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Anglicanos à beira do cisma

As três religiões monoteístas não toleram a sexualidade pura ou a simples sexualidade. Sem procriação é um mal absoluto, razão pela qual condenam à morte os homossexuais.

O carácter misógino que a Tora reflecte, oriundo de culturas anteriores, foi plagiado pelo Novo Testamento e encontrou defensores acérrimos em Paulo de Tarso e Agostinho, dois santos doutores, sofríveis cidadãos e execráveis beatos.

O próprio Papa Paulo VI, que odiava mulheres mas tinha especial carinho por homens, não fazia mais do que ser coerente com a fé. O resto eram fraquezas.

Claro que o delírio esquizofrénico contra as mulheres e os homossexuais atinge o seu esplendor no Corão, esse plágio tosco da Bíblia cristã, feito por Deus e ditado durante vinte anos à cabeça dura de um profeta analfabeto.

A ordenação de mulheres – um ser inferior como declaram os livros sagrados e garantem os santos doutores – está na origem de um eventual cisma da Igreja anglicana, agravado pela sagração de bispos homossexuais.

O anglicanismo, muito próximo do catolicismo, digere mal a liberdade sexual, ou melhor, a transparência. Os bispos podem ser homossexuais – houve e há muitos -, mas não se deve saber. Houve papas homossexuais mas não se admite oficialmente.

A hipocrisia é uma característica eclesiástica muito arreigada.

Os crentes julgam que estas taras foram debeladas e que a igualdade entre sexos é uma evidência. Transcrevo da Visão de hoje, palavras do patriarca Policarpo (EM FOCO, pg. 34): «Muitas [mulheres] lamentam que a Igreja seja demasiadamente masculina. Não é de facto, e sê-lo-á cada vez menos na medida em que mais mulheres sejam santas e sejam capazes de abraçar o mundo num acto de amor».

E por que não abraçar um homem ou uma mulher? Abraçar o mundo deve ser uma metáfora sexual só para crentes.