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Carlos Esperança

23 de Janeiro, 2011 Carlos Esperança

SODOMA_1 (Conto)

Naquele tempo, andava Deus na divina ociosidade a que se remeteu depois de ter criado o Mundo, quiçá arrependido do estratagema que engendrou para que os animais se multiplicassem, a ruminar uma desculpa por ter incluído a macieira quando fez as plantas, sabendo que sem Eva e sem maçã estaríamos todos, ainda hoje, condenados ao Paraíso e ao tédio.

Tinha acontecido o dilúvio e a engenharia ousado construir a torre de Babel. O primeiro foi um susto bem pregado e uma experiência radical e a segunda um extraordinário fracasso e uma enorme confusão.

Pela planície do Mar Morto espreguiçavam-se cinco cidades que tinham níveis diferentes de desenvolvimento, costumes variados e interesses diversificados. Distinguiam-se Sodoma e Gomorra pela enorme riqueza, com um nível de vida de causar inveja graças ao sector terciário que então ainda não tinha designação adequada por não haver economistas encartados. As outras eram menos importantes, a acreditar no primeiro livro do Pentateuco.

Vinha do Norte o ar quente que, depois de percorrer e acariciar as águas do mar, entrava suavemente em Sodoma para animar os corpos e dar energia à alma, soltar toda a imaginação de que o mundo era capaz na sua difícil infância e produzir um indizível arrebatamento.

Homens e mulheres contavam os minutos das poucas horas que o expediente dos escritórios lhes tomava para cultivarem a seguir todos os prazeres febrilmente sonhados. Mesmo nas horas de trabalho não se coibiam de ser felizes e soltarem a imaginação. Os afazeres que o desenvolvimento tecnológico se tinha encarregado de aligeirar eram cada vez mais um mero resquício para justificar a maldição bíblica que viria a ser criada com efeitos retroactivos. Sendo o trabalho um bem muito escasso ninguém se quisera apropriar dele.

Como os livros ainda não tinham sido inventados todos liam o livro da vida através dos sentidos. Tinham-se habituado a usar o corpo e a dar-lhe alma. Eram imensamente felizes a ponto de esquecerem Deus e os seus ensinamentos, as suas ameaças e maldições, o sofrimento e a cultura que o criara. E, porque eram felizes, não os atingia a doença, a fome, o medo ou a guerra.

Imagina-se o seu grau de felicidade pela intensidade da cólera divina, que enviou o fogo que destruiu Sodoma e, com ela, as outras cidades, e, com os que se divertiam, as crianças, que ainda o não sabiam fazer, e também os velhos que tinham esquecido já os divertimentos, se algum dia os souberam, e provavelmente algum anjo que tivesse tentado pôr termo ao pecado e acabou violado, chamuscadas as penas no desejo e esturricado, também ele, nas labaredas.

Ao longe Abraão assistia ao espectáculo que o seu Deus pirómano lhe servia à hora da sesta, tirando moncos do nariz, enquanto Loth, seu sobrinho, por bambúrrio da sorte ou por morar nos subúrbios, se esgueirava com as filhas e a mulher, tendo esta olhado para trás, apesar da recomendação divina em contrário, e sido transformada em estátua de sal, por ser nela maior a curiosidade que a obediência.
Para dizer alguma coisa ou por ter-se arrependido do fogo que ateara, ou para simplesmente criar factos que dessem conteúdo ao Êxodo, ao Levítico e a outros escritos, fez Deus umas promessas a Abraão que acabariam por dar origem a Israel, muito tempo depois, e dar a Jacob e aos seus 12 filhos o Egipto para se instalarem e cumprirem a profecia.

Sabe-se que Sodoma ficou na memória oral dos povos pelos hábitos sexuais de uma escassa minoria. Conhecendo-se hoje melhor Deus e os seus humores, a fé e os seus preconceitos, a devoção e a sua intolerância, somos levados a crer que seriam deliciosas as vitualhas, capitosos os líquidos, requintados os hábitos, agradáveis as relações, enfim, felizes os seus habitantes, a ponto de Deus perder a paciência e ser tomado daquela cólera que o celebrizou.

Terá sido Loth quem pôs a correr aquele boato que havia de criar o verbo a partir do nome da cidade desaparecida. Ou um qualquer viandante acabado de sair antes do fogo e ansioso de se atrelar ao vencedor.

21 de Janeiro, 2011 Carlos Esperança

Vaticano, Opus Dei, Berlusconi e moral

(…)

Otro apoyo fundamental del Gobierno es el intelectual de cámara católico Vittorio Messori, asiduo del programa Porta a Porta de Bruno Vespa y miembro del Opus Dei, que hoy, en una entrevista publicada en Il Giornale con el vaticanista del diario, Andrea Tornielli, de CL, exculpa a Berlusconi y culpa a los fiscales de perseguir políticamente al primer ministro. “Mejor un putero que hace buenas leyes que un notable catolicísimo que hace normas contrarias a la Iglesia”.

Fonte: El País

21 de Janeiro, 2011 Carlos Esperança

Diário Ateísta – órgão de serviço público_1

Há quem nos ache supérfluos, indignos e mal formados, quem julgue a nossa presença inútil, prejudicial ou perigosa, quem gostasse de nos ver calados, amordaçados ou erradicados. E nós, ateus, teimosamente vivos, perante a impotência de Deus e espanto dos crentes, teimamos em ser uma voz ao serviço da liberdade, do livre pensamento e da descrença.

Da enorme quantidade de religiões que disputam o mercado da fé todas se julgam inspiradas no único Deus verdadeiro, donde se conclui facilmente que na melhor das hipóteses todas são falsas e só uma é autêntica e, no caso mais provável, nenhuma delas passa de um embuste de que se alimentam os parasitas da fé à custa dos crédulos.

Os ateus respeitam os crentes e desprezam as crenças. São como médicos que cuidam os doentes e atacam as doenças; são solidários com os que sofrem e abominam os que incentivam o sofrimento; defendem a felicidade, o conhecimento e a razão e combatem a resignação, a subserviência e a superstição.

Nunca o Diário Ateísta defendeu posições racistas, discriminações com base na raça, no sexo, na religião ou em qualquer outro pretexto. Não faz a apologia do nacionalismo ou estimula atitudes belicistas. Reiteramos a cada momento a nossa determinação na defesa dos princípios que regem a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Qual a religião que se conforma com tais princípios?

Defendemos a liberdade, os direitos humanos e a democracia. Combatemos a pena de morte, a prisão perpétua e a tortura. Somos contra o racismo, a xenofobia e a discriminação sexual.  Há alguma religião que nos acompanhe? Quem é intolerante?

É ignóbil que alguém procure impedir a prática de uma religião mas é ainda mais abjecto haver quem imponha a sua prática, um hábito a que não renunciam facilmente os prosélitos dos diversos credos, determinados a fazer cumprir a vontade do deus a que se encontram hipotecados, escravos da vontade divina interpretada pela mente embotada dos seus padres.

As sociedades que aprofundam o laicismo não põem em causa o exercício da liberdade religiosa mas as que se submetem a um credo facilmente confiscam todas as liberdades em nome de um Deus que não existe com uma sanha persecutória e vocação totalitária próprias de quem se julga detentor de verdades absolutas.

20 de Janeiro, 2011 Carlos Esperança

Caso psiquiátrico ou de polícia ?

Curada por João Paulo II, freira diz que fala com ele

Religiosa conta como foi a manhã em que acordou sem Mal de Parkinson. Segundo a Igreja, foi um milagre do Papa.

A freira francesa que, para um conselho de especialistas consultados pela Igreja Católica, foi curada pelo Papa João Paulo II, deu detalhes ontem sobre como o sumo-pontífice a teria libertado do Mal de Parkinson. Marie Simon-Pierre, 49 anos, também contou que ainda “fala de vez em quando” com o Papa polonês, morto em 2005.

19 de Janeiro, 2011 Carlos Esperança

Vaticano – Cúmplice de crimes

Uma carta do Vaticano, escrita em 1997, pedia aos bispos católicos da Irlanda para não denunciarem à Polícia os casos de suspeita de abuso sexual contra crianças.

Uma carta, obtida pela emissora irlandesa RTE e fornecida à agência de notícias Associated Press (AP), documenta a rejeição do Vaticano a uma iniciativa da Igreja irlandesa para ajudar a Polícia a identificar os padres pedófilos.

A carta, citada pelo jornal britânico “The Guardian” enfraquece, assim, as persistentes afirmações do Vaticano de que a Igreja nunca instruiu os bispos para ocultarem evidências ou suspeitas de crimes de abuso sexual. (Continua… )

Nota: Compreende-se a pressa de P2 fazer um milagre.