Loading

Carlos Esperança

31 de Julho, 2009 Carlos Esperança

A hipocrisia beata

A afirmação que me aproxima de qualquer crente é a de que todas as outras religiões são falsas. Creio que lhes assiste inteira razão e apenas acreditam em mais uma do que eu.

Já quanto á tolerância, excepção feita a alguns cristãos urbanos e civilizados, estamos em campos opostos. Enquanto eu encaro com bonomia os crentes, e com desprezo as crenças, os crentes odeiam-se reciprocamente e consideram a sua crença indiscutível.

Como são poucos os que se dão ao trabalho de comparar a Tora, a Bíblia e o Corão os americanos julgam que a Bíblia foi ditada em inglês e os muçulmanos que o Corão foi revelado pelo arcanjo Gabriel em árabe, enquanto Bento 16 deixa correr o boato de que a Bíblia foi escrita em latim, língua que se usa nas missas dos padres mais obsoletos.

Ainda hoje pude observar um grupo de católicos que estão de acordo em que os países árabes devem afastar a religião da política mas quando lhes referi que a escola pública portuguesa devia ser poupada às aulas de moral e religião católicas, já não estavam de acordo.

Descobri mais uma coisa em comum com os crentes: as outras religiões são perigosas. É um facto indesmentível. No dia em que os crentes acrescentarem a sua religião às que ameaçam a humanidade o potencial de paz será largamente aumentado.

30 de Julho, 2009 Carlos Esperança

A laicidade em perigo

Declaração de interesses: sou laico, republicano e cidadão particular.

Mas mesmo um leigo não deixará eventualmente de se chocar com o título de um jornal de ontem: “Estado vai contratar padres a recibos verdes”. Mesmo que não se benza, nem bata com a mão no peito, o cidadão não deixará de se impressionar que a assistência religiosa, para quem a queira, passe ao regime de prestação de serviços. Por este andar, o Estado poderá entender que a confissão dos pecados seja remetida para um ‘call center’, a penitência convertida em multa, os sacramentos ministrados em ‘outsourcing’, a salvação das almas alcançada através do ‘leasing’ e a vida eterna conquistada através do contrato de Aluguer de Longa Duração.

Ler mais …. (:::)

[email protected]

30 de Julho, 2009 Carlos Esperança

Privilégios da Igreja católica

É admirável como a Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) se infiltra no aparelho de Estado e consegue privilégios intoleráveis num Estado de Direito e indignos de um país laico. A chantagem que exerce sobre o Governo é da sua natureza, mas a capitulação do Estado é uma indignidade. Os bispos rejubilam com o acordo a que chegaram sobre a assistência religiosa.

Durante a ditadura salazarista havia assistência religiosa nos hospitais e nas forças armadas, agora alargada às forças de segurança. Ficam excluídos os polícias municipais e os bombeiros. Os católicos fardados têm direito a um padre de piquete na sequência do acordo sobre assistência religiosa assinado com o Estado Português.

O País paga à peça. A assistência passa a ser uma espécie de prestação de serviços ao Estado, paga segundo a tabela em vigor, tendo em conta o número de pessoas assistidas. Assim, se um bispo rezar pelas Forças Armadas e de Segurança, teremos de pagar dezenas de milhares de actos pios. Resta saber se um presidiário que se confesse a prestações, 10 vezes por dia, custa 10 vezes mais do que outro que pede a remissão dos pecados a pronto. Tudo isto sem taxa moderadora.

Há uma frase que me deixa perplexo, no telegrama da Lusa, referido no DN: «Um dos aspectos que ressaltou diz respeito ao artigo 16.º. Desta forma, quando um casamento for declarado nulo perante a Igreja, o Estado terá de o reconhecer». Fica a dúvida se esse «O» é pronome pessoal ou demonstrativo. Em caso de anulação do casamento pela Igreja – embora caro e difícil – o Estado tem de «O» reconhecer (a «ele», casamento, ou a «isso», anulação)?

Como me parece uma anomalia a integração do direito canónico no ordenamento jurídico português, penso que é um pronome pessoal, mas tudo é possível de uma Igreja que pôs o PR e o presidente da AR a fazerem parte de uma comissão de honra da canonização de D. Nuno. Quando a ICAR obtém a conivência de Cavaco e de Jaime Gama para o reconhecimento da cura do olho esquerdo da D. Guilhermina de Jesus, queimado com óleo de fritar peixe, por intercessão do espectro de D. Nuno, Portugal deixa de ser um país e torna-se uma sacristia.

É curioso que a escalada beata e os atropelos cometidos contra a laicidade surjam na proximidade das eleições e no período de férias. A partir de agora, as escolas, prisões e quartéis são um campo privilegiado para a competição prosélita e o confronto religioso.

28 de Julho, 2009 Carlos Esperança

Matam e morrem por proselitismo

BAUCHI, Nigéria — Pelo menos 55 pessoas foram mortas desde domingo no norte da Nigéria em confrontos entre a polícia e membros de uma seita islâmica radical pró-talibã.

O número de mortos nos Estados de Bauchi e de Yobe se eleva a 55, cinco policiais e 50 islamitas, informou nesta segunda-feira o inspetor-geral de polícia, Ogbonna Onovo, durante entrevista à imprensa em Abuja. O número anterior, divulgado na noite de domingo, era de 39 mortos, entre eles um soldado.