3 de Dezembro, 2013 Carlos Esperança
O mundo avança e a Espanha também
O PSOE no caminho da laicidade
Lúcia de Jesus dos Santos ou Irmã Maria Lúcia de Jesus e do Coração Imaculado, Irmã Lúcia, para os mais chegados, fez a 1.ª comunhão aos 6 anos e aos 14 tornou-se reclusa, como pensionista, na escola das Irmãs de St.ª Doroteia, em Vilar, próximo do Porto.
A 3 de janeiro de 1944, já com letra aprimorada e intimidade com o divino, escreveu, a pedido, a “Terceira Parte do Segredo de Fátima”, quando ainda usava o pseudónimo de Maria das Dores e vivia enclausurada em Tui, Espanha.
Já era então vasto o currículo místico, com amplo traquejo no campo das visões, desde as entrevistas com a Virgem, que saltitava de azinheira em azinheira, até aos rodopios do sol, transformado em bola de fogo, a brilhar em numerosas cores, e à viagem ao Inferno onde encontrou o Administrador do Concelho de Ourém, a frigir como merecia, por, em vida, ter faltado à missa.
A Terceira Parte do Segredo de Fátima foi um ponto alto da sua bibliografia pois era a profecia que o papa João Paulo II, na sua superstição, entendeu ser a seu respeito. Esse recado celeste vai agora ser investigado por uma professora catedrática de Coimbra, Maria José Azevedo Santos, não porque tenha a santidade no apelido, mas por ser uma cientista em Paleografia, Diplomática e Codicologia, ciências terrenas que hão de ajudar a compreender as idiossincrasias do Paraíso.
A Congregação para a Doutrina da Fé, ex-Santo-Ofício, de passado pouco estimável, é a possuidora do valioso documento, ora emprestado, pelo prazo de 1 ano, ao Santuário de Fátima onde integrará a exposição «Segredo e Revelação», evento que acordará paixões pias e êxtases místicos.
Espera-se que no acervo dos alvitres da Senhora do Rosário – nome com que a virgem se apresentou aos pastorinhos –, não faltem as cartas que a experiente vidente dirigiu a Marcelo Caetano pedindo legislação adequada para a altura das saias e o tamanho das mangas dos vestidos femininos.
Sabe-se que a Ir.ª Lúcia está no Céu porque, no dia do seu funeral, o Papa João Paulo II e o futuro Papa Bento XVI disseram que ela iria para o céu e Deus seria incapaz de lhes contrariar as previsões.
Igreja eslovaca diz que igualdade do género destrói a família
Os bispos eslovacos defendem que a família é uma instituição de Deus e que a desintegração familiar deteora a felicidade
A Igreja católica eslovaca disse hoje numa carta pastoral que a igualdade de género destrói a família e que a decisão de aceitar pares homessexuais leva a uma “confusão sodomita”.
Papa vai ajudar Arquidiocese do Rio a pagar dívida
Vaticano negocia financiamento para sanar rombo de R$ 90 milhões deixado depois da Jornada Mundial da Juventude
28 de novembro de 2013 | 2h 03 Jamil Chade, ENVIADO ESPECIAL / ROMA – O Estado de S.Paulo
Com uma dívida considerada “impagável” pelo Vaticano, a Arquidiocese do Rio de Janeiro será socorrida por um financiamento do papa Francisco por causa do rombo deixado depois da Jornada Mundial da Juventude (JMJ). O Estado apurou que a Santa Sé deverá contribuir com um “valor significativo” e está negociando os termos e os valores do resgate.
O Papa Francisco, à semelhança dos antecessores, é um fervoroso adepto do diálogo inter-religioso e apelou no dia 28 de novembro, no Vaticano, ao diálogo, para superar o “medo” recíproco e evitar em conjunto a “tragédia dos pensamentos únicos”.
Condenando a ideia de que a convivência só é possível escondendo a própria pertença religiosa – pensamento que considera apanágio de sociedades secularizadas –, o Papa insurge-se contra a possibilidade de a religião ser remetida para a esfera privada, sem a ostentação da iconografia com que todas procuram ocupar o espaço público.
Não cuido de fazer juízos de valor sobre a intenção do Papa e, muito menos, sobre a sua bondade. O que é paradoxal é conciliar o diálogo e o proselitismo, as reuniões de várias religiões e a sua atuação prática nos templos e organismos que tutelam.
O Papa não pode esquecer o «diálogo inter-religioso» estabelecido pelos jesuítas na sua América do Sul, onde a fé foi imposta com inaudita violência e à custa do sumiço das populações autóctones. A ferocidade religiosa dos reis católicos de Espanha, Fernando e Isabel, foi tal, que o Vaticano se vergonha de canonizá-los.
Como se pode dialogar e, ao mesmo tempo, evangelizar? Estão dispostos os dialogantes a fazer a síntese das suas verdades, e a criar outra versão da fé, ou apenas a aproveitar as atenções da comunicação social para fingirem abertura de espírito.
É difícil saber o que se passa no Vaticano, de que maneira foi Deus servido de chamar à sua divina presença João Paulo I, após 33 dias de pontificado com vontade de examinar as contas do I.O.R.; que acordos políticos estabeleceu João Paulo II com as ditaduras da América do Sul e com os EUA e por que motivo não entregou o arcebispo Marcinkus à justiça italiana; que estranho motivo levou Bento XVI a surpreender a Cúria com a sua resignação. Enfim, há segredos que nem a Deus, se existisse, seriam confessados.
Os homens podem dialogar porque têm as suas ideias, e estas são passíveis de mudança, mas os clérigos têm a ideia que o seu deus lhes comunicou e, porque deus não mais deu sinais de vida, não é possível dialogar sobre verdades absolutas, eternas e imutáveis.
Só há pensamentos únicos nas religiões, onde a ausência da mínima ortodoxia é heresia.
Um responsável religioso da Arábia Saudita afirmou que a proibição de conduzir para as mulheres destinava-se a “proteger a sociedade do mal”, noticiou a imprensa saudita.
«O Estado também não pode ser ateu, deísta, livre-pensador; e não pode ser, pelo mesmo motivo porque não tem o direito de ser católico, protestante, budista. O Estado tem de ser cético, ou melhor dizendo indiferentista» Sampaio Bruno, in «A Questão religiosa» (1907).
«O Estado nada tem com o que cada um pensa acerca da religião. O Estado não pode ofender a liberdade de cada qual, violentando-o a pensar desta ou daquela maneira em matéria religiosa». Afonso Costa, in «A Igreja e a Questão Social» (1895) – R & L
Sampaio Bruno e Afonso Costa exprimiram, muito antes de eu ter nascido, o que ora penso.
Ontem fui confrontado com esta notícia: «Angola é o primeiro país do mundo a banir o Islão», notícia repetida em numerosos meios de infirmação, cuja divulgação deu origem aos mais desvairados comentários.
Em primeiro lugar não vi uma única reflexão sobre o título, tantas vezes repetido, que, ao afirmar que «Angola é o primeiro país…» deixa implícito o desejo de que outros se sigam. Isso é islamofobia. É racismo. É discriminação.
Sei o que é a repressão religiosa, moderada – dirão alguns –, exercida no meu país pela Igreja católica, antes do 25 de Abril. Além do ensino obrigatório nas escolas públicas, era a religião imposta a quem quisesse exercer o magistério primário ou a enfermagem.
Havia Escolas de Enfermagem onde o «certificado de batismo» e o «atestado de bom comportamento», este, passado pelo pároco da paróquia de origem, eram documentos obrigatórios, a juntar à certidão de idade, certificado de habilitações e registo criminal.
Nas Escolas do Magistério existia a cadeira de Religião Moral (católica) com o mesmo valor da Pedagogia, Didática e Psicologia Infantil, embora pouco exigente a provar a existência de Deus. A missa da Consagração do Curso, a Bênção e a foto com o bispo da diocese, não estando legisladas, eram impostas.
O potencial belicista das religiões, sobretudo dos monoteísmos, está bem documento na História. Hoje aparecem com particular furor o sionismo, reflexo do judaísmo ortodoxo, e o islamismo como produto virulento da decadência da civilização árabe e do contágio de países não árabes, além de permanecer a mais implacavelmente prosélita.
A superioridade da democracia reside na tolerância para com os adversários, tolerância que as religiões não aceitam porque a vontade do deus, de cada uma, é única, imutável e autêntica. Basta ler o Pentateuco (AT) para ver que o deus criado na Idade do Bronze é incompatível com a liberdade individual. É produto da sociedade tribal e patriarcal, dos seus medos, desejos e primitivismo: violento, xenófobo, vingativo, cruel, misógino e homofóbico. E o Antigo Testamento é a sua expressão e a fonte dos três monoteísmos.
Não se peça aos crentes que o enjeitem, mas não se pode aceitar um Estado que permita às religiões a conduta a que obriga outras associações. A isso chama-se “laicidade”, sem a qual a democracia é uma caricatura.
O Diário de uns ateus é o blogue de uma comunidade de ateus e ateias portugueses fundadores da Associação Ateísta Portuguesa. O primeiro domínio foi o ateismo.net, que deu origem ao Diário Ateísta, um dos primeiros blogues portugueses. Hoje, este é um espaço de divulgação de opinião e comentário pessoal daqueles que aqui colaboram. Todos os textos publicados neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as posições da Associação Ateísta Portuguesa.