sub-repticiamente se faz eco.

JCN deplora a derrota do miguelismo que, na sua opinião, «tentou responder à crescente onda jacobina», o que «gerou a longa e degradante servidão da Igreja sob o jugo liberal da segunda metade de Oitocentos». Para ele, o que não seja um Governo semelhante ao do Irão é um regime de «servidão da Igreja».

Segundo o beato plumitivo, as normas cuja extensão aos lares da ICAR é uma exigência legal, não passam de «regulamentos e exigências tolas».

Sem o dizer claramente, vê no fim do subsídio à Universidade Católica a «agressão» de Sócrates, «talvez inspirado pelas tolices de Zapatero», e, tecendo o mais terno louvor à bondade da ICAR, considera «confronto» e «opressão» o cumprimento da Constituição, que garante a liberdade religiosa, com tratamento igual das diversas confissões.

A extinção dos lugares de capelães hospitalares, prisionais e castrenses, na função pública constitui «perseguição» e «opressão» [sic] de que é vítima a Igreja católica.

11 de Novembro, 2007 Carlos Esperança

Sinais dos tempos

O ditador vitalício admoestou aqueles homens com ar grave a quem o fumo das velas e as genuflexões tiraram o sorriso e consumiram as vidas.

Ver os bispos portugueses ansiosos por aplaudir o supremo e infalível ditador antes de serem chamados a capítulo, como os pais obsoletos fazem aos garotos, foi uma visão deslumbrante de quanto pode a subserviência da fé e o medo do tirano.

Um bispo que não é capaz de reagir ao insulto do Papa não merece respeito dos que acreditam na existência do seu Deus. Quando um homem perde o respeito por si próprio não merece que lhe respeitem o Deus de que se alimenta. A atitude papal merecia que os bispos portugueses nunca mais pusessem os pés no antro do Vaticano. Mas, daqui a cinco anos, voltam lá. A pôr os pés. Todos.

11 de Novembro, 2007 Carlos Esperança

Factos & documentos. A ICAR e o nazismo

Há tempos traduzi alguns trechos do «Traité d´athéologie», de Michel Onfray, 2005 – Ed. Grasset (pg. 221/22) já publicados no Diário Ateísta.

Face à urticária que a verdade provoca nos católicos, aqui se repetem os factos:

«Do nascimento do nacional-socialismo à cobertura dos criminosos de guerra do III Reich, depois da queda do regime, ao silêncio da Igreja desde sempre, e mesmo hoje – ver a impossibilidade de consultar os arquivos sobre este assunto no Vaticano -, o património de S. Pedro, o herdeiro de Cristo, foi também o de Adolfo Hitler e dos seus nazis, fascistas franceses, colaboracionistas, vichystas, milicianos e outros criminosos de guerra.

Eis os factos: A ICAR aprova o rearmamento da Alemanha, indo contra o tratado de Versalhes (…); a ICAR assina uma concordata com Adolfo Hitler após a chegada do chanceler ao poder em 1933: a ICAR silencia o boicote aos comerciantes judeus, cala-se na proclamação das leis raciais de Nuremberga em 1935, guarda silêncio após a Noite de cristal em 1938; a ICAR fornece o seu ficheiro de arquivos genealógicos aos nazis que sabem a partir daí quem é cristão, portanto não judeu; a ICAR reivindica, no entanto, o «segredo pastoral» para não comunicar o nome dos judeus convertidos ao cristianismo ou casados com cônjuge cristão; a ICAR sustenta, defende, apoia o regime pró-nazi de Ante Palevic na Croácia; a ICAR dá a sua absolvição ao regime colaboracionista de Vichy a partir de 1940; a ICAR, ao corrente da empenhada política de exterminação desde 1942, não condena, nem em privado, nem em público, jamais ordena a algum padre ou bispo que condene o regime criminoso perante os fiéis.

As forças aliadas libertam a Europa e descobrem Auschwitz. Que faz o Vaticano? Continua a apoiar o regime derrotado: a ICAR, na pessoa do cardeal Bertram, ordena uma missa de Requiem à memória de Adolfo Hitler; a ICAR fica em silêncio e não manifesta reprovação pela descoberta de pilhas de ossos, câmaras de gás e campos de exterminação; A ICAR, pelo contrário, organiza para os nazis sem Führer o que nunca tinha feito por qualquer judeu ou vítima do nacional-socialismo: organiza a fuga dos criminosos de guerra para fora da Europa; a ICAR utiliza o Vaticano, dispensa papéis com vistos, activa uma rede de mosteiros europeus como esconderijos para assegurar a segurança dos dignitários do Reich desmoronado; a ICAR nomeia para a sua hierarquia pessoas que ocuparam funções importantes no regime hitleriano; a ICAR jamais lamentará – enquanto oficialmente não reconhecerá nada disso».

Estes factos merecem penitência e algum pudor na defesa da ICAR.

10 de Novembro, 2007 Carlos Esperança

A canonização de Nuno Álvares Pereira

Não cuido de saber se Nuno Álvares traiu ou não os códigos de honra da nobreza ao assumir o lado da barricada onde se destacou; não emito juízos de valor sobre os bens que exigiu para se colocar ao lado do Mestre de Avis; não julgo à luz dos critérios de hoje as decisões de D. Nuno, na Idade Média.

Custa-me ver o herói, que inflamou gerações, acabar como santo. Enquanto a Espanha impava de fé jamais o Vaticano se atreveu a fazer-lhe a ofensa de canonizar o algoz de castelhanos e a humilhação imposta, apesar do empenhamento do salazarismo e do seu braço pio – o episcopado católico -, em elevá-lo aos altares.

Mas, à medida que a fé se liquefaz numa Espanha rica, culta e poderosa, a canonização do guerreiro português é uma gota de água no mar de santidade ibérica onde um milhar de beatos foi dispensado de milagres em troca do martírio. Não se adivinha qualquer protesto do Governo espanhol, pouco dado a milagres, nem do clero, mais inquieto com o fim do ensino obrigatório da disciplina de Religião católica nas escolas públicas.

O direito canónico dispensa de milagres os bem-aventurados que sejam reconhecidos como santos, pelo povo, há mais de duzentos anos. Não se vê para que se exige um milagre, sempre sujeito ao crivo da dúvida e à galhofa dos incrédulos.

Sei que as minhas tias-avós, casadas em Espanha, ameaçavam os filhos com D. Nuno quando recusavam a sopa e os resultados épicos da ameaça ainda hoje são recordados pelos últimos sobreviventes. Como duvidar de tanta santidade?

É certo que não matou mouros nem judeus e eram católicos os que mais cedo chegaram ao Paraíso nas batalhas dos Atoleiros e de Aljubarrota mas adivinha-se o que faria se os andaluzes, que ainda eram moiros, lhe tivessem saído ao caminho, vindos de Granada.

9 de Novembro, 2007 Carlos Esperança

É preciso topete

Já imaginaram os monárquicos a preparar o centenário da República e os vegetarianos a integrarem-se na festa do leitão à Bairrada? Já pensaram no rei de Espanha a preparar-se para visitar Portugal e associar-se às comemorações da batalha de Aljubarrota?

Era como se Angola, Moçambique e Guiné mandassem os seus presidentes a exaltar os soldados portugueses mortos na guerra colonial e a condecorar os órfãos e as viúvas dos militares que os combateram, num qualquer dia 10 de Junho de triste memória.

Por mais humor negro que alguém tenha não pensa que os japoneses prepararem as comemorações do ataque à base de Pearl Harbor ou os alemães comemorem a invasão da Polónia. Como jamais os americanos se atreverão, no futuro, a comemorar a decisão que Bush tomou de invadir o Iraque.

Mas o impensável acontece. Os bispos portugueses querem estar presentes na celebração do centenário da implantação da República, eventualmente com uma missa de Acção de Graças.

Ninguém acredita, conhecida a união de facto entre o trono e o altar, que os bispos vão celebrar as leis do divórcio, da separação da Igreja e do Estado e a do registo civil obrigatório. Nem sequer para manifestarem arrependimento do ódio e do ressentimento que manifestaram à República e do apoio que deram ao seu derrube no 28 de Maio e à cumplicidade com a ditadura salazarista.

Para meditação dos leitores ficam aqui as Palavras do Presidente da CEP na abertura da Assembleia Plenária, em Roma: [Com o aproximar da celebração do centenário da implantação da República, D. Jorge Ortiga, Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), disse que «devemos estar presentes para que a interpretação dos acontecimentos seja exacta»].

Ora o 5 de Outubro também foi feito contra o poder das sotainas.