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Carlos Esperança

16 de Abril, 2014 Carlos Esperança

O stock das almas e o Paraíso

O Paraíso parece um bar de alterne, um lugar especialmente mal frequentado. A avaliar pelos santos que o defunto JP2 tirou das profundezas do Inferno ou do estágio no Purgatório, há hoje uma multidão de patifes a jogar as cartas com o divino mestre e a servir bebidas ao Padre Eterno.

Não sei se é Torquemada que toma conta do armazém das almas de crianças por nascer ou de adultos por batizar, pois sabe-se de ciência certa, com aquela honestidade que se reconhece ao clero, que os não batizados têm como destino o Limbo, um sítio insípido, sem divertimentos nem crueldades como as que o Deus de Abraão criou como destino dos bem-aventurados ou das almas penadas.

No armazém das almas o negócio anda próspero com a explosão demográfica dos países pobres. Mas Deus é um comerciante insatisfeito que quer despachar mais mercadoria.

É por isso que a ICAR é contra o planeamento familiar, a contraceção, o preservativo, a IVG, o DIU e a pílula. No Céu há uma alma para cada espermatozoide e é por isso que tanto o pecado solitário como a ejaculação noturna são uma catástrofe para o negócio.

Os clérigos, encarregados de tratar das almas e olhar pelo negócio, andam estarrecidos com a possibilidade do fim da perseguição criminal às mulheres que interrompam a gravidez. E, ano após ano, aumentam os países que descriminalizam a IVG.

Aliás, para as religiões do livro, a mulher é um ser inferior que deve obediência ao marido e serve apenas para a reprodução e os louvores ao Deus da zona de residência.

15 de Abril, 2014 Carlos Esperança

Os netos do salazarismo católico vingam os pais

Chegados ao poder, depois de assistirem ao silêncio magoado dos pais, derrotados em sucessivas eleições livres, os mais reacionários de sempre, estão aí para se desforrarem de 37 anos que, apesar dos solavancos, decorreram com o 25 de Abril como referência.

Hoje, carregados de ódio e ignorância, sentidos com as liberdades conquistadas, querem vencer pelo medo os que não se vergam, não se ajoelham e recusam andar de rastos.

Tiram-nos tudo, o direito à saúde, à segurança social e ao ensino. A saúde, esquartejada entre bancos e IPSS, o ensino entregue às sotainas e ao capital e a segurança social à mercê da sopa dos pobres e da caridadezinha, para quem não pode pagar seguros. Deixam-nos as missas e as novenas como no tempo da ditadura.

O problema é nosso, na placidez bovina com que lhes toleramos as ofensas aos militares de Abril, na mansidão com que mostrámos quando nos extorquiram os feriados do 5 de Outubro e do 1.º de Dezembro e deixámos que nos desafiassem com o roubo das datas identitárias.

Os portugueses deixaram de nascer com vergonha e medo e, os que ainda vivemos no desassossego dos que nos querem mortos ou emigrados, somos incapazes de julgar o gangue do PPN, os partidos que ele subsidiou e as pessoas cujas campanhas eleitorais patrocinou, gente que nos quer levar de novo à missa, à novena e à confissão.

Querem-nos batizados, tementes a deus, peregrinos de Fátima a engolir as patranhas da fé e os desígnios do Vaticano. Preferem o mês de Maria ao de Abril, a fé aos direitos e as orações à laicidade.

“Até quando, ó Catilina, abusarás da nossa paciência?”, ou em latim, como o secretário de Estado que experimentou a reação dos portugueses perante a transformação dos cortes provisórios das pensões, em definitivos: “Quosque tandem abutere, Catilina, patientia nostra” ?

Falta-nos um Cícero que nos convoque.

12 de Abril, 2014 Carlos Esperança

Os interesses do Vaticano e a sua origem

Por

Serafim Lobato

Seja chico, seja ratzinger, seja paulo, ricardo ou luís, isto é que importa: “Em 1927, através de um Tratado que se chamou de Latrão, a Santa Sé, do falecido Papa Pio XI, em troca do apoio ao sistema fascista italiano, em todas as vertentes, recebeu das mãos de Benito Mussolini um valor de cerca de 100 milhões de dólares, que os financeiros do Vaticano aplicaram em negócios em todo o Mundo. Primeiro, em Itália, depois, na Inglaterra e Nos Estados Unidos.

Esse dinheiro foi aplicado em investimentos rentáveis imediatos e títulos de Tesouro (uma parte substancial do Tesouro inglês pertence ao Papado). O Banco do Vaticano, o Instituto per la Opere de la Religione (IOR), tornou-se um banco sem controlo, com completa imunidade nas transacções, de acordo com o Tratado citado.

O Tratado estipulava ainda que três alíneas (29, 30 e 31) que isentavam de impostos as chamadas “instituições eclesiásticas”, incluindo o IOR, ou seja as nossos Instituições de Solidariedade Social e Misericórdias, entre outras, bem como o pagamento de salários aos padres

Com a permissão de Mussolini, o Papado começou a tomar conta de grandes empresas, principalmente das que ficavam sob a alçada do IRI – Istituto di Reconstruzioni Industriale, entidade criada para gerir os fundos estatais destinados a salvar empresas e bancos.

As empresas de águas das principais cidades saltaram para as mãos do Vaticano, bem como as redes de gás e grande parte da indústria automóvel e petrolífera e praticamente de mais de 3/5 do sistema bancário.

A Santa Sé interligou com a finança judia internacional, especialmente norte-americana, e hoje tem uma quota-parte significatica do investimento de Wall Street e da City Londrina (J.P.Morgan, General Electrics, Hambros Bank, Chase Manhattan, First National Bank, etc etc. Não falando já no Barclays Bank, o Santander, O Crédit Suisse,

O Vaticano tem uma supremacia acentuada, em parceria estratégica com o capital judeu (Rotschild/Rockfeller), no Banco Central Europeu.

Domina, praticamente, o Banco Central Italiano ( com bancos accionistas como as Cassa de Risparmio, Intesa saoPaolo, Unicredit, Assicucurazioni General e Unibanca), para não falar em bancos dispersos por outros países que são accionistas do BCE: como o grupo Allianz, Deutschbank, Commerzbank, Abn Amro, Barclays Bank, BNP Parisbás, grupo Santander, Royal Bank of Scotland e Bankia.”

12 de Abril, 2014 Carlos Esperança

Com amigos assim, a Igreja não precisa de inimigos

Por

Henrique Raposo

8:00 Sexta feira, 11 de abril de 2014

Em dez anos de jornalismo, nunca falhei uma questão factual. Posso dizer disparates a jusante, mas a montante tenho sempre uma sólida base factual. Investigo, leio, sublinho, empilho recortes sobre o tema. Mas há sempre uma primeira vez: a base desta crónica é falsa , é uma piada que se transformou em mito urbano. Não, o arcebispo de Granada não disse para as senhoras pensarem em Deus enquanto fazem o fellatio da ordem aos maridos. Era bom de mais para ser verdade, não era? Como estava rodeado de amigos a comentar a notícia, nunca pensei que estava perante um mito urbano. Mas a culpa é só minha. Só tenho de pedir desculpas aos leitores.

Deus, porém, escreve direito por linhas tortas. Se não tivesse cometido este erro, nunca teria investigado a fundo esta personagem. E, depois de ler várias peças sobre Francisco Javier Martinez, só posso dizer o seguinte: com amigos assim, a Igreja não precisa de inimigos. Comecemos pelo soft porno. Martinez afastou um padre da vila de Albunol, porque o dito pároco acolhia imigrantes ilegais. O padre em questão, Gabriel Castillo, estava a fazer aquilo que a Igreja da caridade tem de fazer: ajudar os mais necessitados, acolher na sua própria casa os desgraçados que ali dão à costa em pele e osso. Mas, ora essa, Francisco Javier Martinez não admitiu tamanha heterodoxia no seu domínio e suspendeu Gabriel Castillo. Dentro do mesmo espírito, Martinez também expulsou noviças estrangeiras (indianas) de conventos. Um ecuménico, este Javier.

Mas deixemos o soft porno e passemos à pornografia moral pura e dura. Francisco Javier Martinez é daquele estirpe que, em nome de Deus e do Bem, entra em territórios mais do que questionáveis. Uma coisa é dizer que o aborto é um mal. E é, com certeza. Outra coisa, bem diferente, é dizer que o aborto voluntário dá aos homens a licença absoluta para abusar do corpo da mulher.

Eis a versão total e original: “matar a un nino indefenso, y que lo haga su propria madre, da a los varones la licencia absoluta de abusar del cuerpo de la mujer, porque la tragedia se la traga ella”. Preferia ter ficado na ignorância, preferia ter ficado no mito urbano, porque isto é muito pior.

Esta é a versão eclesiástica do ela-estava-mesmo-a-pedi-las, o arcebispo de Granada está a legitimar a violação das mulheres que abortam. O que é estranho para um suposto homem de Deus: um mal não se cura com outro mal, cura-se com o perdão, essa invenção de Jesus Cristo que muitos filisteus de batina nunca compreenderão.

Da série “És a minha fé”

Ler mais: http://expresso.sapo.pt/com-amigos-assim-a-igreja-nao-precisa-de-inimigos=f865007#ixzz2yaVw6YLF

11 de Abril, 2014 Carlos Esperança

Giordano Bruno vai ficar satisfeito e agradecido

O teólogo dominicano Frei Betto pediu ao papa Francisco a reabilitação de Giordano Bruno, o filósofo e astrónomo italiano condenado à fogueira pela Inquisição em 1.600 por considerar heréticos seus postulados filosóficos.

A revelação foi feita pelo teólogo em entrevista concedida ao jornal italiano ‘La Repubblica’ divulgada nesta quinta-feira. O encontro entre Frei Betto e Francisco ocorreu na residência do pontífice, a casa Santa Marta.