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Carlos Esperança

16 de Janeiro, 2009 Carlos Esperança

Campanha islâmica contra o Cardeal

Sem me rever nos conselhos do Patriarca Policarpo às católicas jovens que eventualmente queiram casar com muçulmanos, corroborados pela Conferência Episcopal Portuguesa, manifesto-lhe pública solidariedade, aqui no Diário Ateísta, perante a onda de falsa indignação com que pretendem impedir-lhe o direito à livre expressão e aos conselhos que entende dar.

Carecem de legitimidade moral para condenar o patriarca, por sinal bastante tolerante, para um bispo católico, os que defendem a poligamia, a discriminação das mulheres, a decapitação dos apóstatas e a lapidação das mulheres adúlteras e pretendem que o Corão substitua o Código Penal.

Antes de se manifestarem ofendidos com o cardeal, os líderes islâmicos em Portugal devem penitenciar-se do seu silêncio perante as ditaduras teocráticas do Médio Oriente e o carácter implacavelmente misógino do Islão. Face a qualquer mullah até Bento XVI parece um defensor dos Direitos do Homem.

Quem não respeita a liberdade não merece que respeitem os seus preconceitos. É altura de os muçulmanos europeus explicarem a que tipo de regime submeteriam os não muçulmanos se deixássemos que Alá se tornasse grande e Maomé fosse a único profeta. E por que razão são proibidas as religiões concorrentes nos países submetidos à sharia?

Dito isto, é altura de perguntar aos bispos católicos o que fez a sua religião pela democracia e o livre-pensamento estando a derrota política da Igreja na origem das liberdades individuais de que gozamos.

As três religiões do livro – judaísmo, cristianismo e islamismo – são anti-humanas e patriarcais. A misoginia não é uma tara exclusiva do Islão mas apanágio do texto bárbaro da Idade do Bronze, o Antigo Testamento, herdada pelas referidas religiões. O racismo, a xenofobia, a misoginia e a homofobia são valores do Antigo Testamento.

As três religiões não têm feito mais do que reproduzir esses valores cruéis e obsoletos sendo o Islão, actualmente, a religião que mais implacavelmente se bate pela manutenção do obscurantismo.

Defendo as liberdades, nomeadamente a religiosa, do mesmo modo que defendo o direito à descrença e à anti-crença.

15 de Janeiro, 2009 Carlos Esperança

A faixa de Gaza e a fé

Tropas israelitas e o movimento islâmico Hamas continuam a confrontar-se nas ruas de Gaza, no 20.º dia de uma guerra que já ultrapassou o milhar de mortos e provocou uma tragédia humana.

Além da conjuntura geopolítica propícia a esta guerra, com a saída de Bush pela porta de serviço, é relevante recordar a fé judaico-cristã, que alimenta o ódio no conflito que lavra na faixa de Gaza, onde o mais implacável dos monoteísmos encontra no Corão a brutal ideologia belicista que o impele às provocações a Israel e à guerra santa.

Inicialmente, o apoio mundial ao regresso dos judeus à Palestina e a própria Declaração de Balfour pela Grã-Bretanha, em 1917, foi uma aceitação da profecia bíblica que leva, ainda hoje, os fundamentalistas evangélicos dos EUA a apoiar cinicamente os judeus:

A conquista final da Terra Santa pelos judeus precipitará, após a reconstrução do Templo de Salomão, o Segundo Advento de Cristo e a destruição final dos judeus.

Perguntar-se-á como é possível que no século XXI ainda haja quem acredite num texto bárbaro da Idade do Bronze, conhecido como Antigo Testamento, que deu origem às três religiões do livro – o Judaísmo, o Cristianismo e o Islamismo –, mas as profecias, quando feitas antes dos acontecimentos, são para cumprir, para benefício dos profetas e alegria dos crentes.

Há quem despreze a história e esqueça que as liberdades individuais só foram possíveis no Ocidente graças à repressão política da Igreja. Por isso é preciso respeitar as pessoas sem afrouxar o combate ideológico a doutrinas totalitárias de natureza política, religiosa ou económica. E, acima de tudo, exigir a laicidade do Estado, condição sine qua non para a democracia.

14 de Janeiro, 2009 Carlos Esperança

Decisão do Santo Ofício

Cidade do Vaticano, 13 Jan (Lusa) – O Vaticano proibiu o teólogo jesuíta norte-americano Roger Haight de dar aulas em qualquer escola e de publicar livros, por considerar que a sua obra “Jesus: Símbolo de Deus” tem graves erros doutrinais contra a fé.

13 de Janeiro, 2009 Carlos Esperança

Maldito proselitismo (2)

Papa defende Baptismo de crianças

O Papa Ratzinger, ao mesmo tempo que afirma que os filhos não são propriedade dos pais, pede a estes que eduquem os filhos na verdadeira liberdade, eufemismo com que quer dizer «religião católica».

Acompanho o ex-prefeito do Santo Ofício, ao considerar falsas todas as outras religiões, e, apenas, lhes acrescento a sua. Nego-lhe, todavia, autoridade para se pronunciar sobre os deveres dos pais, matéria em que não se conhece a sua experiência.

Sei por formação profissional como é fácil doutrinar e fanatizar crianças e o perigo que representa entregá-las ao cuidado das madraças, sejam elas muçulmanas ou católicas. O baptismo católico, ou outro, e posterior doutrinação, coarctam a liberdade de escolha de quem deve ser educado para a liberdade e não para a adoração de um mito.

Um pouco por todo o lado, há crentes que não se limitam a conquistar para si o Paraíso, querem impô-lo aos outros, como é o caso do chefe da única teocracia europeia.

O Vaticano, entre numerosos crimes, tem na sua história o repugnante rapto da criança judaica de 6 anos, Edgardo Mortara, removida à força pela polícia papal da tutela dos pais, em Bolonha, 1858, então integrante dos Estados Pontifícios. Os inquisidores que ordenaram o rapto da criança usaram o pretexto de que tinha sido baptizada in extremis por uma criada.

A doutrinação de crianças política, religiosa ou filosoficamente, incluindo naturalmente o ateísmo, é uma forma perversa de atentar contra a liberdade, a pretexto da vontade de um deus inventado pelos homens na Idade do Bronze.

13 de Janeiro, 2009 Carlos Esperança

Maldito proselitismo

Papa defende Baptismo de crianças

Bento XVI pede aos pais que eduquem filhos na verdadeira liberdade e afirma que «estes não são propriedade dos progenitores».

Bento XVI defendeu este Domingo o Baptismo de crianças, prática habitual na Igreja Católica, considerando que o mesmo não é “uma violência” sobre os menores.