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Mês: Abril 2026

12 de Abril, 2026 Onofre Varela

DESRESPEITO PELOS IMIGRANTES QUE NOS ENGRANDECEM

A revista Visão, na sua edição do dia 6 de Novembro de 2025, inclui um Dossiê/Reportagem sobre imigração com o título “Isto já não é um país acolhedor”, assinado por três jornalistas: Alexandra Correia, Lucília Monteiro e Francisco Romão Pereira, que fizeram um trabalho de investigação digno de nota.

Transcrevo o último parágrafo da reportagem, porque ele contempla uma das mais importantes mensagens que a reportagem contém, no sentido da valorização do trabalho imigrante na economia do país. (As frases entre parêntesis são da minha responsabilidade):

«Todos os indicadores económicos e demográficos apontam o valor inestimável da imigração para o nosso país. Vários sectores, como a agricultura, as pescas, o turismo e a restauração, não sobreviveriam já sem eles. O medo (disseminado por má-fé pelos xenófobos) é simplesmente algo sem fundamento. (Resulta) da emoção primária usada no discurso político para obtenção de vantagens eleitorais. Já o ódio, esse, tem várias explicações. Pondo o dedo na ferida: o racismo tem sempre implícita a ideia de que o outro ser humano vale menos. E, portanto, como bons cobardes, decide-se bater no elo mais fraco. Naturalmente, o discurso xenófobo vindo dos políticos atiça e inspira a violência nas ruas. Não há inocentes neste caminho. É nesta encruzilhada que nós, enquanto sociedade, nos encontramos (e para dela sairmos temos de crescer em termos de raciocínio humanista, não admitir o ódio dos extremistas e combatê-los, até. Só assim faremos jus ao facto de sermos portugueses e termos herdado uma cultura multi-racial desde que andamos pelo mundo a deixar marcas em todas as regiões)».

A solidariedade – que nos torna humanos na melhor definição do termo – é atacada pelos piores de nós que fazem alarde do primitivo sentido racista que representam e alimentam.

Por associação de ideias, e pegando na frase “a ideia de que o outro ser humano vale menos” acima mencionada, recordo que o racismo levou ao “apartheid” na África do Sul, desde 1948 até 1994.

Nos EUA o “apartheid” praticado pelos americanos tomou o nome de “segregação racial”… a qual, no fundo, praticava o mesmo desrespeito pelo ser humano de tom de pele diferente.

O “apartheid” sul-africano foi condenado internacionalmente como injusto e racista nas Nações Unidas em 1973, mas só em 1976 a ideia ganhou força e caminhou “em câmara lenta” levando à sua abolição, apenas, em 1994, quatro anos depois da libertação de Nelson Mandela a 11 de Fevereiro de 1990.

31 anos nos separam de tal data que marca um avanço na história da Humanidade. Constatarmos, hoje, que a ideia do racismo e da segregação faz o dia-a-dia de muitos países (entre os quais Portugal) que alimentam extremas-direitas xenófobas, é constatar que a Humanidade está em regressão… a andar em marcha-atrás.

A solidariedade e a amizade entre os povos, que faz a melhor parte de nós, é atacada por essas direitas que alastram no mundo como nódoa em tecido precioso.

De facto, tal como se diz na reportagem, isto já não é um país acolhedor… e tal constatação só nos diminui.

É preciso que o tempo avance, permitindo que os eleitores alimentadores de xenófobos percebam a “marcha-atrás” social e humanista que apoiaram… e se envergonhem…

OV