23 de Novembro, 2010 Carlos Esperança
Não sabem onde se coloca
Dúvida: Evitam falar ‘nas missas do uso do preservativo’ ou ‘do uso do preservativo, nas missas’ ?
Dúvida: Evitam falar ‘nas missas do uso do preservativo’ ou ‘do uso do preservativo, nas missas’ ?
Milhares de pessoas participaram, ontem, domingo, na Polónia, na inauguração da maior estátua de Jesus Cristo do Mundo. O monumento supera os 52 metros de altura.
A estátua mede 33 metros, que correspondem aos 33 anos que Cristo viveu.
Se não tivesse morrido cedo !!!
Um incêndio deflagrou, este domingo, debaixo de terra está a atrasar as operações de resgate dos 29 mineiros desaparecidos na mina de carvão Pike Clavar, desde sexta-feira, quando uma explosão devido à presença de gás tóxico provocou uma derrocada.
Nota: Desta vez o Papa não reza nem manda terços benzidos.
O servo de Deus monsenhor Escrivá de Balaguer, depois de percorrer os degraus de Venerável e Beato chegou a Santo em 6 de Outubro graças a dois milagres aprovados – o primeiro no campo da oncologia e o segundo do foro da dermatologia.
O apoio ao ditador Franco e a obsessão por dinheiro, poder e honrarias podem ter arredado o taumaturgo da bem-aventurança eterna mas não lhe tolheram a canonização.
O virtuoso bispo do Funchal, D. Teodoro de Faria e o impoluto ministro de Estado e da Defesa, Dr. Paulo Portas, destacaram-se entre os portugueses bem formados, convidados a deslocar-se a Roma para a cerimónia. Não terão deixado de rezar para que se esqueçam as ligações da Prelatura ao mundo da alta finança e os inúmeros escândalos financeiros em que se viu envolvida no passado ( Rumasa, Matesa, Banco Ambrosiano, etc.).
A tentativa de criar o governo teocrático universal sonhado por Paulo, a sua aliança com a Mafia internacional e a pseudo maçonaria financeira, ou o abuso indiscriminado do negócio milagreiro, documentados por Juan G. Atienza (Los Pecados de La Iglesia), são acusações para esquecer.
Aspectos negativos da personalidade de Escrivá, referidos pela colaboradora e secretária de muitos anos, Maria del Carmen Tapia, no livro “Uma vida na Opus Dei”, e as denúncias de Robert Hutchison em “O Mundo Secreto do Opus Dei” desvanecem-se com o tempo.
Regozijemo-nos, pois, por ter sido Monsenhor Escrivá “o justo entre os justos mais rapidamente elevado aos altares em toda a história da Igreja”, 17 anos exactos após a sua morte ( Ob. citada de J. Atienza, Pág. 342).
1750 sacerdotes e 80 mil fiéis – um exército de prosélitos sob a omnímoda autoridade de um prelado que dispõe de amplos recursos financeiros e sólidos apoios políticos em todo o mundo – não deixarão de proclamar a santidade do “Pai”.
Nós, se não pudermos beneficiar da graça divina por intercessão do novo santo, ao menos não desafiemos a ira da Prelatura.
Nos países onde vigoram as teocracias a vida é um detalhe banal perante os zeladores da vontade do deus autóctone. A tara não é exclusiva do islamismo onde a deriva fascista se acentua com a miséria e atraso a que a religião conduz os respectivos povos.
A violência xenófoba das teocracias do Médio Oriente recorda-nos a forma como foram tratados os mouros, em Portugal, nos reinados de D. Afonso Henriques a D. Afonso III, e os judeus até à sua quase extinção.
Cristãos, judeus, livres-pensadores e todos os que não acreditem em Alá e no seu único Profeta, não façam jejum no Ramadão, não rezem cinco orações diárias, não contribuam com as esmolas e, se puderem, não forem a Meca, terão sempre a vida em perigo, para além de terem de comer, beber e vestir-se de acordo com as indicações que o arcanjo Gabriel ditou, em árabe, ao condutor de camelos, entre Medina e Meca.
Não esqueçamos que a liberdade religiosa só foi aceite pela Igreja católica no início da década de sessenta do século passado, no Concílio Vaticano II, liberdade que o actual pontífice suporta com visível azedume e que começou, de facto, com a Paz de Vestfália, que pôs termo à Guerra dos Trinta Anos, em 1648.
Em Portugal, a blasfémia ainda hoje é punível, por lei, apesar de ninguém admitir que um conceito medieval, que permanece no Código Penal, se sobreponha à liberdade de expressão.
Tal não acontece no Paquistão onde Asia Bibi (na foto), foi impedida de tirar água de um poço por ser infiel, designação que os cristãos mais trogloditas também usam para os crentes das outras religiões.
Sendo Asia Bibi católica, condição que afirmou, logo foi vítima de agressões até acabar por ser condenada à morte por enforcamento, pena que a descrença em Maomé justifica em países onde a lei do deus deles se sobrepõe à liberdade religiosa que só a laicidade dos países civilizados defende.
A eventual execução da católica Asia Bibi não é apenas mais uma morte por sectarismo religioso, é a negação da liberdade, a manutenção da barbárie e a prova da incapacidade mundial para defender os direitos, liberdades e garantias que a Declaração Universal dos Direitos do Homem consagra.
A eventual execução de Asia Bibi é um crime que envergonha o mundo e pesará sobre todos nós.
Para a Glória de Cristo Rei, o Cardeal Cañizares é o novo Prefeito do Culto Divino.
Comentário de E- Pá: Este cardeal, fervoroso adepto das missas tridentinas, tem subido paulatinamente na escala hierárquica do sacro colégio cardinalício, parecendo destinado a “altos” voos…
A julgar pela imagem que ilustra o post, para além de gostar de oficiar pelos rituais arcaicos, adora pavonear-se pelos claustros e pelas naves…ao que parece tentando varrer o chão do lixo secular que cobre a Igreja católica.
De facto, a exuberância dos seus paramentos [a espampanante capa magna] confere-lhe o aspecto de um pavão, embora muito menos policromática.
O menino que enquadra a foto segurando a aba da capa [caudatário] deve, no actual momento da ICAR, ter um transcendental significado…
O Diário de uns ateus é o blogue de uma comunidade de ateus e ateias portugueses fundadores da Associação Ateísta Portuguesa. O primeiro domínio foi o ateismo.net, que deu origem ao Diário Ateísta, um dos primeiros blogues portugueses. Hoje, este é um espaço de divulgação de opinião e comentário pessoal daqueles que aqui colaboram. Todos os textos publicados neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as posições da Associação Ateísta Portuguesa.