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Carlos Esperança

28 de Março, 2010 Carlos Esperança

Vaticano chama-lhe especulações

New York Times’ volta a acusar o Papa de fechar os olhos à pedofilia quando era arcebispo de Munique

O cardeal Joseph Ratzinger, actual Papa Bento XVI, sabia que um padre pedófilo que foi albergado na sua diocese nos anos 1980, para se submeter a terapia, tinha regressado ao trabalho noutra paróquia poucos dias depois de ali chegar. Esta foi a história revelada ontem pelo jornal New York Times, um dia depois de ter acusado o Papa de nada ter feito contra um padre norte-americano que terá abusado de 200 alunos surdos.

28 de Março, 2010 Carlos Esperança

Assembleia Geral da AAP_2010

Senhor Presidente da Assembleia Geral da Associação Ateísta Portuguesa, caros colegas dos corpos sociais, prezados consócios:

Ao iniciar este segundo mandato como presidente da Associação Ateísta Portuguesa (AAP) saúdo os sócios presentes, vindos de todo o país, os que não puderam vir e todos os ateus onde quer que se encontrem.

A AAP procura afirmar o ateísmo como opção filosófica de quem se responsabiliza pelos seus actos e pela sua forma de viver, de quem estima a sua vida e a dos outros, de quem recorre à razão e confia no método científico para construir modelos da vida, e de quem não remete as questões morais para seres hipotéticos, criados pelos homens, nem para a esperança de uma existência após a morte.

Neste mandato continuaremos a defender o direito de todos os homens e mulheres à sua crença, descrença ou anti-crença, exigindo ao Estado a mais absoluta neutralidade face às opções individuais, cuja afirmação lhe cabe defender, sem subserviência aos clérigos nem favores às religiões, de acordo com a laicidade a que a Constitução obriga e que a ética recomenda.

Não deixaremos de insistir no abuso que constituem as aulas de Ensino da Moral e da Religião Católicas (EMRC) nos estabelecimentos de ensino público, com professores nomeados por bispos, pagos pelo Orçamento do Estado e anunciados através de ofício pelas dioceses.

Continuaremos a reclamar contra a burla episcopal indicando professores de EMRC, com habilitações para outras disciplinas, sem notas para as leccionarem por concurso, ultrapassando outros colegas através das aulas de EMRC, vinculados passados três anos.

Repudiaremos o aproveitamento político da vinda do Papa e, se vier a verificar-se, a subserviência de titulares de órgãos da soberania ou dirigentes autárquicos, bem como a utilização partidária da visita de Bento XVI, cujas provas de ocultação de crimes de pedofilia, divulgadas pela comunicação social internacional, aconselhariam a moderar o proselitismo e as viagens de promoção da fé.

A Associação Ateísta Portuguesa (AAP) prosseguirá a linha de defesa da laicidade do Estado denunciando o aproveitamento que a Igreja catóilica faz das figuras cimeiras do Estado para as comprometer no reconhecimento dos pseudo-milagres com que persiste em explorar a crendice popular.

Finalmente, estaremos atentos a qualquer forma de religiosidade que procure atacar as liberdades individuais e comprometer a democracia. A AAP não aceitará que, em nome de qualquer deus, sejam diminuídos direitos, liberdades e garantias que as sociedades democráticas conquistaram com a repressão poítica do proselitismo religioso.

Lisboa, 27 de Março de 2010

a) O Presidente da Direcção

26 de Março, 2010 Carlos Esperança

As vítimas de Deus

Perante a bancarrota moral da ICAR, com a cumplicidade do que é hoje Papa, e o silêncio a que condenaram as vítimas, vale a pena ler o El País, de hoje.

26 de Março, 2010 Carlos Esperança

Dois pesos e duas medidas

Carl Sagan, no seu livro «Um mundo infestado de demónios», lembra-nos que o abade Richalmus escreveu um tratado sobre os demónios, por volta de 1270. Os sedutores demoníacos de mulheres chamavam-se íncubos e os de homens, súcubos. Santo Agostinho acreditava que as bruxas eram o produto dessas uniões proibidas tal como a maioria das pessoas da antiguidade clássica ou da Idade Média.

Compreendem-se hoje as freiras que, num estado de confusão, viam semelhanças entre o íncubo e o padre confessor ou o bispo e que ao acordarem se sentissem conspurcadas como se se tivessem misturado com um homem, como escreveu um cronista do século XV (pág.126, ob. citada).

A fé e a superstição confundem-se. Ainda hoje vemos crentes que rumam a Fátima e à santa da Ladeira e quem promete a bilha de azeite ao santo e não dispensa conselhos da bruxa quando a adversidade lhes bate à porta.

Esta é a parte inofensiva da fé, pelo menos para os não crentes. Os únicos prejudicados são os crédulos que esportulam o óbolo sem qualquer benefício. O mesmo não se pode dizer do proselitismo e das perseguições aos que recusam partilhar a mesma fé.

Dir-se-á que hoje ninguém é molestado por comer carne de porco, por trabalhar nos dias santos ou por desprezar os sacramentos, mas isso só acontece onde foi contido o clero. É uma conquista contra o poder eclesiástico e não um direito outorgado pelas religiões. A lei seca dos EUA teve origem no radicalismo religioso  [fruto do esforço conjunto da União Feminina da Temperança Cristã e das pressões de certas associações missionárias protestantes]. O porco continua o animal imundo para judeus ortodoxos e muçulmanos, escravos de um deus que está com o olho neles a cheirar o bafo e a vigiar os hábitos alimentares, a forma de vestir e a frequência das rezas para decidir o que lhes reserva:  as penas perpétuas ou o Paraíso.

Não se aceitam crenças diferentes sobre higiene básica, epidemiologia e alfabetização e, no entanto, apesar da ligação directa entre as crenças e a acção, aturam-se crenças que apelam à violência, ao racismo e ao genocídio em nome da tolerância religiosa e/ou do multiculturalismo.

Enfim, dois pesos e duas medidas para as crenças religiosas e para as políticas, ambas com efeitos directos sobre os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos. Proíbe-se o incitamento ao ódio, a xenofobia, a discriminação de género, a mutilação e muitas outras barbaridades excepto quando praticadas sob os auspícios da fé.

25 de Março, 2010 Carlos Esperança

O começo do fim…!

Por

E – Pá

O bispo John Magee, prelado da diocese de County Cork, que, no passado, foi secretário privado de João Paulo II, renunciou ao cargo, por cumplicidade nos encobrimentos dos casos de pedofilia ocorridos no seio da igreja católica irlandesa.
Não foi o primeiro, nem deverá ser o último.

Em Dezembro, o bispo de Limerick – Brendan Murray – já tinha resignado sobre a pressão dos mesmos escandalos.

Todavia vai ser difícil à ICAR contornar a exigência dos “violentados” e das associações defensoras das vítimas de abusos sexuais, relativamente ao primaz da Irlanda – cardeal Sean Brady – um “príncipe da Igreja” que será o segundo alto responsável pela cascata de encobrimentos registada.

O primeiro responsável é, naturalmente, Bento XVI, chefe da ICAR, cuja explícita responsabilidade não teve a coragem de assumir na tão mediatizada “carta-pastoral” aos católicos irlandeses.

Mas dificilmente a ICAR conseguirá evitar o “efeito dominó”.

24 de Março, 2010 Carlos Esperança

Sobre a laicidade

Os monoteísmos odeiam o hedonismo. São misóginos e  homofóbicos, suspeitam da inteligência e da razão e combatem os prazeres do corpo, os desejos e as pulsões. Criaram interditos, alimentares e sexuais. Exaltam os jejuns e a castidade. São pela renúncia ao prazer e a favor do sofrimento como veículo para uma vida de felicidade que prometem depois da morte.

O que está em causa é uma questão de poder. É mais fácil dominar pessoas escravas do medo do que cidadãos livres da superstição. Por isso é tão importante que o pecado seja considerado crime e, agora que as fogueiras se apagaram, incluir no Código Penal os pecados que progressivamente vão sendo suprimidos como crimes (adultério, aborto, eutanásia) e outros que passam a ser direitos inalienáveis (apostasia, heresia , divórcio).

A afirmação de que “os Estados podem ser laicos, mas as sociedades não o são” é um subterfúgio com laivos de totalitarismo, é a defesa do poder das maioria em imporem a sua vontade ás minorias e, em última análise, impedirem a geometria variável das ideologias.
Não é por acaso que todas as religiões reclamam a laicidade quando são minoritárias e exigem ser tratadas de forma diferenciada o que é diferente quando se julgam em maioria, afirmando que não se deve tratar de forma igual o que é diferente.

Se os países muçulmanos, apesar dos constrangimentos sociais, respeitassem a laicidade, manteriam a unanimidade no horror ao toucinho, na aversão ao álcool e nos costumes? É altura de tratar as crenças que repudiam o pluralismo, que não admitem concorrência e que pretendem impor-se pela força das armas da mesma forma que as ideologias que apelem ao ódio, ao racismo, à xenofobia e à violência.

23 de Março, 2010 Carlos Esperança

O Papa e os negócios da fé

Quando este Papa visitar Portugal vem promover o negócio de Fátima ou pedir perdão pelo padre Frederico e pelo bispo resignatário do Funchal, D. Teodoro, que o protegeu?

Ou, num acto de coragem, vem dizer quem o ajudou a fugir para o Brasil sem cumprir a pena?

22 de Março, 2010 Carlos Esperança

Vaticano – Rebentou o esgoto

Intolerante face aos desvios ao seu padrão moral, encobriu, até agora, abusos sexuais de padres

Finalmente, Bento XVI falou sobre os abusos sexuais de menores cometidos por padres. Numa carta pastoral dirigida aos católicos irlandeses, expressou perdão e vergonha e prometeu uma investigação rigorosa de todos casos.

O Papa dirigiu-se à Irlanda, mas ignorou os milhares de queixas idênticas na Áustria, Holanda, Suíça, Espanha, Brasil e Alemanha, onde, só desde Janeiro, surgiram mais de 300 denúncias de abusos em escolas católicas.