Loading

Carlos Esperança

19 de Dezembro, 2011 Carlos Esperança

Negócios pios

“A Freira Que Sabia Comungar”, “Me Chame de Vagabunda” e “APros­tituta do Advogado”. Esses são apenas alguns dos títulos eróticos – e satânicos – publicados por uma editora da Igreja Católica na Alemanha.

Ela se chama Weltbild, é o segundo maior grupo editorial do país e foi comprada pelo Vaticano há mais de 30 anos – mas somente na semana passada a Igreja, conforme diz, deu-se conta de que a editora persistia em sua heresia porno.

19 de Dezembro, 2011 Carlos Esperança

Uma pesquisadora de milagres. A indústria não pára

Irmã Célia Cadorin, 84 anos, é uma espécie de detective da fé que conta com o apoio do cepticismo da ciência para encontrar milagres. Seu trabalho, minucioso e de mais de cinco décadas, é reunir documentos, relatos e pacientes que comprovam curas milagrosas creditadas à santidade de brasileiros.

As pesquisas da religiosa já sustentaram, por exemplo, a decisão do Vaticano em canonizar Frei Galvão e Madre Paulina.

18 de Dezembro, 2011 Carlos Esperança

Abraão do caraças !

Abraão levou o filho para o deserto…. amarrou-o a uma árvore e acendeu uma fogueira debaixo dos seus pés.

De repente, uma voz diz:
– Abraão, Abraão, que é isso ????
– Senhor, Senhor eu estou sacrificando o meu filho, conforme a Vossa ordem!!!!
– Não, Abraão, eu só queria medir a tua fé !!
– Mas Senhor….!!!!
– Abraão, solta o menino !!!!!
Abraão soltou o filho. O menino saiu disparado…correu, correu, correu, e
Abraão gritava:
– Filho volte, filho volte, o Senhor libertou-te !!!!
O menino parou, longe, e gritou:
– Libertou o caraças !!! Se eu não fosse ventríloquo, estava bem lixado !!!

17 de Dezembro, 2011 Carlos Esperança

Deus é omnipotente…

A Conferência Episcopal da Holanda manifestou hoje “dor e vergonha” diante dos resultados de uma investigação que fala em milhares de crianças vítimas de abusos sexuais em instituições católicas, no país, entre 1945 e 2010.

Num comunicado citado pela Rádio Vaticano, os bispos holandeses e os representantes das congregações religiosas reconhecem a culpa dos autores destes atos, mas também das autoridades eclesiais que não agiram no “interesse prioritário” das vítimas, às quais apresentam um pedido de desculpas, que estendem às famílias.

 

16 de Dezembro, 2011 Carlos Esperança

Mensagem do presidente da AAP aos sócios

A Associação Ateísta Portuguesa (AAP) manifesta o seu mais profundo pesar pela morte de Christopher Hitchens, ocorrida ontem no “M. D. Anderson Cancer Center” em Houston.

Com o seu desaparecimento, aos 62 anos, ficam de luto todos os ateus, cépticos e livres-pensadores para quem este intelectual constitui uma referência relevante.

Dezenas de sócios da AAP tivemos o privilégio de assistir à notável conferência que Hitchens proferiu em 18 de Fevereiro de 2010, na Casa Fernando Pessoa, em Lisboa. Lá esteve o livre-pensador, um dos maiores intelectuais do nosso tempo, a demonstrar a um imenso e interessado auditório a falsidade e os malefícios das crenças.

Um dos seus numerosos livros foi traduzido para português com o título «deus não é grande», uma obra essencial para se perceber «como as religiões envenenam tudo», mas o seu autor foi grande na coragem, na inteligência e no empenhamento com que combateu a superstição e desmascarou as mentiras das religiões.

Com Sam Harris, Richard Dawkins e Daniel Dennett, Christopher Hitchens foi um dos quatro grandes pedagogos contemporâneos que deram ao ateísmo a visibilidade que merece e que transmitiram os valores humanistas que nos libertam do totalitarismo a que as religiões condenam a humanidade.

A Associação Ateísta Portuguesa (AAP) manifesta enorme apreço e grade consideração pelo ateu desaparecido – o insubstituível Christopher Hitchens.

Penso poder dizer, em nome das centenas de ateus desta Associação, que todos estamos de luto e que todos saberemos honrar a sua memória e o seu exemplo.

14 de Dezembro, 2011 Carlos Esperança

Franco e o Vale dos Caídos

Creio que foi do El País que traduzi estas doridas palavras:

« O que não se pode tolerar mais é que numa democracia como a espanhola se perpetue a homenagem monumental a um genocida (mais de 114.000 execuções premeditadas e ordenadas ao mais alto nível, a maior parte depois da vitória, prisões e depurações maciças impostas retroactivamente aos republicanos, sequestros de crianças, etc.), quem mais sequestrou à força a vontade dos espanhóis durante mais de três décadas».

Nota: A Igreja católica foi cúmplice dos crimes deste pio facínora – Francisco Franco.

 

13 de Dezembro, 2011 Carlos Esperança

ICAR e bula fiscal em Itália

Por

E – Pá

 

Bons velhos tempos: Silvio Berlusconi (ex-chefe do Governo italiano) e o cardeal Angelo Bagnasco (presidente da conferência episcopal italiana e “administrador” do vastíssimo património imobiliário…) Foto colhida aqui link

Um oportuno artigo de El País em que se dá a conhecer a dimensão do património imobiliário da Igreja em Itália e como a isenção de impostos que actualmente desfruta distorce a realidade (e a equidade) fiscal neste País. link

12 de Dezembro, 2011 Carlos Esperança

Folha de S. Paulo publica resposta da Atea

O fundamentalismo nosso de cada dia nos dai hoje

(Publicado na secção Tendências/Debates da Folha de S. Paulo de 8/12/2011)

Segundo Ives Gandra, em recente artigo nesta Folha (“Fundamentalismo ateu“, 24/11), existe uma coisa chamada “fundamentalismo ateu”, que empreende “guerra ateia contra aqueles que vivenciam a fé cristã”. Nada disso é verdade, mas fazer os religiosos se sentirem atacados por ateus é uma estratégia eficaz para advogados da cúria romana. Com o medo, impede-se que indivíduos possam se aproximar das linhas do livre-pensamento.

É bom saber que os religiosos reconhecem o dano causado pelo fundamentalismo, mas resta deixar bem claro que essa conta não pode ser debitada também ao ateísmo.

Os próprios simpatizantes dos fundamentos do cristianismo, que pregam aderência estrita a eles, criaram a palavra “fundamentalista”. Com o tempo, ela se tornou palavrão universal. O que ninguém parece ter notado é que, se esses fundamentos fossem tão bons como querem nos fazer crer, então o fundamentalismo deveria ser óptimo!

Reconhecer o fundamentalismo como uma praga é dizer implicitamente que a religião só se torna aceitável quando não é levada lá muito a sério, ideia com que enfaticamente concordam centenas de milhões de “católicos não praticantes” e religiosos que preferem se distanciar de todo tipo de igrejas e dogmas.

Já o ateísmo é somente a ausência de crença em todos os deuses, e não tem qualquer doutrina. Por isso, fundamentalismo ateu é um oximoro: uma ficção ilógica como “círculo quadrado”.

Gandra defende uma encíclica papal dizendo que “quem não é católico não deveria se preocupar com ela”. No entanto, quando ateus fazem pronunciamentos públicos preocupa-se tanto que chama isso de “ataque orquestrado aos valores das grandes religiões”.

Parece que só é ataque orquestrado se for contra a religião. Contra o ateísmo, “não se preocupem”.

Aparentemente, para ele os ateus não têm os mesmos direitos que religiosos na exposição de ideias.

A religião nunca conviveu bem com a crítica mesmo. Já era hora de aprender. Se há ateus que fazem guerra contra cristãos, eu não conheço nenhum. Nossa guerra é contra ideias, não contra pessoas.

Os ateus é que são vistos como intrinsecamente maus e diuturnamente discriminados pelos religiosos, não o contrário. Existem processos movidos pelo Ministério Público e até condenação judicial por causa disso.

O jurista canta loas ao “respeito às crenças e aos valores de todos os segmentos da sociedade”, mas aqui também pratica o oposto do que prega: ele está ao lado da maioria que defende com entusiasmo que o Estado seja utilizado como instrumento de sua própria religião.

Para entender como se sente um ateu no Brasil, basta imaginar um país que dá imunidade tributária e dinheiro a rodo a organizações ateias, mas nenhum às religiosas; que obriga oferecimento de estudos de ateísmo em escolas públicas, onde nada se fala de religião.

Um país que assina tratados de colaboração com países cuja única atividade é a promoção do ateísmo; cujos eleitores barram candidatos religiosos; que ostenta proeminentes símbolos da descrença em tribunais e Legislativos (onde se começam sessões com leitura de Nietzsche) e cuja moeda diz “deus não existe”.

E depois os fundamentalistas que fazem ataque orquestrado somos nós.

(Daniel Sottomaior é presidente da Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos)