A Associação Ateísta Portuguesa (AAP) está perplexa com as declarações dos bispos católicos, em geral, e, em especial, com a do Bispo de Leiria-Fátima, António Marto, vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) .
A AAP compreende a euforia dos senhores bispos que negociaram inadmissíveis tolerâncias de ponto, concedidas pelo Governo e por autarcas, que atropelam o carácter laico da Constituição da República para prestarem vassalagem ao Papa. A CEP considera um serviço ao povo português os «feriados» que fecham escolas e serviços públicos como se um acto de subserviência pia se transformasse em benefício colectivo sob uma gravíssima crise económica, social e política.
A AAP repudia as declarações do vice-presidente da CEP quando afirma que não existem «casos concretos» de pedofilia que envolvam membros do clero quando há dez padres indiciados, quando ainda está na memória a condenação do padre Frederico, por assassinato e pedofilia, condenação comparada pelo bispo, D. Teodoro, ao martírio de Cristo, quando o mesmo padre, numa saída precária da prisão, fugiu para o Brasil sem que se soubesse quem o levou a Madrid e lhe comprou o bilhete de avião, sendo conivente na fuga do criminoso.
O bispo António Marto declarou ainda que “A nossa lei, tanto quanto me consta, não obriga a fazer isso” [denunciar um crime], explicando que se uma denúncia tiver fundamento “dirá à vítima para recorrer à autoridade civil ou ao próprio abusador para ele mesmo se autodenunciar”.
A AAP regista a peculiar noção de ética demonstrada pelos bispos portugueses (António Marto falava em nome da CEP) não vendo como pode a Igreja católica reclamar autoridade moral se não sente qualquer obrigação de colaborar com a Justiça.
Associação Ateísta Portuguesa – Odivelas, 19 de Abril de 2010
Aura Miguel é uma jornalista que dedica a vida à Igreja católica com a mesma beata devoção com que se imolam os bonzos ou explodem os suicidas islâmicos.
A fotografia com o Papa de turno não é apenas uma imagem para o álbum de memórias, é o orgasmo da fé de quem tem o ponto G nos joelhos. É a glória de quem é capaz de sofrer longas genuflexões e jejuns para estar perto do regedor do Vaticano.
Julgava-se que a sedução por João Paulo II fosse um desses misteriosos encantamentos por um Papa que acreditava em Deus e que, no seu jeito rural e supersticioso, acordasse o afecto de uma mulher. Mas com Aura Miguel qualquer papa é o santo que a profissão e o estado civil exigem. Qualquer primata de camauro é o megafone de deus na Terra e o ungido do Senhor que lhe confia o negócio e a execução testamentária.
Aura Miguel nunca admitirá que João Paulo II e Bento XVI foram capazes de esconder os crimes dos seus padres para que os homens continuassem a acreditar no martírio do seu deus. A jornalista só vê bondade sob as vestes talares, corpos sem hormonas, gente sem pecados, seres assexuados cheios de virtude.
Na sua devota dedicação á Igreja católica esqueceu-se da vida e do mundo para debitar as pias tolices que nascem no Vaticano e germinam nos quintais da fé que se encontram espalhados pelo mundo.
A jornalista julga um triunfo da fé a proibição do divórcio em Malta, um protectorado do Vaticano onde o a interrupção da gravidez, mesmo que ponha em risco a vida da mãe, resulte de violação ou se destine a um feto incompatível com a vida, é considerado crime. Pode aí um troglodita de um marido matar a mulher mas o divórcio, graças ao deus do papa e da Aura Miguel, é proibido. Bendito seja o deus de ambos.
Infelizmente a violência doméstica existe em Malta, as violações acontecem e até, sabe-se agora, há crianças violadas pelo clero que reuniram com o Papa levando um terço para ele abençoar.
Por
“Le diocèse de Rotterdam a signalé à la police, vendredi 16 avril, le cas d’un prêtre catholique néerlandais soupçonné d’abus sexuels, qui a été suspendu de ses fonctions.” Le MONDE.Fr -Reuters 16.04.10
Por que razão este caso referente a um clérigo prevaricador é notícia?
– Porque é a excepção!
Mas, também, porque a ICAR vem insistindo em classificar os crimes de pedofilia cometidos pelos seus clérigos como “pecados”, ou seja, transgressões de preceitos religiosos passíveis de obtenção de canónicos “perdões”, de estratégicas transferências de funções, em suma, de sistemáticas “ocultações”…
A ICAR enquanto não enveredar, na prática, pela abordagem destes crimes dentro de um enquadramento baseado nos códigos de Direito Civil dos Países, onde exerce o seu “apostolado”, não terá sossego.
Até lá, pode continuar a sua hipócrita e inconsequente “atitude de vitimização” que, por esse caminho, não colherá qualquer “indulgência” dos povos, nem das instituições civis.
Não vivemos nos tempos das catacumbas…
VATICANO (Reuters) – Um ex-cardeal do Vaticano que cumprimentou um bispo francês por ter protegido um padre que cometia abusos sexuais afirmou ter agido com a aprovação do papa João Paulo II, informou um jornal espanhol neste sábado.
O cardeal Darío Castrillón Hoyos, que era a autoridade do Vaticano encarregada dos padres de todo o mundo quando elogiou o bispo francês, em 2001, inseriu o papa polaco na controvérsia ao fazer essa declaração durante uma conferência na cidade espanhola de Múrcia.
“Ontem, sete pessoas foram presas em Istambul, após o assassinato de um recém-nascido, no 2º. dia de vida, em circunstâncias classificadas como um “crime de honra”.
O bebé teria nascido de relações extra-conjugais e, segundo a notícia, foi sufocado pela sua avó, na sequência de uma decisão ‘familiar’… “
Notícia divulgada pela agência turca Anatolie e reproduzida na imprensa europeia de hoje
Porque razão camuflar um repugnante infanticídio chamando-lhe um “crime de honra”?
São, de facto, situações deste teor que dão argumentos aos opositores de uma futura adesão da Turquia à UE.
Por outro lado, não compreendo como imprensa europeia reproduz esta espúria classificação de “crime de honra”. O melhor será chamar “os bois pelo nome”…
Trata-se, tão-somente, de um bárbaro infanticídio, perpetrado por uma família subjugada a preconceitos sociais, culturais e, quiçá, religiosos…
Nenhuma “honra” pode (ou deve) ser invocada nestas abomináveis circunstâncias.
Um bispo brasileiro da IURD propôs pactos secretos aos narcotraficantes para evitar assaltos aos seus crentes e locais de culto. É uma tendência moderna dos drogados a associação de várias drogas para potenciarem os efeitos, uma acção sinérgica que leva os toxicodependentes a entrarem mais profundamente nas «viagens» alucinantes.
A ilusão do Céu que a IURD vende em espectáculos com uma banca de milagres nas missas, onde põe em transe os crentes, precisa de protecção dos traficantes, que a de deus é improvável.
O bispo, Romualdo Panceiro, considerado o sucessor do carismático fundador da seita, em 1977, o bispo Edir Macedo, pede a todos os prelados do Brasil para fazerem um acordo com os narcotraficantes. É justo perguntar se é um acordo ou uma parceria que a IURD pretende com os barões da droga. Esta Igreja, com sede no Rio de Janeiro, tem 5 mil templos e mais de 10 milhões de fiéis.
No fundo, o piedoso bispo solicita aos ladrões que não roubem outros, que respeitem quem está no mesmo ramo, que recusem apropriar-se do dinheiro de quem também vende droga, de quem, igualmente, faz negócio à custa de quem procura fugir da vida para se refugiar em ilusões.
Não se discutem os milagres obrados pela IURD, porque isso iria colocar sob suspeita policial Igrejas mais antigas, mas a cumplicidade com o mundo subterrâneo dos cartéis da droga é um caso de combate ao crime organizado e à concorrência desleal de Igrejas que se implantam no terreno à custa do dízimo que extorquem e da superstição que exploram com a venda do paraíso às fatias.
O Diário de uns ateus é o blogue de uma comunidade de ateus e ateias portugueses fundadores da Associação Ateísta Portuguesa. O primeiro domínio foi o ateismo.net, que deu origem ao Diário Ateísta, um dos primeiros blogues portugueses. Hoje, este é um espaço de divulgação de opinião e comentário pessoal daqueles que aqui colaboram. Todos os textos publicados neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as posições da Associação Ateísta Portuguesa.